{"id":188657,"date":"2020-10-23T13:30:08","date_gmt":"2020-10-23T12:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=188657"},"modified":"2020-10-23T12:50:01","modified_gmt":"2020-10-23T11:50:01","slug":"nao-queremos-que-as-escolas-catolicas-sejam-escolas-para-aqueles-que-possam-pagar-presidente-da-apec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-queremos-que-as-escolas-catolicas-sejam-escolas-para-aqueles-que-possam-pagar-presidente-da-apec\/","title":{"rendered":"\u00abN\u00e3o queremos que as escolas cat\u00f3licas sejam escolas para aqueles que possam pagar\u00bb &#8211; Presidente da APEC"},"content":{"rendered":"<p><em>Fernando Magalh\u00e3es, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Escolas Cat\u00f3licas (APEC), \u00e9 entrevistado pela Renascen\u00e7a e ECCLESIA, prop\u00f3sito da Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, que est\u00e1 a decorrer at\u00e9 domingo, e da nova realidade que a pandemia coloca aos educadores e \u00e0s fam\u00edlias<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_188593\" aria-describedby=\"caption-attachment-188593\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-188593 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia4-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-188593\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Conversamos quando acaba de regressar da V Peregrina\u00e7\u00e3o Nacional Das Escolas Cat\u00f3licas a F\u00e1tima. Desta vez foi uma peregrina\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. Como \u00e9 que decorreu?<\/em><\/p>\n<p>Simb\u00f3lica e representativa, de facto. Ela teve v\u00e1rias programa\u00e7\u00f5es, do modelo mais pr\u00f3ximo ao que \u00e9 o habitual \u2013 com os meninos presentes e um conjunto de atividades\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Desta vez n\u00e3o era poss\u00edvel\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o era poss\u00edvel nem consciente, nem nada. De tal maneira que fomos diminuindo o programa at\u00e9 chegarmos a esta forma, que \u00e9 de h\u00e1 poucos dias, muito representativa e simb\u00f3lica. Entendemos, face \u00e0s circunst\u00e2ncias, ainda reduzir mais e torn\u00e1-la mais simb\u00f3lica, centr\u00e1-la na Santa Missa. Foi isso que aconteceu, celebramos a Missa na Capelinha das Apari\u00e7\u00f5es, sob a presid\u00eancia de D. Ant\u00f3nio Moiteiro, e juntamo-nos um bocadinho, para nos saudarmos. Sentimos, enquanto l\u00e1 estivemos, que cumprimos a nossa miss\u00e3o de agradecer \u00e0 M\u00e3e, no colo dela, a prote\u00e7\u00e3o que recebemos e confiar-lhe aqueles que nos est\u00e3o confiados.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A pandemia obrigou a reajustar iniciativas deste g\u00e9nero. Tem sido poss\u00edvel dar a volta a todos estes constrangimentos, encontrando novas formas de rela\u00e7\u00e3o nas escolas?<\/em><\/p>\n<p>Essa tem sido a saud\u00e1vel carater\u00edstica de tudo isto, ter-nos obrigado a esta reinven\u00e7\u00e3o. Tudo era muito mais f\u00e1cil, obviamente, se tiv\u00e9ssemos dito: \u201cque aborrecimento, que chatice, deitamos a toalha ao ch\u00e3o, nada disto \u00e9 poss\u00edvel, paci\u00eancia, n\u00e3o se faz\u2026\u201d Mas achamos que o importante \u00e9 ter esta capacidade de reinven\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque quando a fazemos vem associada uma miss\u00e3o: contagiar os outros com esta capacidade de reinven\u00e7\u00e3o, levar os outros a fazer este caminho, tamb\u00e9m, n\u00e3o porque este seja perfeito, mas porque \u00e9 efetivamente a nossa miss\u00e3o, fazer um \u201cupgrade\u201d ao que \u00e9 a tend\u00eancia normal de deixar as coisas como est\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este tempo de pandemia tem sido muito desafiante e tem-nos obrigado a olhar para a escola de outra maneira. Neste novo ano letivo est\u00e1 a ser um grande desafio garantir serenidade e confian\u00e7a a quem vos confia os seus filhos?<\/em><\/p>\n<p>Antes de mais, ela tem de se fundar numa confian\u00e7a e numa seguran\u00e7a de base. Levar os filhos \u00e0 escola, de manh\u00e3, \u00e9 um ato de confian\u00e7a e esse ato tem de estar celebrado. Recentemente, o Papa lan\u00e7ou um Pacto Educativo Global que \u00e9 exatamente isso, um pacto de confian\u00e7a, o que se tem de estabelecer entre n\u00f3s \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00f3s, na APEC, deixamos um convite, na primeira mensagem enviada \u00e0 escola, a celebrarmos este ano letivo como um ano de confian\u00e7a. Se n\u00e3o for nesta base, n\u00e3o vamos fazer o caminho. Record\u00e1vamos \u00e0s escolas e associados a frase do irm\u00e3o Roger, de Taiz\u00e9: \u201cSe a confian\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o estivesse no come\u00e7o de tudo, ias longe, muito longe\u201d.<\/p>\n<p>Depois, h\u00e1 uma componente de emo\u00e7\u00f5es variad\u00edssimas, temos pessoas muito diferentes, pais e fam\u00edlias, hist\u00f3rias de vida muito diferentes. N\u00e3o podemos querer que uma fam\u00edlia que passou por uma experi\u00eancia de doen\u00e7a, no contexto desta pandemia, ou tenha outra hist\u00f3ria de doen\u00e7a, de morte, que viva isto de uma forma completamente serena. Temos de ser n\u00f3s a induzir essa serenidade, mas sem negacionismos, sem negar a experi\u00eancia que essa fam\u00edlia tem e aquela que n\u00f3s estamos todos a fazer. Isso faz-se com muita paci\u00eancia, muita caridade, muito amor, alguma dificuldade, e tamb\u00e9m tentando levar os outros a este caminho. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, claramente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 tamb\u00e9m a\u00ed que se demonstra a nossa miss\u00e3o de escola.<\/p>\n<p>Como escola cat\u00f3lica, temos uma miss\u00e3o acrescida, nesse dom\u00ednio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em mar\u00e7o tivemos uma miss\u00e3o radicalmente nova, que foi a do confinamento, com o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia. J\u00e1 em setembro houve necessidade de retomar rela\u00e7\u00f5es, din\u00e2micas, criar rotinas dentro do poss\u00edvel. Perdeu-se muito, com esta experi\u00eancia for\u00e7ada?<\/em><\/p>\n<p>Houve hist\u00f3rias que ficaram a meio\u2026 Fomos todos para casa e n\u00e3o se percebeu bem como \u00e9 que era.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_188594\" aria-describedby=\"caption-attachment-188594\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-188594\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-400x239.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"239\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-400x239.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-1024x611.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-768x458.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-1536x916.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-1080x644.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-1280x763.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-980x584.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3-480x286.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-188594\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Houve ciclos que n\u00e3o se fecharam?<\/em><\/p>\n<p>Tal e qual. Houve pr\u00e9mios de m\u00e9rito que n\u00e3o se entregaram, diplomas, bailes de finalistas que n\u00e3o ocorreram. As escolas, por norma, tiveram um grande cuidado em ir fazendo substitutos \u2013 n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, mas se n\u00e3o houvesse era pior, no fundo. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o eram \u201cpaninhos quentes\u201d, para fazer de contas que \u00e9\u2026 N\u00e3o, \u00e9 fazer as coisas com as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Agora, houve coisas que n\u00e3o se fizeram, abra\u00e7os que n\u00e3o se deram, e houve um regresso que tamb\u00e9m n\u00e3o contou com essa possibilidade total do abra\u00e7o, do tato. N\u00f3s somos t\u00e1teis \u2013 queixamo-nos que os mi\u00fados andam sempre no \u2018touch\u2019, mas n\u00f3s tamb\u00e9m precisamos do toque, desse tato. O regresso acabou por se fazer com um \u2018touch\u2019 diferente, sem toque, com metro e meio de dist\u00e2ncia\u2026.<\/p>\n<p>O que \u00e9 importante \u00e9 n\u00e3o deixarmos de chamar a aten\u00e7\u00e3o para as coisas que t\u00eam de acontecer. A escola cat\u00f3lica, em particular, cumpriu durante o confinamento \u2013 e tem em si este largo cuidado, neste outro tempo. Se houve grande especificidade nossa, independentemente da qualidade do ensino, no per\u00edodo do confinamento e agora de novo, \u00e9 n\u00e3o termos nunca deixado de pensar na forma\u00e7\u00e3o integral da pessoa. Teria sido muito f\u00e1cil, porque n\u00e3o est\u00e1vamos juntos, n\u00e3o havia estrat\u00e9gias, din\u00e2micas, havia que cuidar das aprendizagens, essenciais e das outas, das compet\u00eancias de base\u2026 Mas o grande cuidado foi que as nossas escolas n\u00e3o deixassem nunca de assegurar o que as carateriza tanto, que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o integral das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Embora atualmente, neste ano letivo, haja atividades, como a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, que mant\u00eam algumas condicionantes\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim. Pensemos nas din\u00e2micas da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, EV e ET, com todas as desinfe\u00e7\u00f5es. H\u00e1 coisas que estamos sempre a favorecer nos mi\u00fados, como a partilha de materiais, mas agora a mensagem \u00e9 \u201cn\u00e3o partilha, n\u00e3o toca, n\u00e3o mexe\u201d. \u00c9 esquisito, h\u00e1 muita adapta\u00e7\u00e3o a fazer. A pr\u00f3pria Educa\u00e7\u00e3o Musical, tamb\u00e9m. Alguns, com humor, dizem que \u201cfinalmente deixamos de ouvir as flautas com o Rei Le\u00e3o nos corredores\u201d\u2026 Tivemos de adaptar-nos, necessariamente, a aprendizagem da m\u00fasica tamb\u00e9m se faz de outro jeito.<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias din\u00e2micas de grupo, nas nossas pastorais, na EMRC, em tantos trabalhos que agora passam a ter outras alternativas. \u00c9 preciso descobri-las e avan\u00e7ar com elas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fal\u00e1vamos h\u00e1 pouco do Pacto Educativo Global, uma iniciativa lan\u00e7ada pelo Papa Francisco na \u00faltima semana. No seu discurso, o Papa evocava as milh\u00f5es de crian\u00e7as que ficaram de fora do sistema educativo, na pandemia, porque n\u00e3o podem ir \u00e0 escola ou n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 tecnologia\u2026 H\u00e1 risco efetivo, tamb\u00e9m em Portugal, de que algumas crian\u00e7as fiquem para tr\u00e1s?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 a m\u00ednima d\u00favida. Isso faz parte do nosso quotidiano, e n\u00e3o se trata apenas das crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam os recursos tecnol\u00f3gicos para poderem estar a par\u2026<\/p>\n<p>As escolas cat\u00f3licos mobilizaram-se, desdobraram-se para encontrar recursos inform\u00e1ticos, tecnol\u00f3gicos, para colocar ao dispor de todos. Houve v\u00e1rias campanhas, foi not\u00e1vel. Mas, no meio de tudo isto, h\u00e1 n\u00e3o sei quantos, em todo o sistema de ensino, que podem ficar de fora.<\/p>\n<p>O Papa tem uma preocupa\u00e7\u00e3o universal. Queria deixar um pequeno apontamento: a APEC, com o Secretariado Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, integra o Comit\u00e9 Europeu da Escola Cat\u00f3lica e tamb\u00e9m se relaciona com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional da Escola Cat\u00f3lica (OIEC). Esta promoveu, em pleno confinamento, reuni\u00f5es para que os pa\u00edses pudessem partilhar a realidade que estavam a viver e eu participei num desses f\u00f3runs. Estavam na\u00e7\u00f5es europeias, da \u00c1frica, do Oriente, e eu n\u00e3o me posso esquecer de um testemunho \u2013 depois de n\u00f3s todos, da Europa, termos falado da nossa realidade, do problema das m\u00e1scaras, dos meninos que iam chegar sem saber das mat\u00e9rias, etc\u2026 Um respons\u00e1vel pelas escolas cat\u00f3licas de um pa\u00eds africano disse: com o maior respeito em rela\u00e7\u00e3o aos colegas que falaram da Europa, o meu problema \u00e9 outro, porque eu n\u00e3o sei se as crian\u00e7as v\u00e3o regressar.<\/p>\n<p>Neste momento, porventura, ser\u00e3o meninos de guerra, estar\u00e3o com riscos de mutila\u00e7\u00e3o, trabalho infantil.<\/p>\n<p>Tenho de confessar que depois de ter falado com os colegas sobre a experi\u00eancia de Portugal, tive vontade de me esbofetear naquele momento e cair num buraco, porque a nossa realidade, apesar de tudo, n\u00e3o \u00e9 nada, quando a comparamos com aquela. Agora, tamb\u00e9m a nossa realidade tem essas clivagens, mas existe uma consci\u00eancia mais societ\u00e1ria de chegar junto a elas.<\/p>\n<p>Percebe-se perfeitamente o grito do Papa, o seu grito em favor das meninas, e sinto gratid\u00e3o plena porque nos faz recordar os compromissos e outros mais que nos h\u00e1 de recordar a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em Portugal \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o das escolas cat\u00f3licas olhar para esta diferen\u00e7a que existe entre os alunos, e tentar ultrapassar estas desigualdades?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 claramente, at\u00e9 porque a entendemos como uma miss\u00e3o. Gost\u00e1vamos que pudesse ir mais longe, n\u00e3o s\u00f3 neste contexto, mas em todos, da\u00ed pugnarmos tanto pela liberdade de educa\u00e7\u00e3o e lutarmos tanto pelo direito que entendemos que as fam\u00edlias t\u00eam de escolher os projetos educativos para os seus filhos. Essa \u00e9 a maneira de melhor tratarmos aqueles que efetivamente n\u00e3o podem escolher.\u00a0N\u00e3o queremos que as escolas cat\u00f3licas sejam escolas para aqueles que possam pagar, queremos que sejam para todos aqueles que a elas querem aceder, porque entendem que esse \u00e9 o melhor projeto educativo para os seus filhos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Temos um problema espec\u00edfico que s\u00e3o os Contratos de Associa\u00e7\u00e3o, e a op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de os reduzir. Que impacto \u00e9 que isso tem na vida das escolas e na vida das fam\u00edlias?<\/em><\/p>\n<p>Na vida das fam\u00edlias parece-me evidente, muitas deixaram de ter as respostas que podiam ter at\u00e9 ent\u00e3o, ou s\u00f3 puderam continuar a aceder a essas respostas pagando, viram-se privadas do direito de op\u00e7\u00e3o que tinham sobre o projeto educativo que pretendiam para os seus filhos.<\/p>\n<p>Para as escolas houve situa\u00e7\u00f5es de dupla natureza, de amarga magreza de funcionamento ou de encerramento.\u00a0Temos um volume de escolas que efetivamente encerraram e que deixaram de ser projetos educativos altamente v\u00e1lidos naquele contexto, e para al\u00e9m daquele contexto.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero aqui falar de duas, tr\u00eas ou quatro escolas, porque podia estar a ser injusto para tantas outras, mas n\u00e3o era dif\u00edcil pegarmos em meia d\u00fazia de nomes de escolas que sabemos que foram altamente representativas, n\u00e3o s\u00f3 para aqueles contextos regionais, como foram muito importantes em todo o tecido nacional, atrav\u00e9s das pessoas que as frequentaram e que nelas se formaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_188592\" aria-describedby=\"caption-attachment-188592\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-188592\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/rrecclesia5.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-188592\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A comunidades foram consultadas? Algu\u00e9m perguntou se queriam que o Estado continuasse a apoiar as escolas que tinham contratos de associa\u00e7\u00e3o, em vez de constru\u00edrem uma escola nova?<\/em><\/p>\n<p>Acho que posso responder, sem margem de erro, que n\u00e3o, mas se estiver errado pe\u00e7o antecipadamente desculpa.<\/p>\n<p>Em sede de elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia da Rep\u00fablica temos de ter muita consci\u00eancia do que s\u00e3o os programas pol\u00edticos dos diferentes partidos, e se eles deixarem perfeitamente claro qual \u00e9 a sua carta, as pessoas t\u00eam de saber fazer as suas op\u00e7\u00f5es. E isto n\u00e3o \u00e9 nenhuma orienta\u00e7\u00e3o de natureza partid\u00e1ria, para o partido X, Y, Z ou W. Temos \u00e9 de saber muito bem como \u00e9 que nos havemos de orientar, e saber orientar o nosso voto de acordo com as op\u00e7\u00f5es que s\u00e3o colocadas diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Localmente, como digo, n\u00e3o tenho informa\u00e7\u00e3o de que as comunidades tenham sido consultadas, mas\u00a0sei de casos em que a decis\u00e3o foi revista quando o decisor se dirigiu ao local, visitou a realidade, contactou com as popula\u00e7\u00f5es, com o edil, com a autarquia, e acabou por tomar outra decis\u00e3o. \u00c0s tantas era isso que era preciso\u2026<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m nos venha falar da m\u00e1 experi\u00eancia, do aproveitamento do X, do W, do Z\u2026 Castigue-se, puna-se, fa\u00e7a-se o que se quiser, mas n\u00e3o se generalizem situa\u00e7\u00f5es, nem se confunda aquilo que \u00e9 um direito das fam\u00edlias com outro aspeto completamente diferente da natureza da vida das sociedades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A suspens\u00e3o do financiamento de col\u00e9gios privados, situados em locais onde h\u00e1 oferta de escola p\u00fablica, come\u00e7ou em 2016. Houve recurso de algumas decis\u00f5es, e soube-se h\u00e1 dias que os col\u00e9gios privados perderam todas as a\u00e7\u00f5es que moveram contra o Estado, e que foram 55 no total&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Pois&#8230; eu digo \u2018pois\u2019, porque efetivamente isso vai da forma como colocamos as coisas. \u00c0s tantas assiste-nos a raz\u00e3o em n\u00e3o sei quantas perspetivas, pode n\u00e3o nos assistir num ou noutro sentido, mas h\u00e1 assuntos que s\u00e3o decididos de uma forma e que depois em recurso s\u00e3o decididos de outra. Portanto nestas mat\u00e9rias jur\u00eddicas eu digo sempre &#8216;pois&#8217;.<\/p>\n<p>N\u00f3s tent\u00e1mos efetivamente ir o mais longe que pud\u00e9ssemos, e\u00a0n\u00e3o deixaremos de, em perspetiva negocial com o minist\u00e9rio da educa\u00e7\u00e3o, estar sempre abertos a encontrar outras formas e outros modelos que n\u00e3o privem as pessoas daquilo a que entendemos elas t\u00eam direito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Porque a quest\u00e3o ainda est\u00e1 em cima da mesa? Prev\u00ea-se a redu\u00e7\u00e3o de mais turmas?<\/em><\/p>\n<p>Pode prever-se, \u00e9 l\u00edquido que isso pode acontecer. Queremos crer que possa haver abertura para que possam ser revistos alguns n\u00fameros. Vamos manter-nos abertos, e acreditar que vai <em>haver abertura suficiente nesse sentido.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Dados recentes apontam para uma fuga de professores dos col\u00e9gios privados para a escola p\u00fablica, onde faltam docentes. Este pode vir a ser um problema s\u00e9rio para os col\u00e9gios?<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o pode, \u00e9 um problema s\u00e9rio, a v\u00e1rios n\u00edveis: de exig\u00eancia, de vincula\u00e7\u00e3o, de remunera\u00e7\u00e3o, de atratividades, da ADSE, de v\u00e1rios aspetos&#8230; Trabalhar no Estado \u00e9 melhor?<\/em><\/p>\n<p>Pode ter essa componente de melhor atratividade. E quando estamos com um processo de car\u00eancia, e h\u00e1 ali uma possibilidade de concretiza\u00e7\u00e3o de ficar com o lugar\u2026<\/p>\n<p>Mas, \u00e0 parte isto temos outra dimens\u00e3o, que s\u00e3o as vincula\u00e7\u00f5es aos projetos. Os nossos col\u00e9gios s\u00e3o col\u00e9gios que para as fam\u00edlias apresentam uma fort\u00edssima estabilidade do corpo docente, que significa para os pais uma enorme garantia.<\/p>\n<p>O processo de fuga pode vir a ser complicado para n\u00f3s, em termos de recrutamento, fixa\u00e7\u00e3o dos colaboradores, dos professores, de estabilidade do nosso pr\u00f3prio corpo docente, mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente para os pais uma garantia de estabilidade do corpo docente na escola (p\u00fablica), porque pode ser neste ano naquela, pode ser depois noutra&#8230;.<\/p>\n<p>Temos de criar mecanismos para incentivar a fixa\u00e7\u00e3o dos professores, que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis. Desde logo os pecuni\u00e1rios, s\u00e3o dif\u00edceis sob o ponto de vista da gest\u00e3o financeira das escolas, n\u00e3o h\u00e1 a m\u00ednima d\u00favida. Mas h\u00e1 outros, e s\u00e3o esses que n\u00f3s tentamos criar ou favorecer.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma coisa que temos como l\u00edquida: \u00e9 que quando olho para o contexto \u2013 e \u00a0posso falar dos col\u00e9gios, mas tamb\u00e9m do meu (Externato Frei Lu\u00eds\u00a0 de Sousa, em Almada), e aquilo que sinto que as pessoas t\u00eam \u00e9, de facto, uma vincula\u00e7\u00e3o ao projeto do col\u00e9gio, uma identifica\u00e7\u00e3o com o modo como o \u00a0funciona. Ningu\u00e9m est\u00e1 a dizer que toda a gente vai todos os dias feliz para o col\u00e9gio, a cantar e traulitar, mas no final das contas h\u00e1 esse balan\u00e7o e h\u00e1 essa fort\u00edssima identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fixa\u00e7\u00e3o que vamos fazer com os professores \u00e9 muito por aqui, por esta fixa\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o com o projeto.\u00a0A classe dos professores \u00e9 uma classe not\u00e1vel no sentido da miss\u00e3o\u00a0&#8211; sem desprimor para a vossa.\u00a0Mas n\u00e3o podemos esquecer que tem sido muito maltratada nos \u00faltimos tempos. A dificuldade de recrutamento e a escassez de professores que existe em largu\u00edssima medida fica a dever-se aos maus tratos que foram feitos \u00e0 classe dos professores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Deixou de ser uma profiss\u00e3o atrativa?<\/em><\/p>\n<p>De prest\u00edgio, atrativa, de respeito. A forma como se maltratam, e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 societariamente ou politicamente\u2026 De repente toda a gente tem qualquer coisa a dizer sobre o professor, toda a gente tem um palpite a dar.<\/p>\n<p>Ontem recebi um cartoon fant\u00e1stico em que uns pais da d\u00e9cada de 90 tinham um teste e estavam virados para o menino e diziam assim: &#8216;isto s\u00e3o notas que se apresente?&#8217;, e ao lado outros pais, na d\u00e9cada atual, voltados para a secret\u00e1ria do professor diziam &#8216;isto s\u00e3o notas que se apresente?&#8217;&#8230; Com excesso, ou n\u00e3o, do cartoon, h\u00e1 muito desta altera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao respeito pela classe e pela profiss\u00e3o de professor, que se pode refletir na representatividade da profiss\u00e3o. Ser\u00e1 que os jovens querem ser professores?<\/p>\n<p>H\u00e1 determinadas disciplinas em que se dizia \u2018professor disto\u2019 ou \u2018professor daquilo\u2019. Mas, h\u00e1 uns tempos ningu\u00e9m queria ir para \u2018professor disto\u2019 ou \u2018professor daquilo\u2019, n\u00e3o come\u00e7ou sequer a frequentar os cursos, e o que \u00e9 que h\u00e1 agora?\u00a0N\u00e3o h\u00e1 professores. \u00c9 uma quest\u00e3o de mercado, de puro mercado, e temos de ir \u00e0 procura deles. Isso vai obrigar-nos a uma grande reinven\u00e7\u00e3o, provavelmente, ao n\u00edvel das habilita\u00e7\u00f5es para a doc\u00eancia,\u00a0e temos de ter essa capacidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o pecuni\u00e1ria, ou de projetos de vincula\u00e7\u00e3o, projetos educativos &#8211; embora ache que no projeto educativo est\u00e1 sempre uma forte raz\u00e3o -, mas\u00a0temos de ter abertura em rela\u00e7\u00e3o a rever as avalia\u00e7\u00f5es para a doc\u00eancia. E n\u00e3o \u00e9 apenas por uma quest\u00e3o de falta m\u00e3o de obra, \u00e9 por uma quest\u00e3o de &#8211; sempre dissemos e sempre quisemos &#8211; podermos trabalhar as habilita\u00e7\u00f5es para a doc\u00eancia de uma outra forma, o que poder\u00e1 ser um duplo caminho feliz: resolver um problema de recurso, e criar um espa\u00e7o aberto para que os nossos projetos educativos decorram de outra forma, com pessoas com outro tipo de qualifica\u00e7\u00f5es,\u00a0sem desprimor para aquelas que j\u00e1 s\u00e3o as tradicionais e habituais da doc\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos na reta final da Semana Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, que decorre at\u00e9 domingo, este ano com um olhar muito particular sobre as fam\u00edlias e os recursos digitais. As fam\u00edlias t\u00eam sido muito desafiadas pela Igreja a uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa, por exemplo na catequese. Nas escolas cat\u00f3licas isso tamb\u00e9m acontece? Tem havido um envolvimento maior das fam\u00edlias?<\/em><\/p>\n<p>Devo confessar que a\u00ed n\u00e3o sei se h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o significativa. Acho que essa j\u00e1 era uma matriz que nos era muito caracter\u00edstica, e continuamos. O que sinto \u00e9 que este processo, a experi\u00eancia de vida que tivemos nos \u00faltimos meses, levou a que fideliz\u00e1ssemos mais essa rela\u00e7\u00e3o, essa confian\u00e7a rec\u00edproca. Mas n\u00e3o creio que tivesse trazido mais a fam\u00edlia \u00e0 escola, ou \u00e0 nossa preocupa\u00e7\u00e3o. Isso est\u00e1 na nossa matriz identit\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Magalh\u00e3es, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Escolas Cat\u00f3licas (APEC), \u00e9 entrevistado pela Renascen\u00e7a e ECCLESIA, prop\u00f3sito da Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, que est\u00e1 a decorrer at\u00e9 domingo, e da nova realidade que a pandemia coloca aos educadores e \u00e0s fam\u00edlias<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":188593,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[196],"class_list":["post-188657","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-escola-catolica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=188657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188657\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/188593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=188657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=188657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=188657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}