{"id":184649,"date":"2020-09-11T07:00:49","date_gmt":"2020-09-11T06:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=184649"},"modified":"2020-09-10T18:50:55","modified_gmt":"2020-09-10T17:50:55","slug":"novo-curso-de-medicina-da-ucp-procura-uma-excelencia-tecnica-clinica-e-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novo-curso-de-medicina-da-ucp-procura-uma-excelencia-tecnica-clinica-e-humana\/","title":{"rendered":"Novo curso de Medicina da UCP procura uma \u00abexcel\u00eancia\u00bb t\u00e9cnica, cl\u00ednica e humana"},"content":{"rendered":"<p>Era um sonho de muito anos e que se concretiza agora: a Universidade Cat\u00f3lica vai ser a primeira institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o-estatal a oferecer uma licenciatura em Medicina em Portugal. Um ano depois de ter \u2018chumbado\u2019 a primeira proposta, a Ag\u00eancia de Avalia\u00e7\u00e3o e Acredita\u00e7\u00e3o do Ensino Superior aprovou o novo curso. A decis\u00e3o leva a Renascen\u00e7a e a ECCLESIA \u00e0 conversa com o diretor da Faculdade de Medicina da Cat\u00f3lica, o m\u00e9dico Ant\u00f3nio Almeida.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_184652\" aria-describedby=\"caption-attachment-184652\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184652 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1310\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4-381x260.jpg 381w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4-1024x699.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4-768x524.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4-1536x1048.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4-1080x737.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4-1280x873.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4-980x669.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-4-480x328.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184652\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Como \u00e9 que recebeu a not\u00edcia da aprova\u00e7\u00e3o do novo curso?<\/em><\/p>\n<p>Como deve imaginar, com imensa alegria. T\u00ednhamos feito um pedido para a acredita\u00e7\u00e3o j\u00e1 o ano passado, o pedido n\u00e3o passou, por v\u00e1rias raz\u00f5es t\u00e9cnicas, repetimos o pedido com aperfei\u00e7oamentos, com novas propostas, indo de encontro \u00e0s sugest\u00f5es da Ag\u00eancia de Avalia\u00e7\u00e3o e Acredita\u00e7\u00e3o do Ensino Superior (A3ES), e tamb\u00e9m da Ordem dos m\u00e9dicos, e esta foi a proposta que foi aprovada este ano. A aprova\u00e7\u00e3o encheu-nos de uma enorme alegria, mas tamb\u00e9m de enorme sentido de responsabilidade, n\u00e3o s\u00f3 por sermos a primeira institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o estatal a ter um curso de medicina, como pela responsabilidade inerente de termos de formar m\u00e9dicos, uma responsabilidade perante os nossos futuros alunos, e perante o p\u00fablico, por irmos formar pessoas para servir a sociedade e para poder ajudar na medicina em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Apesar desta &#8220;luz verde&#8221; oficial, a \u2018Plataforma para a Forma\u00e7\u00e3o M\u00e9dica\u2019 &#8211; que re\u00fane a Ordem dos M\u00e9dicos, o Conselho de Escolas M\u00e9dicas e a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Estudantes de Medicina &#8211; lamentou a aprova\u00e7\u00e3o do curso, considerando que houve \u201cpress\u00e3o pol\u00edtica\u201d, e que esta decis\u00e3o pode \u201camea\u00e7ar a qualidade da forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e dos cuidados de sa\u00fade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o\u201d. Como \u00e9 que reage a estas cr\u00edticas?<\/em><\/p>\n<p>Acho que tenho de esclarecer como \u00e9 que \u00e9 o processo de acredita\u00e7\u00e3o. A A3ES \u00e9 uma ag\u00eancia estatal independente, que faz a acredita\u00e7\u00e3o de todos os cursos superiores em Portugal, e como tal tem de pedir a peritos, dentro de cada \u00e1rea, para avaliarem os pedidos que s\u00e3o submetidos. N\u00f3s tivemos peritos na \u00e1rea da medicina, peritos em educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, nacionais e internacionais &#8211; n\u00e3o ser\u00e1 nenhum segredo, um deles foi o professor Jos\u00e9 Ponte, que foi o diretor da Faculdade de Medicina do Algarve, e houve mais dois peritos internacionais que avaliaram a nossa proposta. Esta aprova\u00e7\u00e3o foi \u00a0feita com base nessa avalia\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, que olha para o curr\u00edculo, para os docentes, para a institui\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, que \u00e9 o Grupo Luz Sa\u00fade e para todo o programa de ensino que temos, portanto, por mais que tenha havido muita press\u00e3o e vontade pol\u00edtica para que isto acontecesse, esta comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o &#8211; que eu acredito seja isenta, porque dois dos membros eram estrangeiros e n\u00e3o tinham nenhum interesse em que isto acontecesse, do ponto de vista pol\u00edtico \u2013 fez uma avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e aprovou o curso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, efetivamente o processo n\u00e3o foi isento de tens\u00f5es e cr\u00edticas. A Plataforma critica o \u201caumento do n\u00famero de alunos do ensino pr\u00e9-graduado\u201d, sem que se tenha olhado para as necessidades do pa\u00eds a longo prazo, em termos de recursos humanos. V\u00ea fundamento nestas observa\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s como faculdade, como institui\u00e7\u00e3o de ensino,\u00a0temos exatamente a mesma preocupa\u00e7\u00e3o que tem a Ordem dos M\u00e9dicos e o Concelho de Escolas M\u00e9dicas, que \u00e9 que os m\u00e9dicos tenham emprego. E temos a mesma preocupa\u00e7\u00e3o que qualquer institui\u00e7\u00e3o de ensino tem, de que os nossos alunos estejam preparados para a sua vida profissional, que consigam prosseguir as suas carreiras como desejam e que tenham as melhores armas para enfrentar o mundo profissional no qual se v\u00e3o inserir. Agora, o que n\u00e3o podemos esquecer \u00e9 que vamos formar 100 alunos por ano, inseridos num universo de 1800 alunos que s\u00e3o formados em Portugal por ano, vamos ser uma pequena percentagem&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, haver mais 100 alunos por ano em medicina n\u00e3o agrava as\u00a0dificuldades que j\u00e1 existiam no acesso ao internato?<\/em><\/p>\n<p>Custa-me a acreditar que mais 100 alunos v\u00e3o inundar o mercado. Em segundo lugar \u2013 e acho que isto tamb\u00e9m \u00e9 um dado muito importante &#8211; n\u00f3s temos pelo menos 400 alunos por ano que v\u00e3o estudar Medicina no estrangeiro, em Espanha, Rep\u00fablica Checa, etc. Desses 400 imagino que 100 querer\u00e3o ficar em Portugal. De resto, todos os alunos e pais de alunos com quem tenho tido contacto ao longo de muitos anos, e sobretudo agora, manifestam o desejo de que os filhos fiquem em Portugal. O que eu acho que muito provavelmente vai acontecer a n\u00edvel de n\u00fameros \u00e9 que dos que se candidatam de fora, em vez de serem 400 ser\u00e3o 300, e 100 vir\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica.\u00a0N\u00e3o acredito que os 100 alunos por ano v\u00e3o inundar o mercado, da mesma maneira que tamb\u00e9m n\u00e3o posso ter a pretens\u00e3o de que esses 100 alunos v\u00e3o resolver os problemas do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS). O que os nossos 100 alunos v\u00e3o fazer,\u00a0o que nos propomos fazer \u00e9 dar uma educa\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia, preparar m\u00e9dicos bem formados para a sua profiss\u00e3o, e poder alargar o leque de escolha de estudos em Portugal.\u00a0Esta \u00e9 a nossa inten\u00e7\u00e3o, mais do que uma inten\u00e7\u00e3o macro, a longo prazo, de resolver problemas de natureza demogr\u00e1fica em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_184650\" aria-describedby=\"caption-attachment-184650\" style=\"width: 388px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-184650\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-388x260.jpg\" alt=\"\" width=\"388\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-388x260.jpg 388w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-1024x687.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-768x515.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-1536x1030.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-1080x725.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-1280x859.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-980x657.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2-480x322.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184650\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Vamos ent\u00e3o falar do futuro. Fazia mesmo falta esta nova licenciatura em Medicina em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Tudo o que seja uma nova proposta educacional, que possa trazer novo sangue, novidade, \u00e9 bom para o mundo da educa\u00e7\u00e3o, e isto vale tanto para a Medicina como para o Direito ou para a Economia.\u00a0Vimos o que aconteceu com os estudos de Economia em Portugal: a Cat\u00f3lica entrou em cena, h\u00e1 bastantes anos, e isso foi ben\u00e9fico para todos,\u00a0n\u00e3o s\u00f3 para a UCP. Vemos a proje\u00e7\u00e3o da Universidade Nova, com a Nova Business School.\u00a0Eu acredito que o novo curso de Medicina vai trazer isto, vai trazer uma qualidade de ensino n\u00e3o s\u00f3 para a Universidade Cat\u00f3lica, para a Faculdade de Medicina, como para todas as outras faculdades.\u00a0A nossa atitude \u00e9 uma atitude muito colaborante. Queremos colaborar, tanto nacional como internacionalmente, e melhorar a qualidade do ensino da medicina em Portugal, contribuir para a medicina de Portugal, portanto acho que nesse aspeto o curso era necess\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 o nosso, como outro curso qualquer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o que \u00e9 que este curso tem de novo em rela\u00e7\u00e3o aos que j\u00e1 existem? Em termos de metodologia, de curr\u00edculo, vai ser muito diferente dos cursos tradicionais?<\/em><\/p>\n<p>Vai ser bastante diferente. N\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de dizer que vamos ser os \u00fanicos em Portugal, o curso da Universidade do Minho j\u00e1 tem muitas caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s que vamos implementar, e os outros cursos tamb\u00e9m usam m\u00e9todos semelhantes ao nosso. O que n\u00f3s nos propomos implementar \u00e9 um curso com novos m\u00e9todos de ensino, modernos, muito centrados no aluno, m\u00e9todos em que o aluno \u00e9 encorajado a ir procurar, a estudar por ele pr\u00f3prio, e n\u00e3o ter um m\u00e9todo de aprendizagem passivo, que tradicionalmente se usava em todas as universidades, de ir a palestras e depois estudar em casa. Os alunos v\u00e3o aprender atrav\u00e9s da resolu\u00e7\u00e3o de problemas, atrav\u00e9s da discuss\u00e3o em grupos e da investiga\u00e7\u00e3o guiada. O segunda aspeto importante \u00e9 que os alunos v\u00e3o ter treino cl\u00ednico desde o primeiro ano.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ser\u00e1 um curso mais pr\u00e1tico, \u00e9 isso?<\/em><\/p>\n<p>Ser\u00e1 muito pr\u00e1tico. Todos as compet\u00eancias que apreciamos nos cl\u00ednicos e que julgamos importantes &#8211; a comunica\u00e7\u00e3o, a empatia, a capacidade de liga\u00e7\u00e3o com o doente &#8211; v\u00e3o ser estimuladas desde o primeiro ano. No primeiro e no segundo ano v\u00e3o ter aulas de comunica\u00e7\u00e3o, com treinos pr\u00e1ticos com doentes simulados, v\u00e3o ter treinos simulados com manequins, com modelos, para poderem aprender a lidar com doentes, e no terceiro ano j\u00e1 v\u00e3o ter contacto com doentes reais no Hospital da Luz Oeiras, onde v\u00e3o fazer uma consulta semanal gravada, que depois podem ver, ver-se uns aos outros, avaliar-se uns aos outros e ser avaliados pelo tutor. Depois, nos anos cl\u00ednicos vamos ter um r\u00e1cio muito pequeno de alunos por m\u00e9dico, vamos ter um a dois alunos por equipa m\u00e9dica, o que quer dizer que\u00a0os alunos durante os est\u00e1gios cl\u00ednicos v\u00e3o estar inseridos, fazer parte das equipas, do trabalho do dia a dia, e n\u00e3o ser somente observadores.\u00a0V\u00e3o estar bem acompanhados, v\u00e3o ter muita aten\u00e7\u00e3o dos tutores, dos m\u00e9dicos, e v\u00e3o ter um papel muito ativo, o que lhes vai dar muito mais \u00e0 vontade depois na sua vida profissional.<\/p>\n<p>Outra coisa que nos distingue \u00e9 que vamos ter uma aposta grande na investiga\u00e7\u00e3o. Vamos criar um centro de investiga\u00e7\u00e3o dentro da faculdade, e um semestre inteiro do curso vai ser dedicado \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o. Os alunos v\u00e3o ter projetos de investiga\u00e7\u00e3o &#8211; seja laboratorial, clinica ou epidemiol\u00f3gica &#8211; que v\u00e3o poder desenvolver durante esse semestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sendo um curso ministrado numa institui\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, pretendem marcar a diferen\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da \u00e9tica m\u00e9dica, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 outra vertente diferenciadora muito importante. Naturalmente que a nossa cultura cat\u00f3lica como Universidade, a minha pr\u00f3pria cultura cat\u00f3lica, vai inevitavelmente ser impressa neste curso, e isso para mim \u00e9 um fator importante e essencial. N\u00e3o devemos esquecer que\u00a0uma das grandes miss\u00f5es da Igreja sempre foi cuidar dos doentes, e continua a ser, e esse tamb\u00e9m \u00e9 o nosso grande mote para criar este curso.\u00a0Claro que dentro dos m\u00f3dulos vamos abordar quest\u00f5es \u00e9ticas, e vamos ter cadeiras espec\u00edficas de \u00c9tica, de Cristianismo, Hist\u00f3ria da Medicina, focando tamb\u00e9m o contributo que a Igreja cat\u00f3lica tem dado ao longo dos s\u00e9culos para o seu desenvolvimento. E vamos tamb\u00e9m ter esse cuidado no ensino cl\u00ednico.<\/p>\n<p>\u00c9 importante referir que o ensino cl\u00ednico vai ser no Grupo Luz Sa\u00fade, que \u00e9 um grande grupo hospitalar em Portugal, que todos conhecem, e que tem a qualidade necess\u00e1ria para que este curso possa ser desenvolvido, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel de corpo cl\u00ednico, docente e de instala\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m como cultura de cuidado com os doentes.\u00a0Temos uma proximidade muito grande com a cultura do Grupo Luz, do cuidado que t\u00eam em tratar o doente do princ\u00edpio ao fim. Basta dizer que \u00e9 um dos grupos pioneiros em ter unidades de cuidados paliativos e de cuidados neonatais, tem um servi\u00e7o de maternidade dos maiores do pa\u00eds, com um cuidado maternal e do beb\u00e9 muito grande, e todos os cuidados que t\u00eam em todas as especialidades de Oncologia. Portanto, tem n\u00e3o s\u00f3 uma excel\u00eancia t\u00e9cnica e cl\u00ednica enorme, como uma excel\u00eancia humana muito grande, da\u00ed este encontro t\u00e3o feliz entre a Universidade Cat\u00f3lica e o Grupo Luz, para podermos promover o ensino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m das compet\u00eancias t\u00e9cnicas \u00e9 fundamental a um m\u00e9dico ter essa capacidade humana e de rela\u00e7\u00e3o com os doentes, e \u00e0s vezes h\u00e1 cr\u00edticas a esse n\u00edvel. Acha que h\u00e1 falhas a este n\u00edvel na forma\u00e7\u00e3o dada at\u00e9 agora?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que essas falhas s\u00e3o um bocadinho inevit\u00e1veis, com a press\u00e3o que temos no dia a dia. N\u00e3o s\u00e3o falhas que sejam intencionais, eu pr\u00f3prio as notei durante a minha forma\u00e7\u00e3o, mas acho que quanto mais conseguimos introduzir os alunos nas equipas, e ter um r\u00e1cio aluno\/tutor menor, de maneira a haver tempo e espa\u00e7o para os alunos conseguiram estar com os doentes, melhor.\u00a0Como se v\u00ea no Grupo Luz, onde eu trabalho, onde o espa\u00e7o que nos \u00e9 dado como m\u00e9dicos para estar e comunicar com os doentes, n\u00e3o havendo constantes press\u00f5es de tempo, \u00e9 um fator que promove muito a humanidade, o contacto e a empatia que se pode ter com o doente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem falado sistematicamente nos doentes, e \u00e0s vezes a ideia com que se fica \u00e9 que os m\u00e9dicos s\u00e3o treinados para tratar a doen\u00e7a. H\u00e1 uma forma\u00e7\u00e3o excessivamente t\u00e9cnica, que esquece que diante do m\u00e9dico est\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 uma pessoa com uma doen\u00e7a, mas uma pessoa no seu todo?<\/em><\/p>\n<p>Acho que isso \u00e9 fundamental, e um dos grandes focos do curso \u00e9 ensinar o que \u00e9 que \u00e9 ser m\u00e9dico. N\u00e3o nos podemos esquecer que vivemos do s\u00e9culo XXI, com uma fonte de informa\u00e7\u00e3o inesgot\u00e1vel, com uma facilidade de acesso a informa\u00e7\u00e3o, portanto, o que \u00e9 que eu tenho de ensinar aos alunos? Primeiro, onde \u00e9 que v\u00e3o buscar a informa\u00e7\u00e3o certa e como \u00e9 que reconhecem os padr\u00f5es das doen\u00e7as nas pessoas. Uma pessoa que tenha tosse e febre normalmente tem uma infe\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, sei que isto parece \u00f3bvio, mas h\u00e1 outras coisas mais subtis que eles t\u00eam de aprender a reconhecer. Mas, hoje em dia quase todos os doentes chegam ao m\u00e9dico j\u00e1 tendo feito an\u00e1lises, h\u00e1 tendo ido ao Dr. Google, j\u00e1 tendo praticamente uma resposta t\u00e9cnica, o diagn\u00f3stico e o tratamento.\u00a0Portanto, eu como m\u00e9dico, qual \u00e9 o meu papel?<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o meu papel? Para al\u00e9m de ter um papel t\u00e9cnico de excel\u00eancia, de ter de fazer as coisas como deve ser, \u00e9 um papel de comunica\u00e7\u00e3o, de empatia, de conforto, de apoio ao doente. E isto \u00e9 um papel fundamental do m\u00e9dico, \u00e9 o que nos distingue, m\u00e9dicos, de um computador, de uma medicina computorizada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou de um diagn\u00f3stico por algoritmos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exato. Isso at\u00e9 pode ser uma ferramenta muito \u00fatil para um m\u00e9dico, mas \u2013 de todos os m\u00e9dicos que eu vejo \u2013 percebo que, cada vez mais, o que o doente quer \u00e9 ter esse conforto, essa seguran\u00e7a, essa empatia com o m\u00e9dico, algu\u00e9m que lhe explique, que o console, que o conforte e que o anime. Isso \u00e9, no fundo, o que temos de ensinar aos alunos: o m\u00e9dico do s\u00e9culo XXI \u00e9, como sempre foi e continuar\u00e1 a ser, uma entidade de conforto, de seguran\u00e7a e de apoio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_184653\" aria-describedby=\"caption-attachment-184653\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-184653\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-almeida.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184653\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>No estudo desta \u00e1rea, haver\u00e1 tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o especial sobre temas como, por exemplo, a eutan\u00e1sia? Sendo certo que o avan\u00e7a da tecnologia permite prolongar a vida em muitos caso, tamb\u00e9m permite encurt\u00e1-la\u2026 \u00c9 necess\u00e1rio que os futuros m\u00e9dicos, os estudantes de Medicina, comecem a pensar sobre estas coisas desde cedo?<\/em><\/p>\n<p>Claro. E todas estas quest\u00f5es \u00e9ticas v\u00e3o ser abordadas ao longo do curso. \u00c9 fundamental, como formadores, dar aos alunos as ferramentas para que consigam pensar e abordar estas quest\u00f5es \u00e9ticas por eles pr\u00f3prios. N\u00e3o h\u00e1 nada menos construtivo do que impormos uma certa doutrina, mas temos de estimul\u00e1-los a pensar nas quest\u00f5es, a olhar para a parte \u00e9tica, para as op\u00e7\u00f5es que existem.<\/p>\n<p>Parece que a eutan\u00e1sia \u00e9 a \u00fanica op\u00e7\u00e3o de fim, mas existem muitas outras op\u00e7\u00f5es. Toda a rede de cuidados paliativos vem de encontro a isso e devo dizer que, no Hospital da Luz, isso tem sido desenvolvido de uma maneira admir\u00e1vel: pessoas que deixaram de ter esperan\u00e7a conseguem ver que ainda h\u00e1, mesmo no fim da vida, raz\u00f5es para continuar a viver. Raz\u00f5es para aproveitar esses \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Todas essas quest\u00f5es t\u00eam de ser abordadas diretamente, sem doutrinamento, mas estimulando os alunos a pensar e a decidir por eles pr\u00f3prios, com toda a informa\u00e7\u00e3o, tudo o que circunda estas quest\u00f5es, para poderem tomar uma decis\u00e3o informada e n\u00e3o s\u00f3 uma decis\u00e3o emocional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este curso vai ser lecionado em ingl\u00eas. \u00c9 de esperar que haja v\u00e1rios alunos estrangeiros que manifestem interesse em fazer a sua forma\u00e7\u00e3o aqui. J\u00e1 h\u00e1 previs\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 previsto e penso que isso ser\u00e1 at\u00e9 uma fonte de riqueza poder ter este interc\u00e2mbio cultural. Vivemos num mundo muito pequeno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 j\u00e1 alguma expectativa de qual poder\u00e1 ser a percentagem de alunos estrangeiros?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s vamos ter candidaturas que v\u00e3o ser avaliadas de acordo com a excel\u00eancia acad\u00e9mica \u2013 notas do final do secund\u00e1rio \u2013 e entrevistas. Vamos ter um m\u00e9todo de sele\u00e7\u00e3o igual ao nacional, de acordo com as notas do secund\u00e1rio, mas tamb\u00e9m personalizado, com entrevistas, curr\u00edculos, em que \u00e9 poss\u00edvel selecionar mais finamente, digamos assim, os candidatos. Imagino que tamb\u00e9m teremos candidatos de fora, Portugal \u00e9 um pa\u00eds cada vez mais popular a n\u00edvel da emigra\u00e7\u00e3o estudantil e isso ser\u00e1 muito bem-vindo.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o principal pela qual o curso \u00e9 em ingl\u00eas prende-se, al\u00e9m da parceira que temos com a Univerisdade de Maastricht (Holanda) \u2013 que tem este curso implementado h\u00e1 bastantes anos, com muito sucesso, com muita satisfa\u00e7\u00e3o dos alunos, tanto enquanto alunos como enquanto profissionais -, \u00e9 que a l\u00edngua franca da medicina \u00e9 o ingl\u00eas. Todos os congressos m\u00e9dicos, excetuando os mais pequenos, nacionais, s\u00e3o em ingl\u00eas. Todas as publica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas importantes s\u00e3o em ingl\u00eas, pelo que esta l\u00edngua acaba por ser uma ferramenta muito importante para um m\u00e9dico, como tal.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 que n\u00e3o esquecer que ningu\u00e9m que n\u00e3o saiba falar portugu\u00eas poder\u00e1 ir ver doentes. N\u00f3s estamos em Portugal, os nossos doentes falam portugu\u00eas, portanto, todos os estrangeiros que venham e n\u00e3o saibam falar a l\u00edngua ter\u00e3o aulas de portugu\u00eas, para que no 3.\u00ba ano possam falar com os doentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O corpo docente j\u00e1 est\u00e1 garantido? Haver\u00e1 professores a vir do estrangeiro?<\/em><\/p>\n<p>Na parceria com Maastricht temos previsto pelo menos um docente por bloco, por unidade curricular, que vir\u00e1 dar apoio durante a mesma. Mas a maioria dos docentes ser\u00e1 portuguesa, temos alguns docentes portugueses que est\u00e3o no estrangeiro, com desejo de voltar, e que s\u00e3o j\u00e1 cientistas de renome, pelo que teremos muito gosto em poder combinar com eles esse eventual regresso. Temos muitos portugueses, cientistas e m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos, principalmente, s\u00e3o do Grupo Luz, que tem um corpo cl\u00ednico de excel\u00eancia. Foi uma das grandes raz\u00f5es do sucesso desta proposta de acredita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>V\u00e3o trabalhar em parceria com o Grupo Luz Sa\u00fade e com o Hospital Beatriz \u00c2ngelo, de Loures, que \u00e9 uma PPP (parceria p\u00fablico privada) gerida pelo Grupo Luz.<\/em><\/p>\n<p>Sim, n\u00f3s temos tr\u00eas entidades de sa\u00fade\u2026 quatro. O Grupo Luz, o Hospital Beatriz \u00c2ngelo, acordos com a ARS de Lisboa e Vale do Tejo \u2013 porque reconhecemos que os Centros de Sa\u00fade do Estado fazem algumas coisas que os Centros de Sa\u00fade no Grupo Luz n\u00e3o fazem, como programas de vacina\u00e7\u00e3o, etc. \u2013 e com a Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias, que tem muitas unidades de sa\u00fade, sobretudo de cuidados continuados, reabilita\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 uma grande mais valia para o nosso curso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No caso do Hospital de Loures, h\u00e1 possibilidade de o Estado n\u00e3o renovar a PPP. Isso implicar\u00e1 depois alguma altera\u00e7\u00e3o? Conv\u00e9m que o curso mantenha alguma liga\u00e7\u00e3o com um Hospital do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade? H\u00e1 um plano B?<\/em><\/p>\n<p>O nosso plano A \u00e9 o Hospital de Loures e mesmo que a PPP n\u00e3o seja renovada, o acordo que temos \u00e9 para manter. Se a nova administra\u00e7\u00e3o assim o aceitar, n\u00f3s iremos mant\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Gostaria de ressalvar que o hospital Beatriz \u00c2ngelo \u00e9 um hospital associado do projeto. O hospital universit\u00e1rio \u00e9 o Hospital da Luz Lisboa, porque \u00e9 o \u00fanico que tem as condi\u00e7\u00f5es para tal. Em 2018 foi emitido um decreto-lei que determina todos os requisitos de um hospital universit\u00e1rio, desde corpo docente a publica\u00e7\u00f5es, investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, etc.<\/p>\n<p>O Hospital da Luz Lisboa cumpre todos esses requisitos. Para al\u00e9m disso, duplicou recentemente a sua capacidade, tornou-se um hospital de 450 camas, com todas as especialidades \u2013 excetuando a transplanta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 realizada s\u00f3 no Estado, mas que n\u00e3o \u00e9 uma especialidade essencial para um aluno de Medicina -, incluindo hematologia, como eu, neurocirurgia, portanto, especialidades bastante focadas e de nicho.<\/p>\n<p>Tem ainda um centro de simula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 entre os maiores da Europa, no qual m\u00e9dicos e alunos podem ir treinar, antes dos doentes. A simula\u00e7\u00e3o tem sido algo criticada, mas acho que \u00e9 essencial um doente sentir a seguran\u00e7a de que quem vai l\u00e1 colher sangue, fazer um procedimento, j\u00e1 treinou em algo que n\u00e3o esteve a sofrer. O centro de simula\u00e7\u00e3o vai ser muito importante, tamb\u00e9m, para a forma\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos. Tem condi\u00e7\u00f5es excelentes para os alunos, anfiteatros, est\u00e1 verdadeiramente preparado para ser um hospital universit\u00e1rio e tamb\u00e9m \u00e9 com base nessas condi\u00e7\u00f5es que este projeto foi aceite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A abertura do curso est\u00e1 a ser apontada para 2021\/2022?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Durante este ano letivo, de 20\/21, vamos estar a preparar o edif\u00edcio universit\u00e1rio, no Campus de Sintra, onde era j\u00e1 a Faculdade de Engenharia da UCP. \u00c9 um edif\u00edcio com 8500 metros quadrados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Basicamente, \u00e9 s\u00f3 adaptar?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, adaptar e renovar um bocadinho. J\u00e1 tem anfiteatros, precisamos de p\u00f4r um teatro anat\u00f3mico, etc. Vamos fazer isso, vamos acabar de fazer o curr\u00edculo, mas j\u00e1 fizemos muito trabalho at\u00e9 agora, a n\u00edvel de prepara\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo, de ensino de docentes\u2026 Todos os nossos docentes v\u00e3o ser formados em ensino m\u00e9dico, antes de ingressar no curso, n\u00e3o vamos ter improvisos, vamos ter docentes formados, a fazer cursos antes de come\u00e7arem a ensinar.<\/p>\n<p>Queremos estar prontos para abrir candidaturas e abrir as portas em setembro de 2021. Os primeiros alunos que v\u00e3o ingressar no ensino cl\u00ednico ser\u00e3o s\u00f3 em 2023 e depois 2024, nos est\u00e1gios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Referiu h\u00e1 pouco 100 alunos por ano, mas no primeiro ano haver\u00e1 s\u00f3 50.<\/em><\/p>\n<p>Isso foi um dos pedidos que nos foi feito, n\u00e3o me parece irrazo\u00e1vel, um curso novo, com todas as suas conting\u00eancias, acho natural que se queira come\u00e7ar devagar. Com menos alunos, h\u00e1 mais tempo, mais aten\u00e7\u00e3o aos mesmos, pelo que acolhemos essa sugest\u00e3o e at\u00e9 nos parece razo\u00e1vel come\u00e7ar assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como m\u00e9dico hematologista, vai continuar ligado ao Hospital da Luz, nesta especialidade, e tamb\u00e9m ao IPO de Lisboa? Ou vai dedicar-se s\u00f3 \u00e0 Faculdade?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se conseguirei abarcar todas as fun\u00e7\u00f5es, mas a minha fun\u00e7\u00e3o de cl\u00ednico no Hospital da Luz manter-se-\u00e1. Acho que n\u00e3o podemos descurar que a Medicina \u00e9 uma profiss\u00e3o pr\u00e1tica: a atualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial, mas tamb\u00e9m o contacto e as dificuldades que se t\u00eam no dia a dia, \u00e9 preciso viver para ensinar. Todos n\u00f3s, m\u00e9dicos, achamos estranho um m\u00e9dico ensinar Medicina sem a praticar, portanto, mesmo que eu tenha de reduzir a minha pr\u00e1tica cl\u00ednica, nunca a vou deixar, porque faz parte integral do ensino da Medicina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era um sonho de muito anos e que se concretiza agora: a Universidade Cat\u00f3lica vai ser a primeira institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o-estatal a oferecer uma licenciatura em Medicina em Portugal. Um ano depois de ter \u2018chumbado\u2019 a primeira proposta, a Ag\u00eancia de Avalia\u00e7\u00e3o e Acredita\u00e7\u00e3o do Ensino Superior aprovou o novo curso. 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