{"id":18925,"date":"2006-07-04T11:19:53","date_gmt":"2006-07-04T11:19:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/04\/estive-na-prisao-e-fostes-ver-me\/"},"modified":"2006-07-04T11:19:53","modified_gmt":"2006-07-04T11:19:53","slug":"estive-na-prisao-e-fostes-ver-me","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estive-na-prisao-e-fostes-ver-me\/","title":{"rendered":"\u00abEstive na pris\u00e3o e fostes ver-me\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Que os que est\u00e3o nas pris\u00f5es, especialmente os jovens, recebam o apoio necess\u00e1rio por parte da sociedade, a fim de conseguirem dar sentido \u00e0s suas vidas. Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o m\u00eas de Julho <!--more--> 1.\tUm meio, n\u00e3o um fim&#8230; Mesmo nas sociedades mais desenvolvidas econ\u00f3mica e culturalmente, ainda n\u00e3o foi poss\u00edvel abolir o crime, nas suas variadas formas \u2013 nem \u00e9 previs\u00edvel que alguma vez o seja. As sociedades sentem, por isso, necessidade de se defender, e aos cidad\u00e3os, individualmente, contra aqueles que, rejeitando as regras de uma conviv\u00eancia pac\u00edfica e justa, optam pelo crime para responder a problemas pontuais ou como um modo de vida. A pris\u00e3o \u00e9, desde tempos remotos, um dos meios mais comuns e persistentes usados pelas sociedades organizadas com o fim de exercer este direito \u00e0 defesa individual e colectiva contra os que violam as leis, retirando-lhes, de modo permanente ou limitado, o direito \u00e0 livre conviv\u00eancia em sociedade.  2.\tSitua\u00e7\u00e3o desumanizante. A liberdade representa a situa\u00e7\u00e3o comum a que aspiram os seres humanos e a que mais os humaniza. Privar algu\u00e9m da liberdade e, logo, da capacidade de se autodeterminar, \u00e9, sem d\u00favida, um rude castigo, com grande potencial de desumaniza\u00e7\u00e3o. Mas o encarceramento traz consigo outras penas, associadas \u00e0 falta de liberdade: a priva\u00e7\u00e3o da intimidade; a sujei\u00e7\u00e3o a regras impostas, vividas dentro de um espa\u00e7o limitado; a tens\u00e3o associada \u00e0 conviv\u00eancia for\u00e7ada com outras pessoas; em muitos casos, a falta de condi\u00e7\u00f5es materiais das mesmas pris\u00f5es; a exist\u00eancia de grupos organizados dentro das pris\u00f5es, que se imp\u00f5em aos mais fr\u00e1geis&#8230; Tudo isto configura a pris\u00e3o como um espa\u00e7o tendencialmente despersonalizado e desumanizante, onde os presos facilmente se tornam n\u00fameros e coisas.  3.\tProcurar a integra\u00e7\u00e3o na sociedade. Cumprido o seu objectivo prim\u00e1rio \u2013 punir algu\u00e9m pela ofensa cometida contra a sociedade \u2013, \u00e9 hoje dado como adquirido que a pris\u00e3o deve contribuir, tamb\u00e9m, para a recupera\u00e7\u00e3o social do preso, ou seja, deve ajud\u00e1-lo a preparar-se para, terminada a pena, se integrar de modo v\u00e1lido na sociedade, da qual nunca deixou de fazer parte. Este objectivo, deve dizer-se, \u00e9 dos mais dif\u00edceis, pois as pris\u00f5es, por confinarem num mesmo espa\u00e7o pessoas com passados muito diferentes, facilmente se tornam escolas do crime, mais do que espa\u00e7os de integra\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na sociedade. N\u00e3o deve, apesar disso, nenhum sistema prisional pr\u00f3prio de sociedades desenvolvidas desistir desse objectivo integrador \u2013 pois tal objectivo ajuda-o a manter-se mais humanizado e, logo, mais humanizador.  4.\t\u00abEstive na pris\u00e3o&#8230;\u00bb. Falando do julgamento final e das obras que h\u00e3o-de contribuir para a salva\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos, Jesus inclui entre estas a visita aos presos: \u00ab&#8230; estive na pris\u00e3o e fostes ter comigo\u00bb (cfr. Mateus 25, 36). E, interrogado sobre quando Lhe tinham feito tal coisa, afirma: \u00abSempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes\u00bb (25, 40). As ditas \u00abobras de miseric\u00f3rdia\u00bb podem, \u00e9 certo, ser entendidas simbolicamente, pois implicam todas as dimens\u00f5es da exist\u00eancia humana. \u00c9 certo, mas&#8230; n\u00e3o deixa de ser significativo que, entre tantos exemplos poss\u00edveis, Jesus tenha escolhido os que escolheu; e, entre eles, este de \u00abvisitar os presos\u00bb. Importa, por isso, dar-lhe aten\u00e7\u00e3o. No tempo de Jesus, as condi\u00e7\u00f5es dos presos eram certamente bem mais deplor\u00e1veis do que hoje, na maior parte dos casos \u2013 da\u00ed a urg\u00eancia de os visitar, at\u00e9 para lhes levar alimento e para n\u00e3o ficarem esquecidos, sem julgamento e completamente \u00e0 merc\u00ea dos seus carcereiros. Durante s\u00e9culos, perduraram as condi\u00e7\u00f5es degradantes nas pris\u00f5es \u2013 e a exig\u00eancia da visita aos presos, levando-lhes aux\u00edlio material e apoio espiritual, manteve-se, como princ\u00edpio de humanidade e de humaniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas dos presos mas tamb\u00e9m daqueles que os visitavam. Hoje, quando as condi\u00e7\u00f5es materiais nas pris\u00f5es s\u00e3o bem melhores e o modo como os presos s\u00e3o tratados \u00e9 bem mais vigiado, pode parecer que tal exig\u00eancia vai deixando de fazer sentido. Mas n\u00e3o \u00e9, de todo, o caso. Na verdade, mant\u00e9m-se e, em alguns casos, at\u00e9 se torna mais urgente, sobretudo olhando \u00e0 quantidade de jovens que, pelos motivos mais diversos, acabam na pris\u00e3o, cumprindo penas mais ou menos longas. Importa, pois, manter e refor\u00e7ar o voluntariado crist\u00e3o nas pris\u00f5es, como modo excelente de apostolado \u2013 mesmo se raramente surge a oportunidade para falar de Cristo. Afinal, voltando \u00e0s palavras do Senhor, Ele j\u00e1 l\u00e1 est\u00e1, na pessoa de cada um dos mais pequeninos que ali se encontram \u2013 e o que Ele espera \u00e9 a companhia e o aux\u00edlio dos seus irm\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que os que est\u00e3o nas pris\u00f5es, especialmente os jovens, recebam o apoio necess\u00e1rio por parte da sociedade, a fim de conseguirem dar sentido \u00e0s suas vidas. Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o m\u00eas de Julho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[329],"class_list":["post-18925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}