{"id":18888,"date":"2006-07-03T10:37:49","date_gmt":"2006-07-03T10:37:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/03\/o-diaconado-e-o-presbiterado-como-ministerios-de-vida\/"},"modified":"2006-07-03T10:37:49","modified_gmt":"2006-07-03T10:37:49","slug":"o-diaconado-e-o-presbiterado-como-ministerios-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-diaconado-e-o-presbiterado-como-ministerios-de-vida\/","title":{"rendered":"<I>O diaconado e o presbiterado como minist\u00e9rios de vida<\/I>"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa na Missa das Ordena\u00e7\u00f5es  <!--more--> Queridos Ordinandos, Irm\u00e3os e Irm\u00e3s, 1. A Palavra de Deus proclamada neste domingo, convida-nos a confrontarmo-nos com o mist\u00e9rio da vida e da morte. Deus quer que o homem viva: \u201cEu n\u00e3o quero a morte do pecador, mas sim que se converta e viva\u201d (Ez. 33,11). Deus n\u00e3o quer a morte, esta \u00e9 obra do maligno. Toda a ac\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus \u00e9 defesa da vida, busca da plenitude da vida. Nosso Senhor Jesus Cristo, o verdadeiramente Vivo, o primeiro homem que atingiu a plenitude da vida, define-se a Si mesmo como a fonte da vida. A raz\u00e3o de ser da Sua encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 tornar poss\u00edvel a todos que atinjam a plenitude da vida. \u201cEu vim para que tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia\u201d (Jo. 10,10). Na cena narrada na passagem do Evangelho, Jesus mostra que tem poder sobre a morte. Ele pode fazer viver, mesmo que se esteja morto. S\u00e3o Paulo ensinar\u00e1 mais tarde, nas suas cartas \u00e0s comunidades, que dos diversos inimigos que o crist\u00e3o enfrenta na luta pela vida, o \u00faltimo a ser vencido, com a for\u00e7a de Cristo ressuscitado, ser\u00e1 a morte.  O minist\u00e9rio da Igreja, de que \u00e9 express\u00e3o fundamental o minist\u00e9rio ordenado, \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 vida, com a lucidez para perceber que a vida por que lutamos encontra a sua verdade e autenticidade em Cristo ressuscitado, que nos far\u00e1 participar na vida de Deus.  2. O presbiterado e o diaconado s\u00e3o, assim, minist\u00e9rios ao servi\u00e7o da vida, como o \u00e9 todo o minist\u00e9rio da Igreja. Isso exige, antes de mais, o aprofundar do mist\u00e9rio da vida. Dom de Deus na sua origem e em todas as suas formas, a vida \u00e9 um dinamismo progressivo at\u00e9 uma plenitude que s\u00f3 conhecemos em Jesus Cristo ressuscitado. Como diz o Livro da Sabedoria, \u201cpela cria\u00e7\u00e3o Deus deu o ser a todas as coisas e o que nasce no mundo destina-se ao bem\u201d (Sab. 1,13). Mas no que ao homem diz respeito, ele que \u00e9 a express\u00e3o da vida mais perto da sua fonte divina, a plenitude da vida atinge-se na sua semelhan\u00e7a com Deus: \u201cDeus criou o homem para ser incorrupt\u00edvel e f\u00ea-lo \u00e0 imagem da Sua pr\u00f3pria natureza\u201d (Sab. 2,23). S\u00f3 em Jesus Cristo o homem atingiu a plenitude de vida; por isso Cristo ressuscitado tornou-se a fonte necess\u00e1ria de toda a caminhada para a plenitude da vida. Do mesmo modo que, no mist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o, Deus \u00e9 a fonte de toda a vida, no Verbo encarnado, Jesus Cristo, que na ressurrei\u00e7\u00e3o atingiu a plenitude humana da vida, reside a fonte da plenitude da vida. No mist\u00e9rio da vida do ressuscitado adensa-se o mist\u00e9rio da vida humana, cujo sentido \u00faltimo s\u00f3 se capta na f\u00e9, na esperan\u00e7a e na caridade. A f\u00e9 e a esperan\u00e7a situam o crescimento da vida no \u00e2mbito do aprofundamento da caridade. \u00c9 por isso que o minist\u00e9rio na Igreja \u00e9, necessariamente, um sacramento de Jesus Cristo, actualiza\u00e7\u00e3o perene da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.  3. A morte de Cristo adensou o mist\u00e9rio da vida humana de que, no realismo existencial concreto da humanidade, faz parte a morte. E isto d\u00e1 \u00e0 caminhada para a vida a densidade de um drama. E os minist\u00e9rios ao servi\u00e7o da vida n\u00e3o podem fugir \u00e0 exig\u00eancia deste drama, porque s\u00e3o chamados a viv\u00ea-lo na sua pr\u00f3pria carne, como aconteceu com Jesus Cristo.  Mas o que \u00e9 a morte? Voltando \u00e0 primeira leitura a\u00ed se afirma: \u201cN\u00e3o foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra com a perdi\u00e7\u00e3o dos vivos\u201d (Sab. 1,13). E mais \u00e0 frente o mesmo texto declara: \u201cFoi pela inveja do diabo que a morte entrou no mundo e experimentam-na aqueles que lhe pertencem\u201d (Sab. 2,24). Estas afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem referir-se apenas \u00e0 morte f\u00edsica, que na verdade da cria\u00e7\u00e3o, nos aparece como um momento da vida em que, na esperan\u00e7a, esta \u00e9 abra\u00e7ada como um mist\u00e9rio. A morte f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da vida, \u00e9 antes a fronteira da sua radicalidade. Como diz um texto da Liturgia, para os que acreditam em Cristo, \u201ca vida n\u00e3o acaba, apenas se transforma\u201d. Se estes textos n\u00e3o se podem referir apenas \u00e0 morte f\u00edsica, eles anunciam uma outra esp\u00e9cie de morte, a daqueles que, a viver a sua vida, esqueceram que Deus \u00e9 a fonte da vida e que esta s\u00f3 atingir\u00e1 a sua plenitude em comunh\u00e3o com a vida divina. Esta morte coincide com aquilo a que a Sagrada Escritura designa por pecado, que \u00e9 apresentado como a causa desta morte, como ensina o Ap\u00f3stolo Paulo aos Romanos: \u201cPor um s\u00f3 homem o pecado entrou no mundo e pelo pecado a morte, e esta atingiu todos os homens, porque todos pecaram\u201d (Rom. 5,12). \u00c9 por isso que a morte de Cristo \u00e9, antes de mais, uma vit\u00f3ria sobre o pecado, em favor da vida. Esta outra morte pode atingir a morte f\u00edsica que, perdido o seu sentido de momento purificador da vida, anula a esperan\u00e7a e fica reduzida \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da vida. Viver com Cristo \u00e9 tamb\u00e9m aprender a morrer.   4. O pecado \u00e9 uma express\u00e3o global da perda de perspectiva na busca da vida. \u00c9 sempre esquecimento de Deus como verdade da vida, e encontra no ego\u00edsmo e na autonomia da liberdade o tra\u00e7o comum a todas as express\u00f5es que, parecendo de vida, s\u00e3o, na realidade, express\u00f5es de morte. Ao contr\u00e1rio, em Cristo descobrimos a vida como crescimento no amor, express\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e de louvor. S\u00f3 se salva a vida vencendo o pecado e a morte, e isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a partir de Jesus Cristo, participando na Sua P\u00e1scoa, conduzidos pelo Esp\u00edrito. Ministros de Jesus Cristo, os sacerdotes e os di\u00e1conos est\u00e3o ao servi\u00e7o da Vida. E isso exigir\u00e1 deles assumirem o drama da salva\u00e7\u00e3o que encarna no seu pr\u00f3prio drama e no dos homens seus irm\u00e3os. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser-se ministro da Vida sem assumir esta dramaticidade da fidelidade a Jesus Cristo. Ministros de Jesus Cristo, os sacerdotes e os di\u00e1conos t\u00eam de, eles pr\u00f3prios, se manterem fi\u00e9is \u00e0 Vida como Jesus a vive, o que comporta a exig\u00eancia do mist\u00e9rio e a densidade das suas express\u00f5es. Quem se desvia da Vida, fica enfraquecido para exercer um minist\u00e9rio de Vida. A santidade pessoal dos sacerdotes \u00e9, exigida cada vez mais pela radicalidade do seu minist\u00e9rio. S\u00f3 assim eles poder\u00e3o abra\u00e7ar, com amor, os dramas dos seus irm\u00e3os, quando s\u00e3o fracos e pecam, quando abandonam o Senhor, quando sofrem ou est\u00e3o s\u00f3s, quando as necessidades materiais lhes dificultam a liberdade do esp\u00edrito, quando lutam na cont\u00ednua batalha da fidelidade. O poder do sacerdote n\u00e3o \u00e9 humano, \u00e9 a for\u00e7a de Cristo ressuscitado. Ele tem de ser homem da esperan\u00e7a, o que n\u00e3o desiste de salvar a rela\u00e7\u00e3o entre a beleza subjacente a todas as formas de vida, e a vida plenamente vivida. Porque lutam contra o pecado, os ministros de Jesus Cristo n\u00e3o desistem nessa batalha, acreditam sempre no triunfo da Vida e a pertin\u00e1cia da sua esperan\u00e7a comunica vida \u00e0queles que dela desistiram.   5. As leituras desta celebra\u00e7\u00e3o sublinham duas express\u00f5es fortes da Vida: a f\u00e9 e a generosidade. O encontro com Jesus Cristo fez aquela mulher, referida no Evangelho, acreditar na Vida: \u201cSe eu, ao menos, tocar nas Suas vestes, ficarei curada\u201d (Mc. 5,28). N\u00f3s podemos, no nosso encontro com Cristo Vivo, fazer muito mais do que tocar-Lhe nas vestes. Podemos mergulhar com Ele no drama da Sua morte e na vit\u00f3ria da Vida, que foi a Sua ressurrei\u00e7\u00e3o, e comer o Seu corpo, unindo-nos fisicamente a Ele, acreditando que Ele ser\u00e1, em n\u00f3s, fonte de Vida. S\u00e3o Paulo lembra aos Cor\u00edntios que a sua f\u00e9 em Cristo deve transformar-se em generosidade para com os irm\u00e3os. Quem \u00e9 ministro de Cristo, Ele que deu a Sua vida, s\u00f3 pode partilhar a vida. Ministros de Jesus Cristo, sede servidores da Vida, na certeza de que isso exigir\u00e1 de v\u00f3s o dom cont\u00ednuo da vossa pr\u00f3pria vida.  Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, 2 de Julho de 2006 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/I><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa na Missa das Ordena\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,246,275],"class_list":["post-18888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}