{"id":187077,"date":"2020-10-07T10:39:38","date_gmt":"2020-10-07T09:39:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=187077"},"modified":"2020-10-07T10:39:38","modified_gmt":"2020-10-07T09:39:38","slug":"saber-aprender-a-conectar-verdadeiramente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-conectar-verdadeiramente\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A conectar verdadeiramente"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As redes sociais conseguiram conectar as pessoas mais do que em qualquer outro per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria. Somos relacionais, mas com o envolvimento de milhares de milh\u00f5es de pessoas podemos afirmar que as redes sociais o demonstram. Por isso, a conectividade digital \u00e9 uma das inven\u00e7\u00f5es humanas mais impressionantes de sempre. Por que raz\u00e3o torna as pessoas t\u00e3o negativas destruindo a sua capacidade para a empatia?<\/p>\n<figure id=\"attachment_187078\" aria-describedby=\"caption-attachment-187078\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-187078\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/priscilla-du-preez-nF8xhLMmg0c-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-187078\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Priscilla Du Preez em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>A conectividade humana \u00e9 fundamental para a sa\u00fade social. Essa conectividade pressup\u00f5e a capacidade de escutar o outro, sentir o que sente, e viver no dom de si mesmo. A conectividade digital poderia fortalecer esses relacionamentos se n\u00e3o dominasse tanto a nossa aten\u00e7\u00e3o, acabando por distrair dos outros, do que est\u00e3o a viver, e isolar-nos do mundo, apesar de estarmos digitalmente conectados.<\/p>\n<p>As redes sociais j\u00e1 existiam nos anos 70 do s\u00e9culo XX. Jaron Lanier \u00e9 o pai da Realidade Virtual e um dos mais respeitados fil\u00f3sofos de Silicon Valley. Em <em>\u201dDez Argumentos para Apagar as Suas Contas nas Redes Sociais Agora\u201d<\/em> partilha que<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00abmuitas coisas mudaram nas redes sociais ao longo dos anos, mas a forma b\u00e1sica j\u00e1 existia quando eu comecei a trabalhar com computadores nos finais dos anos 1970s. A rede social que t\u00ednhamos na altura consistia em pouco mais do que comentar, apenas um conjunto de pessoas a adicionar texto. N\u00e3o havia votos em publica\u00e7\u00f5es favoritas, ou algoritmos a costumizar o mural. Muito b\u00e1sico.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Portanto, o que parecia novo, talvez n\u00e3o o seja. Mas o que Lanier partilha a seguir \u00e9 que me levou a questionar o efeito das redes sociais sobre as pessoas. Diz ele,<\/p>\n<blockquote><p>\u00abEu notei algo horr\u00edvel h\u00e1 tantos anos. Por vezes, vindo do nada, eu entrava numa luta com algu\u00e9m, ou um grupo de pessoas. Era t\u00e3o esquisito. Come\u00e7\u00e1vamos a insultar-nos uns aos outros, a tentar marcar pontos, colocando-nos debaixo da pele uns dos outros. E sobre coisas incrivelmente est\u00fapidas, por exemplo, se algu\u00e9m sabia ou n\u00e3o sobre o que estava a falar em rela\u00e7\u00e3o a marcas de pianos. A s\u00e9rio.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>A banalidade j\u00e1 existia, mas com a facilidade actual de comentar nas redes sociais atrav\u00e9s de dispositivos m\u00f3veis, ao pre\u00e7o da chuva \u2014 por assim dizer \u2014 e ser notificado 24\/24, 365 dias por ano, talvez fosse espect\u00e1vel que a massifica\u00e7\u00e3o da negatividade acontecesse. O pr\u00f3prio Papa Francisco acabou por reconhec\u00ea-lo e incluir essa realidade na sua \u00faltima Carta Enc\u00edclica <em>Fratelli Tutti<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p>\u00ab44. Ao mesmo tempo que defendem o pr\u00f3prio isolamento consumista e acomodado, as pessoas escolhem vincular-se de maneira constante e obsessiva. Isto favorece o pululamento de formas ins\u00f3litas de agressividade, com insultos, improp\u00e9rios, difama\u00e7\u00e3o, afrontas verbais at\u00e9 destro\u00e7ar a figura do outro, num desregramento tal que se existisse no contacto pessoal acabar\u00edamos todos por nos destruir entre n\u00f3s. A agressividade social encontra um espa\u00e7o de amplia\u00e7\u00e3o incompar\u00e1vel nos dispositivos m\u00f3veis e nos computadores.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>Depois existe a quest\u00e3o da empatia, em que nos colocamos no lugar do outro como na express\u00e3o \u2014 <em>\u201dn\u00e3o julgues algu\u00e9m at\u00e9 teres caminhado um kil\u00f3metro nos seus sapatos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>As redes sociais causam <em>filtros-bolha<\/em>. Isto \u00e9, os algoritmos apresentam no teu mural o que pessoas como tu pensa, a n\u00e3o ser que vis\u00f5es opostas sejam mais irritantes, e, nesse caso, os algoritmos prevejam que a tua intera\u00e7\u00e3o com essas publica\u00e7\u00f5es (atrav\u00e9s dos coment\u00e1rios) seja maior, implicando mais tempo de ecr\u00e3. O Papa Francisco reconhece estes filtros-bolha quando diz,<\/p>\n<blockquote><p>\u00ab47. A verdadeira sabedoria pressup\u00f5e o encontro com a realidade. Hoje, por\u00e9m, tudo se pode produzir, dissimular, modificar. Isto faz com que o encontro direto com as limita\u00e7\u00f5es da realidade se torne insuport\u00e1vel. Em consequ\u00eancia, implementa-se um mecanismo de \u00absele\u00e7\u00e3o\u00bb, criando-se o h\u00e1bito de separar imediatamente o que gosto daquilo que n\u00e3o gosto, as coisas atraentes das desagrad\u00e1veis. A mesma l\u00f3gica preside \u00e0 escolha das pessoas com quem se decide partilhar o mundo. Assim, as pessoas ou situa\u00e7\u00f5es que feriam a nossa sensibilidade ou nos causavam avers\u00e3o, hoje s\u00e3o simplesmente eliminadas nas redes virtuais, construindo um c\u00edrculo virtual que nos isola do mundo em que vivemos.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 quem pense estar imune a esta faceta sinistra que as redes sociais tem sobre o nosso equil\u00edbrio emocional, social e espiritual. H\u00e1 ainda quem sinta que fazer esta cr\u00edtica significa um retrocesso cultural de quem nega os benef\u00edcios das redes sociais para colocar em contacto pessoas que, de outra forma, n\u00e3o seria poss\u00edvel. Mas o Papa Francisco tamb\u00e9m reconhece que <em>\u00aba conex\u00e3o digital n\u00e3o basta para lan\u00e7ar pontes, n\u00e3o \u00e9 capaz de unir a humanidade\u00bb<\/em> (<em>FT<\/em> 43). Quer isso dizer que existe uma alternativa \u00e0s redes sociais? Sim, mas talvez n\u00e3o seja a que pensamos.<\/p>\n<p>Quando era mi\u00fado, a alegria de uma manh\u00e3 de s\u00e1bado era ver chegar ao terra\u00e7o do meu pr\u00e9dio a <em>\u201dmalta\u201d<\/em> da praceta com uma bola de futebol. Ficava em pulgas enquanto n\u00e3o descesse para ir jogar com os amigos. Mais velho, por altura do ensino secund\u00e1rio, era comum irmos para casa de um amigo para viver o nosso tempo com jogos de tabuleiro. Actualmente, em muitas partes do mundo, pessoas s\u00e9nior juntam-se em clubes de leitura, pintura ou mesmo de teatro. N\u00e3o pretendem fazer carreira, mas <em>praticar<\/em> juntas algo que preenche as suas vidas de um modo especial.<\/p>\n<p>As comunidades crist\u00e3s re\u00fanem-se ao Domingo para rezar e celebrar juntas a Eucaristia. \u00c9 uma pr\u00e1tica que expressa a alegria do encontro para nos unirmos, juntos, em comunidade, a Deus. Os jovens que participam em grupos de forma\u00e7\u00e3o ou de espiritualidade, procuram juntos o sentido que Deus pode dar \u00e0s suas vidas. Todos estes exemplos s\u00e3o <em><strong>Comunidades de Pr\u00e1tica<\/strong><\/em>, uma alternativa \u00e0s redes sociais.<\/p>\n<p>As <em>Comunidades de Pr\u00e1tica<\/em> d\u00e3o \u00e0s pessoas que delas fazem parte um sentido de perten\u00e7a. S\u00e3o tr\u00eas as dimens\u00f5es das <em>Comunidades de Pr\u00e1tica<\/em>: 1) envolver rec\u00edproco; 2) empreender juntos; 3) e repert\u00f3rio partilhado. A pr\u00e1tica prov\u00e9m do envolvimento das pessoas em ac\u00e7\u00f5es com significado que fazem juntas (fisicamente ou remotamente). N\u00e3o h\u00e1 homogeneidade nestas comunidades, mas diversidade, por sermos pessoas diferentes, com hist\u00f3rias e experi\u00eancias de vida diferentes.<\/p>\n<p>As <em>Comunidades de Pr\u00e1tica<\/em> vivem da profundidade proveniente da simplicidade daquilo que praticam juntas. S\u00e3o um lugar onde se experimenta como saber aprender a conectar verdadeiramente atrav\u00e9s de relacionamentos interpessoais profundos. N\u00e3o s\u00e3o boas, nem m\u00e1s, mas uma for\u00e7a transformadora do tecido social, com efeitos reais (n\u00e3o digitais) na vida das pessoas. O mais curioso \u00e9 qualquer um poder come\u00e7ar uma, nem que seja com uma ideia t\u00e3o simples como ler juntos, como irm\u00e3os, a <em>Fratelli Tutti.<\/em> Fica a sugest\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-187077","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=187077"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187077\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=187077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=187077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=187077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}