{"id":18812,"date":"2006-06-27T16:59:32","date_gmt":"2006-06-27T16:59:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/27\/cristaos-com-vida-dificil-no-medio-oriente\/"},"modified":"2006-06-27T16:59:32","modified_gmt":"2006-06-27T16:59:32","slug":"cristaos-com-vida-dificil-no-medio-oriente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristaos-com-vida-dificil-no-medio-oriente\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3os com vida dif\u00edcil no M\u00e9dio Oriente"},"content":{"rendered":"<p>A vida dos crist\u00e3os \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil no M\u00e9dio Oriente, com uma quebra progressiva e acentuada em pa\u00edses como Israel, o Iraque, o Ir\u00e3o ou a Palestina. Esta situa\u00e7\u00e3o esteve em destaque no col\u00f3quio intitulado &#8220;Liberdade Religiosa no Mundo: Direitos das comunidades e dignidade humana&#8221;, promovido hoje em Lisboa pela Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS).  Esta iniciativa visava, segundo os seus organizadores, promover o debate sobre a liberdade religiosa, de forma a &#8220;denunciar as situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas vividas actualmente pelas comunidades religiosas em algumas regi\u00f5es, como o M\u00e9dio Oriente, a \u00c1sia ou a \u00c1frica Central&#8221;. Muitos crist\u00e3os est\u00e3o a fugir do M\u00e9dio Oriente e de alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos devido \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica, segundo o \u201cRelat\u00f3rio 2006 sobre A Liberdade Religiosa no Mundo\u201d, da AIS. O \u00eaxodo dos crist\u00e3os no M\u00e9dio Oriente e nalguns pa\u00edses asi\u00e1ticos deve-se, segundo o documento, \u00e0 press\u00e3o e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica das minorias crist\u00e3s em pa\u00edses onde o islamismo \u00e9 considerado (constitucionalmente) religi\u00e3o oficial do Estado. No Ir\u00e3o, os cat\u00f3licos (baptizados) representavam 0,1% da popula\u00e7\u00e3o em 1973; hoje, s\u00e3o apenas uma \u00ednfima percentagem (0,01%). No mesmo per\u00edodo, no vizinho Iraque, a presen\u00e7a crist\u00e3 diminuiu em dois ter\u00e7os e na Palestina passou de cerca de 12% para 1%. \u201cAtingidos tamb\u00e9m pela amea\u00e7a do terrorismo, os crist\u00e3os escolhem, em muitos casos, o caminho do ex\u00edlio para o Ocidente. \u00c9 o caso do Iraque e da Palestina, onde \u00e9 elevado o risco de extin\u00e7\u00e3o das comunidades cat\u00f3licas de rito oriental\u201d, refere o documento.  Esta manh\u00e3, a convite da AIS, especialistas e representantes da Igreja Cat\u00f3lica oferecem o seu testemunho sobre a persegui\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o religiosa em pa\u00edses como o Iraque, o Paquist\u00e3o ou na Terra Santa. Marie-Ange Siebrecht, directora do departamento do M\u00e9dio Oriente da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, falou do drama que atinge as popula\u00e7\u00f5es da Terra Santa, explicando que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente preocupante, sobretudo por causa da muralha, \u201co muro da vergonha\u201d, que separa totalmente os territ\u00f3rios palestinianos de Israel. Esta enorme muralha de bet\u00e3o foi erguida pelas autoridades israelitas com o pretexto de travar, desta forma, os atentados terroristas em Israel. A especialista explicou como os crist\u00e3os \u201cs\u00e3o particularmente atingidos pela situa\u00e7\u00e3o actual, porque n\u00e3o podem aceder aos locais de trabalho em Israel\u201d. \u201cEm localidades como Bel\u00e9m, praticamente n\u00e3o h\u00e1 peregrinos nem turistas, por causa da tens\u00e3o que a regi\u00e3o atravessa\u201d, acrescentou. Esta respons\u00e1vel assegura que a situa\u00e7\u00e3o piora \u201cdiariamente\u201d e que os crist\u00e3os na Terra Santa, \u00e1rabes, s\u00e3o largamente discriminados. Nesse sentido, pediu aos peregrinos cat\u00f3licos que se desloquem a locais como a Galileia, Nazar\u00e9, Jerusal\u00e9m ou Bel\u00e9m que \u201cvisitem as comunidades locais de crist\u00e3os\u201d e evitem considerar a Terra Santa como \u201cum museu\u201d. Sobre a situa\u00e7\u00e3o no Iraque, Marie-Ange Siebrecht lembrou que os crist\u00e3os est\u00e3o naquele territ\u00f3rios desde o in\u00edcio do Cristianismo, defendendo que \u201cdevemos ajud\u00e1-los a permanecer l\u00e1\u201d. Os crist\u00e3os s\u00e3o particularmente afectados pela imagem de &#8220;amigos do Ocidente&#8221; e das for\u00e7as ocupantes, logo considerados como &#8220;inimigos do Isl\u00e3o&#8221;.  <b>Paquist\u00e3o<\/b> D. Joseph Coutts, Bispo de Faisalabad, no Paquist\u00e3o, veio at\u00e9 ao nosso pa\u00eds falar dos \u201cdesafios de viver numa sociedade isl\u00e2mica\u201d. Em declara\u00e7\u00f5es aos jornalistas, o Bispo lembrou que os crist\u00e3os t\u00eam liberdade religiosa, consagrada na Constitui\u00e7\u00e3o, mas admitiu algumas dificuldades \u2013 vis\u00edveis no facto de alguns edif\u00edcios crist\u00e3os precisarem de \u201cprotec\u00e7\u00e3o policial\u201d. Segundo o relat\u00f3rio da AIS, o ano de 2005 foi caracterizado por um dram\u00e1tico aumento dos ataques contra as minorias religiosas.  \u201cO pior instrumento da repress\u00e3o religiosa \u00e9 a lei sobre a blasf\u00e9mia, que continua a fazer v\u00edtimas. Outro dos principais problemas diz respeito a material inserido pelos fundamentalistas em diversos livros escolares em Setembro de 2005, facto que provocou uma s\u00e9rie de protestos dirigidos ao Governo central. Como denunciaram diversos respons\u00e1veis religiosos, \u00abestes textos contribuem para fazer aumentar o \u00f3dio a respeito dos n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos e a toler\u00e2ncia governamental a respeito deste fen\u00f3meno faz com que os autores destes \u2018escritos de \u00f3dio\u2019 se sintam em seguran\u00e7a\u00bb\u201d, pode ler-se. O Bispo de Faisalabad fala em \u201cdiscrimina\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cintoler\u00e2ncia\u201d, mas aponta o dedo a \u201calguns pregadores\u201d e a pequenas faixas da popula\u00e7\u00e3o \u201ccom uma vis\u00e3o limitada\u201d. \u201cQueremos que os mu\u00e7ulmanos percebam que n\u00f3s somos parte do pa\u00eds, n\u00e3o somos imigrantes nem viemos de fora. O Paquist\u00e3o tamb\u00e9m pertence aos n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos e n\u00f3s temos desempenhado um papel muito positivo na educa\u00e7\u00e3o e no campo da sa\u00fade\u201d, assegura D. Coutts, tamb\u00e9m presidente da C\u00e1ritas Paquist\u00e3o. O di\u00e1logo inter-religioso no contexto da globaliza\u00e7\u00e3o, num per\u00edodo dominado pelo receio do extremismo fundamentalista e do &#8220;choque das civiliza\u00e7\u00f5es&#8221; foi outro dos temas tratados esta manh\u00e3.  D. Willem de Smet, osb, Bispo Em\u00e9rito do L\u00edbano e Presidente Internacional Honor\u00e1rio da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, falou na necessidade de um di\u00e1logo de \u201cvida comum\u201d e alertou para a necessidade de os fi\u00e9is estarem cada vez mais atentos ao outro, mesmo quem n\u00e3o partilha a sua f\u00e9. Nesse sentido, este monge beneditino deu como exemplo o caso de um mosteiro na It\u00e1lia cujo m\u00e9dico \u00e9 um \u00e1rabe, mu\u00e7ulmano, que gosta de passar muito tempo a conversar \u201csobre a transcend\u00eancia de Deus no Isl\u00e3o e a iman\u00eancia de Deus no Cristianismo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida dos crist\u00e3os \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil no M\u00e9dio Oriente, com uma quebra progressiva e acentuada em pa\u00edses como Israel, o Iraque, o Ir\u00e3o ou a Palestina. 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