{"id":189083,"date":"2020-10-28T11:27:26","date_gmt":"2020-10-28T11:27:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=189083"},"modified":"2020-10-28T11:27:26","modified_gmt":"2020-10-28T11:27:26","slug":"saber-aprender-a-ser-agente-de-comunhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-ser-agente-de-comunhao\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A ser agente de comunh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O que pode uma pessoa sem qualquer responsabilidade pol\u00edtica, ou influ\u00eancia que os outros consideram importante na sociedade, fazer pelo planeta? O planeta \u00e9 t\u00e3o grande e cada um \u00e9 t\u00e3o pequeno, que a vida de uma pessoa far\u00e1 alguma diferen\u00e7a planet\u00e1ria? Bom, se um v\u00edrus bem mais pequeno que o mais fino cabelo humano produziu altera\u00e7\u00f5es culturais profundas, porque n\u00e3o? Fazer a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de escala, mas de consci\u00eancia. E, nesse sentido, importa tomar consci\u00eancia de sermos agentes de comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma realidade ineg\u00e1vel. Hoje, sabemos que o ser humano possui a capacidade de mudar a face do planeta, tornando-se, assim, numa for\u00e7a geol\u00f3gica da natureza. Por esse motivo, dizemos que o planeta entrou no <em>Antropoceno<\/em>. Enquanto um v\u00edrus como a Covid-19 consegue-se lidar no nosso tempo de vida, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o como um comboio que poder\u00e1 ser dif\u00edcil travar se nada fizermos agora. Por\u00e9m, fazer alguma coisa passa por cada pessoa come\u00e7ar a tomar consci\u00eancia da necessidade de uma nova atitude mental em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente para lidar com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que vivemos interiormente.<\/p>\n<p>Passaram cinco anos desde que o Papa Francisco nos ofereceu a Laudato Si\u2019. E de 23 a 25 de outubro, em Castelgandolfo e via Zoom, a iniciativa cultural EcoOne, ligada ao Movimento dos Focolares, reuniu participantes de todo o mundo para reflectir sobre os novos caminhos que a Enc\u00edclica aponta na direc\u00e7\u00e3o de uma Ecologia Integral. Partilho-vos um pouco do meu contributo neste congresso que procurava a direc\u00e7\u00e3o para uma nova consci\u00eancia ambiental.<\/p>\n<p>O modo como o ser humano se tornou numa for\u00e7a geol\u00f3gica tem a ver com a evolu\u00e7\u00e3o do nosso planeta. Toda a din\u00e2mica prov\u00e9m da capacidade de captar a energia solar. Primeiro, as plantas conseguiram-no atrav\u00e9s da fotoss\u00edntese. Depois, n\u00f3s conseguimos ao converter essa energia em trabalho. Mas o modo mais recente de convers\u00e3o de energia, e que tem estado muito associado com o in\u00edcio do Antropoceno, dando origem \u00e0 Grande Acelera\u00e7\u00e3o a partir da d\u00e9cada de 50 do s\u00e9culo XX, foi a convers\u00e3o da energia solar em <em>informa\u00e7\u00e3o<\/em>. E, assim, come\u00e7a a Era da Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Era da Informa\u00e7\u00e3o (e h\u00e1 quem fale j\u00e1 de uma nova Era, a da Imagina\u00e7\u00e3o), ao contr\u00e1rio do que a maior parte das pessoas pensa, a economia n\u00e3o \u00e9 a melhor met\u00e1fora evolutiva, mas antes a <em>comunica\u00e7\u00e3o.<\/em> Nesse sentido, a sobreviv\u00eancia na Era da Informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 reservada aos mais aptos a <em>comunicar.<\/em> Qual a origem da palavra comunicar sen\u00e3o a palavra: <em>comunh\u00e3o<\/em>? Mais do que ser agente de comunica\u00e7\u00e3o, uma nova consci\u00eancia ambiental passa por nos reconhecermos como <em>agentes de comunh\u00e3o.<\/em> Basta seguir o exemplo que encontramos na natureza.<\/p>\n<p>Um grupo de investigadores, ao estudar as florestas, encontrou uma verdadeira <em>Wood Wide Web<\/em> entre as \u00e1rvores e os fungos que nascem e crescem \u00e0 sua volta. Entre esses forma-se uma liga\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o para troca de informa\u00e7\u00f5es sobre insectos, clima e outros perigos, de modo a ajudar as \u00e1rvores a sobreviver.<\/p>\n<p>Um outro exemplo encontrei num dos epis\u00f3dios da nova s\u00e9rie da Apple TV+ <em>Tiny World<\/em>, onde uma esp\u00e9cie de ac\u00e1cia vive em comunh\u00e3o simbi\u00f3tica com as formigas. Apenas das folhas serem pontiagudas, as girafas conseguem com\u00ea-las, mas as formigas abrigadas e alimentadas por estas \u00e1rvores correm ao seu socorro, e conseguem com picadas na l\u00edngua afastar as girafas. S\u00e3o dois exemplos daquilo que o astrof\u00edsico Brian Swimme e o eco-te\u00f3logo Thomas Berry referem como \u2014 <em>\u00abver nesta actividade a ordem cosmol\u00f3gica da comunh\u00e3o.\u00bb<\/em><\/p>\n<p><em>Comunh\u00e3o<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma palavra exclusivamente teol\u00f3gica. \u00c9 bem mais abrangente e profunda, significando <em>m\u00fatua \u00edntima iman\u00eancia.<\/em> Mas, para podermos ser agentes dessa comunh\u00e3o, um dos maiores desafios que enfrentamos na Era da Informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a capacidade de <em>prestar aten\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Com o desenvolvimento da internet e da velocidade de comunica\u00e7\u00e3o, bem como das redes sociais e o email, emerge uma nova <em>economia da aten\u00e7\u00e3o.<\/em> Isto \u00e9, a fonte dos milhares de milh\u00f5es de Euros ganhos por empresas como o Facebook, Twitter, Google, etc., prov\u00e9m da capacidade de capturar a nossa aten\u00e7\u00e3o. Recordo o recente document\u00e1rio da Netflix, \u201cO Dilema da Redes Sociais\u201d que recomendo. Recuperar a nossa aten\u00e7\u00e3o passa por nos envolvermos activamente no presente, notando coisas novas, ao que a psic\u00f3loga de Harvard, Ellen Langer, designa por <em>aten\u00e7\u00e3o plena<\/em> (<em>mindfulness<\/em>). E n\u00e3o h\u00e1 melhor ambiente para recuperar a nossa aten\u00e7\u00e3o do que a natureza.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois ou tr\u00eas anos, eu comecei a experimentar alguns ataques de ansiedade que me impediam de conduzir. Nessa altura de f\u00e9rias, fomos descansar para uma casa de campo. A brisa fresca pela manh\u00e3, o canto dos p\u00e1ssaros e a dan\u00e7a das \u00e1rvores ao som do vento, levou-me a perceber o quanto estava cansado por demasiado tempo passado em frente aos ecr\u00e3s. Imerso na natureza comecei a sentir-me melhor e percebi como passar tempo num ambiente natural n\u00e3o \u00e9 somente um belo pensamento, mas uma experi\u00eancia cognitiva que me afectava fisicamente. \u00c9 o que mais tarde vim a saber ser o que Rachel e Stephen Kaplan haviam desenvolvido como a <em>Teoria da Restaura\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o<\/em>. A comunh\u00e3o da natureza em rela\u00e7\u00e3o a mim, melhorou a minha sa\u00fade e foi a\u00ed que pensei o quanto n\u00e3o poder\u00edamos fazer se nos torn\u00e1ssemos agentes de comunh\u00e3o para melhorar a sa\u00fade f\u00edsica, mental e social das comunidades onde vivemos.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem pense ser imune \u00e0 captura da sua aten\u00e7\u00e3o e ter o controlo absoluto sobre o tempo que dedica \u00e0 vida digital na Era da Informa\u00e7\u00e3o. Vive imerso num fluxo imenso de informa\u00e7\u00e3o que preenche a sua vida 24 sobre 24h, mas, pergunto \u2014 \u00e9 mais feliz hoje? Sente-se cheio de energia ao fim de 1h a deslizar o dedo pelo mural do Facebook?<\/p>\n<p>O facto de estarmos conectarmos digitalmente 24h\/365dias n\u00e3o quer dizer que vivamos espa\u00e7os de comunh\u00e3o que nos d\u00e3o profundidade e plenitude de vida. Muito pelo contr\u00e1rio, a maior parte das pessoas que experimenta um jejum das redes sociais descobre quanto tempo a mais tem para fazer tudo aquilo que antes n\u00e3o havia qualquer tempo para se dedicar.<\/p>\n<p>Saber aprender a ser agentes de comunh\u00e3o passa pela cria\u00e7\u00e3o de diversos h\u00e1bitos universais e transformativos, mas sugiro come\u00e7ar por um, muito simples, e muito eficaz: caminhar pela natureza. N\u00e3o importa se por 1 ou 10 minutos. Caminhar pela natureza desenvolve a nossa receptividade aos momentos de comunh\u00e3o e leva-nos a experimentar momentos de presen\u00e7a aut\u00eantica de espa\u00e7o e tempo que nos restauram.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AgenteComunhao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-189084\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AgenteComunhao.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"997\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AgenteComunhao.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AgenteComunhao-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AgenteComunhao-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AgenteComunhao-768x510.jpg 768w, 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