{"id":188337,"date":"2020-10-20T12:07:26","date_gmt":"2020-10-20T11:07:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=188337"},"modified":"2020-10-20T12:07:26","modified_gmt":"2020-10-20T11:07:26","slug":"a-cruz-escondida-116","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-116\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>S\u00cdRIA: Em Idlib, 300 fam\u00edlias crist\u00e3s continuam subjugadas \u00e0 \u2018sharia\u2019<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-188338\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1_Fr.Firas_Lutfi_Alepo_cCustody-of-the-Holy-Land-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h4>\n<h4><strong>Dez anos de sofrimento<\/strong><\/h4>\n<p>S\u00e3o cerca de 300 fam\u00edlias crist\u00e3s. As aldeias de Knayeh e de Yacoubieh, na prov\u00edncia de Idlib, ainda est\u00e3o debaixo de controlo de grupos jihadistas. Por l\u00e1, continua a vigorar o tem\u00edvel califado. A \u2018sharia\u2019 \u00e9 a lei, as mulheres t\u00eam de usar v\u00e9u, as propriedades foram confiscadas, os s\u00edmbolos crist\u00e3os, como as cruzes, foram derrubados. Nestas aldeias, dois frades franciscanos continuam a sua miss\u00e3o, apesar de todos os riscos. S\u00e3o sinal de esperan\u00e7a no meio da escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>A prov\u00edncia de Idlib, no nordeste da S\u00edria, adjacente \u00e0 Turquia, continua a ser uma regi\u00e3o controlada por grupos jihadistas. No resto do pa\u00eds, praticamente a guerra chegou ao fim. Mas ali n\u00e3o. Em Idlib, persiste o poder dos homens de negro. Um poder baseado no terror, viol\u00eancia e morte. Nesta regi\u00e3o quase esquecida, vivem ainda cerca de 300 fam\u00edlias crist\u00e3s. Nas aldeias de Knayeh e de Yacoubieh j\u00e1 n\u00e3o se escutam mais os sinos a convocar o povo para a missa, nem se v\u00eam as cruzes que simbolizam a presen\u00e7a dos crist\u00e3os. Mas, apesar de toda essa viol\u00eancia, ainda se reza o \u2018pai-nosso\u2019 nestas terras controladas pelos jihadistas.\u00a0 Em toda esta regi\u00e3o, h\u00e1 apenas dois padres. S\u00e3o dois franciscanos. Os frades Luai Bsharat, 40 anos, e Hanna Jallouf, de 67, poderiam ter j\u00e1 abandonado a prov\u00edncia de Idlib, mas decidiram ficar. Por ali vivem ainda cerca de 300 fam\u00edlias crist\u00e3s, seguramente que mais de mil pessoas. \u201cO seu sofrimento come\u00e7ou h\u00e1 uma d\u00e9cada.\u201d O frade Firas Lutfi, o franciscano respons\u00e1vel pela S\u00edria, L\u00edbano e Jord\u00e2nia, conta \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS que estes crist\u00e3os n\u00e3o sabem o que \u00e9 viver em liberdade desde que a guerra teve in\u00edcio em 2011. \u201cGrupos militantes tomaram o controlo da regi\u00e3o e proclamaram-na um Estado Isl\u00e2mico, confiscando as propriedades dos crist\u00e3os, impondo a \u2018sharia\u2019 isl\u00e2mica a todos os n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos, anulando o direito de se movimentarem livremente nas suas pr\u00f3prias aldeias, for\u00e7ando as mulheres a usar o v\u00e9u, destruindo quaisquer s\u00edmbolos crist\u00e3os que estivessem \u00e0 vista\u2026\u201d<\/p>\n<h4><strong>Viol\u00eancia e morte<\/strong><\/h4>\n<p>A razia foi total. As cruzes das igrejas e dos cemit\u00e9rios foram decepadas como s\u00edmbolo da subjuga\u00e7\u00e3o de um povo. Ao longo destes anos de sofrimento, foram in\u00fameros os casos de viol\u00eancia, tortura e morte que os crist\u00e3os tiveram de suportar face \u00e0 impiedade dos jihadistas. \u201cForam muitas as vezes que estes extremistas perseguiram, atacaram e espancaram, sequestraram, torturaram e at\u00e9 mataram alguns dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s.\u201d O padre Firas \u2013 que j\u00e1 esteve em Portugal \u2013 recorda o caso dram\u00e1tico do padre Fran\u00e7ois Murad, \u201cdecapitado em 2013\u201d, e, mais recentemente, o de \u201cuma professora que foi violada e morta em Yacoubieh\u201d. A viol\u00eancia nunca deixou de fazer parte do dia-a-dia destes crist\u00e3os encurralados numa prov\u00edncia sitiada, onde o \u2018califado\u2019 continua a ditar as leis baseadas no horror e na morte. Diz o Padre Firas Lutfi que estes crist\u00e3os \u201cmant\u00e9m escondidas a sua f\u00e9 e modo de pensar\u201d. Na prov\u00edncia de Idlib, nas aldeias de Knayeh e de Yacoubieh, a vida \u00e9 dura. Al\u00e9m da viol\u00eancia, h\u00e1 ainda a o drama da pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. \u201cA presen\u00e7a dos Franciscanos \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a no meio da escurid\u00e3o e do desespero\u201d, sintetiza o padre Firas, no testemunho enviado para a Funda\u00e7\u00e3o AIS em Lisboa. \u201cPor isso, eles necessitam de todo o apoio que possam obter, especialmente de apoio financeiro, porque os locais n\u00e3o podem colher as suas colheitas, confiscadas, ou vender os seus pr\u00f3prios produtos\u2026 a \u00fanica forma \u00e9 a ajuda humanit\u00e1ria&#8230;\u201d O futuro em Idlib, na S\u00edria, continua ensombrado pela guerra, viol\u00eancia e persegui\u00e7\u00e3o. Mas ali, naquelas aldeias, dois frades franciscanos persistem com a sua miss\u00e3o apesar de todos os riscos, apesar de todo o sofrimento. S\u00e3o, por isso, sinal de esperan\u00e7a. Uma esperan\u00e7a que precisa de ser alimentada com a nossa solidariedade.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00cdRIA: Em Idlib, 300 fam\u00edlias crist\u00e3s continuam subjugadas \u00e0 \u2018sharia\u2019<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-188337","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=188337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188337\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=188337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=188337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=188337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}