{"id":183775,"date":"2020-08-31T19:04:04","date_gmt":"2020-08-31T18:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=183775"},"modified":"2020-08-31T19:04:37","modified_gmt":"2020-08-31T18:04:37","slug":"lusofonias-os-fragmentos-do-p-joao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-os-fragmentos-do-p-joao\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Os \u2018Fragmentos\u2019 do P. Jo\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Braga<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/PJoaoAguiar2020.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-183777 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/PJoaoAguiar2020-347x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/PJoaoAguiar2020-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/PJoaoAguiar2020-510x382.jpeg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/PJoaoAguiar2020-480x360.jpeg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/PJoaoAguiar2020.jpeg 640w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a>\u00c9 um prazer escuta-lo, maior ainda estar com ele. O P. Jo\u00e3o Aguiar Campos, jornalista de longa experi\u00eancia, vive com paix\u00e3o e com humor. Percebemos isto ao l\u00ea-lo, ao escut\u00e1-lo ou ao partilhar um almo\u00e7o em que os vizinhos de mesa se espantam com tanta gargalhada.<\/p>\n<p>Director do Di\u00e1rio do Minho e Professor de Jornalismo na Faculdade de Teologia em\u00a0 Braga, depois Presidente do Conselho de Ger\u00eancia da R\u00e1dio Renascen\u00e7a e Director do Secretariado das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais em Lisboa, o P. Jo\u00e3o \u00e9 um comunicador nato, culto e feliz. Publicou v\u00e1rios livros em que junta cr\u00f3nicas e at\u00e9 um romance cujo t\u00edtulo tem assustado muita gente: \u2018Morri ontem\u2019.\u00a0 Acabam de ser impressos os \u2018Fragmentos\u2019 que li em dois dias, quase sem perder o f\u00f4lego. Por isso, vou apresentar alguns \u2018recortes\u2019 destes \u2018Fragmentos\u2019 com que ele vai recortando os fios dos dias.<\/p>\n<p>O P. Jo\u00e3o Aguiar teve de deixar, prematuramente, as suas responsabilidades na RR por raz\u00f5es oncol\u00f3gicas. A sua fragilidade tem-se transformado em for\u00e7a e \u00e9 sempre com humor que conta as \u00faltimas tentativas do seu cancro o arrumar. Ele tem explicado ao seu \u2018inquilino que n\u00e3o paga renda\u2019 o seguinte: \u2018sou eu que tenho um cancro, n\u00e3o \u00e9 o cancro que me tem a mim!\u2019.\u00a0 Grande ideia a copiar!<\/p>\n<p>Voltemos aos \u2018Fragmentos\u2019: s\u00e3o 332 curtas reflex\u00f5es, a come\u00e7ar pelas \u2018Janelas\u2019 (1-208), a continuar pelos \u2018S\u00edtios\u2019 (209-229), pelas \u2018Brisas\u2019 (230-277) e a concluir com \u2018Paz\u2019 (278-332). Ouso recortar e sublinhar:\u00a0 <em>\u2018Encanta-me a palavra \u2018amor\u2019. Gosto de ouvi-la e escrev\u00ea-la transparente, como resumo inteiro que torna sup\u00e9rfluos os discursos e n\u00e3o se corrompe na espera. Ali\u00e1s, s\u00f3 inteira e limpa tem h\u00e1lito de mel \u2018(2). <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u2018Gosto de rezar descal\u00e7o. Descal\u00e7o, parece que o ch\u00e3o reza comigo\u2019 (10).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Um sorriso que entra nos olhos, faz-nos bem: por menores que sejam as frestas, d\u00e3o-nos luz\u2019 (16).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018\u00c0s vezes, at\u00e9 o nosso nome risca dolorosamente o sil\u00eancio. Sim, o sil\u00eancio desses dias em que andamos a apanhar cacos dentro de n\u00f3s. H\u00e1, no entanto, uma oficina de servi\u00e7o permanente. Anotem: fica na Travessa dos Humildes, ali na esquina com a Avenida da Miseric\u00f3rdia\u2019 (27).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018N\u00e3o gosto da perguntas insensatas que querem espremer o lamento ou a raiva e tudo repetem e repetem, calcando e recalcando a alma mo\u00edda. As dores ouvem-se de cora\u00e7\u00e3o ajoelhado\u2019 (36).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018H\u00e1 tantas perguntas \u00e0 espera nas esquinas! Vamos, tranquilos, na rua das certezas e, de repente, desprendem-se ou atravessam-se interroga\u00e7\u00f5es. As perguntas s\u00e3o como as surpresas do vento que desalinha as ideias penteadas do sossego\u2019 (42).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u2018Entre o \u2018n\u00e3o posso mais\u2019 e o \u2018tem que ser\u2019 h\u00e1 espa\u00e7o para o \u2018d\u00e1-me a tua m\u00e3o\u2019 e o \u2018precisas de alguma coisa?\u2019 (47).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u2018Esta \u00e2nsia de \u2018ir a todas\u2019, como se o \u00eaxito se medisse pelos s\u00edtios visitados, pode matar-nos. H\u00e1 o perigo de ir e n\u00e3o estar; passar e n\u00e3o deixar marcas\u2019(70).<\/em><\/p>\n<p><em>Quero confessar uma coisa: mais do que estar bem, quero estar de bem!&#8230; Sim, de bem com Deus, com os outros e comigo (72).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018O risco das palavras adiadas \u00e9 o de se estragarem depressa; muito mais que a comida fora do frigor\u00edfico em dia de calor\u2019 (77).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u2018A vida dos que amamos e nos amaram n\u00e3o morre: amadurecida, est\u00e1 nas m\u00e3os de Deus\u2019 (91).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u2018A estrada dobra-se onde os olhos acabam. Mas n\u00e3o termina ali; termina num ali bastante mais longe. \u00c9 desse lugar sem s\u00edtio que somos buscadores\u2019 (117).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018N\u00e3o deixarei que se fechem as portas do espanto depois de cada curva: o futuro faz-me tanta falta como o ontem. Sei que morrerei na viagem (todos morremos em viagem\u2026). Mas quero caminhar\u2019 (126).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Mas que \u00e9 o caminho sem as dores do peregrino e as l\u00e1grimas do seu amor?\u2019(129).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018\u00c9 f\u00e1cil denunciar a fome. Dif\u00edcil \u00e9 p\u00f4r um prato na mesa, partilhar, prescindir do que acumulamos e dar o que somos\u2019 (131).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Os frios maiores deste tempo, paradoxalmente em aquecimento global, v\u00eam do arrefecimento dos afectos que as amizades sociais n\u00e3o evitam\u2019 (132).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u2018Os milagres narrados nos Evangelhos nunca foram feitos em dias de fartura\u2026Demos o que somos. Tanto chega para que haja milagre!&#8230;\u2019 (142).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Continuarei, enquanto Deus quiser, a passar devagar. Ainda que cada vez mais devagar\u2019 (165).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Cabemos todos no mesmo sonho, se quisermos sonhar juntos\u2019 (182).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Curar o v\u00edrus da indiferen\u00e7a est\u00e1 nas nossas m\u00e3os. Ao menos para j\u00e1\u2026\u2019 (188).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018O c\u00e9u \u00e9, certeza certezinha, o jardim eterno de todas as cores!\u2019 (197).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018N\u00e3o h\u00e1 vento, mas hoje rangem (me) as ra\u00edzes. N\u00e3o, n\u00e3o sou pessimista. N\u00e3o vou cair..\u2019(207).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u2018Para mim \u00e9 na esperan\u00e7a que come\u00e7a o abeced\u00e1rio!&#8230;\u2019 (246).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u2018H\u00e1 um caminho a percorrer. Um caminho que n\u00e3o trilhamos s\u00f3s. Por isso n\u00e3o desisto. Nem de mim nem dos outros!&#8230;.\u2019 (280).<\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Um dia voarei o \u00faltimo voo\u2019 (332).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Obrigado, Jo\u00e3o, continua a inspirar-nos e a provocar-nos! A tua aparente fragilidade \u00e9 uma for\u00e7a capaz de derrubar montanhas.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-183775-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/lusofonias-fragmentos-31-8-2020.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/lusofonias-fragmentos-31-8-2020.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/lusofonias-fragmentos-31-8-2020.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-183775","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183775","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183775"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183775\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}