{"id":185709,"date":"2020-09-21T20:26:17","date_gmt":"2020-09-21T19:26:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=185709"},"modified":"2020-09-21T20:26:17","modified_gmt":"2020-09-21T19:26:17","slug":"lusofonias-vacina-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-vacina-para-todos\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Vacina para todos"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Tony Neves, em Roma<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-185711\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia.jpg\" alt=\"\" width=\"1198\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia.jpg 1198w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia-389x260.jpg 389w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Lusofonias.Vacinaparatodos-ecclesia-480x321.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1198px) 100vw, 1198px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Somos todos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Na hora de p\u00f4r a mesa, o p\u00e3o devia ser dividido por todas as bocas, por igual. P\u00e3o, mesa, tecto e terra deveriam ser patrim\u00f3nio universal. Mas nada disto acontece e a palavra \u2018injusti\u00e7a\u2019 continua a ter um lugar cativo em todos os dicion\u00e1rios e pr\u00e1ticas pol\u00edticas, econ\u00f3micas e sociais. Infelizmente, para os mais pobres que se sentem exclu\u00eddos de todos estes banquetes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tudo isto a prop\u00f3sito das t\u00e3o faladas e desejadas vacinas contra a covid 19 que os laborat\u00f3rios lutam por p\u00f4r no mercado. N\u00e3o me parece que andem por a\u00ed sentimentos muitos humanit\u00e1rios, mas antes uma enorme vontade de chegar primeiro a um mercado que promete dar milh\u00f5es. Por isso, entra-se na l\u00f3gica do \u2018vale tudo\u2019, desde enganar com not\u00edcias de descobertas ainda n\u00e3o feitas, at\u00e9 \u00e0 inaceit\u00e1vel venda pr\u00e9via de direitos de algo que ainda n\u00e3o se tem e que, quando se tiver, deveria ser posto ao servi\u00e7o da comunidade como um bem comum universal. Circulam not\u00edcias que dizem que os pa\u00edses mais ricos j\u00e1 reservaram boa parte das futuras vacinas! E os mais pobres?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Assim, Mohammad Yunus, conhecido Pr\u00e9mio Nobel da Paz, lan\u00e7ou uma campanha mundial a que deu o t\u00edtulo: \u2018Declare a vacina contra a covid 19 como um bem comum global\u2019. Foi extraordin\u00e1ria a reac\u00e7\u00e3o do mundo inteiro a esta proposta, multiplicando-se ades\u00f5es, desde outros Pr\u00e9mios Nobel a figuras p\u00fablicas mundiais not\u00e1veis em todas as \u00e1reas do saber e do agir. O objectivo \u00e9 pressionar as Na\u00e7\u00f5es Unidas e os Governos e sensibilizar a sociedade civil para esta quest\u00e3o t\u00e3o actual como decisiva para o presente e o futuro das popula\u00e7\u00f5es no mundo inteiro. Em Portugal, foi a Academia de L\u00edderes Ubuntu, um projecto do Instituto Padre Ant\u00f3nio Vieira, quem lan\u00e7ou a campanha \u2018vacina para todos\u2019. A ades\u00e3o foi enorme, associando-se figuras de todos os sectores da vida p\u00fablica nacional, contando at\u00e9 com os nossos tr\u00eas cardeais com idade de participar em conclave: D. Manuel Clemente, D. Ant\u00f3nio Marto e D. Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Subscrevi e convido todos a subscrever esta campanha que sugere \u00e0s entidades mundiais que libertem as futuras vacinas de patentes, para que os mais pobres tamb\u00e9m delas possam beneficiar. Pede-se um acesso universal, justo e gratuito a esta arma de combate sem tr\u00e9guas a uma pandemia que mata pessoas, rela\u00e7\u00f5es e economias. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas h\u00e1 que ter em aten\u00e7\u00e3o e gerir bem certas sensibilidades mundiais no que diz respeito a esta ou outras vacinas. De facto, h\u00e1 muita desconfian\u00e7a no ar, causada por falsas not\u00edcias e pelo aparecimento de tantos testes em t\u00e3o pouco tempo. Tamb\u00e9m houve e h\u00e1 reac\u00e7\u00f5es fortes em \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina aos crit\u00e9rios de escolha de pessoas para testar futuras vacinas. Quando surgiram not\u00edcias de que um determinado laborat\u00f3rio europeu ia fazer testes em \u00c1frica, houve levantamentos populares de contesta\u00e7\u00e3o, defendendo a ideia \u00f3bvia de que os africanos n\u00e3o s\u00e3o cobaias de experimenta\u00e7\u00e3o das farmac\u00eauticas europeias e norte americanas. Por isso, eu compreendi bem e tenho esclarecido alguns Mission\u00e1rios Espiritanos africanos que contestaram a minha ades\u00e3o a esta campanha. Um deles reagia assim: \u2018porqu\u00ea impor a vacina para todos, se muitos a n\u00e3o querem?\u2019. Respondi que n\u00e3o quero impor, mas quero que todos os que sentirem a sua necessidade a possam receber gratuitamente e n\u00e3o se vejam dela privados por raz\u00f5es meramente econ\u00f3micas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O mundo continua a correr a diversas velocidades segundo o dinheiro que tem e a forma como o aplica. Continuo a achar estranho que n\u00e3o se consiga uma vacina para a mal\u00e1ria que mata milh\u00f5es todos os anos (e desde h\u00e1 s\u00e9culos) e se consigam descobrir e fabricar v\u00e1rias vacinas contra um v\u00edrus que apareceu h\u00e1 meia d\u00fazia de meses. Algo vai mal nas agendas dos laborat\u00f3rios que se regem apenas (ou quase) por crit\u00e9rios de sucesso econ\u00f3mico e lucro garantido \u00e0 partida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tudo somado, sou a favor deste investimento na busca de uma vacina que mate ou controle a covid 19. \u00c9 um v\u00edrus bravo demais para que deixemos as pessoas desprotegidas. Mas, na hora da sua descoberta, feitos todos os testes com seguran\u00e7a, h\u00e1 que ser democr\u00e1tica a sua distribui\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o. Que ningu\u00e9m seja exclu\u00eddo. Que ningu\u00e9m seja posto \u00e0 margem. O Papa Francisco tem repetido este alerta de que, depois desta pandemia nada ficar\u00e1 igual: ou sa\u00edmos melhores ou piores e \u00e9 importante para o mundo que os indicadores que falam da qualidade de vida das pessoas saiam refor\u00e7ados.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Afinal de contas, somos todos irm\u00e3os e irm\u00e3s e \u00e9 nestas horas que testamos a nossa real fraternidade.<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-185709-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias.vacinatodos01-09-2020.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias.vacinatodos01-09-2020.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias.vacinatodos01-09-2020.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em 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