{"id":189010,"date":"2020-10-27T13:05:12","date_gmt":"2020-10-27T13:05:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=189010"},"modified":"2020-10-27T13:05:12","modified_gmt":"2020-10-27T13:05:12","slug":"a-cruz-escondida-117","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-117\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Pier Luigi Maccalli esteve sequestrado dois anos e oito meses<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-189012\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/P.Pier-Luigi-Macalli_4-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h4>\n<h4>\u201cPreparei-me para morrer\u2026\u201d<\/h4>\n<p>Foi libertado h\u00e1 tr\u00eas semanas no Mali depois de ter sido sequestrado no N\u00edger, em Fevereiro de 2018. Na primeira grande entrevista j\u00e1 em It\u00e1lia, o padre Pier Luigi recorda como tudo se passou. O rapto, o dia-a-dia em cativeiro, o sil\u00eancio do deserto, as ave-marias rezadas com um ter\u00e7o feito de cordas, e a liberta\u00e7\u00e3o. Foram cerca de mil dias sob a amea\u00e7a de jihadistas. Um tempo imposs\u00edvel de esquecer&#8230;<\/p>\n<p>Em cerca de trinta minutos, o padre Pier Luigi Maccalli fala, perante as c\u00e2maras de TV do programa \u201cLa minute interview\u201d, da Sociedade das Miss\u00f5es Africanas, do tempo de sequestro \u00e0s m\u00e3os de um grupo terrorista no Mali. Libertado h\u00e1 tr\u00eas semanas, o mission\u00e1rio italiano, de 59 anos de idade, reconhece estar ainda \u201cum pouco confuso\u201d com tanta alegria e emo\u00e7\u00e3o\u201d. O rapto aconteceu a 17 de Setembro de 2018. Estava em casa, na par\u00f3quia, em Bomoanga. Ouviu barulho, foi investigar e deparou-se com homens armados. \u201cGritei, foi uma confus\u00e3o.\u201d Amarraram-lhe as m\u00e3os. Era o come\u00e7o do cativeiro que iria prolongar-se at\u00e9 Outubro de 2020. \u201cPreparei-me para morrer, mas disse para mim que talvez n\u00e3o fosse o caso. Respeitavam-me. Era o velho, chamavam-me \u2018sh\u00e9bani\u2019 \u2013 o velho \u2013 o objectivo era mais converter-me ao Isl\u00e3o.\u201d Ao fim de algum tempo, o padre Pier Luigi foi perdendo no\u00e7\u00e3o do local onde se encontrava. \u201cA zona era deserta\u2026 sem nada\u2026 e eu pensava: \u2018onde vamos? Onde estamos?\u2019 E a\u00ed chorei.\u201d (\u2026) Senti-me perdido. Foi um momento de ang\u00fastia e disse: \u2018Senhor, onde est\u00e1s?\u2019\u201d Apesar de tudo, o padre Pier Luigi sentia o conforto da presen\u00e7a de Deus. \u201cEstava\u2026 perdido. Mas, gra\u00e7as a Deus, nunca me senti abandonado. Sim, gritei com Deus, zanguei-me com Ele, mas sentia que Ele estava presente e que podia falar com Ele porque foi a Sua presen\u00e7a que me susteve em todas as horas.\u201d No cativeiro havia algumas rotinas. \u201cO tempo era longo\u201d, diz o mission\u00e1rio italiano. E come\u00e7ava com o raiar do sol. \u201cQuando me tiravam as correntes que tinha nos p\u00e9s durante a noite, levantava-me, fazia uma pequena \u2018toilette\u2019, podia andar um pouco, rezava o ter\u00e7o que tinha feito com uma corda, depois ia aquecer \u00e1gua, t\u00ednhamos uma pequena reserva de cebolas e outras coisas para cozinhar, e pronto, cuid\u00e1vamos do lume e t\u00ednhamos\u2026 havia um outro ref\u00e9m \u2013 Nicolas \u2013 troc\u00e1vamos algumas palavras, havia sempre qualquer coisa a dizer\u2026\u201d<\/p>\n<h4>A liberta\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Almo\u00e7avam cedo, descansavam do calor debaixo de alguma \u00e1rvore\u2026 \u201cNunca tivemos outro tipo de abrigo\u2026\u201d \u201cA tarde era ainda mais longa\u2026\u201d Depois, no ser\u00e3o, \u201crezava mais um ter\u00e7o at\u00e9 ao p\u00f4r-do-sol\u2026 o sol nascia, o sol punha-se, a noite era sempre um c\u00e9u estrelado lindo, sobretudo no Sara, no deserto\u2026 e fal\u00e1vamos com as estrelas, punham-nos as correntes e esper\u00e1vamos pelo dia seguinte.\u201d O an\u00fancio da liberta\u00e7\u00e3o aconteceu no dia 6 de Outubro. Dois dias depois, deixou o acampamento. \u201cFomos ter a um lugar com arbustos e a\u00ed encontr\u00e1mos Sophie Petronin, a ref\u00e9m francesa e o senhor Souma\u00efla Ciss\u00e9, um pol\u00edtico do Mali que tinha sido raptado h\u00e1 seis meses.\u201d Dali at\u00e9 ao aeroporto de Tessalit ainda apanharam uma tempestade de areia e chuva. No aeroporto estava j\u00e1 um avi\u00e3o militar que levou at\u00e9 Bamako, a capital do Mali, o padre Pier Luigi e o outro ex-ref\u00e9m italiano. Chegaram a Roma na quinta-feira, 8 de Outubro. Nessa manh\u00e3 o padre Pier Luigi voltou a celebrar a Eucaristia. Na entrevista, Pier Luigi Maccalli agradece a solidariedade e as ora\u00e7\u00f5es de todos pela sua liberta\u00e7\u00e3o. E pede para se continuar a rezar pois h\u00e1 outras pessoas em cativeiro. \u00c9 o caso da irm\u00e3 Gloria Narvaez Argoti. A liberta\u00e7\u00e3o do padre Pier Luigi foi uma vit\u00f3ria do bem contra o mal. Uma vit\u00f3ria que tem de nos comprometer cada vez mais no apoio a estas comunidades crist\u00e3s acossadas por terroristas, v\u00edtimas de viol\u00eancia. Ajudar estes sacerdotes, estas irm\u00e3s, estes crist\u00e3os \u00e9 a melhor maneira de agradecermos a coragem do padre Pier Luigi nestes dois anos e oito meses de cativeiro.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Pier Luigi Maccalli esteve sequestrado dois anos e oito meses<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-189010","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=189010"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189010\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=189010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=189010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=189010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}