{"id":1847,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bonito-meu-filho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bonito-meu-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bonito-meu-filho\/","title":{"rendered":"Bonito, meu filho!"},"content":{"rendered":"<p>Bonito, meu filho!  Eu ouvi uma m\u00e3e segredar ao seu filho, na festa da Primeira Comunh\u00e3o, na igreja duma linda terra l\u00e1 para os lados do Mar\u00e3o. Uma igreja que \u00e9 de valor hist\u00f3rico pela sua antiguidade, pela sua beleza, pela sua riqueza e por estar ligada \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o a partir do s\u00e9culo X, pela presen\u00e7a activa dos frades que se acolhiam no belo Mosteiro. Mas, diga-se, uma igreja que est\u00e1 sendo desprezada ou abandonada pelos Servi\u00e7os de restauro dos Monumentos, porque a precisar urgentemente de obras de repara\u00e7\u00e3o. O seu p\u00e1roco tem sido incans\u00e1vel em pedir, mas sem ser ouvido,&#8230;Este como outros mosteiros foram factor de desenvolvimento cultural \u00e0 sua volta.. Aqui se misturou sangue luso- crist\u00e3o e sangue mouro nas lides que ensanguentaram a terra h\u00e1 mais de mil anos. O Bispo do Porto, D. Sizenando, aqui foi morto. Por tudo isto, esta \u00e9 terra de boa gente. Terra de boa mesa, de bons agricultores atrav\u00e9s dos tempos. Vila Boa do Bispo, assim \u00e9 chamada. E ainda: de Santa Maria. Nas margens do T\u00e2mega, com a albufeira do Torr\u00e3o a seus p\u00e9s. Pois era dia de Primeira Comunh\u00e3o nessa terra. Eram mais de cem crian\u00e7as &#8211; um n\u00famero que faz inveja a muitas terras em que o d\u00e9ficit demogr\u00e1fico \u00e9 simplesmente pavoroso. Festa da comunidade. Festa para as crian\u00e7as. Festa paras os\/as catequistas. Festas para os pais. Festa para o p\u00e1roco que aqui moureja h\u00e1 mais de trinta anos, com uma vida entretecida por elogios de uns e cincompreens\u00f5es de outros. Afinal \u00e9 assim a vida. Mas pelo menos tem dado o corpo ao manifesto em dezenas de anos de ensino secund\u00e1rio, em alguns anos ao servi\u00e7o da Casa do Povo e das organismos de servi\u00e7o \u00e0 comunidade, como centros de dia, trabalhando com uma boa equipa de leigos. E isto multiplicado por quatro freguesias. Diga-se de verdade, que hoje ser p\u00e1roco n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil, porque as pessoas dificilmente compreendem o que \u00e9 ser respons\u00e1vel  da comunidade,  que nem sempre pode agradar a todos os gostos. Mas \u00e9  sempre a presen\u00e7a da Igreja na comunidade ainda que em vasos fr\u00e1geis, como diz S. Paulo. Eram mais de cem crian\u00e7as, ia dizendo. A cerim\u00f3nia decorreu nos moldes do costume, num ambiente de f\u00e9, de devo\u00e7\u00e3o, de emo\u00e7\u00e3o. Mesmo os que n\u00e3o \u201cexageram\u201d nestas coisas da religi\u00e3o, estavam sintonizados pelo ambiente, porque \u00e9 sempre bonito de vez em quando pensar em Deus e descobrir que afinal a vida tem um sentido ou ent\u00e3o sempre ficamos mesmo atrapalhados perante as dificuldades que a vida nos apresenta e a que n\u00e3o sabemos dar solu\u00e7\u00e3o. Por exemplo: a doen\u00e7a e a morte! O coro esmerou-se. As pessoas deram vida \u00e0 liturgia. E a palavra do P\u00e1roco fez-se ouvir tamb\u00e9m numa ocasi\u00e3o emq ue n\u00e3o era costume falar: para informar, para partilhar, para comunicar. Mas o qu\u00ea? Para chamar a aten\u00e7\u00e3o da assembleia para uma aus\u00eancia entre as crian\u00e7as  da Comunh\u00e3o. Estava menos uma: faltava o Bruno. Sim, ele, o menino que andava nos ensaios. Faltava ele mesmo. Dera entrada dias antes no Instituto de Oncologia. E os seus pais estavam l\u00e1 com ele. Mas o p\u00e1roco continuou: o IPO, quando soube que o Bruno ia fazer a sua Comnunh\u00e3o, organizaram-se  para que o Bruno tamb\u00e9m tivessa a sua festa, e, na mesma hora que os seus companheiros , o Bruno tamb\u00e9m fazia a sua primeira comunh\u00e3o. Tudo bem combinado com o p\u00e1roco. Bonito. Fiquei surpreso e emocionado. E os ouvintes tamb\u00e9m. Os pais pensaram: cada um dos filhos podia ser hoje o Bruno! Vi as l\u00e1grimas grossas e abundantes cairem pela cara abaixo e um beijo ao seu menino\/a ali presente, numa atitude amorosa de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Senmhor da vida. E uma palavra de alento e coragem: \u201cBonito, meu filho!\u201d. Dizia o Bruno uns dias antes: \u201cEu no dia da primeira  Comunh\u00e3o ainda serei vivo, mas depois&#8230;\u201d Merece um louvor a atitude dos servi\u00e7os do IPO. Mostraram bem o quanto para eles vale a pessoa do doente, com seu problemas e suas preocupa\u00e7\u00f5es.  E a atitude do Bruno \u00e9 genu\u00edna. Coisas de crian\u00e7as, diremos. Coisas de Deus, dever\u00edamos dizer. H\u00e1 coisas dignas de serem contadas!  Armando Soares <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bonito, meu filho! Eu ouvi uma m\u00e3e segredar ao seu filho, na festa da Primeira Comunh\u00e3o, na igreja duma linda terra l\u00e1 para os lados do Mar\u00e3o. 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