{"id":18607,"date":"2006-06-15T20:56:47","date_gmt":"2006-06-15T20:56:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/15\/a-eucaristia-fonte-da-caridade\/"},"modified":"2006-06-15T20:56:47","modified_gmt":"2006-06-15T20:56:47","slug":"a-eucaristia-fonte-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-eucaristia-fonte-da-caridade\/","title":{"rendered":"\u00abA Eucaristia fonte da caridade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo  <!--more--> 1. A Igreja de Lisboa, respondendo \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o feita por Sua Santidade o Papa Bento XVI na Enc\u00edclica \u201cDeus \u00e9 amor\u201d, deseja que toda a sua ac\u00e7\u00e3o pastoral seja express\u00e3o da caridade. Este prop\u00f3sito sup\u00f5e que mergulhar\u00e1 cada vez mais no mist\u00e9rio da Eucaristia, verdadeira fonte do amor-caridade. Sempre que a celebramos, rezamos na Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica: \u201cLembrai-vos, Senhor, da Vossa Igreja, dispersa por toda a terra e tornai-a perfeita na caridade\u201d (Ora\u00e7\u00e3o Euc. II). A fidelidade da Igreja consiste nisso, ser perfeita na caridade. S\u00f3 ent\u00e3o ela ser\u00e1 verdadeiramente a Igreja que Deus quer e que Jesus ama como uma esposa. A Igreja s\u00f3 atingir\u00e1 essa perfei\u00e7\u00e3o se toda a sua ac\u00e7\u00e3o for express\u00e3o da caridade. \tMas o que \u00e9 este amor-caridade? Que tem a ver com o amor humano que n\u00f3s sentimos e conhecemos? \u00c9, na sua ess\u00eancia primeira, o amor que Deus ama, o amor que Deus \u00e9. Em Deus o amor n\u00e3o \u00e9, apenas, uma das muitas express\u00f5es da Sua liberdade, identifica-se com o pr\u00f3prio Ser divino, porque Deus n\u00e3o se limita a amar, Ele \u00e9 amor. Em Deus o amor \u00e9 a \u00fanica express\u00e3o poss\u00edvel da Sua vitalidade divina. Ama quando cria, quando Se revela, quando Se compadece e perdoa, quando chama e atrai, quando convida para a intimidade da Sua casa. Mas, na nossa realidade humana, toc\u00e1mos a manifesta\u00e7\u00e3o mais sublime do amor que Deus \u00e9, no amor de Deus Pai pelo Seu Filho Jesus Cristo. \u201cEste \u00e9 o Meu Filho muito amado\u201d. E Jesus respondeu plenamente, o primeiro da ra\u00e7a humana, a esse amor com que era amado: \u201cPai, fa\u00e7a-se a Tua vontade e n\u00e3o a Minha\u201d; \u201cPai, nas Tuas m\u00e3os entrego o Meu esp\u00edrito\u201d. \tNeste amor entre Deus Pai e o Seu Filho Jesus Cristo, n\u00f3s tocamos a beleza sublime do amor-caridade: \u00e9 entrega total e confiante da pr\u00f3pria vida nas m\u00e3os do outro; \u00e9 fidelidade \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que os une; \u00e9 fecundidade criadora, porque esse amor \u00e9 fonte de Vida; \u00e9 \u00eaxtase de alegria e de gl\u00f3ria, pois \u00e9 abandonando-se ao amor que Deus \u00e9 absolutamente feliz. Mergulhados na comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, porque fazendo um s\u00f3 com Cristo, os crist\u00e3os podem amar como Deus ama, porque essa plenitude de amor exprimiu-se, na nossa hist\u00f3ria, no amor entre Deus e o homem, entre Deus e Jesus Cristo. Quando o amor dos crist\u00e3os toca essa plenitude do amor-caridade, eles identificam-se com Deus no amor e encontram Deus nesse amor. Quando o crist\u00e3o ama \u00e9 Deus que ama, porque ao receber o Esp\u00edrito Santo, ele torna-se sacramento do amor de Deus para o mundo. \tEsta plenitude do amor n\u00e3o \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do amor humano e das capacidades humanas de amar; \u00e9 a sua valoriza\u00e7\u00e3o total, porque a fecundidade do amor divino exprime-se tanto na cria\u00e7\u00e3o como na reden\u00e7\u00e3o. O amor-caridade n\u00e3o \u00e9 outra forma de amor a acrescentar \u00e0quelas que reconhecemos na nossa natureza; \u00e9, antes, o crescimento na arte de amar. Na vida do crist\u00e3o o amor-caridade leva \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o todas as express\u00f5es humanas do amor.  \t2. Esta perfei\u00e7\u00e3o do amor-caridade s\u00f3 a atingiremos no Reino dos C\u00e9us, na Casa do Pai, quando O virmos face a face, O reconhecermos e nos reconhecermos n\u2019Ele. At\u00e9 l\u00e1 \u00e9 a longa peregrina\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9 e da nossa fidelidade, da nossa descoberta da vida. E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, mergulhando na fonte da Vida, que \u00e9 a P\u00e1scoa de Jesus. A Eucaristia, enquanto sacramento da P\u00e1scoa, \u00e9 para o Povo peregrino a fonte da vida e do amor-caridade. \tA Eucaristia \u00e9 a primeira express\u00e3o total do amor-caridade, enquanto gesto de Jesus Cristo, de fidelidade obediente ao des\u00edgnio de Deus Pai, de entrega generosa da Sua vida por amor dos homens seus irm\u00e3os. Ele cumpriu a Sua pr\u00f3pria Palavra: n\u00e3o h\u00e1 maior prova de amor do que dar a vida por aqueles que se amam. Mas em cada Eucaristia a Igreja que celebra participa desse amor total de Jesus Cristo. Apesar das suas imperfei\u00e7\u00f5es e incapacidades, na Eucaristia a Igreja ama como Jesus ama. \u00c9 o mist\u00e9rio da miseric\u00f3rdia e da piedade. Por isso o sacerdote d\u00e1 voz a toda a comunidade, balbuciando: \u201cn\u00f3s Vos damos gra\u00e7as porque nos admitistes \u00e0 Vossa presen\u00e7a para Vos servir nestes santos mist\u00e9rios\u201d (Ora\u00e7\u00e3o Euc. II). \tElevada, na Eucaristia, \u00e0 qualidade divina do amor-caridade, a Igreja abandona-se ao amor de Jesus Cristo, mergulhando, assim, na densidade da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. \u00c9 por isso que a celebra\u00e7\u00e3o se prolonga em adora\u00e7\u00e3o. A intensidade de amor a Jesus Cristo que a Eucaristia gera n\u00e3o se pode esgotar num momento, tende a envolver toda a vida. Nesse amor fazemos nossa a sua miss\u00e3o: arderemos de amor anunciando-O, amando os irm\u00e3os como Ele os ama, percebendo a vida e o sentido de toda a realidade humana a partir desse amor.  \t3. Este \u00e9 o segredo da fidelidade da Igreja: beber na Eucaristia o amor com que h\u00e1-de fazer todas as coisas em que concretiza a miss\u00e3o e a resposta \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e ao chamamento de Deus. \u00c9 a partir da Eucaristia que Deus chama e envia: o an\u00fancio da Palavra torna-se express\u00e3o de amor, sentiremos ent\u00e3o, que amamos a Deus amando os irm\u00e3os, a nossa ora\u00e7\u00e3o tende a ser \u00eaxtase de amor. Descobriremos que as for\u00e7as da nossa natureza s\u00e3o chamamento \u00e0 plenitude da gra\u00e7a e que os ideais que prosseguimos s\u00f3 se realizar\u00e3o plenamente no amor-caridade. A partir da Eucaristia tudo se torna poss\u00edvel, nada nos assusta. Renunciar por amor torna-se um grito de liberdade, sacrificarmo-nos por amor identifica-nos com o pr\u00f3prio Cristo. E com que alegria agradecida damos gra\u00e7as pelo amor amado e pela vida vivida, na pr\u00f3xima Eucaristia que celebramos. \tA ac\u00e7\u00e3o da Igreja perde qualidade e sentido se n\u00e3o brota e se exprime na Eucaristia: a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mera proclama\u00e7\u00e3o de uma doutrina, o amor fraterno \u00e9 mera solidariedade, a ora\u00e7\u00e3o limita-se \u00e0 prece, a ac\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica cheira a proselitismo. S\u00f3 a Eucaristia reconduz, de cada vez, a ac\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e0 sua verdade fundamental.  \t4. Este momento de celebra\u00e7\u00e3o, que vai prolongar-se em adora\u00e7\u00e3o silenciosa nas ruas da nossa Cidade, pode ser decisivo na realiza\u00e7\u00e3o da fidelidade da Igreja de Lisboa \u00e0 sua miss\u00e3o. A partir da Eucaristia a Igreja abra\u00e7ar\u00e1 continuamente a Cidade, com a intensidade e radicalidade do amor de Deus. A qualidade do nosso amor determinar\u00e1 se somos ou n\u00e3o presen\u00e7as vivas do amor de Deus na Cidade.  Pra\u00e7a do Munic\u00edpio, 15 de Junho de 2006 <I>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,275,314],"class_list":["post-18607","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-pascoa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18607"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18607\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}