{"id":185674,"date":"2020-09-21T16:07:38","date_gmt":"2020-09-21T15:07:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=185674"},"modified":"2020-09-21T16:07:38","modified_gmt":"2020-09-21T15:07:38","slug":"a-cruz-escondida-112","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-112\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Esteve cinco anos na cadeia por um crime que n\u00e3o cometeu no Paquist\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-185675 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/paquistao.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><strong>Uma hist\u00f3ria de perd\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Amjad Arif \u00e9 um modesto condutor de riquex\u00f3 no Paquist\u00e3o. Foi preso, agredido pela pol\u00edcia e condenado por um crime que n\u00e3o cometeu. Esteve cinco anos atr\u00e1s das grades. Foi um tempo de medo e de ora\u00e7\u00e3o. E de perd\u00e3o. Arif, apesar de tudo o que passou, n\u00e3o tem palavras de \u00f3dio nem de ressentimento. A hist\u00f3ria de Arif \u00e9 um exemplo da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os neste pa\u00eds mas \u00e9, sobretudo, um testemunho humilde de f\u00e9\u2026<\/p>\n<p>No dia 15 de Mar\u00e7o de 2015, dois atentados suicidas em duas igrejas abalaram a cidade de Lahore. Pelo menos duas dezenas de pessoas perderam a vida e mais de 80 ficaram feridas. Foi em Youhanabad, um bairro de Lahore. Em resposta a esta trag\u00e9dia, a popula\u00e7\u00e3o local procurou fazer justi\u00e7a pelas pr\u00f3prias m\u00e3os. Dois mu\u00e7ulmanos foram linchados pela multid\u00e3o. A pol\u00edcia foi logo no encalce dos respons\u00e1veis pela morte desses dois homens. Dezenas de crist\u00e3os foram presos. Um deles foi Amjad Arif. Apesar de inocente, iria ficar cinco anos na cadeia. Na esquadra, relata agora Arif, os agentes da pol\u00edcia agrediram os crist\u00e3os. \u201cInsultaram, bateram e torturaram-nos com os cassetetes, acusando-nos de termos queimados os mu\u00e7ulmanos.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>Fidelidade\u2026<\/strong><\/h4>\n<p>Da mem\u00f3ria desse dia na esquadra da pol\u00edcia, o condutor de riquex\u00f3, pai de dois rapazes e de uma menina, lembra o momento em que os agentes retiraram a alguns dos crist\u00e3os os ros\u00e1rios que tinham consigo, num gesto de desprezo e humilha\u00e7\u00e3o, e como foram todos confrontados com a possibilidade de sa\u00edrem imediatamente em liberdade se aceitassem converter-se ao Isl\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, ficariam presos. \u201cEles pegaram nos ros\u00e1rios de tr\u00eas de n\u00f3s e atiraram-nos para o ch\u00e3o. Fomos for\u00e7ados a escolher entre a convers\u00e3o ao Isl\u00e3o ou aceitar a culpa pelo assassinado dos dois homens.\u201d Arif e os outros que estavam com ele na esquadra escolheram o caminho da fidelidade. \u201cN\u00f3s mantivemos a f\u00e9 no Deus vivo!\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>Sempre o medo<\/strong><\/h4>\n<p>Amjad Arif ficou preso. Foram cinco anos atr\u00e1s das grades por um crime que n\u00e3o cometeu. Foi libertado em Janeiro deste ano, depois das fam\u00edlias dos mu\u00e7ulmanos mortos pela multid\u00e3o terem sido indemnizadas. Mas o medo da persegui\u00e7\u00e3o, o medo de uma nova pris\u00e3o injusta ainda \u00e9 real, ainda est\u00e1 presente como a sombra de um fantasma. Arif teme por si e pela sua fam\u00edlia. \u201cDepois de ter sa\u00eddo da pris\u00e3o, fiquei fechado em casa durante tr\u00eas meses temendo a vingan\u00e7a das fam\u00edlias dos mu\u00e7ulmanos\u2026 Finalmente, comprei um riquex\u00f3 a presta\u00e7\u00f5es\u2026\u201d Mas as coisas continuaram a correr mal. \u201cUma noite, tr\u00eas pessoas que transportava, roubaram o riquex\u00f3 e deixaram-me amarrado a uma \u00e1rvore, depois de me terem tentado sufocar com o meu pr\u00f3prio len\u00e7o\u2026 Foi uma vingan\u00e7a das fam\u00edlias das v\u00edtimas? N\u00e3o sei\u2026\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>\u201cAgrade\u00e7o a Deus a vida\u2026\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>Para Amjad Arif, modesto condutor de riquex\u00f3, ser\u00e1 imposs\u00edvel apagar da sua vida os cinco anos atr\u00e1s das grades, o medo constante de ser v\u00edtima de viol\u00eancia na pris\u00e3o, o receio pela vida da sua mulher e dos filhos c\u00e1 fora, desamparados. Mas, tamb\u00e9m por mais anos que viva, ser\u00e1 dif\u00edcil esquecer tamb\u00e9m a uni\u00e3o que presenciou entre os presos crist\u00e3os, os tempos de ora\u00e7\u00e3o em conjunto na cadeia, a forma como juntaram as suas fraquezas para ficaram mais fortes. \u201cTodos os dias, depois da chamada da manh\u00e3, costum\u00e1vamos rezar durante uma hora, fazendo um c\u00edrculo.\u00a0\u00c0 noite, \u00e0s 20 horas, fechados nas celas, pass\u00e1vamos o tempo com ora\u00e7\u00f5es pessoais\u2026\u201d O futuro continua carregado de nuvens negras. Arif sonha poder voltar a comprar um riquex\u00f3 para voltar ao trabalho e assim sustentar a sua fam\u00edlia. Apesar de tudo o que passou, Amjad Arif n\u00e3o tem palavras de \u00f3dio ou ressentimento: \u201cAgrade\u00e7o a Deus pelo dom da vida.\u00a0Amo muito meus filhos, vivo para eles.\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www-fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esteve cinco anos na cadeia por um crime que n\u00e3o cometeu no Paquist\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":177693,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-185674","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=185674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185674\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=185674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=185674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=185674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}