{"id":187267,"date":"2020-10-09T07:00:52","date_gmt":"2020-10-09T06:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=187267"},"modified":"2020-10-09T01:41:39","modified_gmt":"2020-10-09T00:41:39","slug":"portugues-lidera-a-associacao-mundial-de-empresarios-cristaos-e-defende-salario-digno-procura-da-felicidade-e-participacao-nas-decisoes-da-empresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugues-lidera-a-associacao-mundial-de-empresarios-cristaos-e-defende-salario-digno-procura-da-felicidade-e-participacao-nas-decisoes-da-empresa\/","title":{"rendered":"Portugu\u00eas lidera a Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Empres\u00e1rios crist\u00e3os e defende sal\u00e1rio digno, participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es da empresa e fim da \u00abideia de medo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Bruno Bobone tomou posse esta quarta-feira, dia 7, como presidente da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Empres\u00e1rios Crist\u00e3os (UNIAPAC). <\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Em Portugal preside \u00e0 C\u00e2mara de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria Portuguesa e ao Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Grupo Pinto Basto. Na entrevista Renascen\u00e7a\/Ecclesia desta semana afirma que \u201ch\u00e1 muita gente que devia estar a trabalhar todos os dias\u201d e defende a economia social de mercado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Eunice Louren\u00e7o (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_187247\" aria-describedby=\"caption-attachment-187247\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-187247 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-187247\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a\/Ricardo Fortunado, Bruno Bobone, presidente da UNIAPAC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Tomou posse como presidente da <\/em>Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Empres\u00e1rios Crist\u00e3os (Uniapac)<em> na \u00faltima quarta-feira (07 outubro), \u00e9 o primeiro portugu\u00eas \u00e0 frente deste organismo que junta associa\u00e7\u00f5es de 41 pa\u00edses dos cinco continentes, uma grande diversidade.<\/em>\u00a0 <em>Uma das prioridades para este seu mandato de tr\u00eas anos \u00e9 a defesa da gest\u00e3o e do empreendedorismo como voca\u00e7\u00e3o nobre. Como \u00e9 que isso se faz?<\/em><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o se faz, a voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa que se fa\u00e7a, \u00e9 uma coisa que se recebe. E, portanto, isso \u00e9 uma d\u00e1diva fant\u00e1stica que os empres\u00e1rios recebem, um dom de serem capazes de organizar os recursos que existem para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Isso \u00e9 um dom, \u00e9 um dom nobre, \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o nobre porque \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o que tem uma responsabilidade enorme no mundo que \u00e9 a responsabilidade de promover o desenvolvimento e ser capaz de o distribuir e de o partilhar com todas as pessoas. E isso \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o nobre que tem que ter resultados nobres: o foco sobre a pessoa, o foco da raz\u00e3o de ser de ser empres\u00e1rio, melhorar a qualidade de vida e a condi\u00e7\u00e3o de vida das pessoas.<\/p>\n<p>A minha prioridade tem a ver com a voca\u00e7\u00e3o nobre, que j\u00e1 \u00e9 um tema que vinha a ser tratado pela associa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 com um passo a mais: o foco na pessoa como o grande objetivo dessa voca\u00e7\u00e3o nobre. E isso para mim \u00e9 que aquilo que d\u00e1 nobreza \u00e0 voca\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos: \u00e9 o foco na pessoa.<\/p>\n<p>Ser empres\u00e1rio significa ser capaz de criar riqueza. Mas s\u00f3 faz sentido criar riqueza se essa riqueza tiver um fim bom. E o fim bom \u00e9 ser distribu\u00edda por todos aqueles que participam na cria\u00e7\u00e3o dessa riqueza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 a quest\u00e3o de associar o lucro \u00e0 defesa do bem comum. Colocar o bem comum \u00e0 frente do lucro&#8230;<\/em><\/p>\n<p>O bem comum \u00e9 claramente uma qualidade. Mas eu ia mais longe: \u00e9 a pessoa.<\/p>\n<p>Se focarmos na pessoa, vamos ser ainda mais profundos do que o bem comum. O bem comum \u00e9 alguma coisa que beneficia todos, \u00e9 verdade. Mas temos que olhar tamb\u00e9m pela parte individual: \u00e9 cada pessoa que vale. E, nesse aspeto, \u00e9 importante tamb\u00e9m, para al\u00e9m do bem comum, focar no benef\u00edcio da pessoa. A pessoa \u00e9 a raz\u00e3o de ser.<\/p>\n<p>O lucro n\u00e3o deve ser um objetivo, uma finalidade, deve ser uma ferramenta para beneficiar as pessoas. E isso \u00e9 em toda a perspetiva da economia: a economia n\u00e3o deve ser vista como um objetivo, mas como um meio para melhorar a vida das pessoas. Se tivermos uma economia fant\u00e1stica mas a vida das pessoas n\u00e3o foi cuidada e melhorada n\u00e3o serviu para nada ter essa economia. \u00c9 preciso focar nos objetivos.<\/p>\n<p>Eu digo, por gra\u00e7a, que a primeira vez que algu\u00e9m fez uma empresa, juntaram-se provavelmente duas pessoas para aumentar as suas compet\u00eancias muito mais do que a soma dos dois &#8211; porque quando nos juntamos conseguimos produzir mais &#8211; mas foi naturalmente para dividirem o benef\u00edcio dessa mais-valia. \u00c9 no conceito da divis\u00e3o que est\u00e1 a raz\u00e3o de ser da empresa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E um dos aspetos tem necessariamente a ver com o sal\u00e1rio. Defende um sal\u00e1rio digno em oposi\u00e7\u00e3o a um sal\u00e1rio m\u00ednimo. O que \u00e9 um sal\u00e1rio digno em Portugal?<\/p>\n<p>Come\u00e7o por defender a dignidade da vida! Uma pessoa tem de ter como objetivo, e toda a gente tem de contribuir, para que qualquer pessoa tenha uma vida digna. Por isso defendo o sal\u00e1rio digno. Considero que a discuss\u00e3o sobre o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o \u00e9 um tema que seja razo\u00e1vel. Ningu\u00e9m pode discutir o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo como um objetivo para algu\u00e9m conseguir, mas temos de ir muito al\u00e9m, temos de conseguir de facto chegar ao sal\u00e1rio digno.<\/p>\n<p>O sal\u00e1rio digno \u00e9 um sal\u00e1rio que permita a qualquer pessoa pagar as suas despesas, ter a sua vida normal, conseguir tratar da educa\u00e7\u00e3o dos seus descendentes, mas tamb\u00e9m ter mais do que isso: ter a capacidade de investir no seu pr\u00f3prio desenvolvimento, na sua evolu\u00e7\u00e3o, no seu crescimento para se tornar uma pessoa mais completa, de maneira a poder fazer um caminho em busca da felicidade, que \u00e9 o objetivo de todos. N\u00f3s existimos sempre com um grande objetivo que \u00e9 encontrar a felicidade.\u00a0 E essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que temos esquecido nas empresas, e temos esquecido na nossa vida em geral, e temos que voltar a trazer. As pessoas acham que \u00e9 assim um bocadinho lamechas falar da felicidade como objetivo de vida, n\u00e3o \u00e9. A felicidade \u00e9 o objetivo de vida, \u00e9 o \u00fanico, n\u00e3o vale a pena escond\u00ea-lo, e para as empresas tem que estar presente.<\/p>\n<p>As empresas t\u00eam de se preocupar com a felicidade, n\u00e3o \u00e9 com o rendimento. Claro que t\u00eam de fazer cria\u00e7\u00e3o de riqueza, esse \u00e9 o objetivo. Mas com o objetivo de trazer felicidade \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O sal\u00e1rio m\u00ednimo em Portugal permite chegar a essa dignidade?<\/em><\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o, claro que n\u00e3o! E, portanto, temos de trabalhar&#8230; Mas, aten\u00e7\u00e3o: s\u00f3 se pode falar no sal\u00e1rio digno se tamb\u00e9m estivermos dispostos a falar na produtividade. N\u00e3o se pode criar um sal\u00e1rio digno se n\u00e3o aumentarmos a produtividade para que essa riqueza criada pela produtividade permita ser distribu\u00edda por quem contribuiu para criar esse aumento de riqueza de maneira a que passe a ter um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode dissociar as duas coisas. N\u00e3o estamos a falar de caridade, que tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o importante, mas n\u00e3o \u00e9 uma compet\u00eancia das empresas fazer caridade. O que \u00e9 compet\u00eancia das empresas \u00e9 criar a maximiza\u00e7\u00e3o dos seus recursos, sendo que as pessoas s\u00e3o o seu recurso principal e a maximiza\u00e7\u00e3o significa criar, atrav\u00e9s do trabalho das pessoas, uma riqueza maior que possa reverter para as pr\u00f3prias pessoas, tornando-se assim num fator de promo\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio digno.<\/p>\n<p>O sal\u00e1rio digno permite \u00e0s pessoas ficar mais contente, a pessoa mais satisfeita, mais feliz \u00e9 uma pessoa que produz mais, portanto, volta a dar maior produtividade, d\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o maior \u00e0 empresa. Isto \u00e9 um c\u00edrculo virtuoso ao contr\u00e1rio do c\u00edrculo vicioso que temos vivido nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o que \u00e9 que \u00e9 preciso para termos esse c\u00edrculo virtuoso? O que \u00e9 que do ponto de vista das empresas lhes pode facilitar essa l\u00f3gica que est\u00e1 a falar?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_187248\" aria-describedby=\"caption-attachment-187248\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-187248\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-187248\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a\/Ricardo Fortunado, Bruno Bobone, presidente da UNIAPAC<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o ter medo. O problema que temos todos \u00e9 ter medo. Todos sabemos que um empregado motivado \u00e9 um empregado que produz mais, est\u00e1 escrito em todos os livros. Mas a maioria tem medo de arriscar,\u00a0 de dar mais condi\u00e7\u00f5es a esse empregado com medo que n\u00e3o tenha o retorno para depois o poder aumentar.<\/p>\n<p>Se perderem o medo, v\u00e3o come\u00e7ar a fazer o ciclo virtuoso&#8230; Se continuarem com medo, o ciclo vicioso mant\u00e9m-se e \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o da economia, \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e \u00e9 uma hist\u00f3ria perene no nosso pa\u00eds, que \u00e9 uma pena.<\/p>\n<p>Temos um povo maravilhoso com um potencial extraordin\u00e1rio, compet\u00eancias \u00fanicas no mundo, temos inclusivamente representantes nossos em quase todas as organiza\u00e7\u00f5es mundiais, que sobressaem pelas suas compet\u00eancias. Vamos l\u00e1 fora e ouvimos dizer que os trabalhadores portugueses s\u00e3o os melhores trabalhadores que h\u00e1: fiel, correto, competente, s\u00e9rio, todas as condi\u00e7\u00f5es&#8230; E depois n\u00e3o temos, c\u00e1, a capacidade de perder o medo e apostar neles de uma maneira verdadeira e, com coragem, avan\u00e7ar de peito feito. E eu posso garantir, e tenho experi\u00eancias v\u00e1rias, que funciona, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos em per\u00edodo de discuss\u00e3o or\u00e7amental e v\u00e1rias medidas est\u00e3o no terreno, outras foram tomadas, como o lay-off simplificado que foi evoluindo e terminou em grande parte. Que medidas ou que incentivos espera deste or\u00e7amento para a situa\u00e7\u00e3o em que vivemos? <\/em><\/p>\n<p>Espero que este or\u00e7amento possa permitir \u00e0s empresas voltarem a encontrar o seu caminho de \u00eaxito, de cria\u00e7\u00e3o de riqueza. Espero que este or\u00e7amento seja promotor de uma estabilidade que permita \u00e0s pessoas acreditarem que possam distribuir essa riqueza tamb\u00e9m pelos seus trabalhadores.<\/p>\n<p>Tenho algumas d\u00favidas sobre as decis\u00f5es que est\u00e3o a ser tomadas relativamente \u00e0 estatiza\u00e7\u00e3o excessiva de algum investimento. Acho que se devia acreditar mais nas empresas&#8230; Assim como as empresas n\u00e3o devem ter medo de promover, de motivar os seus trabalhadores, o Estado n\u00e3o pode ter medo de promover e motivar as empresas. Devia haver mais privados na evolu\u00e7\u00e3o, na aplica\u00e7\u00e3o de todos estes valores or\u00e7amentais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem os seus m\u00e9ritos: tem uma preocupa\u00e7\u00e3o de crescimento, isso tamb\u00e9m \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Agora: n\u00e3o h\u00e1 or\u00e7amento nenhum que venha resolver os problemas que temos. O problema \u00e9 que n\u00e3o estamos a enfrentar esta crise com a coragem que dev\u00edamos enfrentar.<\/p>\n<p>J\u00e1 percebemos que h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de pandemia que nos deve levar a tomar cuidado e determinados cuidados com os nossos comportamentos, e isso est\u00e1 certo, mas temos de parar a\u00ed. N\u00e3o podemos continuar a espalhar uma ideia de medo, n\u00e3o podemos continuar a criar p\u00e2nico nas pessoas porque isso est\u00e1 a inibir muito a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o levarmos as pessoas a consumir aquilo que \u00e9 normal, a utilizar a oferta que existe no pa\u00eds, seja de restaurantes, e de hot\u00e9is, da parte do turismo, seja tamb\u00e9m nas compras do dia-a-dia, seja a conviv\u00eancia nas escolas, vamos condicionar o pa\u00eds de uma maneira que n\u00e3o h\u00e1 or\u00e7amento nenhum que nos vai resolver. Estamos a influenciar as nossas crian\u00e7as de tal maneira negativa que o resultado n\u00e3o vai produzir aquilo que mais tarde vai ser necess\u00e1rio produzir.<\/p>\n<p>H\u00e1 o or\u00e7amento e o or\u00e7amento \u00e9 importante, h\u00e1 que acreditar que s\u00e3o os privados que devem produzir e o Estado deve controlar. Eu acho que o Estado naturalmente tem que ter uma postura de verificar que esta distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 promovida, mas n\u00e3o pode produzir e as empresas t\u00eam de ser ajudadas a faz\u00ea-lo. Mas o Estado n\u00e3o pode inibir as pessoas de viverem de novo! A n\u00e3o conviv\u00eancia \u00e9 um fator extraordinariamente negativo e \u00e9 mais negativo porque est\u00e1 a ser promovido pelo medo e n\u00e3o pela razoabilidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a raz\u00e3o que nos est\u00e1 a manter t\u00e3o inativos. \u00c9 p\u00e2nico que estamos a difundir pelas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um reflexo desse p\u00e2nico \u00e9 o teletrabalho? Acha excessivo as medidas de teletrabalho em curso?<\/em><\/p>\n<p>O teletrabalho deve ser permitido mas n\u00e3o deve ser obrigado e acho que devem ser constitu\u00eddas alternativas que permitam as pessoas conviver no trabalho com o rigor que t\u00eam de ter, com o cuidado que t\u00eam de ter mas a estarem presentes, a viverem no dia-a-dia. A vida normal tem que ser promovida e \u00e9 preciso ter coragem para o fazer.<\/p>\n<p>N\u00e3o se esque\u00e7a que h\u00e1 uma quest\u00e3o muito importante: esta pandemia \u00e9 mais letal a partir dos 70 anos. At\u00e9 aos 70 anos n\u00e3o h\u00e1 um risco t\u00e3o grave da pandemia e at\u00e9 aos 70 anos h\u00e1 muita gente que devia estar a trabalhar todos os dias, devia estar a viver todos os dias, o mundo est\u00e1 a prejudicar-se por uma raz\u00e3o que n\u00e3o existe. E o resultado \u00e9 que vai haver muita fome, muita morte e muita desgra\u00e7a por estarmos a tomar esta medida baseada no medo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Diante da necessidade do teletrabalho, em casos que se justifiquem, que nova abordagem \u00e9 preciso ter para a concilia\u00e7\u00e3o fam\u00edlia-trabalho nestas circunst\u00e2ncias? <\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_187249\" aria-describedby=\"caption-attachment-187249\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-187249\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-3.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-187249\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a\/Ricardo Fortunado, Bruno Bobone, presidente da UNIAPAC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Falamos no teletrabalho, mas nunca falamos o suficiente, nas condi\u00e7\u00f5es que cada um tem para executar esse teletrabalho. Uma fam\u00edlia em casa com dois filhos e com um pai e uma m\u00e3e tem uma ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o em teletrabalho em que todos est\u00e3o juntos e todos est\u00e3o a partilhar o mesmo local. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel manter isso durante um tempo indefinido. \u00c9 preciso trabalharmos no sentido de encontrarmos alternativas.<\/p>\n<p>A pandemia teve os seus m\u00e9ritos, porque ajudou-nos a digitalizar mais, a adaptar-nos a novas realidades, a permitir-nos ter solu\u00e7\u00f5es que s\u00e3o de facto efetivas de comunica\u00e7\u00e3o, de desenvolvimento de novas formas de trabalhar, mas n\u00e3o \u00e9 substituir uma coisa pela outra. O teletrabalho tem de ser entendido e analisado em cada caso, em cada circunst\u00e2ncia. Uma pessoa que tenha uma casa grande e que tenha disponibilidade tem naturalmente uma capacidade de praticar esse teletrabalho de uma maneira que quem n\u00e3o tem essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o o pode fazer.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dar a essas pessoas alternativas de possibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sen\u00e3o estamos a acentuar as desigualdades, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Obviamente! Porque quem sofre \u00e9 sempre o mais pequeno. Esta forma como estamos a gerir a pandemia vai trazer-nos muitas dificuldades, muita vida dif\u00edcil, sempre a quem j\u00e1 tem a vida dif\u00edcil. Quem tem a vida organizada, mais coisa menos coisa vai sair da crise em problemas. Quem est\u00e1 mal vai fica pior. Mais uma vez, estamos a ir sobre as pessoas que n\u00e3o t\u00eam, sobre as pessoas que t\u00eam dificuldades e n\u00e3o estamos minimamente a trabalhar para elas, estamos a espalhar um p\u00e2nico que n\u00e3o as beneficia, porque ao fechar em casa pessoas que n\u00e3o t\u00eam dimens\u00e3o para estarem fechadas em casa, estamos a prejudic\u00e1-las. E, ao mesmo tempo, s\u00e3o essas pessoas que, provavelmente, v\u00e3o ficar ou sem empregos, porque, entretanto, n\u00e3o h\u00e1 vida na atividade econ\u00f3mica e n\u00e3o vai haver emprego para toda a gente, e essas pessoas s\u00e3o exatamente as mesmas que voltam a sofre. Estamos sempre a cair sobre aqueles que j\u00e1 sofrem e \u00e9 a\u00ed que temos de trabalhar, temos de arranjar alternativas, fazer o mundo desenvolver de novo para criar oportunidades a essas pessoas para voltarem a ter o seu lugar na sociedade. Mais uma vez vou voltar ao sal\u00e1rio digno porque essas pessoas s\u00e3o aquelas que t\u00eam de ser defendidas com o sal\u00e1rio digno, n\u00e3o s\u00e3o as pessoas que j\u00e1 o t\u00eam, essas j\u00e1 vivem bem. Mas s\u00e3o essas, muitas vezes, que est\u00e3o a difundir esta pandemia do medo porque est\u00e3o c\u00f3modas, est\u00e3o em casa e n\u00e3o precisam de sair. Uma quest\u00e3o que se passa muito nos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, naturalmente: foram postos em casa, nem sequer t\u00eam lay off, t\u00eam condi\u00e7\u00f5es garantidas, t\u00eam uma vida garantida e, portanto, j\u00e1 t\u00eam uma dignidade de vida e n\u00e3o est\u00e3o dispostos a partilhar com os outros que est\u00e3o a sofrer e, por isso, preferem que fique tudo quieto e parado em vez de quererem que se volte a trabalhar. \u00c9 preciso preocuparmo-nos com aqueles que precisam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No in\u00edcio da pandemia, em mar\u00e7o, o Papa Francisco afirmou que o despedimento n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para salvar as empresas. \u201cMais do que despedir, h\u00e1 que acolher e fazer sentir que h\u00e1 uma sociedade solid\u00e1ria\u201d. Tem sido poss\u00edvel aos empres\u00e1rios crist\u00e3os seguir estas indica\u00e7\u00f5es do Papa Francisco nos \u00faltimos meses?<\/em><\/p>\n<p>\u00c0queles que tiveram a oportunidade de manter a empresa viva e com alguma sa\u00fade, n\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida que tem sido poss\u00edvel. Que a vontade de todo o empres\u00e1rio \u00e9 manter emprego e aumentar emprego tamb\u00e9m n\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma. Nas circunst\u00e2ncias atuais, quem n\u00e3o tem atividade econ\u00f3mica dificilmente pode manter o emprego e, por isso, volto ao mesmo: n\u00e3o podemos ter medo para conseguir garantir que as empresas tenham recursos para manter o emprego. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o estar de acordo com o Papa Francisco e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Papa Francisco que tem esta ideia: todas as pessoas, sejam crist\u00e3s ou n\u00e3o, t\u00eam consci\u00eancia de que n\u00e3o se pode ir pela via do desemprego. Nem agora, nem nunca. H\u00e1 que trabalhar para aumentar o emprego, para dar melhores condi\u00e7\u00f5es. Para isso \u00e9 preciso coragem, n\u00e3o podemos viver escondidos. A primeira frase que o Papa Jo\u00e3o Paulo II nos disse foi \u2018N\u00e3o tenham medo\u2019 e \u00e9 a frase que mais marcou na minha vida porque o medo \u00e9 a maior condicionante que nos inibe de fazer o bem e temos de fazer o bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na nova enc\u00edclica, o Papa diz que \u201cExistem pa\u00edses poderosos e empresas grandes que lucram com este isolamento e preferem negociar com cada pa\u00eds separadamente\u201d (FT, 153). Acha que a pandemia est\u00e1 a ser uma ocasi\u00e3o aproveitada pelas grandes empresas para a explora\u00e7\u00e3o dos mais pobres?<\/em><\/p>\n<p>Tenho dificuldade em analisar generaliza\u00e7\u00f5es porque haver\u00e1 empresas que se comportam de uma maneira e empresas que se comportam de outra. N\u00e3o tenho d\u00favidas que houve empresas que tiraram vantagens desta crise. Todas as empresas ligadas \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0s novas tecnologias beneficiaram com esta pandemia; se isso significa que est\u00e3o a tentar tirar proveitos e a n\u00e3o distribuir esses\u00a0 proveitos j\u00e1 teria de ser avaliado caso a caso, com conhecimento daquilo que se passa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nomeadamente o com\u00e9rcio online est\u00e1 a destruir muito do neg\u00f3cio que havia porta-a-porta?<\/em><\/p>\n<p>A\u00ed tenho uma opini\u00e3o um pouco diferente. Acho que esta pandemia obrigou a uma adapta\u00e7\u00e3o com uma velocidade muito grande \u00e0s novas tecnologias; houve aqueles que foram capazes de se adaptar mais pressa e aqueles que n\u00e3o capazes de se adaptar, mas isso \u00e9 o que se passou toda a vida em todas\u00a0 as circunst\u00e2ncias: cada vez que h\u00e1 um avan\u00e7o na tecnologia, h\u00e1 sempre uns que ganham e uns que perdem, sendo que \u00e9 uma pena que haja quem perca e dev\u00edamos tentar arranjar apoios e ajudas para essas organiza\u00e7\u00f5es e pessoas n\u00e3o fiquem a perder. Tamb\u00e9m a\u00ed \u00e9 preciso fazer um esfor\u00e7o de acompanhamento. N\u00e3o podemos dizer &#8216;n\u00e3o vamos evoluir para n\u00e3o prejudicar ningu\u00e9m&#8217;, temos \u00e9 de encontrar solu\u00e7\u00f5es de ajuda, de apoio e funcionarmos mais como rede.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o mundo desenvolveu o individualismo e a prova que temos hoje \u00e9 que o individualismo nunca nos leva mais\u00a0 longe do que est\u00e1vamos, antes pelo contr\u00e1rio. Temos de voltar \u00e0 fraternidade, vamos ter de voltar \u00e0 comunidade, \u00e0 sociedade, ao bem comum e voltar a p\u00f4r isso na realidade do mundo.<\/p>\n<p>Temos de reconhecer que o liberalismo econ\u00f3mico pur\u00edssimo n\u00e3o funcionou, temos \u00e9 de aceitar que a economia de mercado \u00e9 uma economia boa e, portanto, temos de transform\u00e1-la numa economia social de mercado, que \u00e9 uma economia de mercado preocupado com a sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 isso que o Papa tamb\u00e9m defende nesta nova enc\u00edclica e nas suas interven\u00e7\u00f5es sobre economia quando diz que o modelo neoliberal, tanto econ\u00f3mico como pol\u00edtico, falhou? Isto significa que o capitalismo falhou ou tem \u00e9 de ter limites?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_187251\" aria-describedby=\"caption-attachment-187251\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-187251\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bruno-Bobone_rr-5.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-187251\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a\/Ricardo Fortunado, Bruno Bobone, presidente da UNIAPAC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Aquilo que aconteceu \u00e9 o que acontece no mundo, desde que o mundo \u00e9 mundo. O capitalismo funciona. N\u00e3o gosto de chamar capitalismo, gosto \u00e9 de falar sobre economia de mercado porque acho que a economia de mercado define melhor aquilo que vivemos do que o capitalismo em si mesmo. O capitalismo pode ter v\u00e1rias formas, est\u00e1 baseado no capital e o capital pode funcionar de maneiras diferentes. A economia de mercado pressup\u00f5e concorr\u00eancia, todas as condi\u00e7\u00f5es que fazem o mercado funcionar de uma maneira mais efetiva e a\u00ed a economia de mercado est\u00e1 provado que funciona. Mas \u00e9 no centro que est\u00e1 a virtude e, portanto, tudo o que s\u00e3o vis\u00f5es extremistas de qualquer circunst\u00e2ncia acabam por ser fora da realidade e acabam por n\u00e3o dar resultado. A economia de mercado funciona desde que seja economia social de mercado; n\u00e3o \u00e9 propriamente ter limites, mas ter controlos e fun\u00e7\u00f5es acrescidas. O Estado n\u00e3o existe s\u00f3 para consumir o dinheiro dos contribuintes; o Estado existe para ter alguma fun\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9, exatamente, preocupar-se com a sociedade e, por isso, tem de definir onde vai funcionar. Existem leis, h\u00e1 que fazer cumprir as leis. Isso, infelizmente, no nosso pa\u00eds funciona pouco porque at\u00e9 temos leis que s\u00e3o normalmente boas, mas depois na pr\u00e1tica n\u00e3o as aplicamos porque d\u00e1 muito trabalho fazer a avalia\u00e7\u00e3o, d\u00e1 um trabalho muito grande confrontar os erros. As pessoas, em Portugal, n\u00e3o gostam de confrontar as outas e, portanto, quando se descobre um erro, obrigam-nos a ter a coragem de ir falar com uma pessoa a dizer que est\u00e1 errado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 o princ\u00edpio da corre\u00e7\u00e3o fraterna que, tantas vezes, tamb\u00e9m custa na vida pessoal &#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Mas que \u00e9 fundamental. N\u00e3o temos de n\u00e3o gostar das pessoas, antes pelo contr\u00e1rio. Temos de gostar das pessoas todas, temos de nos preocupar com as pessoas todas de tal maneira que temos de lhes disser quando est\u00e3o erradas. A come\u00e7ar pelos nossos filhos, o que muitas vezes n\u00e3o acontece e, depois, as pessoas n\u00e3o t\u00eam comportamentos sociais\u00a0 positivos. Temos de confrontar as pessoas com os seus erros, o Estado tem de nos confrontar com os nossos erros e, depois, tem de fazer o trabalho de acompanhamento.<\/p>\n<p>E h\u00e1 outra quest\u00e3o: em Portugal, quando algu\u00e9m descobre que houve um erro quer multar, quer penalizar o erro. Eventualmente, isso tamb\u00e9m \u00e9 importante, mas mais importante ainda \u00e9 explicar como \u00e9 que n\u00e3o se erra e vamos junto de alguma entidade p\u00fablica perguntar como \u00e9 que devemos fazer bem e nunca ningu\u00e9m nos diz como \u00e9 que devemos fazer bem, ficam \u00e0 espera que fa\u00e7amos para depois dizerem que fizemos mal. Ora, isto \u00e9 uma mentalidade que temos de mudar. O Estado, o setor p\u00fablico tamb\u00e9m tem de ter a coragem de arriscar connosco e explicar-nos como devemos fazer para que n\u00e3o haja depois o problema de fazer mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma discuss\u00e3o que temos tido muito nos \u00faltimos dias e que tem a ver com isso \u00e9 a quest\u00e3o da lei da contrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica. H\u00e1, de facto, um excesso de burocracia nos concursos p\u00fablicos, nos concursos para fundos europeus que dificulta a vida das empresas e que \u00e9 necess\u00e1rio alterar?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 claramente. Como toda a gente tem medo que algu\u00e9m venha roubar e como n\u00e3o queremos confrontar as pessoas e descobrir os erros, a forma de o fazer \u00e9 criar burocracia a fingir que isso vai evitar o erro. O que nem se quer \u00e9 verdade, porque o erro acaba por acontecer na mesma, demora-se o triplo do tempo, criam-se novas oportunidades de erro e aumenta o problema.<\/p>\n<p>O que temos de fazer \u00e9 diminuir a burocracia, mas levar as pessoas a cumprirem as suas fun\u00e7\u00f5es e quem fiscaliza deve fiscalizar e quem acompanha devem acompanhar e se isso acontecer n\u00e3o vamos ter o mesmo problema. Confrontamos as pessoas com o erro e resolvemos. Agora, uma coisa n\u00e3o funciona sem a outra.<\/p>\n<p>Tal como o sal\u00e1rio digno n\u00e3o pode existir sem produtividade, a desburocratiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode existir sem haver uma fiscaliza\u00e7\u00e3o correta, consciente, que n\u00e3o pode ser baseada na busca do erro, como hoje em dia faz, por exemplo, a Autoridade Tribut\u00e1ria. A ideia \u00e9 em conjunto com o contribuinte descobrir a maneira de fazer bem&#8230; Assim como na adjudica\u00e7\u00e3o dos concursos, a ideia deve ser descobrir de selecionar corretamente, com o objetivo do melhor resultado. \u00c9 preciso entregarmos para depois recebermos e n\u00f3s vivemos num mundo em que toda a gente quer receber e ningu\u00e9m est\u00e1 disposto a entregar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa lan\u00e7ou o projeto A Economia de Francisco, que desafia as novas gera\u00e7\u00f5es de empres\u00e1rios e gestores. Que revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso e que pontes ligam este projeto do Papa Francisco \u00e0s ideias dos gestores crist\u00e3os?<\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco teve esta Ideia extraordin\u00e1ria que \u00e9 \u2018se chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que o que vivemos at\u00e9 agora n\u00e3o funciona, temos de trabalhar no que vai funcionar a seguir\u2019 e nada melhor do que trabalhar naquilo que vai funcionar a seguir do que envolver a gera\u00e7\u00e3o que vai trabalhar a seguir. Basicamente \u00e9 isto que est\u00e1 na ess\u00eancia da Economia de Francisco. Naturalmente, o Papa Francisco n\u00e3o tem uma ideia econ\u00f3mica definida porque, sen\u00e3o, a economia de Francisco j\u00e1 estava escrita; o que se pretende \u00e9, em conjunto e envolvendo as pessoas, chegar a uma conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra coisa que, em Portugal, temos pouco h\u00e1bito de fazer: nada se deve ensinar de cima para baixo. Uma mudan\u00e7a como esta s\u00f3 se faz com a participa\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>As pessoas devem ter um sal\u00e1rio digno e procurar a sua felicidade, mas devem tamb\u00e9m participar nas grandes decis\u00f5es da sua empresa porque, se a empresa \u00e9 o local em que vivo e trabalho durante anos a fio, eu tenho todo o direito e a responsabilidade de tamb\u00e9m ser participante nas grandes decis\u00f5es dessa empresa. N\u00e3o \u00e9 natural que a empresa fa\u00e7a uma evolu\u00e7\u00e3o sem que tenha estado envolvida. N\u00e3o quero dizer com isto que s\u00f3 possa fazer evolu\u00e7\u00e3o desde que os trabalhadores estejam de acordo; o que quer dizer \u00e9 que os trabalhadores t\u00eam de participar na sua estrat\u00e9gia, t\u00eam de ser parte da decis\u00e3o, porque uma pessoa, quando \u00e9 parte de um projeto, concorda com ele de outra maneira e envolve-se e, depois, defende-o ainda mais. E, portanto, \u00e9 bom para ele porque se realiza enquanto pessoa e aproxima-se da sua felicidade, mas \u00e9 bom para o projeto porque ganhou um apoiante, uma pessoa que participa e que \u00e9 parte desse projeto. Essa quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o, como na Economia de Francisco, \u00e9 essencial. Se isto n\u00e3o for um tema apropriado por todos, pode-se dizer j\u00e1 n\u00e3o vai acontecer e, portanto, seria uma perda de tempo e n\u00e3o acredito que o Papa Francisco fosse dedicar o seu tempo a alguma coisa que n\u00e3o fosse acontecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Bobone tomou posse esta quarta-feira, dia 7, como presidente da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Empres\u00e1rios Crist\u00e3os (UNIAPAC).<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":187247,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[96,282],"class_list":["post-187267","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-acege","tag-pastoral-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=187267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187267\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=187267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=187267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=187267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}