{"id":186862,"date":"2020-10-04T11:16:34","date_gmt":"2020-10-04T10:16:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=186862"},"modified":"2020-10-04T10:16:59","modified_gmt":"2020-10-04T09:16:59","slug":"lusofonias-todos-irmaos-mesmo-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-todos-irmaos-mesmo-todos\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Todos irm\u00e3os, mesmo todos?"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Tony Neves, em Roma<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-186864\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"997\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020-768x510.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020-1080x718.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020-1280x851.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020-980x651.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-TuttiFratelli-5-10-2020-480x319.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Papa Francisco continua a \u2018primeirear\u2019, como prop\u00f4s na \u2018Alegria do Evangelho\u2019, o seu primeiro grande texto program\u00e1tico. Sim, \u2018primeirear\u2019 \u00e9 tomar a iniciativa, ser primeiro a dar certos passos, avan\u00e7ar \u00e0 frente \u2026.rumo a uma Igreja e um mundo onde a\u00a0 fraternidade n\u00e3o seja mais palavra de dicion\u00e1rio, mas corresponda a vidas concretas e felizes.<\/p>\n<p>\u2018Todos somos irm\u00e3s e irm\u00e3os\u2019, \u00e9 muito claro para o Papa Francisco, como foi claro demais na vida e palavras de Cristo h\u00e1 dois mil anos. Durante mais de dois mil\u00e9nios, o mundo est\u00e1 a marcar passo na realiza\u00e7\u00e3o deste objectivo maior. Muitas vezes focamos mais aquilo que nos separa do que o que nos une. E, com estas posturas arrogantes, o mundo tem constru\u00eddo mais muros do que pontes.<\/p>\n<p>Com este documento, o Papa Francisco tenta dar um passo rumo a um futuro de fraternidade universal. Se formos verdadeiramente irm\u00e3os, ser\u00e3o pouco decisivos a ra\u00e7a, a cor, o pa\u00eds, as ideias, a religi\u00e3o, o clube de futebol, os gostos pessoais, os t\u00edtulos acad\u00e9micos, a conta banc\u00e1ria, o emprego, as m\u00fasicas preferidas\u2026 porque, no essencial, estamos abra\u00e7ados: somos todos irm\u00e3s e irm\u00e3os uns dos outros, sem fronteiras.<\/p>\n<p>\u00c9 um texto bonito, inspirador para estes tempos de pandemia mundial. Publicado em Assis e em dia de S\u00e3o Francisco, \u00e9 um sinal para o mundo inteiro, como Francisco \u00e9 s\u00edmbolo de paz e fraternidade universal. \u00c9 um documento ousado que n\u00e3o agrada a todos. Uns o definem como algo que ultrapassa a dogm\u00e1tica cat\u00f3lica, outros o consideram como ideal ainda aqu\u00e9m do que o mundo precisa para ser mais humano. Independentemente dos rios de tinta que far\u00e1 correr, quero j\u00e1 deixar bem clara a minha posi\u00e7\u00e3o: a favor, completamente. A \u00fanica viagem que faz sentido \u00e9 aquela que nos levar ao cora\u00e7\u00e3o dos outros, a come\u00e7ar por aqueles que pensam e rezam diferente de mim. Deus criou-nos irm\u00e3os e Cristo pediu-nos que nos am\u00e1ssemos uns aos outros e part\u00edssemos ao encontro de todos, como ele andou por terras da Galileia e Samaria.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero crer que este seja apenas mais um lindo texto para decorar estantes e encher bibliotecas. Tamb\u00e9m n\u00e3o quero que seja uma enc\u00edclica aplaudida (ou contestada), mas que n\u00e3o ajude as pessoas a aumentar os seus indicadores de bondade. Temos que melhorar o estado de sa\u00fade do nosso mundo, pois essa \u00e9 a nossa miss\u00e3o primordial. O resto vir\u00e1 tudo por acr\u00e9scimo\u2026<\/p>\n<p>As palavras e os gestos do Papa em Assis. foram t\u00e3o densos, t\u00e3o intensos, t\u00e3o profundos, t\u00e3o provocadores\u2026. Aos Bispos, o Papa explica: \u2018o t\u00edtulo \u00e9 a mensagem de Jesus animando-nos a reconhecermos todos como irm\u00e3os e irm\u00e3s e assim viver na casa comum que o Pai nos confiou\u2019. Esta Carta Enc\u00edclica, sobre a fraternidade e a amizade social, tem por t\u00edtulo a express\u00e3o que S. Francisco de Assis usava para se dirigir a todos para lhes propor \u2018uma forma de vida com sabor a Evangelho (FT 1).\u2019 S. Francisco propunha uma \u2018fraternidade aberta que permite reconhecer, valorizar e amar cada pessoa, para al\u00e9m do contexto f\u00edsico, para l\u00e1 do lugar do mundo onde tenha nascido ou viva\u2019 (FT1).<\/p>\n<p>Francisco \u00e9 exemplo porque semeou a paz por onde passou e caminhou com os pobres, abandonados, doentes e descartados. Em resumo, esteve sempre ao lado dos \u00faltimos.<\/p>\n<p>Tinha um cora\u00e7\u00e3o sem fronteiras, n\u00e3o fazia guerras de ideias, pois achava que o caminho certo era o de viver e partilhar o amor de Deus, despertando o sonho de uma sociedade fraterna.<\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco fez uma aposta de vida corajosa e impens\u00e1vel para as pessoas do seu tempo: \u2018libertou-se de todo o desejo de dom\u00ednio sobre os outros, fez-se um dos \u00faltimos e procurou viver em harmonia com todos\u2019 (FT4).<\/p>\n<p>A chegada da covid 19 vem dar mais raz\u00e3o de ser a esta enc\u00edclica pois, apesar de tanta conectividade tecnol\u00f3gica, os pa\u00edses demonstram incapacidade de atuar juntos.<\/p>\n<p>O primeiro cap\u00edtulo reflecte sobre as sombras de um mundo fechado. O segundo, com o t\u00edtulo \u2018um estranho no caminho\u2019, prop\u00f5e uma reflex\u00e3o a partir da par\u00e1bola do bom samaritano. O cap\u00edtulo terceiro convida a pensar e gerar um mundo mais aberto. Depois vem a proposta de um cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro. Pede-se, de seguida, uma melhor pol\u00edtica que afaste de populismos e liberalismos. Finalmente, o Papa partilha sobre o di\u00e1logo e a amizade social, abrindo caminhos de reencontro assentes na verdade, na paz e no perd\u00e3o. O cap\u00edtulo oitavo, em jeito de conclus\u00e3o, p\u00f5e as religi\u00f5es ao servi\u00e7o da fraternidade, afastando-as de toda a esp\u00e9cie de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Estou a devorar a enc\u00edclica da primeira \u00e0 \u00faltima linha. Ela ser\u00e1 excelente pretexto para mais cr\u00f3nicas. Merece ser lida, relida, meditada e aplicada. Vamos a ela, irm\u00e3s e irm\u00e3os!<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-186862-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-fratellitutti4-10-2020.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-fratellitutti4-10-2020.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/lusofonias-fratellitutti4-10-2020.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-186862","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=186862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186862\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=186862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=186862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=186862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}