{"id":18421,"date":"2006-06-06T12:56:38","date_gmt":"2006-06-06T12:56:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/06\/corpus-christi-entre-o-sagrado-e-o-profano\/"},"modified":"2006-06-06T12:56:38","modified_gmt":"2006-06-06T12:56:38","slug":"corpus-christi-entre-o-sagrado-e-o-profano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/corpus-christi-entre-o-sagrado-e-o-profano\/","title":{"rendered":"Corpus Christi: entre o sagrado e o profano"},"content":{"rendered":"<p>A devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento est\u00e1 na origem de muitas das p\u00e1ginas escritas de interesse religioso, cultural e popular que a Hist\u00f3ria regista no nosso pa\u00eds.  Desde o s\u00e9culo XII, quase n\u00e3o h\u00e1 em Portugal cidade ou lugar com alguma import\u00e2ncia que prescinda da celebra\u00e7\u00e3o da festa do Corpo de Deus, invocadora do &#8220;triunfo do amor de Cristo pelo Sant\u00edssimo Sacramento da Eucaristia&#8221;. Ao longo dos tempos, estes festejos e a prociss\u00e3o que lhes corresponde s\u00e3o dos acontecimentos mais solenes e mais majestosos de quantos se realizam entre n\u00f3s. Olhar para as celebra\u00e7\u00f5es do Corpo de Deus \u00e9 olhar para a hist\u00f3ria de um povo que tem f\u00e9 e tem na devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento uma das refer\u00eancias e um dos sinais mais antigos da sua f\u00e9 crist\u00e3, de tal modo que a devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento pode dizer-se apropriada pelo sentimento do povo portugu\u00eas. Desde a sua origem, a prociss\u00e3o do Corpo de Deus apresentou sempre duas facetas distintas: uma religiosa, outra profana. O esp\u00edrito inventivo nacional cedo introduziu figuras gigantescas &#8211; certamente para dar maior espectacularidade ao desfile: Gigantes, o Dem\u00f3nio, a Serpente e o Drag\u00e3o. &#8220;\u00c9 a mem\u00f3ria do culto e devo\u00e7\u00e3o, de usos e costumes que se intrometeram, de desvarios, abusos e extravag\u00e2ncias, denunciados por alguns mas mantidos, apreciados e at\u00e9 exigidos por muitos para quem, como \u00e9 frequente, vale menos o rigor e a ortodoxia do que a alegria, o entusiasmo, a festa contagiosa, a tradi\u00e7\u00e3o atraente&#8221;, como explicava o Bispo do Porto, D. Armindo Coelho, numa homilia proferida nesta Solenidade. As celebra\u00e7\u00f5es seiscentistas em Penafiel inclu\u00edam a obriga\u00e7\u00e3o de figurarem na prociss\u00e3o, al\u00e9m da nobreza, vinte e duas categorias profissionais, mesmo as mais modestas, como os jornaleiros e pastores. Era tamb\u00e9m obriga\u00e7\u00e3o que os nobres e mercadores se apresentassem no cortejo munidos de tochas, cabendo ainda a estes \u00faltimos, em parceria com os merceeiros, a oferta de um touro.Ainda hoje se mant\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o do cortejo profano, integrado na prociss\u00e3o: terno de clarins a cavalo, ajaezados \u00e0 maneira do s\u00e9culo XV, Bandeira Nacional ladeada por dois lanceiros em grande uniforme; s\u00e9quito de cavalos ajaezados com xair\u00e9is e talizes armoriados. Serpe; Estado de S. Jorge, a cavalo, ladeado por dois criados; pagem a cavalo; Boi Bento; Carro Triunfal com anjinhos e encimado pela Figura da Cidade vestida \u00e0 romana. A figura da Coca (drag\u00e3o) domina as festividades em Mon\u00e7\u00e3o (Minho). Manifesta\u00e7\u00e3o religiosa e popular celebrada, ao que se sup\u00f5e, desde o final do s\u00e9culo XIV, a festa da Coca continua a realizar-se no Dia do Corpo de Deus, com respeito pelas tradi\u00e7\u00f5es que a caracterizam, desde h\u00e1 s\u00e9culos.Pode surpreender o surgimento desta figura grotesca, mas na festa celebra-se o triunfo do amor de Cristo sobre o dem\u00f3nio, a vit\u00f3ria do bem sobre o mal, simbolizada no combate entre S\u00e3o Jorge e o drag\u00e3o (sempre com o primeiro a sair vencedor). Em Nisa (Alto Alentejo) o relevo da festa era enorme no s\u00e9culo XVIII, quando se determinava que &#8220;cada uma das pessoas de cada casa fosse sujeita a incorporar-se no cortejo procession\u00e1rio, assim como os art\u00edfices das v\u00e1rias profiss\u00f5es&#8221;. Os ferreiros traziam a imagem de S\u00e3o Jorge; os sapateiros, barbeiros, alfaiates, tecel\u00f5es, cardadores e moleiros levavam, em andor, a imagem de S\u00e3o Jos\u00e9. A prociss\u00e3o conserva, actualmente, uma dimens\u00e3o significativa, onde desfilam os estandartes das institui\u00e7\u00f5es e colectividades. Como em muitas outras localidades do pa\u00eds, Vila Verde, Concelho de Alij\u00f3, realiza uma majestosa Prociss\u00e3o, com bel\u00edssimos tapetes de flores &#8211; numa alus\u00e3o ao povo de Jerusal\u00e9m, que atapetou seus caminhos com flores e ramos de oliveira para a passagem de Jesus. Semanas antes, crian\u00e7as, jovens, adultos, e mais idosos, iniciam a az\u00e1fama da procura e do corte de flores naturais, pelos campos, quintais e jardins particulares, cujos donos o permitam; amigos e vizinhos colaboram, pedem, colhem e transportam flores. s tapetes de flores n\u00e3o s\u00e3o in\u00e9ditos ou originais de Vila Verde, talvez o que o distinga seja o facto de a aldeia se dividir em dois grupos, um designado &#8220;Capela&#8221; e que ornamenta as ruas da parte da frente da igreja e o outro, o &#8220;Cabo&#8221;, encarregado das ruas traseiras da igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento est\u00e1 na origem de muitas das p\u00e1ginas escritas de interesse religioso, cultural e popular que a Hist\u00f3ria regista no nosso pa\u00eds. Desde o s\u00e9culo XII, quase n\u00e3o h\u00e1 em Portugal cidade ou lugar com alguma import\u00e2ncia que prescinda da celebra\u00e7\u00e3o da festa do Corpo de Deus, invocadora do &#8220;triunfo do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[154,187],"class_list":["post-18421","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-crianca","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18421"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18421\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}