{"id":187037,"date":"2020-10-06T15:05:33","date_gmt":"2020-10-06T14:05:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=187037"},"modified":"2020-10-06T15:05:33","modified_gmt":"2020-10-06T14:05:33","slug":"a-cruz-escondida-114","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-114\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>NIG\u00c9RIA: Padre descreve viol\u00eancia extrema contra comunidades crist\u00e3s<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/nigeria.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-187038 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/nigeria-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/nigeria-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/nigeria-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/nigeria-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/nigeria.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Sangue de m\u00e1rtires<\/h4>\n<p>Os crist\u00e3os no norte da Nig\u00e9ria sentem-se abandonados \u00e0 sua sorte. V\u00edtimas de grupos armados \u2013 desde os jihadistas do Boko Haram aos pastores fulani e aos bandidos comuns \u2013, n\u00e3o est\u00e3o a salvo em lugar nenhum. As autoridades n\u00e3o os defendem e o medo passou a fazer parte do dia-a-dia. O Padre Sam Ebute descreve-nos um ambiente de viol\u00eancia mas tamb\u00e9m de coragem e de f\u00e9. \u201cO sangue destes m\u00e1rtires n\u00e3o ser\u00e1 em v\u00e3o\u201d, diz este sacerdote \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS.<\/p>\n<p>\u201cEm menos de duas horas, os bandidos deixaram 17 jovens mortos, enquanto outros quatro acabariam por falecer a caminho do hospital ou j\u00e1 mesmo no hospital.\u201d Foi assim no dia 21 de Julho, na aldeia de Kukum Daji. O Padre Sam Ebute, da Sociedade de Miss\u00f5es Africanas, conta a hist\u00f3ria deste massacre com as palavras j\u00e1 anestesiadas pela rotina da viol\u00eancia e da morte. Vinte e um jovens perderam a vida naquela segunda-feira. Cerca de tr\u00eas dezenas ficaram feridos. Uns com mais gravidade do que outros. Todos, por\u00e9m, dificilmente ir\u00e3o esquecer os tiros, os gritos, o sangue, os corpos no ch\u00e3o j\u00e1 sem vida, cravejados de balas. O Padre Ebute diz que o massacre em Kukum Daji foi apenas um epis\u00f3dio na viol\u00eancia descontrolada de grupos armados na regi\u00e3o norte da Nig\u00e9ria. V\u00e1rias aldeias e vilas j\u00e1 experimentaram o sabor amargo do terror, da impot\u00eancia face aos militantes do mal, como se as pessoas estivessem abandonadas \u00e0 sua sorte. O Boko Haram, o grupo jihadista, \u00e9 um dos principais respons\u00e1veis por esta onda de terror. Segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas, ao longo dos \u00faltimos dez anos, mais de 36 mil pessoas foram j\u00e1 assassinadas e mais de dois milh\u00f5es tiveram de fugir, abandonando tudo o que tinham. S\u00e3o deslocados. S\u00e3o pessoas sem nada. O Padre Sam Ebute, respons\u00e1vel pela promo\u00e7\u00e3o de voca\u00e7\u00f5es na Diocese de Kafanchan, lembra, como num lamento, as vezes que j\u00e1 teve de enterrar os seus paroquianos v\u00edtimas da barb\u00e1rie. H\u00e1 sempre algu\u00e9m, alguma fam\u00edlia, que j\u00e1 testemunhou pelo menos um ataque. O terror \u00e9 geral. \u201cOs \u00faltimos ataques deixaram-nos a todos com medo. Sobretudo, com medo do desconhecido, porque n\u00e3o sabemos quando ocorrer\u00e3o os pr\u00f3ximos ataques ou o que os causar\u00e1\u2026\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Sentimento de orfandade<\/h4>\n<p>Um medo que paralisa, que limita movimentos, que coloca uma comunidade inteira quase em pris\u00e3o domicili\u00e1ria. \u201cOs nossos fi\u00e9is n\u00e3o podem realizar as suas actividades livremente. E depois, esta \u00e9 a \u00e9poca das colheitas, mas agora ningu\u00e9m se atreve a ir para os campos. Todos t\u00eam medo de serem atacados. Por causa disso, as colheiras est\u00e3o a definhar\u2026\u201d Os ataques t\u00eam visado as comunidades crist\u00e3s como se fossem um alvo. Como se as suas casas estivessem marcadas, como se os crist\u00e3os tivessem de ser abatidos, um por um. Agora, com os campos a serem abandonados tamb\u00e9m, sobra uma esp\u00e9cie de sentimento de orfandade. O mundo est\u00e1 a desabar. \u201c\u00c9 como se tiv\u00e9ssemos morrido por causa da nossa f\u00e9!\u201d O Padre Sam Ebute tenta fazer das fraquezas for\u00e7a para alimentar o seu povo com a esperan\u00e7a em tempos com menos viol\u00eancia e morte. \u201cTento estar dispon\u00edvel para todos eles, confortando-os, rezando com eles e encorajando-os a manterem a f\u00e9 em Deus e em permanecerem firmes.\u00a0Procuro dar apoio espiritual, moral e material o melhor que posso.\u201d Ser sacerdote num ambiente assim \u00e9 dif\u00edcil, explica o Padre Sam Ebute \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS. \u201c\u00c9 dif\u00edcil pregar o perd\u00e3o, a reconcilia\u00e7\u00e3o, a paz e o amor \u00e0s pessoas cujos meios de subsist\u00eancia foram roubados, que v\u00eam a sua riqueza ser destru\u00edda por causa destes ataques\u2026\u201d \u00c9 dif\u00edcil mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. A f\u00e9 \u00e9 a vitamina que alimenta os dias deste padre habituado a sepultar os seus paroquianos v\u00edtimas do terror \u00e0 solta na Nig\u00e9ria. \u201cConsolo-me que Deus est\u00e1 a ver tudo. O sangue destes m\u00e1rtires n\u00e3o ser\u00e1 em v\u00e3o\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NIG\u00c9RIA: Padre descreve viol\u00eancia extrema contra comunidades crist\u00e3s<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":177693,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-187037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=187037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187037\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=187037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=187037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=187037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}