{"id":18427,"date":"2006-06-06T16:20:49","date_gmt":"2006-06-06T16:20:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/06\/lusitanidade-um-sentir-se-em-casa-no-mundo\/"},"modified":"2006-06-06T16:20:49","modified_gmt":"2006-06-06T16:20:49","slug":"lusitanidade-um-sentir-se-em-casa-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusitanidade-um-sentir-se-em-casa-no-mundo\/","title":{"rendered":"<i>Lusitanidade<\/i>: um <i>sentir-se em casa<\/i> no mundo"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem do presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana para o dia 10 de Junho <!--more--> 1. No dia 10 de Junho os portugueses celebram o seu dia, numa atitude de sadia alegria e gratid\u00e3o por aquilo que s\u00e3o, n\u00e3o apenas pelo que t\u00eam em comum com todos os outros povos, mas tamb\u00e9m pelas suas peculiaridades, que fazem da <i>lusitanidade<\/i> uma caracter\u00edstica pr\u00f3pria deste povo que somos. Como Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana, em nome da Igreja que peregrina em Portugal, sa\u00fado todos os portugueses e seus descendentes <i>em di\u00e1spora<\/i> pelo mundo e solidarizo-me com cada um, seja qual for a sua situa\u00e7\u00e3o de vida, de sucesso ou insucesso, crist\u00e3o ou n\u00e3o, para que nunca tenhamos vergonha de mostrarmos aquilo que no fundo somos: um povo com uma cultura solid\u00e1ria, universal, aberta ao mundo e uma l\u00edngua falada em todos os continentes por povos irm\u00e3os.  2. Nestes dias o mundo vai estar concentrado no Campeonato Mundial de futebol, na Alemanha, e os nossos <i>emigrantes<\/i> v\u00e3o apoiar e estimular, como ningu\u00e9m, a nossa selec\u00e7\u00e3o, para obter um bom resultado neste desporto que se tornou uma linguagem universal da conviv\u00eancia entre os povos. Mas, a nossa identidade n\u00e3o \u00e9 de agora, nem se reduz apenas a essa faceta.  Na verdade, a caracter\u00edstica mais arraigada na nossa mentalidade e hist\u00f3ria secular prov\u00e9m dos quase dois mil anos de liga\u00e7\u00e3o ao Evangelho de Jesus Cristo, com os seus valores e crit\u00e9rios que cimentam a unidade do nosso povo e contribuem para a solidariedade universal, t\u00e3o pr\u00f3pria da Comunidade Portuguesa, onde quer que se encontre. O brio e at\u00e9 orgulho naquilo que nos caracteriza, n\u00e3o nos afasta dos outros, mas antes nos predisp\u00f5e a colaborar com todas as nacionalidades e religi\u00f5es e a contribuir para o bem comum da humanidade inteira.  3. Com o Escritor sagrado do Pentateuco apetece-me tamb\u00e9m exclamar \u201conde existe um povo com caracter\u00edsticas t\u00e3o sublimes como o nosso\u201d, cujas ra\u00edzes mergulham geneticamente na matriz crist\u00e3 da nossa cultura e identidade? Isto verifica-se atrav\u00e9s de muitos sinais, que tocam o cora\u00e7\u00e3o dos portugueses, onde quer que se encontrem. Quando em 1966 cheguei \u00e0 Alemanha, jogava-se o campeonato mundial de futebol na Inglaterra e os alem\u00e3es, ao saberem que eu era portugu\u00eas, falavam-me de Eus\u00e9bio, o melhor marcador desse campeonato; outros falavam-me de F\u00e1tima e outros ainda de Am\u00e1lia Rodrigues, do fado. Com efeito, muitos n\u00e3o sabiam onde ficava Portugal ou at\u00e9 ignoravam a sua exist\u00eancia como pa\u00eds, mas esses tr\u00eas nomes enchiam-nos de admira\u00e7\u00e3o por Portugal e pelos portugueses que na Alemanha, como acontecia com todos os estrangeiros imigrantes, \u00e9ramos considerados \u201ctrabalhadores h\u00f3spedes\u201d.  4. Entretanto, com o devir do tempo e com a evolu\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-politica, esses fen\u00f3menos mudaram, mas F\u00e1tima mant\u00e9m-se. As maiores peregrina\u00e7\u00f5es dos portugueses no mundo &#8211; algumas em pa\u00edses fortemente secularizados e descristianizados &#8211; giram \u00e0 volta da mensagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima. Mesmo os menos religiosos ou \u201cpraticantes\u201d n\u00e3o deixam de sentir um grande amor \u00e0 sua terra e \u00e0 sua identidade <i>lusitana<\/i>, quando se congregam em comunidade de f\u00e9 e de l\u00edngua \u00e0 volta da imagem da Branca Senhora que veio pedir a Paz. Tenho vivido esta experi\u00eancia em Portugal e em muitos pa\u00edses onde presidi a peregrina\u00e7\u00f5es das Comunidades Portuguesas aos santu\u00e1rios locais. Algumas delas s\u00e3o as maiores manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de f\u00e9 testemunhadas pelas igrejas que acolhem os portugueses e seus descendentes. Cada vez mais a Virgem de Nazar\u00e9 honrada pelo nosso povo se torna a m\u00e3e de todos os povos.  5. Isto leva-me a afirmar, em ano de celebra\u00e7\u00e3o do 90\u00ba anivers\u00e1rio, que Nossa Senhora de F\u00e1tima veio acordar-nos para aquilo que nos define e toca o nosso cora\u00e7\u00e3o: a nossa identidade crist\u00e3 e a nossa liga\u00e7\u00e3o afectiva a Maria. O saudoso Papa Jo\u00e3o Paulo II, defensor dos migrantes e refugiados, dizia-se \u201ctodo de Maria\u201d. N\u00f3s portugueses afirmamos: <i>Portugal \u00e9 terra de Santa Maria, que significa terra de todos os seus filhos muito amados! <\/i>  Por isso, neste Dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas, a Ela confio todos os portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo &#8211; oriundos do Continente e das Regi\u00f5es Aut\u00f3nomas &#8211; para que vivam muito unidos entre si, continuem a enriquecer a sociedade e a igreja locais com os nossos valores humanistas e crist\u00e3os, e profundamente enraizados na <i>lusitanidade<\/i> que nos faz sentir em casa em qualquer parte do mundo, porque cidad\u00e3os do mundo, peregrinos a caminho da p\u00e1tria universal no C\u00e9u.  Beja, 06 de Junho de 2006 <i>\u2020 Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja<\/I><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana para o dia 10 de Junho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,187,207,237,291,303,314],"class_list":["post-18427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-do-porto","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-refugiados","tag-santuarios","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}