{"id":18693,"date":"2006-06-21T12:20:11","date_gmt":"2006-06-21T12:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/21\/um-lugar-para-a-eucaristia\/"},"modified":"2006-06-21T12:20:11","modified_gmt":"2006-06-21T12:20:11","slug":"um-lugar-para-a-eucaristia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-lugar-para-a-eucaristia\/","title":{"rendered":"Um lugar para a Eucaristia"},"content":{"rendered":"<p>\u201cQuando Cristo Senhor estava para celebrar com os disc\u00edpulos a ceia pascal, na qual instituiu o sacrif\u00edcio do seu Corpo e Sangue, mandou preparar uma grande sala mobilada (Lc 22, 12). A Igreja sempre entendeu que esta ordem lhe dizia respeito e, por isso, foi estabelecendo normas para a celebra\u00e7\u00e3o da sant\u00edssima Eucaristia, no que se refere \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es da alma, aos lugares, aos ritos, aos textos\u2026\u201d (Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano [4 de Dezembro de 2003], 1). Em 17 de Abril de 2003, o Papa Jo\u00e3o Paulo II, publicara a Carta Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia, no Ano do Ros\u00e1rio que precedeu o Ano da Eucaristia e a primeira Enc\u00edclica do Papa Bento XVI, \u201cDeus, caritas est\u201d. Deste modo se v\u00ea uma continuidade e aprofundamento do Magist\u00e9rio da Igreja, implicando a praxis crist\u00e3. Ao apre\u00e7o que os fi\u00e9is e a Igreja sempre deram e continuam a dar \u00e0 Eucaristia dever\u00e3o corresponder formas adequadas de a celebrar. Por isso, importa relembrar a solicitude que a Igreja sempre teve pelos lugares, pelos gestos e atitudes, pelos objectos e pelas artes. Esta pequena s\u00e9rie de reflex\u00f5es por\u00e3o em evid\u00eancia o que \u00e9 dito na Carta Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia ([EE], cap\u00edtulo V). \u201cQuando algu\u00e9m l\u00ea o relato da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia nos Evangelhos Sin\u00f3pticos, fica admirado ao ver a simplicidade e simultaneamente a dignidade com que Jesus, na noite da \u00daltima Ceia, institui este grande sacramento. H\u00e1 um epis\u00f3dio que, de certo modo, lhe serve de prel\u00fadio: \u00e9 a un\u00e7\u00e3o de Bet\u00e2nia. Uma mulher, que Jo\u00e3o identifica como sendo Maria, irm\u00e3 de L\u00e1zaro, derrama sobre a cabe\u00e7a de Jesus um vaso de perfume precioso, suscitando nos disc\u00edpulos \u2013 particularmente em Judas (Mt 26, 8; Mc 14, 4; Jo 12, 4) \u2013 uma reac\u00e7\u00e3o de protesto contra tal gesto que, em face das necessidades dos pobres, constitu\u00eda um \u00abdesperd\u00edcio\u00bb intoler\u00e1vel. Mas Jesus faz uma avalia\u00e7\u00e3o muito diferente: sem nada tirar ao dever da caridade para com os necessitados, aos quais sempre se h\u00e3o-de dedicar os disc\u00edpulos \u2013 \u00abPobres, sempre os tereis convosco\u00bb (Jo 12, 8; cf. Mt 26, 11; Mc 14, 7) \u2013, Ele pensa no momento j\u00e1 pr\u00f3ximo da sua morte e sepultura, considerando a un\u00e7\u00e3o que Lhe foi feita como uma antecipa\u00e7\u00e3o daquelas honras de que continuar\u00e1 a ser digno o seu corpo mesmo depois da morte, porque indissoluvelmente ligado ao mist\u00e9rio da sua pessoa. \u201cNos Evangelhos Sin\u00f3pticos, a narra\u00e7\u00e3o continua com o encargo dado por Jesus aos disc\u00edpulos para fazerem uma cuidadosa prepara\u00e7\u00e3o da \u00abgrande sala\u00bb, necess\u00e1ria para comer a ceia pascal (cf. Mc 14, 15; Lc 22, 12), e com a descri\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Deixando entrever, pelo menos em parte, o desenrolar dos ritos hebraicos da ceia pascal at\u00e9 ao canto do \u00abHallel\u00bb (cf. Mt 26, 30; Mc 14, 26), o relato, de maneira t\u00e3o concisa como solene, embora com variantes nas diversas tradi\u00e7\u00f5es, refere as palavras pronunciadas por Cristo sobre o p\u00e3o e sobre o vinho, assumidos por Ele como express\u00f5es concretas do seu corpo entregue e do seu sangue derramado. Todos estes particulares s\u00e3o recordados pelos evangelistas \u00e0 luz duma pr\u00e1tica, consolidada j\u00e1 na Igreja primitiva, da \u00abfrac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o\u00bb. O certo \u00e9 que, desde o tempo hist\u00f3rico de Jesus, no acontecimento de Quinta-feira Santa s\u00e3o vis\u00edveis os tra\u00e7os duma \u00absensibilidade\u00bb lit\u00fargica, modulada sobre a tradi\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento e pronta a remodelar-se na celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3 em sintonia com o novo conte\u00fado da P\u00e1scoa (EE, 47). \u201cTal como a mulher da un\u00e7\u00e3o de Bet\u00e2nia, a Igreja n\u00e3o temeu \u00abdesperdi\u00e7ar\u00bb, investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu enlevo e adora\u00e7\u00e3o diante do dom incomensur\u00e1vel da Eucaristia. \u00c0 semelhan\u00e7a dos primeiros disc\u00edpulos encarregados de preparar a \u00abgrande sala\u00bb, ela sentiu-se impelida, ao longo dos s\u00e9culos e no alternar-se das culturas, a celebrar a Eucaristia num ambiente digno de t\u00e3o grande mist\u00e9rio. Foi sob o impulso das palavras e gestos de Jesus, desenvolvendo a heran\u00e7a ritual do juda\u00edsmo, que nasceu a liturgia crist\u00e3. Porventura haver\u00e1 algo que seja capaz de exprimir de forma devida o acolhimento do dom que o Esposo divino continuamente faz de Si mesmo \u00e0 Igreja-Esposa, colocando ao alcance das sucessivas gera\u00e7\u00f5es de crentes o sacrif\u00edcio que ofereceu uma vez por todas na cruz e tornando-Se alimento para todos os fi\u00e9is? Se a ideia do \u00abbanquete\u00bb inspira familiaridade, a Igreja nunca cedeu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de banalizar esta \u00abintimidade\u00bb com o seu Esposo, recordando-se que Ele \u00e9 tamb\u00e9m o seu Senhor e que, embora \u00abbanquete\u00bb, permanece sempre um banquete sacrificial, assinalado com o sangue derramado no G\u00f3lgota. O Banquete eucar\u00edstico \u00e9 verdadeiramente banquete \u00absagrado\u00bb, onde, na simplicidade dos sinais, se esconde o abismo da santidade de Deus\u2026\u201d (EE, 48). A tenta\u00e7\u00e3o do acess\u00edvel, identificado com o med\u00edocre, \u00e9 constante, sobretudo em mentalidades consumistas.  <i>Secretariado Diocesano de Liturgia do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando Cristo Senhor estava para celebrar com os disc\u00edpulos a ceia pascal, na qual instituiu o sacrif\u00edcio do seu Corpo e Sangue, mandou preparar uma grande sala mobilada (Lc 22, 12). 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