{"id":184223,"date":"2020-09-09T09:00:11","date_gmt":"2020-09-09T08:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=184223"},"modified":"2020-09-07T09:48:04","modified_gmt":"2020-09-07T08:48:04","slug":"saber-aprender-a-ser-paciente-em-tempo-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-ser-paciente-em-tempo-de-pandemia\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A ser paciente em tempo de pandemia"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em maio de 1999, o alpinista Ivan Vallejo subiu pela primeira vez ao Evereste com um colega belga, Pascal. Juntos conseguiram atingir o cume, mas aquando da descida, Pascal n\u00e3o sobreviveu. Em maio de 2002, um companheiro de Ivan, Chris Grasswick, chegou ao topo do Kangchenjunga, nos Himalaias, mas tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu sobreviver na descida. Como diz o alpinista Ed Viesturs, <em>\u00abChegar ao topo \u00e9 opcional. Voltar para baixo \u00e9 obrigat\u00f3rio.\u00bb<\/em> Agora que estamos prestes a entrar num novo ano lectivo, diante de n\u00f3s temos uma descida em rela\u00e7\u00e3o a esta pandemia. O alpinismo ensina-nos a n\u00e3o baixar os bra\u00e7os, a manter a concentra\u00e7\u00e3o, e o Evangelho convida-nos a ser pacientes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_184226\" aria-describedby=\"caption-attachment-184226\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-184226\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/topoMontanha-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184226\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Denys Nevozhai em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>A subida de uma montanha \u00e9 um exerc\u00edcio exigente do ponto de visto f\u00edsico e mental. Mas quando um alpinista chega ao cume, celebra. Por\u00e9m, em lugares onde o sentimento \u00e9 \u00e9pico, como no caso do Evereste, importa estar ciente de que n\u00e3o nos podemos manter muito tempo na <em>\u201dzona da morte\u201d<\/em>, isto \u00e9, acima dos 8000 metros. Por isso, \u00e9 preciso descer, mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a grande em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 subida que, j\u00e1 de si, exigiu muito do nosso esfor\u00e7o. Essa diferen\u00e7a \u00e9 o facto de estarmos cansados e quase esgotados. E aqui est\u00e1 a li\u00e7\u00e3o a aprender para os pr\u00f3ximos tempos de pandemia. Pens\u00e1vamos que o perigo estaria ultrapassado, mas n\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n<p>Depois dos meses de confinamento, e ap\u00f3s termos atingido o pico de infectados com a Covid-19 no m\u00eas de Julho, os n\u00fameros come\u00e7aram a descer. Foi o nosso momento de celebra\u00e7\u00e3o. Sobretudo, regress\u00e1mos \u00e0s Eucaristias presenciais, \u00e0 ocorr\u00eancia de algumas reuni\u00f5es, com menos pessoas, e distanciados por quest\u00f5es de seguran\u00e7a, mas juntos. E isso trouxe-nos uma felicidade imensa que prov\u00e9m da alegria do (re)encontro. Fomos de f\u00e9rias, acolhemos quem vinha de outros pa\u00edses para descansar em Portugal, e isso \u00e9 fundamental para a nossa economia que depende muito do turismo nos \u00faltimos anos. Sentimos ter chegado o momento de sair da nossa <em>\u201dzona da morte.\u201d<\/em> Avisa o alpinista Ivan Vallejo \u2014 <em>\u00abqueridos amigos, n\u00e3o percamos a concentra\u00e7\u00e3o e o cuidado na descida. Que a pressa e o cansa\u00e7o n\u00e3o nos ven\u00e7am. E nos fa\u00e7am perder o que ganh\u00e1mos com tanto esfor\u00e7o.\u00bb<\/em> Pois, o que assistimos n\u00e3o \u00e9 a uma diminui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de novos casos, mas antes um crescimento geral em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa. Espanha j\u00e1 ultrapassou em Setembro, o primeiro pico que teve em Mar\u00e7o, tamb\u00e9m a Fran\u00e7a, e o Reino Unido come\u00e7ou agora a crescer. N\u00e3o foram estes os turistas que vimos a passear em Portugal durante o m\u00eas de Agosto?<\/p>\n<p>Come\u00e7amos j\u00e1 a planear encontros, retiros, e pensamos que o novo ano lectivo permitir\u00e1 voltar \u00e0 normalidade, mas n\u00e3o se verifica isso. Do mesmo modo que muitos alpinistas n\u00e3o sobrevivem \u00e0 descida quando agem com pressa de sair do cume, tamb\u00e9m n\u00f3s podemos ser levados a mais descuidados e a pensar que n\u00e3o haver\u00e1 problema. Temo que o atraso de 15 dias do pico de novos casos que observ\u00e1mos em Abril em rela\u00e7\u00e3o aos outro pa\u00edses, s\u00f3 se sinta \u2014 pela mesma l\u00f3gica \u2014 a partir de 15 de setembro. Isto \u00e9, a partir do momento em que pensamos levar os nossos filhos de regresso \u00e0s aulas. Espero estar enganado, e que as medidas adoptadas sejam suficientes, mas se ao menos adi\u00e1ssemos uma semana tudo o que se pretende come\u00e7ar, e gradualmente fossemos retomando as actividades, talvez fosse melhor para nos mantermos <em>concentrados na descida.<\/em> A virtude em quest\u00e3o no meio de toda esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a da <em>paci\u00eancia<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p>\u00abSede, pois, pacientes, irm\u00e3os, at\u00e9 \u00e0 vinda do Senhor. Vede como o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando com paci\u00eancia que venham as chuvas tempor\u00e3s e as tardias. Tende, tamb\u00e9m v\u00f3s, paci\u00eancia e fortalecei os vossos cora\u00e7\u00f5es, porque a vinda do Senhor est\u00e1 pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>N\u00e3o vos queixeis uns dos outros, irm\u00e3os, para n\u00e3o serdes julgados. Olhai que o Juiz j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 porta. Irm\u00e3os, tomai como modelos de sacrif\u00edcio e de paci\u00eancia os profetas, que falaram em nome do Senhor.<\/p>\n<p>Vede como n\u00f3s proclamamos bem-aventurados aqueles que sofreram com paci\u00eancia; ouvistes falar da paci\u00eancia de Job e vistes o resultado que o Senhor lhe concedeu; porque o Senhor \u00e9 cheio de miseric\u00f3rdia e compassivo.\u00bb (Tg 5, 7-11)<\/p><\/blockquote>\n<p>A vacina n\u00e3o \u00e9 Deus. A \u201cvinda do Senhor\u201d que devemos aguardar com paci\u00eancia por estar pr\u00f3xima \u00e9 a experi\u00eancia de Deus que faremos no reencontro ap\u00f3s ultrapassado o drama humano desta pandemia. Agora \u00e9-nos exigido distanciamento, cuidados redobrados, e muita paci\u00eancia uns com os outros. Enquanto n\u00e3o houver uma vacina, n\u00e3o teremos descido da montanha. Por isso, o sacrif\u00edcio da normalidade anterior \u00e9 para salvaguardar a sa\u00fade dos mais fr\u00e1geis, como os av\u00f3s, os doentes que sabem ter problemas respirat\u00f3rios, mas tamb\u00e9m os que n\u00e3o o sabem, e poder\u00e3o sofrer graves consequ\u00eancias caso viessem a contrair esta doen\u00e7a. O convite de Deus durante esta pandemia \u00e9 claro \u2014 <em>\u00abcom toda a humildade e mansid\u00e3o, com paci\u00eancia: suportando-vos uns aos outros no amor, esfor\u00e7ando-vos por manter a unidade do Esp\u00edrito, mediante o v\u00ednculo da paz.\u00bb<\/em> (Ef 4, 2-3); <em>\u00abSede alegres na esperan\u00e7a, pacientes na tribula\u00e7\u00e3o, perseverantes na ora\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/em> (Rm 12, 12)<\/p>\n<p>Deus pede-nos paci\u00eancia e preseveran\u00e7a na ora\u00e7\u00e3o para vivermos bem, e com alegria, a Sua vontade no momento presente. Ao ver o n\u00famero de infectados a subir em pa\u00edses da Europa que nos est\u00e3o pr\u00f3ximos, creio ser necess\u00e1rio alguma paci\u00eancia e reconhecer que n\u00e3o podemos viver um setembro e outubro como em outros anos. Mas podemos viver mais intensamente a ora\u00e7\u00e3o e a comunh\u00e3o com Deus. N\u00e3o \u00e9 somente a nossa vida que depende disso, mas a de todos os que fazem parte da nossa fam\u00edlia humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-184223","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=184223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184223\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=184223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=184223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=184223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}