{"id":18648,"date":"2006-06-19T15:00:18","date_gmt":"2006-06-19T15:00:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/19\/ucranianos-alteraram-o-paradigma-da-imigracao\/"},"modified":"2006-06-19T15:00:18","modified_gmt":"2006-06-19T15:00:18","slug":"ucranianos-alteraram-o-paradigma-da-imigracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ucranianos-alteraram-o-paradigma-da-imigracao\/","title":{"rendered":"Ucranianos alteraram o paradigma da imigra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Sabe quantos imigrantes ucranianos se encontravam legalizados em Portugal antes do ano 2000? N\u00e3o chegavam \u00e0s duas centenas. Hoje s\u00e3o perto de 65.000 cidad\u00e3os. A maioria encontra-se em fase de progressiva integra\u00e7\u00e3o social comprovada pelo sucesso na aprendizagem da l\u00edngua portuguesa, adapta\u00e7\u00e3o polivalente ao mercado de trabalho, n\u00edveis de sucesso na escolariza\u00e7\u00e3o dos seus filhos e pelo n\u00famero de associa\u00e7\u00f5es surgidas nos \u00faltimos anos.   A vaga imprevista dos europeus de leste, entre os quais os ucranianos s\u00e3o a maior comunidade, mudou em 2001 o panorama migrat\u00f3rio portugu\u00eas e a imagem que at\u00e9 \u00e0quela d\u00e9cada o portugu\u00eas tinha do imigrante: pessoa negra, oriunda das col\u00f3nias, lus\u00f3fono e com raros casos de forma\u00e7\u00e3o superior.  Diante da diversifica\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o no pa\u00eds provocada pela chegada massiva dos fluxos de cidad\u00e3os, com proveni\u00eancia no Leste europeu (Ucr\u00e2nia, Mold\u00e1via, R\u00fassia, Rom\u00e9nia e Bulg\u00e1ria, entre outras) e j\u00e1 em tr\u00e2nsito demorado pela Europa central \u2013 aliciados, em geral, por ag\u00eancias de viagens e redes transportadoras que promoviam Portugal como destino de trabalho &#8211; o perfil do imigrante muda radicalmente. O imigrante passa tamb\u00e9m a ser tamb\u00e9m o loiro, branco, com dentes de oiro, que fala uma l\u00edngua n\u00e3o latina e que, apresenta graus altos de qualifica\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica. Portugal descobre-se multicultural e multilinguistico de um ano para o outro, como numa surpresa.  Muitos deles v\u00e3o passar pelas mesmas dificuldades sociais e econ\u00f3micas por que passaram os africanos quando chegaram a Portugal ap\u00f3s a descoloniza\u00e7\u00e3o no final dos anos 70, ou ent\u00e3o os outros africanos e brasileiros que decidiram emigrar para Portugal, nos anos noventa. Todos reconhecem que o Pa\u00eds n\u00e3o estava preparado para \u201cacolher\u201d este fluxo de pessoas, muitas delas em situa\u00e7\u00e3o de irregularidade devido \u00e0 desadequa\u00e7\u00e3o da lei ao fen\u00f3meno migrat\u00f3rio e pelo facto de com os imigrantes do leste terem tamb\u00e9m chegado \u201cnovas\u201d formas de viol\u00eancia individual ou organizada que encontravam no \u201ctr\u00e1fico\u201d de pessoas para fins de trabalho ilegal e informal um neg\u00f3cio muito rent\u00e1vel.   Hoje, passados 6 anos, tudo mudou e neste momento n\u00e3o se sente a chegada de grande novos contingentes de imigrantes desta parte da Europa. Actualmente o maior fluxo de chegadas corresponde a cidad\u00e3os do Brasil e de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. E porque a press\u00e3o migrat\u00f3ria parece, ao menos por enquanto, ter abrandado, o governo abriu uma discuss\u00e3o p\u00fablica para que a sociedade civil se pronuncie sobre o anteprojecto da nova lei da imigra\u00e7\u00e3o.  Na verdade, os ucranianos trouxeram consigo tamb\u00e9m o seu patrim\u00f3nio cultural e, sobretudo, religioso que est\u00e1 a mudar a geografia das religi\u00f5es em Portugal.   A maioria \u00e9 de confiss\u00e3o crist\u00e3 ortodoxa, apesar de serem muito elevados os n\u00edveis de descristianiza\u00e7\u00e3o e ignor\u00e2ncia religiosa devido \u00e1 situa\u00e7\u00e3o politica no passado recente. A Igreja ortodoxa distribu\u00edda pelos v\u00e1rios Patriarcados actualmente existentes no designado Oriente encontra-se numa fase intensa de organiza\u00e7\u00e3o e de funda\u00e7\u00e3o de comunidades do Ocidente, mais precisamente na pen\u00ednsula ib\u00e9rica.  Os cat\u00f3licos n\u00e3o ficaram indiferentes a este facto e aceitaram dar sinais concretos de colabora\u00e7\u00e3o e de di\u00e1logo. A Igreja Cat\u00f3lica, mas, de modo especial, as dioceses de Porto, Lisboa, Leiria-F\u00e1tima, Algarve e \u00c9vora procuraram dar respostas adequadas \u00e0 presen\u00e7a de comunidades consistentes de ortodoxos e de cat\u00f3licos de rito oriental nos seus territ\u00f3rios de miss\u00e3o. Assim, no ano 2001, a convite da diocese de Lisboa, chega a Portugal o primeiro sacerdote ucraniano cat\u00f3lico de rito oriental (Ordem de S. Bas\u00edlio) para o apoio espiritual aos seus conterr\u00e2neos. O trabalho foi crescendo e a sensibilidade pastoral foi-se intensificando ao ponto de, existirem actualmente, j\u00e1 7 sacerdotes para os cat\u00f3licos orientais ucranianos.  Quanto aos ortodoxos n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contabilizar pois a liberdade religiosa \u00e9 um facto assumido pela Igreja e pelo pa\u00eds. Contudo, tem tamb\u00e9m havido por parte da Igreja cat\u00f3lica um certo di\u00e1logo com vista \u00e0 ced\u00eancia permanente ou tempor\u00e1ria de espa\u00e7os de culto. H\u00e1 acordos em v\u00e1rias dioceses com a Igreja ortodoxa romena, russa, ucraniana, grega e est\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o a abertura de um espa\u00e7o tamb\u00e9m para os ortodoxos b\u00falgaros. No entanto, temos conhecimento de que existem outros sacerdotes ligados a Patriarcados que circulam pelo pa\u00eds pois h\u00e1 not\u00edcias de celebra\u00e7\u00f5es realizadas, sobretudo, nos per\u00edodos fortes do Natal e P\u00e1scoa.   A imigra\u00e7\u00e3o ucraniana veio alterar o modo de pensar e de ser cat\u00f3lico pois os padres cat\u00f3licos que vieram at\u00e9 n\u00f3s para servir os imigrantes n\u00e3o s\u00e3o celibat\u00e1rios, e t\u00eam uma outra liturgia e ritos diferentes. Tamb\u00e9m veio estimular, apesar de ainda ser muito t\u00edmido e pouco aprofundado, o di\u00e1logo ecum\u00e9nico dos cat\u00f3licos com a comunh\u00e3o crist\u00e3 ortodoxa. Antes da chegada dos imigrantes ucranianos e do leste, em geral, os ortodoxos tinham muito pouca express\u00e3o no pa\u00eds.  Os ucranianos abriram em Portugal um novo ciclo migrat\u00f3rio fazendo desta terra, de onde tamb\u00e9m continuam a partir milhares de portugueses todos os anos, uma terra de acolhimento para qualquer tipo de imigra\u00e7\u00e3o sem ra\u00edzes na cultura e comunidade lus\u00f3fona. Ontem os ucranianos, hoje os chineses e brasileiros, e amanh\u00e3 quem Deus quiser. Para Portugal as migra\u00e7\u00f5es ser\u00e3o sempre uma d\u00e1diva a acolher e a integrar em sintonia com a nossa hist\u00f3ria e mem\u00f3ria de povo atravessado desde a sua origem nacional pela mobilidade humana.  <i>Rui M. da Silva Pedro<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabe quantos imigrantes ucranianos se encontravam legalizados em Portugal antes do ano 2000? N\u00e3o chegavam \u00e0s duas centenas. Hoje s\u00e3o perto de 65.000 cidad\u00e3os. 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