{"id":18528,"date":"2006-06-11T18:08:36","date_gmt":"2006-06-11T18:08:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/11\/misterio-da-trindade-misterio-da-igreja\/"},"modified":"2006-06-11T18:08:36","modified_gmt":"2006-06-11T18:08:36","slug":"misterio-da-trindade-misterio-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/misterio-da-trindade-misterio-da-igreja\/","title":{"rendered":"<i>Mist\u00e9rio da Trindade, mist\u00e9rio da Igreja<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca na Solenidade da Sant\u00edssima Trindade <!--more--> 1. Num ano em que a Igreja de Lisboa, sacudida pelo Congresso da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o e conduzida pela palavra do Papa, ousa conceber toda a ac\u00e7\u00e3o pastoral como concretiza\u00e7\u00e3o da caridade, somos interpelados a redescobrir o sentido profundo e original desta celebra\u00e7\u00e3o da Igreja Diocesana na Solenidade lit\u00fargica da Sant\u00edssima Trindade. E esse sentido profundo s\u00f3 o podemos encontrar na rela\u00e7\u00e3o vital entre o mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade e o mist\u00e9rio da Igreja. \tA Igreja \u00e9 o Povo que o Senhor escolheu. Ela \u00e9, depois da cria\u00e7\u00e3o, a principal concretiza\u00e7\u00e3o da fecundidade do amor divino, a express\u00e3o do car\u00e1cter expansivo do amor que, plenitude da vida, comunica a vida. Ela aparece como fam\u00edlia, \u00e0 imagem da Fam\u00edlia divina, onde reconhecemos a Deus como Pai, nos identificamos com o Filho, dinamizados pela mesma for\u00e7a criadora do amor divino, que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo. A Igreja \u00e9 obra do Esp\u00edrito, revela\u00e7\u00e3o permanente da for\u00e7a transformadora do Amor. A sua origem \u00e9 o amor, a sua lei \u00e9 o mandamento novo do amor, o termo para que caminha \u00e9 a plenitude do amor. O Conc\u00edlio definiu-a como \u201cum Povo que tira a sua unidade da unidade do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (L.G. n.4). E essa unidade \u00e9 a sua voca\u00e7\u00e3o e principal desafio, ainda imperfeitamente vivida, mas desejada e procurada: unidade de f\u00e9, unidade no amor, unidade de miss\u00e3o. Somos muitos e muito diferentes, mas quer Deus que sejamos um s\u00f3, em Jesus Cristo. E essa \u00e9 a garantia de reconhecermos um s\u00f3 Deus, nosso Pai, e nos sentirmos movidos pelo mesmo Esp\u00edrito, nas lutas da vida e nos desafios da miss\u00e3o.  \t2. Entramos na Igreja pelo baptismo que, por vontade expressa do Senhor Jesus, nos \u00e9 administrado em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo. O baptismo \u00e9 o acontecimento silencioso e tantas vezes esquecido, que mudou a nossa vida. Uniu-nos a Cristo, \u00e0 Sua Pessoa, sobretudo \u00e0 Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o; e assim unidos a Ele, mergulh\u00e1mos no seio da Trindade, conduzidos pela for\u00e7a do Esp\u00edrito. Fazendo um s\u00f3 com Cristo, s\u00f3 podemos viver a vida de Cristo como Ele a vive, glorioso, sentado \u00e0 direita do Pai, em comunh\u00e3o de amor. Como ensina o Ap\u00f3stolo Paulo aos Romanos, entramos no mist\u00e9rio da Trindade pelo Filho, na nova situa\u00e7\u00e3o de \u201cfilhos no Filho\u201d: \u201cO pr\u00f3prio Esp\u00edrito d\u00e1 testemunho, em uni\u00e3o com o nosso esp\u00edrito, de que somos filhos de Deus\u201d (8,16). E \u00e9 essa eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de filhos, participando da filia\u00e7\u00e3o divina de Jesus, que nos leva a reconhecer em Deus um Pai e a am\u00e1-l\u2019O com amor filial. Continua o Ap\u00f3stolo: \u201cV\u00f3s n\u00e3o recebestes um esp\u00edrito de escravid\u00e3o para recair no temor, mas o Esp\u00edrito de adop\u00e7\u00e3o filial, pelo qual exclamamos \u00abAbb\u00e1, Pai\u00bb\u201d (8,15). No baptismo o crist\u00e3o pode vencer o medo de Deus. O \u00fanico temor que pode ter lugar na nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus Pai \u00e9 o receio de n\u00e3o corresponder ao Seu amor.  \t3. A manifesta\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio Sant\u00edssima Trindade exprime a plenitude da revela\u00e7\u00e3o de Deus, tornada poss\u00edvel pela encarna\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Filho de Deus. Aos crentes do Antigo Testamento foi revelada a origem divina da Palavra e o poder criador e luminoso da Sabedoria. Mas s\u00f3 em Jesus Cristo nos \u00e9 revelado que a Palavra \u00e9 uma Pessoa divina, o Filho, e que a Sabedoria \u00e9 o Amor de Deus, a Pessoa do Esp\u00edrito Santo. Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo, Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 apenas revela\u00e7\u00e3o da mensagem divina, mas encarna\u00e7\u00e3o do amor divino. Nele sentimo-nos amados por Deus e por isso O escutamos com solicitude amorosa. Na sua Carta Enc\u00edclica o Santo Padre Bento XVI diz-nos: \u201cEm Jesus Cristo, o pr\u00f3prio Deus vai atr\u00e1s da \u00abovelha perdida\u00bb, a humanidade sofredora e transviada\u201d (n.12). Em Jesus Cristo, tocamos o amor de Deus pela humanidade, manifestado na densidade de um drama, em que Deus parece voltar-Se contra Si mesmo, para salvar os homens. Ali\u00e1s a dimens\u00e3o dram\u00e1tica do amor s\u00f3 se capta em Jesus Cristo.  \t4. Como pode a Igreja viver este mist\u00e9rio insond\u00e1vel? E no entanto, se n\u00e3o o viver, nega-se a si mesma e afasta-se da sua verdade, aquela fonte \u00fanica de onde pode jorrar a nossa felicidade. \tApesar de insond\u00e1vel, este mist\u00e9rio abre-se para n\u00f3s com a pr\u00f3pria simplicidade de Deus. Porque entramos nele por Jesus Cristo, \u00e9 na rela\u00e7\u00e3o com o Senhor ressuscitado que aprendemos a viver no seio da Trindade, na comunh\u00e3o de vida e de amor. A Eucaristia, momento decisivo da verdade da Igreja, \u00e9 a epifania do mist\u00e9rio da Trindade na simplicidade da nossa vida. E essa \u00e9 a \u201cm\u00edstica\u201d deste sacramento, como lhe chama o Santo Padre. Diz ele: \u201cA Eucaristia arrasta-nos no acto oblativo de Jesus. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de modo est\u00e1tico que recebemos o Logos encarnado, mas ficamos envolvidos na din\u00e2mica da Sua doa\u00e7\u00e3o. A imagem das n\u00fapcias entre Deus e Israel torna-se realidade de um modo anteriormente inconceb\u00edvel: o que era estar na presen\u00e7a de Deus torna-se agora, atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o na doa\u00e7\u00e3o de Jesus, comunh\u00e3o no Seu Corpo e Sangue, torna-se uni\u00e3o. A \u00abm\u00edstica\u00bb do sacramento, que se funda no \u00ababaixamento\u00bb de Deus at\u00e9 n\u00f3s, \u00e9 de um alcance muito diverso e conduz muito mais alto do que qualquer m\u00edstica eleva\u00e7\u00e3o que o homem poderia realizar\u201d (n.13). \tO \u201cabaixamento\u201d por amor, para ir ao encontro da pessoa amada, torna-se a caracter\u00edstica do amor crist\u00e3o, onde se vencem os orgulhos, os ego\u00edsmos, a exagerada afirma\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio. \u00c9 a regra da Igreja comunh\u00e3o, \u00e9 o segredo do amor conjugal, \u00e9 a for\u00e7a que nos leva ao encontro dos irm\u00e3os. N\u00e3o h\u00e1 maior prova de amor do que dar a vida por aqueles que amamos. E isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em Jesus Cristo, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito que Ele nos d\u00e1 e celebra-se na Eucaristia. \u00c9 por isso que toda a ora\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 dirigida ao Pai, por Jesus Cristo, Seu Filho, na unidade do Esp\u00edrito Santo. \tA viv\u00eancia da Eucaristia projecta-nos para a experi\u00eancia do amor trinit\u00e1rio. Com Jesus Cristo s\u00f3 podemos ter uma experi\u00eancia de Deus: a de um Pai amoroso e misericordioso, a cujo amor nos abandonamos. E esse amor \u00e9 o louvor que lhe devemos. Quase sem darmos por isso, na simplicidade das nossas rotinas, dizemos muitas vezes ao dia: \u201cGl\u00f3ria ao Pai, ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo\u201d. Quando o dizemos exprimimos um sentimento \u00edntimo que brotou da Eucaristia, express\u00e3o do nosso amor, do nosso desejo, da nossa esperan\u00e7a, outras tantas express\u00f5es da nossa adora\u00e7\u00e3o.  \t5. Maria, mulher da Trindade, ensinar-nos-\u00e1 a mergulhar nesse mist\u00e9rio, com a solicitude de uma M\u00e3e que encaminha os filhos para o s\u00edtio certo. Porque a Sua rela\u00e7\u00e3o com Jesus \u00e9 \u00fanica, porque \u00e9 Sua M\u00e3e, ela participa na rela\u00e7\u00e3o do Filho com o Pai de uma maneira especial. Ela est\u00e1, desde a plenitude de gra\u00e7a com que foi concebida, na intimidade da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. Percorrendo connosco os caminhos desta vida, ela exprime sempre e em tudo essa plenitude de gra\u00e7a, que \u00e9 perfeita comunh\u00e3o de amor. O lugar especial que damos a Nossa Senhora na nossa busca de Deus \u00e9 uma das tais maneiras simples de mergulharmos no insond\u00e1vel mist\u00e9rio de Deus Uno e Trino. M\u00e3e da Igreja, guia-a para ser, em cada dia, esse Povo do Senhor, que encontra a sua for\u00e7a e verdade na comunh\u00e3o com o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo.  Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, 11 de Junho de 2006   <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca na Solenidade da Sant\u00edssima Trindade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,206,268],"class_list":["post-18528","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-familia","tag-nova-evangelizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18528\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}