{"id":186428,"date":"2020-09-30T10:46:08","date_gmt":"2020-09-30T09:46:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=186428"},"modified":"2020-09-30T10:46:08","modified_gmt":"2020-09-30T09:46:08","slug":"a-cruz-escondida-113","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-113\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>L\u00edbano: Igreja \u00e9 sinal de esperan\u00e7a, apesar do sofrimento e fome<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Ir.MarieJustine.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-186429 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Ir.MarieJustine.jpg\" alt=\"\" width=\"394\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Ir.MarieJustine.jpg 512w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Ir.MarieJustine-389x260.jpg 389w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Ir.MarieJustine-510x342.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Ir.MarieJustine-480x321.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 394px) 100vw, 394px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>O milagre da Irm\u00e3 Justine<\/h4>\n<p>O L\u00edbano enfrenta uma profunda crise econ\u00f3mica. O sistema banc\u00e1rio est\u00e1 falido e as fam\u00edlias desesperam. Fome e mis\u00e9ria passaram a fazer parte da vida dos libaneses. Agora, quase s\u00f3 h\u00e1 pobres e miser\u00e1veis. Esta situa\u00e7\u00e3o agravou-se ainda mais com a brutal explos\u00e3o no porto de Beirute, a 4 de Agosto. Num instante, milhares de pessoas passaram a ficar sem abrigo\u2026<\/p>\n<p>A Irm\u00e3 Marie Justine j\u00e1 tem os olhos habituados a decifrar o desalento ou a vergonha no rosto dos que lhe batem \u00e0 porta no dispens\u00e1rio que as Franciscanas Mission\u00e1rias de Maria fundaram em Beirute em 1968. No bairro de Nabaa j\u00e1 ningu\u00e9m estranha o movimento, cada vez maior, de pessoas em busca de uma refei\u00e7\u00e3o quente. Muitos s\u00e3o idosos e vivem sozinhos. Ali, al\u00e9m da comida, resgatam tamb\u00e9m sorrisos, afectos, um pouco de conversa. Cumplicidades que devolvem alguma esperan\u00e7a. Todos os dias, forma-se uma fila de pessoas junto \u00e0 porta do dispens\u00e1rio. \u00c9 um bairro pobre que se confunde cada vez mais com a pr\u00f3pria cidade. Em todo o lado h\u00e1 vest\u00edgios da crise. Lojas entaipadas, vidros quebrados, paredes escritas com gritos de protesto. Em todo o lado h\u00e1 sinais de uma crise que parece ter engolido todo o pa\u00eds. Ali, no bairro de Nabaa, j\u00e1 h\u00e1 muito que ningu\u00e9m estranha ver tanta mis\u00e9ria. \u201cCheg\u00e1mos a uma situa\u00e7\u00e3o em que a classe m\u00e9dia empobreceu e os pobres ficaram ainda mais pobres\u201d, diz a Irm\u00e3 Marie Justine Osta, que pertence \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o das irm\u00e3s Maronitas da Sagrada fam\u00edlia. \u00c9 a directora do dispens\u00e1rio. Tem 72 anos mas parece cheia de uma vitalidade quase juvenil. Ela \u00e9 a alma daquele recanto de solidariedade do bairro pobre da cidade de Beirute. \u201c\u00c9 realmente muito doloroso, para mim, ver pessoas pedindo as coisas b\u00e1sicas a quem t\u00eam direito, como a comida. Eles sentem que perderam a dignidade. D\u00f3i-me ver isso.\u201d<\/p>\n<h4>O desespero de uma m\u00e3e<\/h4>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 sempre a \u00faltima a morrer. Ali, no dispens\u00e1rio do bairro Nabaa, apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o AIS, s\u00e3o distribu\u00eddas, todos os dias, 1200 refei\u00e7\u00f5es. Em 2017, h\u00e1 apenas apenas tr\u00eas anos, eram s\u00f3 250. As refei\u00e7\u00f5es quentes do dispens\u00e1rio das irm\u00e3s s\u00e3o o bar\u00f3metro exacto da dimens\u00e3o da trag\u00e9dia que se vive no L\u00edbano. Maguy tem quatro filhos. O mais novo tem 7 anos, o mais velho vai fazer 17. Desde h\u00e1 algumas semanas que ela passou a ir todos os dias ao dispens\u00e1rio. \u00c9 a \u00fanica forma de poder alimentar os seus filhos. \u201cIsto \u00e9 algo que eu pensei que nunca faria\u201d, diz-nos, ainda com uma sombra de vergonha no rosto, desviando o olhar. \u201cMas cheguei ao ponto de n\u00e3o conseguir ver os meus filhos a morrer de fome. Por eles, farei tudo\u2026\u201d Maguy \u00e9 apenas um exemplo dos libaneses que perderam tudo. O colapso da economia varreu o pa\u00eds como um ciclone devastador. Fam\u00edlias da classe m\u00e9dia ficaram de m\u00e3os vazias no espa\u00e7o de poucos meses. A pobreza democratizou o pa\u00eds. \u201cAs irm\u00e3s, aqui, fazem-me sentir muito bem-vinda\u201d, diz Maguy, enquanto espera pela sua vez para levar comida para casa para os seus quatro filhos. \u201cDeus vos aben\u00e7oe por tudo o que est\u00e3o a fazer\u2026\u201d O futuro est\u00e1 ensombrado. A continuar assim, ser\u00e3o necess\u00e1rios muitos dispens\u00e1rios para alimentar todos os que entretanto v\u00e3o caindo nas malhas da pobreza. \u201cVivemos o dia-a-dia. N\u00e3o sabemos o que vai acontecer amanh\u00e3\u201d, diz a Irm\u00e3 Justine. \u201cN\u00e3o conseguimos ver a luz ao fundo do t\u00fanel.\u201dNada, por\u00e9m, que abale a f\u00e9 da irm\u00e3 num tempo melhor. \u201cA minha for\u00e7a vem apenas de Deus. A nossa miss\u00e3o \u00e9 apoiar as pessoas, elev\u00e1-las, dar-lhes for\u00e7a e esperan\u00e7a, dizer-lhes que Deus est\u00e1 connosco e que dias melhores vir\u00e3o\u2026\u201d A dimens\u00e3o da crise \u00e9 assustadora e tudo se agravou com a brutal explos\u00e3o de 4 de Agosto no Porto de Beirute que afectou principalmente o bairro crist\u00e3o de Achrafieh. A Irm\u00e3 Justine n\u00e3o poupa nas palavras. \u201cEstamos a aproximar-nos da fome, os produtos est\u00e3o a ficar cada vez mais caros, as pessoas n\u00e3o ter\u00e3o dinheiro para conseguirem comprar seja o que for no supermercado. Precisamos de um milagre\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edbano: Igreja \u00e9 sinal de esperan\u00e7a, apesar do sofrimento e fome<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":177693,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-186428","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=186428"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186428\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=186428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=186428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=186428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}