{"id":18642,"date":"2006-06-19T12:53:47","date_gmt":"2006-06-19T12:53:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/19\/todas-as-minhas-recordacoes-sao-accao-de-gracas\/"},"modified":"2006-06-19T12:53:47","modified_gmt":"2006-06-19T12:53:47","slug":"todas-as-minhas-recordacoes-sao-accao-de-gracas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/todas-as-minhas-recordacoes-sao-accao-de-gracas\/","title":{"rendered":"<i>Todas as minhas recorda\u00e7\u00f5es s\u00e3o ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Marto na despedida da Diocese de Viseu <!--more--> A celebra\u00e7\u00e3o de hoje \u00e9 de louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as por tudo o que Deus realizou neste caminho comum durante estes dois anos. A vossa presen\u00e7a conforta-me e alegra-me. N\u00e3o viemos para chorar, nem para manifestar a tristeza da despedida, mas para celebrar e cantar, num coro e em un\u00edssono ao Senhor as maravilhas da sua gra\u00e7a. Por isso permites que comece com um pouco de bom humor, com a par\u00e1bola de um padre.  Era um padre j\u00e1 com trinta anos de sacerd\u00f3cio, que era professor e falava aos alunos do C\u00e9u, do Inferno e do Purgat\u00f3rio e dizia aos alunos que o C\u00e9u germina j\u00e1 nesta terra, mesmo se em experi\u00eancias fragment\u00e1rias de felicidade e que o Purgat\u00f3rio \u00e9 uma experi\u00eancia de purifica\u00e7\u00e3o a que vamos sendo submetidos ao longo dos dias e dos anos.  Um dia Deus, reuniu a corte celeste e disse aos conselheiros que havia um padre na terra que estava a viver o seu sacerd\u00f3cio com demasiada alegria e euforia e a falar das realidades celestes. Mas era preciso fazer-lhas experimentar fazer com que passasse por uma experi\u00eancia de purgat\u00f3rio, ou de purifica\u00e7\u00e3o. Algu\u00e9m ter\u00e1 dito ao Senhor: \u2018F\u00e1-lo Bispo!\u2019 E o Senhor atrav\u00e9s do seu Vig\u00e1rio na terra, o Papa, assim fez.  Este padre aceitou e come\u00e7ou a sua experi\u00eancia de purgat\u00f3rio, onde n\u00e3o faltaram as l\u00e1grimas de saudade da vida acad\u00e9mica\u2026! Foi para Braga, era auxiliar\u2026 n\u00e3o tinha a responsabilidade do bispo residencial.  Reuniu de novo a corte celeste\u2026; pois aquele bispo auxiliar estava de novo alegre  e a pensar que a vida \u00e9 assim um mar de rosas. Ent\u00e3o decidiram mand\u00e1-lo para Viseu.  Chegou cheio de temor e tremor, pois n\u00e3o sabia se tinha jeito para bispo residencial. Lembrou-se da frase de Santo Agostinho \u2018o bom rebanho faz o bom pastor\u2019 e pensou consigo: \u2018deixa-me confiar no rebanho\u2019.  Encontrou aqui bons colaboradores e um bom rebanho. Foram dois anos de alegria, de encontros e de afectos, mesmo se com fadiga e o Bispo vivia alegre e feliz. De novo re\u00fane a corte celeste e dizem ao Senhor que por este caminho este Bispo sobe ao terceiro C\u00e9u e \u00e9 preciso dar-lhe mais uma prova de purifica\u00e7\u00e3o, dar-lhe mais responsabilidade, para que sinta o eco dos problemas do mundo e das tens\u00f5es internacionais, para ver se \u00e9 capaz. O melhor lugar para isto \u00e9 a diocese de Leiria-F\u00e1tima, onde est\u00e1 o Santu\u00e1rio, onde Maria fez ecoar o grito de dor e de amor pela humanidade que ansiava erguer-se do abismo.  O Senhor manda de novo o seu Vig\u00e1rio na terra bater \u00e0 porta e ele respondeu que n\u00e3o queria fazer a Vontade deste ou daquele, mas  a de Deus.  Sentiu de novo a experi\u00eancia do purgat\u00f3rio, lembrando Santo Agostinho: \u2018N\u00e3o se deixa sem dor, o que se possuiu com amor\u2019. Mas este povo soube dar ao Bispo o \u00e2nimo e a coragem para n\u00e3o ter medo e agora parte com a confian\u00e7a e sem medo de ser bispo residencial. Estamos para elevar o nosso cora\u00e7\u00e3o, deixando-nos iluminar pela Palavra de Deus proclamada. Hoje, Jesus usa uma imagem da natureza, muito eloquente e sugestiva\u2026 a imagem da semente. Estamos t\u00e3o habituados que perdemos o sentido do deslumbramento sobre o que se produz na semente. O agricultor recebe a semente como dom. Esta germina e faz crescer algo a partir da energia pr\u00f3pria que a semente tem. O agricultor espera o tempo da colheita, como dom. \u00c9 o Senhor que nos d\u00e1 a semente da Sua palavra\u2026, o crescimento e a colheita. N\u00f3s somos colaboradores para cuidar do terreno e da semente. Esta par\u00e1bola sublinha o primado de Deus e da sua gra\u00e7a. Esta semente traz em si uma energia interior e se acolhida faz crescer e frutificar o que de mais belo e nobre h\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o humano, pois Deus ama-nos n\u00e3o porque somos bons e belos, mas somos bons e belos, porque Deus nos ama.  A semente tem em si uma energia interior que nos faz descobrir que a lei do crescimento no mundo \u00e9 de dentro para fora. N\u00e3o importa ter uma Igreja socialmente poderosa, nem interessam as quest\u00f5es do protocolo \u2026, o que nos interessa \u00e9 ter crist\u00e3os de f\u00e9 bem convicta e testemunhada, \u00e9 aqui que est\u00e1 a for\u00e7a da Igreja. Daqui deriva a coragem da f\u00e9 e alegria da f\u00e9. Descobrir esta alegria e coragem \u00e9 a tarefa dos crist\u00e3os actuais e foi isto que contagiou as comunidades crist\u00e3os.  \u201cN\u00e3o a n\u00f3s, Senhor, n\u00e3o a n\u00f3s, mas ao Teu nome da gl\u00f3ria. Daqui deriva uma tr\u00edplice confiss\u00e3o: 1.Confiss\u00e3o de louvor &#8211; Eu Te bendigo, \u00f3 Deus e Te louvo, pela abertura de cora\u00e7\u00e3o, pelo acolhimento caloroso, pela colabora\u00e7\u00e3o generosa, pelo conforto da f\u00e9 e da amizade de todo este povo que me acompanhou e ajudou a ser bispo com admir\u00e1veis exemplos de generosidade, de entrega, de virtudes crist\u00e3s, de aut\u00eantica santidade popular. -Eu Te bendigo e louvo, \u00f3 Deus, pelos meus padres, pela comunh\u00e3o de simpatia, amizade e colabora\u00e7\u00e3o que estabelecemos; pelo muito que recebi da sua f\u00e9, do seu zelo generoso e criativo, da sua paix\u00e3o pelo Vosso povo que os torna pr\u00f3ximos da gente dia e noite e pr\u00f3ximos dos mais pobres e de todas as formas de pobreza. -Eu Te bendigo e louvo, \u00f3 Deus, pelos meus colaboradores mais pr\u00f3ximos (pessoas concretas com rosto e nome e \u00f3rg\u00e3os de co-responsabilidade) pela dedica\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia e pelo esp\u00edrito eclesial com que colaboraram no caminho da diocese. -Eu Te bendigo e louvo, \u00f3 Deus, por teres agraciado esta Igreja com o dom de um novo bispo que saiu do seu seio, pastor humilde, rico de qualidades humanas e sacerdotais, generoso e promissor. -Eu Te bendigo, \u00f3 Deus, pelos servidores do bem p\u00fablico nas v\u00e1rias \u00e1reas da vida administrativa, cultural, social, militar\u2026 pela estima rec\u00edproca e pela colabora\u00e7\u00e3o leal e generosa que neles encontrei, sempre desejosa de bem comum. Posso dizer verdadeiramente com Santo Agostinho: \u201cTodas as minhas recorda\u00e7\u00f5es s\u00e3o ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as!\u201d. A Deus e a v\u00f3s. Gra\u00e7as a todos v\u00f3s e a quantos representais pude viver o minist\u00e9rio \u2013 cujas responsabilidades sempre considerei superiores \u00e0s minhas for\u00e7as e capacidades \u2013 n\u00e3o gemendo, mas com serenidade e alegria. Confiss\u00e3o da vida: &#8211; Pelas minhas faltas, omiss\u00f5es e neglig\u00eancias, pe\u00e7o perd\u00e3o a Deus e a todos v\u00f3s. Confiss\u00e3o de f\u00e9: &#8211; Quero exprimir a confian\u00e7a na gra\u00e7a e no futuro de Deus com S.Paulo: Confio-vos (toda a Igreja Diocesana) ao Senhor e \u00e0 Palavra da Sua gra\u00e7a que tem o poder de salvar, de fazer maravilhas, de edificar a Igreja. N\u00e3o tenhais medo! Tende confian\u00e7a! Tende sempre sentido nobre e belo da vossa f\u00e9! \u201cTodas as vezes que me lembro de v\u00f3s, dou gra\u00e7as a Deus, sempre, em toda a minha ora\u00e7\u00e3o por v\u00f3s. \u00c9 uma ora\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o com alegria, por causa da vossa participa\u00e7\u00e3o no an\u00fancio do Evangelho, desde o primeiro dia, at\u00e9 agora. \u00c9 exactamente nisto que ponho a minha confian\u00e7a: Aquele que em v\u00f3s deu in\u00edcio a uma obra excelente h\u00e1-de lev\u00e1-la \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ao dia de Cristo Jesus. \u00c9 justo que eu tenho estes sentimentos por v\u00f3s, pois tenho-vos no cora\u00e7\u00e3o, a todos v\u00f3s que participais na gra\u00e7a que me foi dada. Sim, Deus \u00e9 minha testemunha do quanto vos quero bem a todos com a afei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. \u00c9 \u00e9 por isto que eu rezo: para que o vosso amor aumente ainda e cada vez mais em sabedoria e em verdadeira sensibilidade para discernir o que melhor conv\u00e9m\u201d (Fil 1,3-10). \u201cV\u00f3s tendes-me no cora\u00e7\u00e3o; eu levo-vos no cora\u00e7\u00e3o\u201d! Continuaremos unidos embora na nova modalidade da dist\u00e2ncia\u2026 \u00d3 Maria, Nossa Senhor do Altar Mor! Como haveria de partir sem agradecer, \u00e0 Tua m\u00e3o maternal, a protec\u00e7\u00e3o que sempre senti ao longo destes anos? E, agora, mais uma vez nos dirigimos a Ti: Do alto do altar-mor vela sobre  o nosso caminho de Igreja, torna-nos participantes da Tua f\u00e9 para podermos ser uma s\u00f3 alma e um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o em Cristo e contigo. D\u00e1 \u00e0 Diocese um esp\u00edrito mission\u00e1rio, Torna os nosso cora\u00e7\u00f5es capazes de acolher o Esp\u00edrito  de amor de Deus; de descobrir a sua beleza, para am\u00e1-lo de todo o cora\u00e7\u00e3o e dar amor aos nossos irm\u00e3os. Aben\u00e7oa, \u00f3 M\u00e3e, a nossa Igreja, cidades, vilas e aldeias; guia-nos no caminho do crescimento nos dons, carismas, voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios que o Esp\u00edrito Santo faz florescer entre n\u00f3s! Aben\u00e7oa a humanidade inteira que tem necessidade de Ti, porque tem necessidade do Teu Filho, Jesus, Redentor do homem e do mundo. \u00c1men!  S\u00e9 de Viseu, 18 de Junho de 2006 <i>+Ant\u00f3nio Marto, Administrador Apost\u00f3lico<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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