{"id":18801,"date":"2006-06-27T13:14:28","date_gmt":"2006-06-27T13:14:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/27\/coracao-de-jesus-na-historia-da-igreja\/"},"modified":"2006-06-27T13:14:28","modified_gmt":"2006-06-27T13:14:28","slug":"coracao-de-jesus-na-historia-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/coracao-de-jesus-na-historia-da-igreja\/","title":{"rendered":"Cora\u00e7\u00e3o de Jesus na hist\u00f3ria da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja Cat\u00f3lica celebrou na passada sexta-feira, em todo o mundo, a Solenidade do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, no ano em que se assinalam os 50 anos sobre a enc\u00edclica &#8220;Haurietis aquas&#8221;, de Pio XII, sobre este culto. Para assinalar esta data, Bento XVI escreveu uma carta ao Padre Peter-Hans Kolvenbach, Prep\u00f3sito-Geral da Companhia de Jesus, na qual lembrava que &#8220;ao promover o culto ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, a Enc\u00edclica &#8216;Haurietis aquas&#8217; exortava os crentes a abrirem-se ao mist\u00e9rio de Deus e do seu amor\u201d. Embora tenha fundamentos b\u00edblicos, patr\u00edsticos e tradicionais, a devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus s\u00f3 come\u00e7ou a crescer na Igreja nos meados do s\u00e9c. XVII, em reposta ao rigorismo do jansenismo e, mais tarde, contra o racionalismo e laicismo, favorecida pelo clima sentimental e rom\u00e2ntico desses tempos.  A devo\u00e7\u00e3o dirige-se \u00e0 pessoa de Jesus, como sinal vivo do amor de Deus pelos homens, reflectindo-se particularmente na devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia (especialmente na festa do Corpo de Deus) e a Cristo-Rei. Em Portugal, esta devo\u00e7\u00e3o, ligada \u00e0 devo\u00e7\u00e3o das Chagas de Cristo, data pelo menos de 1728 e teve como grande impulsionadora a rainha D. Maria I, que obteve do Papa a prescri\u00e7\u00e3o da festa do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus em todo o reino e ergueu em sua honra a Bas\u00edlica da Estrela. A liga\u00e7\u00e3o desta devo\u00e7\u00e3o ao Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribuiu para a sua expans\u00e3o.   Revela\u00e7\u00f5es e difus\u00e3o Para a difus\u00e3o do culto concorreram principalmente as revela\u00e7\u00f5es a Santa Margarida Maria Alacoque, em Paray-le-Moniale (1672-1675), divulgadas por S. Cl\u00e1udio La Colombi\u00e8re, o apostolado de S. Jo\u00e3o Eudes (1601-1680), o eco encontrado na piedade popular e o favor dos Papas.  As revela\u00e7\u00f5es de S. Margarida Maria Alacoque (1647-1690) aconteceram em Paray-le-Monial, de 1673 a 1675. S. Cl\u00e1udio de la Colombi\u00e8re, jesu\u00edta, confessor da vidente, considerou verdadeiras as revela\u00e7\u00f5es. Pouco depois, em 1676, ele foi enviado \u00e0 Inglaterra. Devido a acusa\u00e7\u00f5es falsas foi preso e adoeceu gravemente. Foi mandado novamente \u00e0 Fran\u00e7a em 1679, o seu estado de sa\u00fade n\u00e3o o permitiu de difundir a devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o. Inculcou-a aos estudantes jesu\u00edtas, dos quais era director espiritual.  Entre esses estudantes estava Giuseppe Gallifet s.j. (1663-1749), que assimilou fortemente a mensagem das revela\u00e7\u00f5es. Ordenado sacerdote dedicou uma aten\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria em ilustrar e difundir as revela\u00e7\u00f5es e a devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Num tempo relativamente breve, as revela\u00e7\u00f5es de S. Margarida concorreram para um movimento extraordin\u00e1rio de devo\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a morte de S. Margarida Maria Alacoque, as Visitandinas da Fran\u00e7a, encorajadas pela difus\u00e3o da devo\u00e7\u00e3o, apresentaram v\u00e1rios pedidos \u00e0 Santa S\u00e9: a aprova\u00e7\u00e3o da festa lit\u00fargica; a sua celebra\u00e7\u00e3o na sexta-feira depois da festa de Corpus Christi; a faculdade, para todos os sacerdotes que naquele dia tivessem celebrado nos mosteiros da Visita-\u00e7\u00e3o, de rezar a Missa &#8220;Venite&#8221;, composta pelo Pe. Gallifet. Apesar de uma resposta negativa em 1697, a devo\u00e7\u00e3o continuava a difundir-se.  As Visitandinas pela segunda vez apresentaram o pedido de aprova\u00e7\u00e3o da festividade ao Papa Bento XIII, que era conhecido pela sua piedade. A decis\u00e3o final foi: &#8220;Non proposita&#8221;, que no estilo da C\u00faria Romana significava que a festividade n\u00e3o se aprovava. Dois anos depois (1729) foi reproposta e obteve um terceiro amargo e seco: &#8220;Negative&#8221;.  Aprova\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia Ap\u00f3s uma quarta tentativa, a 2 de Janeiro de 1765, a Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o dos Ritos aprovaria a festa do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o &#8220;pro regno Poloniae, pro catholicis Hispaniarum regnis, necnon pro archi-confraternitate sub titulo eiusdem santis-simi cordis in Urbe&#8221;. A decis\u00e3o foi confirmada pelo Papa Clemente XIII, no dia 6 de Fevereiro do mesmo ano, que por\u00e9m omitiu a frase &#8220;pro catholicis Hispaniarum regnis&#8221;. A festa lit\u00fargica era limitada \u00e0 Pol\u00f3nia e \u00e0 Arqui Confraria do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Roma.  Na primeira metade do s\u00e9culo XIX, contudo, n\u00e3o havia quase nenhuma diocese que n\u00e3o tivesse obtido da Santa S\u00e9 o indulto de celebrar a liturgia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o. Pio IX (1856) estendeu a festa \u00e0 Igreja universal, que \u00e9 actualmente celebrada na sexta-feira da 2\u00aa semana a seguir ao Pentecostes, oito dias depois da festa do Corpo de Deus. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja Cat\u00f3lica celebrou na passada sexta-feira, em todo o mundo, a Solenidade do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, no ano em que se assinalam os 50 anos sobre a enc\u00edclica &#8220;Haurietis aquas&#8221;, de Pio XII, sobre este culto. 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