{"id":18387,"date":"2006-06-05T12:11:13","date_gmt":"2006-06-05T12:11:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/05\/cultura-de-vigilancia-para-o-patrimonio-da-igreja\/"},"modified":"2006-06-05T12:11:13","modified_gmt":"2006-06-05T12:11:13","slug":"cultura-de-vigilancia-para-o-patrimonio-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cultura-de-vigilancia-para-o-patrimonio-da-igreja\/","title":{"rendered":"Cultura de vigil\u00e2ncia para o patrim\u00f3nio da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>O Bispo Auxiliar de Braga D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos defendeu, no \u00e2mbito das XII Jornadas do Patrim\u00f3nio Cultural da Arquidiocese de Braga, a necessidade de se criar e promover uma cultura de vigil\u00e2ncia do patrim\u00f3nio da Igreja.  As Jornadas, promovidas pelo Gabinete de Actividades Culturais do Instituto de Hist\u00f3ria e Arte Crist\u00e3 (IHAC) e pelo Instituto Superior de Pol\u00edcia Judici\u00e1ria e Ci\u00eancias Criminais, reuniram cerca de 80 participantes, que ouviram falar sobre o tema \u201cPreven\u00e7\u00e3o criminal e vigil\u00e2ncia em igrejas\u201d.  Segundo o prelado, que preside ao IHAC, esta \u00ab\u00e9 uma convic\u00e7\u00e3o alicer\u00e7ada na base de que toda a comunidade tem que ser vigilante \u00bb. A vigil\u00e2ncia \u00abn\u00e3o \u00e9 uma tarefa de alguns, mas uma consci\u00eancia e um compromisso de todos\u00bb, frisou.  D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos considerou mesmo que ser volunt\u00e1rio vigilante \u00abpode significar e assumir contornos de um novo Minist\u00e9rio de que a Igreja precisa\u00bb. Em sua opini\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio \u00absentir e saber que ao direito \u00e0 frui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio se deve associar o dever da vigil\u00e2ncia. Querer a frui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio sem vigil\u00e2ncia \u00e9 arriscado\u00bb.  De acordo com D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, \u00e9 preciso \u00abassumir a urg\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o da comunidade e das pessoas que velam pelo patrim\u00f3nio\u00bb. \u00abTemos que adquirir a consci\u00eancia que esta forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 acabada e muitas vezes est\u00e1 mal iniciada. Sem forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e f\u00e1cil esta vigil\u00e2ncia e salvaguarda\u00bb, acrescentou.  A prepara\u00e7\u00e3o de vigilantes \u00abexige da Igreja criatividade e paradigmas novos de actua\u00e7\u00e3o\u00bb, acrescentou o presidente do IHAC. A prop\u00f3sito da vigil\u00e2ncia, o respons\u00e1vel pelo Gabinete de Actividades Culturais, c\u00f3nego Jos\u00e9 Paulo Abreu, falou na import\u00e2ncia de se \u00abencontrar uma bolsa de pessoas para garantir a vigil\u00e2ncia\u00bb. \u00abA ideia \u00e9 detectar sensibilidades e tentar que, nas igrejas mais significativas, se encontrem pessoas volunt\u00e1rias \u00bb. P\u00e1rocos ou comiss\u00f5es fabriqueiras podem indicar as pessoas para vigiar as igrejas.  Segundo o c\u00f3nego Jos\u00e9 Paulo Abreu, devem ser seleccionadas, a n\u00edvel de arciprestado, \u00abas igrejas que parecem mais significativas e que devem estar abertas ao p\u00fablico\u00bb. Considerando que devem abrir todas as igrejas Matrizes, de Colegiadas e algumas mais importantes devido \u00e0 riqueza da tra\u00e7a ou do patrim\u00f3nio, o respons\u00e1vel pelo Gabinete de Actividades Culturais aponta para mais de 50 igrejas nestas condi\u00e7\u00f5es em toda a Diocese. A prop\u00f3sito da igreja de S. Paulo (igreja do Semin\u00e1rio de Santiago), o sacerdote disse que espera que ela abra ao p\u00fablico nas condi\u00e7\u00f5es que o projecto \u201cIgreja Segura\u201d estipula, o que implica a exist\u00eancia de sistemas de seguran\u00e7a a funcionar e o templo devidamente restaurado.  O c\u00f3nego Jos\u00e9 Paulo Abreu explicou que falta restaurar o \u00f3rg\u00e3o, os altares e os azulejos. Referindo que abrir as igrejas \u00e9 o objectivo final do \u201cIgreja Segura\u201d, Leonor S\u00e1, conservadora do Museu e Arquivos Hist\u00f3ricos da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, referiu que \u00abmuitas igrejas est\u00e3o encerradas por quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Se as solucionarmos podemos abri-las em hor\u00e1rio alargado\u00bb.  \u00ab\u00c9 de interesse para toda a comunidade que as igrejas abram, sejam usufru\u00eddas e visitadas e sejam um p\u00f3lo dinamizador da sociedade\u00bb, acrescentou. Leonor S\u00e1 explicou que o projecto anda \u00ab\u00e0 volta de tr\u00eas eixos: a exposi\u00e7\u00e3o \u201cSOS Igreja\u201d, para informar e sensibilizar, o trabalho no terreno ao n\u00edvel das igrejas- piloto, nomeadamente na igreja de S. Paulo, e a forma\u00e7\u00e3o\u00bb. A este prop\u00f3sito, disse que, no \u00e2mbito do \u201cIgreja Segura\u201d, se pretende criar um novo modelo de forma\u00e7\u00e3o de formadores. Actualmente existe uma pequena equipa para milhares de igrejas, mas com o alargamento \u00abtemos possibilidade de atingir um maior n\u00famero de pessoas\u00bb.   <b>Invent\u00e1rio<\/b> Considerando que \u00abo invent\u00e1rio \u00e9 a pedra basilar de toda a seguran\u00e7a \u2013 se n\u00e3o soubermos o que temos na igrejas, como sabemos o que proteger? \u2013 Leonor S\u00e1 disse que existe um problema que \u00e9 a aus\u00eancia de invent\u00e1rio nas igrejas portuguesas.  A prop\u00f3sito deste assunto, o c\u00f3nego Jos\u00e9 Paulo Abreu referiu que o invent\u00e1rio \u00abest\u00e1 por fazer em quase todas as par\u00f3quias \u00bb. A sua elabora\u00e7\u00e3o \u00abexige conhecimentos t\u00e9cnicos que os p\u00e1rocos n\u00e3o t\u00eam nem s\u00e3o obrigados a ter\u00bb, nomeadamente peritos nas \u00e1reas de ourivesaria, t\u00eaxtil, pintura e escultura, acarreta \u00abcustos elevados e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com parcerias\u00bb.  Famalic\u00e3o foi um exemplo de colabora\u00e7\u00e3o neste campo apontado pelo sacerdote. Segundo o respons\u00e1vel pelo Gabinete de Actividades Culturais, a Diocese de Braga apresentou uma candidatura \u00abque envolve entidades que possuem quadros t\u00e9cnicos. Sem parcerias de trabalho, \u00e9 imposs\u00edvel \u00e0 Igreja fazer os invent\u00e1rios\u00bb. \u00abNo Museu Pio XII vamos ter uma base de dados do invent\u00e1rio da Diocese\u00bb, afirmou, acrescentando que \u00abfalta muitas vezes que os pr\u00e9-invent\u00e1rios paroquiais tenham resson\u00e2ncia neste invent\u00e1rio da Diocese\u00bb.  Apesar da inexist\u00eancia de invent\u00e1rios, o c\u00f3nego Jos\u00e9 Paulo Abreu reconheceu que na maioria das par\u00f3quias da Diocese de Braga j\u00e1 existem pr\u00e9-invent\u00e1rios, \u00abque n\u00e3o exigem requisitos t\u00e9cnicos muito fortes e permitem recuperar as pe\u00e7as se elas s\u00e3o furtadas \u00bb. Essa informa\u00e7\u00e3o, pedida aos p\u00e1rocos h\u00e1 alguns anos, tem \u00abindica\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias sobre o im\u00f3vel e o recheio m\u00f3vel\u00bb.  Lembrando que a manuten\u00e7\u00e3o do que existe no interior dos templos \u00abcusta imenso\u00bb, o c\u00f3nego Jos\u00e9 Paulo Abreu n\u00e3o excluiu a possibilidade de um dia se poder vir a pagar a entrada em determinados templos fora do hor\u00e1rio de culto. \u00abQuem tem esp\u00f3lio tem que criar condi\u00e7\u00f5es para o manter \u00bb, frisou.  Segundo o sacerdote, nas igrejas bracarenses \u00abcontinua a haver furtos de pequenas pe\u00e7as e de material nobre\u00bb, nomeadamente de objectos em ouro e em prata. Muitos materiais s\u00e3o fundidos para despistar as autoridades.  A prop\u00f3sito de se fazerem c\u00f3pias de pe\u00e7as que v\u00e3o para restauro e que s\u00e3o entregues em vez das originais, o c\u00f3nego Jos\u00e9 Paulo Abreu disse que \u00abquando uma pe\u00e7a vai para restaurar, deve haver uma marca discreta num s\u00edtio escondido da pe\u00e7a\u00bb. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Bispo Auxiliar de Braga D. 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