{"id":18830,"date":"2006-06-28T13:40:47","date_gmt":"2006-06-28T13:40:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/28\/um-lugar-para-a-eucaristia-ii\/"},"modified":"2006-06-28T13:40:47","modified_gmt":"2006-06-28T13:40:47","slug":"um-lugar-para-a-eucaristia-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-lugar-para-a-eucaristia-ii\/","title":{"rendered":"Um lugar para a Eucaristia (II)"},"content":{"rendered":"<p>O g\u00e9nio humano soube encontrar nos Santos Mist\u00e9rios (na Liturgia), na Sagrada Escritura e na Tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, uma fonte inesgot\u00e1vel de inspira\u00e7\u00e3o. De tal modo, plasmou, ao longo das eras, numa diversidade de formas, o inef\u00e1vel e inaud\u00edvel, o impalp\u00e1vel e inintelig\u00edvel, que, gra\u00e7as ao mesmo Esp\u00edrito que age na Igreja e no interior do artista, revela e actualiza, sem cessar, o mist\u00e9rio escondido, Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre. Assim nas novas formas, ontem como hoje, diferentes das antigas, continua a correr aquela mesma seiva vital que, brotando da mesma Fonte, as vivifica. \u00c9 pois neste sentido que, tamb\u00e9m no campo da arte sacra, podemos falar de uma Tradi\u00e7\u00e3o ininterrupta que importa conhecer, respeitar e desenvolver.  \u201cMovida por este elevado sentido do mist\u00e9rio, compreende-se como a f\u00e9 da Igreja no mist\u00e9rio eucar\u00edstico se tenha exprimido ao longo da hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da exig\u00eancia duma atitude interior de devo\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m mediante uma s\u00e9rie de express\u00f5es exteriores, tendentes a evocar e sublinhar a grandeza do acontecimento celebrado. Daqui nasce o percurso que levou progressivamente a delinear um estatuto especial de regulamenta\u00e7\u00e3o da liturgia eucar\u00edstica, no respeito pelas v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es eclesiais legitimamente constitu\u00eddas. Sobre a mesma base, se desenvolveu um rico patrim\u00f3nio de arte. Deixando-se orientar pelo mist\u00e9rio crist\u00e3o, a arquitectura, a escultura, a pintura, a m\u00fasica encontraram na Eucaristia, directa ou indirectamente, um motivo de grande inspira\u00e7\u00e3o. \u201cTal \u00e9, por exemplo, o caso da arquitectura que viu a passagem, logo que o contexto hist\u00f3rico o permitiu, da sede inicial da Eucaristia colocada na \u00abdomus\u00bb das fam\u00edlias crist\u00e3s \u00e0s solenes bas\u00edlicas dos primeiros s\u00e9culos, \u00e0s imponentes catedrais da Idade M\u00e9dia, at\u00e9 \u00e0s igrejas, grandes ou pequenas, que pouco a pouco foram constelando as terras onde o cristianismo chegou. Tamb\u00e9m as formas dos altares e dos sacr\u00e1rios se foram desenvolvendo no interior dos espa\u00e7os lit\u00fargicos, seguindo n\u00e3o s\u00f3 os motivos da imagina\u00e7\u00e3o criadora, mas tamb\u00e9m os ditames duma compreens\u00e3o espec\u00edfica do Mist\u00e9rio. O mesmo se pode dizer da m\u00fasica sacra; basta pensar nas inspiradas melodias gregorianas, aos numerosos e, frequentemente, grandes autores que se afirmaram com os textos lit\u00fargicos da Santa Missa. E n\u00e3o sobressai porventura uma enorme quantidade de produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, desde realiza\u00e7\u00f5es de um bom artesanato at\u00e9 verdadeiras obras de arte, no \u00e2mbito dos objectos e dos paramentos utilizados na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica? \u201cDeste modo, pode-se afirmar que a Eucaristia, ao mesmo tempo que plasmou a Igreja e a espiritualidade, incidiu intensamente sobre a \u00abcultura\u00bb, especialmente no sector est\u00e9tico. (Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia [=EE, 49]) \u201cNeste esfor\u00e7o de adora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, visto na sua perspectiva ritual e est\u00e9tica, empenharam-se, como se fosse uma \u00abcompeti\u00e7\u00e3o\u00bb, os crist\u00e3os do Ocidente e do Oriente. Como n\u00e3o dar gra\u00e7as ao Senhor especialmente pelo contributo prestado \u00e0 arte crist\u00e3 pelas grandes obras arquitect\u00f3nicas e pict\u00f3ricas da tradi\u00e7\u00e3o greco-bizantina e de toda a \u00e1rea geogr\u00e1fica e cultural eslava? No Oriente, a arte sacra conservou um sentido singularmente intenso do mist\u00e9rio, levando os artistas a conceberem o seu empenho na produ\u00e7\u00e3o do belo n\u00e3o apenas como express\u00e3o do seu g\u00e9nio, mas tamb\u00e9m como aut\u00eantico servi\u00e7o \u00e0 f\u00e9. N\u00e3o se contentando apenas da sua per\u00edcia t\u00e9cnica, souberam abrir-se com docilidade ao sopro do Esp\u00edrito de Deus. \u201cOs esplendores das arquitecturas e dos mosaicos no Oriente e no Ocidente crist\u00e3o s\u00e3o um patrim\u00f3nio universal dos crentes, contendo em si mesmos um voto e \u2013 diria \u2013 um penhor da desejada plenitude de comunh\u00e3o na f\u00e9 e na celebra\u00e7\u00e3o. Isto sup\u00f5e e exige, como na famosa pintura da Trindade de Rubl\u00ebv, uma Igreja profundamente \u00abeucar\u00edstica\u00bb, na qual a partilha do mist\u00e9rio de Cristo no p\u00e3o repartido esteja de certo modo imersa na unidade inef\u00e1vel das tr\u00eas Pessoas divinas, fazendo da pr\u00f3pria Igreja um \u00ab\u00edcone\u00bb da Sant\u00edssima Trindade. \u201cNesta perspectiva duma arte que em todos os seus elementos visa exprimir o sentido da Eucaristia segundo a doutrina da Igreja, \u00e9 preciso prestar toda a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s normas que regulamentam a constru\u00e7\u00e3o e o adorno dos edif\u00edcios sacros. A Igreja sempre deixou largo espa\u00e7o criativo aos artistas, como a hist\u00f3ria o demonstra e como eu mesmo sublinhei na Carta aos Artistas (100) mas, a arte sacra deve caracterizar-se pela sua capacidade de exprimir adequadamente o mist\u00e9rio lido na plenitude de f\u00e9 da Igreja e segundo as indica\u00e7\u00f5es pastorais oportunamente dadas pela competente autoridade. Isto vale tanto para as artes figurativas como para a m\u00fasica sacra\u201d. (EE, 50). Para ajuizar, hoje, acerca daquilo que \u00e9 digno (ou n\u00e3o) do Mist\u00e9rio revelado, importa ter em conta n\u00e3o apenas o seu valor est\u00e9tico, mas tamb\u00e9m a sua rela\u00e7\u00e3o com a \u201ccorrente\u201d que brota da mesma Fonte que o vivifica. \u00c9 que Deus n\u00e3o pode ser servido nem com falsas palavras, nem com imagens falsas!  <i>Secretariado Diocesano de Liturgia do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O g\u00e9nio humano soube encontrar nos Santos Mist\u00e9rios (na Liturgia), na Sagrada Escritura e na Tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, uma fonte inesgot\u00e1vel de inspira\u00e7\u00e3o. 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