{"id":18359,"date":"2006-06-02T15:51:32","date_gmt":"2006-06-02T15:51:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/06\/02\/a-caridade-alma-da-missao\/"},"modified":"2006-06-02T15:51:32","modified_gmt":"2006-06-02T15:51:32","slug":"a-caridade-alma-da-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-caridade-alma-da-missao\/","title":{"rendered":"<i>A caridade, alma da miss\u00e3o<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Miss\u00f5es 2006 <!--more--> Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s! 1. O Dia Mundial das Miss\u00f5es, que celebramos no Domingo, dia 22 de Outubro, oferece a oportunidade de reflectir, este ano, sobre o tema: \u201cA caridade, alma da miss\u00e3o\u201d. Quando a miss\u00e3o n\u00e3o se orienta para a caridade, quando n\u00e3o prov\u00e9m de um profundo gesto de amor divino, corre o risco de reduzir-se a uma simples actividade filantr\u00f3pica e social. De facto, o amor que Deus nutre por cada pessoa constitui o cora\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia e do an\u00fancio do Evangelho, e aqueles que o acolhem, tornam-se, por sua vez, testemunhas. O amor de Deus que d\u00e1 vida ao mundo \u00e9 o amor que nos foi doado em Jesus, Palavra da salva\u00e7\u00e3o, imagem perfeita da miseric\u00f3rdia de Deus Pai. Por conseguinte, a mensagem salv\u00edfica pode-se bem sintetizar nas palavras do evangelista Jo\u00e3o: \u201cNisto se manifestou o amor de Deus para connosco: em ter enviado ao mundo o seu Filho \u00fanico, para que vivamos por Ele.&#8221; (1 Jo 4,9). O mandato de difundir o an\u00fancio deste amor foi confiado por Jesus aos Ap\u00f3stolos depois da sua ressurrei\u00e7\u00e3o, e os Ap\u00f3stolos, interiormente transformados gra\u00e7as ao poder do Esp\u00edrito Santo, no dia de Pentecostes, come\u00e7aram a dar testemunho do Senhor, morto e ressuscitado. Desde ent\u00e3o, a Igreja continua esta mesma miss\u00e3o, que constitui, para todos os fi\u00e9is, um compromisso irrenunci\u00e1vel e permanente.   2. Desta forma, toda a comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a fazer conhecer Deus, que \u00e9 Amor. Quis concentrar a minha reflex\u00e3o sobre este mist\u00e9rio fundamental de nossa f\u00e9 na Enc\u00edclica &#8220;Deus caritas est\u201d. Deus permeia com seu amor toda a cria\u00e7\u00e3o e a hist\u00f3ria humana. Nas origens, o homem emergiu das m\u00e3os do Criador como fruto de uma iniciativa de amor. Depois, o pecado ofuscou nele a marca divina. Enganados pelo maligno, os progenitores Ad\u00e3o e Eva n\u00e3o corresponderam \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com o seu Senhor, cedendo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do maligno, que os levou a suspeitar que Ele fosse um rival e quisesse limitar a sua liberdade. Assim, ao amor gratuito divino, preferiram-se a si mesmos, querendo afirmar, desta forma, o seu livre arb\u00edtrio. A consequ\u00eancia foi que acabaram por perder a felicidade original, experimentando a amargura da tristeza do pecado e da morte. Deus, por\u00e9m, n\u00e3o os abandonou, e prometeu-lhes, a salva\u00e7\u00e3o, a eles e aos seus descendentes, preanunciando o envio de seu Filho unig\u00e9nito, Jesus, que revelaria, na plenitude dos tempos, o seu amor de Pai, um amor capaz de resgatar toda a criatura humana da escravid\u00e3o do mal e da morte. Em Cristo, portanto, nos foi comunicada a vida imortal, a pr\u00f3pria vida da Trindade. Gra\u00e7as a Cristo, bom Pastor que n\u00e3o abandona a ovelha perdida, foi dada a possibilidade aos homens, de todos os tempos, de entrar em comunh\u00e3o com Deus, Pai misericordioso, pronto para acolher novamente em casa o filho pr\u00f3digo. A Cruz \u00e9 um sinal surpreendente deste amor. Na sua morte de cruz &#8211; como escrevi na Enc\u00edclica Deus caritas est \u2013 \u201ccumpre-se aquele virar-se de Deus contra Si pr\u00f3prio, com o qual Ele Se entrega para levantar o homem e salv\u00e1-lo &#8211; o amor na sua forma mais radical. \u00c9 l\u00e1 que esta verdade pode ser contemplada. E come\u00e7ando de l\u00e1, pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o crist\u00e3o encontra o caminho do seu viver e amar\u201d (n. 12).  3. Na v\u00e9spera de sua paix\u00e3o, Jesus deixou como testamento aos disc\u00edpulos, reunidos no Cen\u00e1culo para celebrar a P\u00e1scoa, o \u201cmandamento novo do amor &#8211; mandatum novum\u201d: \u201cO que vos mando \u00e9 que vos ameis uns aos outros\u201d (Jo 15,17). O amor fraterno que o Senhor pede a seus \u201camigos\u201d brota do amor paterno de Deus. O ap\u00f3stolo Jo\u00e3o observa: \u201cQuem ama nasce de Deus e conhece a Deus\u201d (1 Jo 4,7). Assim, para amar segundo Deus \u00e9 preciso viver n\u2019Ele e d\u2019Ele: Deus \u00e9 a primeira \u201ccasa\u201d do homem e s\u00f3 quem n\u2019Ele se demora arde com o fogo da divina caridade capaz de \u201cincendiar\u201d o mundo. N\u00e3o \u00e9 esta a miss\u00e3o da Igreja, em todos os tempos? Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender que a aut\u00eantica solicitude mission\u00e1ria, compromisso prim\u00e1rio da Comunidade eclesial, est\u00e1 ligada \u00e0 fidelidade ao amor divino, e isso vale para todos os crist\u00e3os, comunidades locais, Igrejas particulares e todo o povo de Deus. Gra\u00e7as \u00e0 consci\u00eancia desta miss\u00e3o comum, refor\u00e7a-se a disponibilidade dos disc\u00edpulos de Cristo em realizar obras de promo\u00e7\u00e3o humana e espiritual que, como escrevia o amado Jo\u00e3o Paulo II na Enc\u00edclica Redemptoris missio, \u201ctestemunham a alma de toda a actividade mission\u00e1ria: o amor que \u00e9 e permanece o verdadeiro motor da miss\u00e3o, constituindo tamb\u00e9m o \u00fanico crit\u00e9rio pelo qual tudo deve ser feito ou deixado de fazer, mudado ou mantido. \u00c9 o princ\u00edpio que deve dirigir cada ac\u00e7\u00e3o, e o fim para o qual se deve tender. Agindo na perspectiva da caridade ou inspirados pela caridade, nada \u00e9 impr\u00f3prio, e tudo \u00e9 bom\u201d (n. 60). Assim, ser mission\u00e1rios significa amar Deus com todo o nosso ser, at\u00e9, se necess\u00e1rio, dar a vida por Ele. Quantos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, tamb\u00e9m nestes nossos tempos, Lhe renderam o supremo testemunho de amor com o mart\u00edrio! Ser mission\u00e1rios significa inclinar-se, como o bom Samaritano, \u00e0s necessidades de todos, especialmente dos mais pobres e carenciados, pois quem ama com o cora\u00e7\u00e3o de Cristo n\u00e3o busca o pr\u00f3prio interesse, mas unicamente a gl\u00f3ria do Pai e o bem do pr\u00f3ximo. Aqui reside o segredo da fecundidade apost\u00f3lica da ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, que ultrapassa fronteiras e culturas, alcan\u00e7a os povos e se difunde at\u00e9 aos confins do mundo.  4. Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, que o Dia Mundial das Miss\u00f5es seja uma \u00fatil ocasi\u00e3o para compreender sempre melhor que o testemunhar o amor, alma da miss\u00e3o, \u00e9 para todos. De facto, servir o Evangelho n\u00e3o deve ser considerado uma aventura solit\u00e1ria, mas um compromisso compartilhado por todas as comunidades. Ao lado daqueles que est\u00e3o na linha da frente, nas fronteiras da evangeliza\u00e7\u00e3o \u2013 refiro-me, agradecido, aos mission\u00e1rios e mission\u00e1rias \u2013 muitos outros, crian\u00e7as, jovens e adultos, com sua ora\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o, contribuem, atrav\u00e9s de v\u00e1rias formas, para a difus\u00e3o do Reino de Deus na terra. Fa\u00e7o votos para que esta comparticipa\u00e7\u00e3o aumente sempre, gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de todos. Aproveito, com prazer, esta circunst\u00e2ncia para manifestar a minha gratid\u00e3o \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para a Evangeliza\u00e7\u00e3o dos Povos e \u00e0s Obras Mission\u00e1rias Pontif\u00edcias [OO.MM.PP.], que coordenam, com dedica\u00e7\u00e3o, os esfor\u00e7os realizados em todo o mundo, em prol da ac\u00e7\u00e3o daqueles que est\u00e3o na linha da frente em situa\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias. Que a Virgem Maria, que com sua presen\u00e7a junto \u00e0 Cruz e sua ora\u00e7\u00e3o no cen\u00e1culo colaborou activamente no in\u00edcio da miss\u00e3o eclesial, sustente a sua ac\u00e7\u00e3o e ajude os fi\u00e9is em Cristo a serem sempre mais capazes de amar verdadeiramente, para que, num mundo espiritualmente sedento, se tornem fonte de \u00e1gua viva. Formulo estes votos do fundo do cora\u00e7\u00e3o, enquanto envio a todos a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o.  Vaticano, 29 de Abril de 2006<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Miss\u00f5es 2006<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,154,237,261,275],"class_list":["post-18359","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-crianca","tag-joao-paulo-ii","tag-missoes","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18359"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18359\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}