{"id":184932,"date":"2020-09-14T10:39:46","date_gmt":"2020-09-14T09:39:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=184932"},"modified":"2020-09-14T10:39:46","modified_gmt":"2020-09-14T09:39:46","slug":"lusofonias-uns-mais-irmaos-que-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-uns-mais-irmaos-que-outros\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Uns mais irm\u00e3os que outros"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-184935\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"994\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-392x260.jpg 392w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-768x509.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-1080x716.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-1280x848.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-980x649.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-480x318.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O inc\u00eandio que devorou o campo de refugiados de Moria, na Ilha de Lesbos, \u2018queimou\u2019 o cora\u00e7\u00e3o da humanidade. E roubou o pobre abrigo a quem j\u00e1 vivia em condi\u00e7\u00f5es infra-humanas. Cerca de 13 mil pessoas aguardam, h\u00e1 tempos infinitos, por uma decis\u00e3o de acolhimento por parte da Uni\u00e3o Europeia. Fugiram de guerras como a S\u00edria e de situa\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas como o Afeganist\u00e3o. Foram chegando aos magotes a esta Ilha grega que funciona como um muro da Europa. Ap\u00f3s promessas atr\u00e1s de promessas que n\u00e3o foram cumpridas, eis que aquela \u2018bomba rel\u00f3gio\u2019 explodiu na quarta feira (9 de setembro) quando se soube que ali havia 35 casos de covid. Tantos milhares de pessoas amontoadas em t\u00e3o pouco espa\u00e7o seriam pasto f\u00e1cil para uma contamina\u00e7\u00e3o total, com consequ\u00eancias tamb\u00e9m dram\u00e1ticas para o resto da popula\u00e7\u00e3o da Ilha, tal a alta velocidade previs\u00edvel do alastramento da pandemia.\u00a0 E tudo o fogo devorou, as pessoas puseram-se em fuga, instalou-se o caos, a Ilha ficou sob \u2018estado de emerg\u00eancia\u2019 e os holofotes dos media foram todos apontados para ali. Resultados? Veremos, mas \u00e9 claro que \u00e9 preciso agir e em for\u00e7a para evitar uma cat\u00e1strofe humana sem precedentes.<\/p>\n<p>O mundo n\u00e3o anda saud\u00e1vel. N\u00e3o me refiro s\u00f3 \u00e0 covid 19, mas aos cora\u00e7\u00f5es empedernidos de quem se julga senhor da terra e com direito de fechar portas a quem venha de outras paragens do globo. O P. Jos\u00e9 Castro Oliveira, mission\u00e1rio que quase perdeu a vida na explos\u00e3o de uma mina em Angola, escreve: \u2018<em>Tamb\u00e9m a tenda do nosso Pa\u00eds n\u00e3o tem sido muito pac\u00edfica com as levas de emigrantes que a t\u00eam demandado nos \u00faltimos anos e como a bandeira do racismo tem sido agitada nos \u00faltimos tempos. Habituados como est\u00e1vamos a enviar gente para todos os cantos do mundo, n\u00e3o tem sido f\u00e1cil tornarmo-nos agora porto de abrigo, mesmo que sejamos reconhecidos como povo acolhedor. Para que tal aconte\u00e7a, temos de reconhecer a radical fraternidade de todos os homens, porque todos temos o mesmo Pai, cuja casa est\u00e1 aberta a todos os povos!\u2019<\/em><\/p>\n<p>Fa\u00e7o minhas as palavras do P. Jos\u00e9 Castro, enquanto espero com expectativa a pr\u00f3xima enc\u00edclica do Papa que afirma logo no t\u00edtulo que somos todos irm\u00e3os (Fratelli tutti).\u00a0 Seremos salvos pela fraternidade se nos assumirmos todos como filhas e filhos de Deus.<\/p>\n<p>Outro nome emblem\u00e1tico da fam\u00edlia Espiritana, o P. Joaquim Alves Correia, escreveu um livro que ainda est\u00e1 por cumprir: \u2018A largueza do Reino de Deus\u2019, publicado em 1931. Quando olhamos para Deus, ficamos boquiabertos com o tamanho do seu abra\u00e7o que aquece toda a gente. Quando nos olhamos como humanos, ficamos tristes com a tacanhez do nosso abra\u00e7o, com a cataloga\u00e7\u00e3o que exclui muitos e com a incapacidade de acolher e de amar. Se somos todos irm\u00e3os, porque \u00e9 que erguemos muros e n\u00e3o apostamos na constru\u00e7\u00e3o de pontes?<\/p>\n<p>George Orwell \u00e9 conhecido pela frase que consta na \u2018Quinta dos Animais\u2019: \u2018todos os animais s\u00e3o iguais, mas uns s\u00e3o mais iguais que outros!\u2019. Traduz bem o estado actual do mundo, pois \u00e9 uma m\u00e1xima que se vai aplicando por a\u00ed, corando-nos de vergonha. Eu tenho mais direito de estar em paz e viver em boas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas s\u00f3 porque nasci na Europa ou no norte da Am\u00e9rica? Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>A minha experi\u00eancia mission\u00e1ria tem feito de mim um emigrante, pois j\u00e1 vivi em Fran\u00e7a, em Angola e em It\u00e1lia, sempre como cidad\u00e3o estrangeiro. E tenho visitado muitos outros pa\u00edses, l\u00e1 onde os Espiritanos vivem e trabalham. Devo confessar que nunca me senti fora de casa, tal a preocupa\u00e7\u00e3o de hospitalidade de quem me acolheu. E era este o sentimento profundo que eu gostaria de ver praticado em todo o mundo. Sonhar com um mundo sem fronteiras \u00e9 utopia, mas acreditar na fraternidade universal faz todo o sentido. Por estes valores civilizacionais lutarei at\u00e9 ao fim\u2026 Estou convencido de que esta \u00e9 uma causa pela qual vale a pena dar a vida\u2026<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-184932-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-unsirmaosmaisiguais-17-8-2020.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-unsirmaosmaisiguais-17-8-2020.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/lusofonias-unsirmaosmaisiguais-17-8-2020.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em 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