{"id":183416,"date":"2020-08-19T11:31:41","date_gmt":"2020-08-19T10:31:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=183416"},"modified":"2020-08-19T11:31:41","modified_gmt":"2020-08-19T10:31:41","slug":"saber-aprender-deus-e-a-imaginacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-deus-e-a-imaginacao\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; Deus e a Imagina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Uma das brincadeiras mais profundas do que poder\u00edamos pensar que as crian\u00e7as fazem \u00e9 olhar para as nuvens e imaginar formas. A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma capacidade humana \u00fanica e a mais pr\u00f3xima da cria\u00e7\u00e3o a partir do nada. Que influ\u00eancia tem a imagina\u00e7\u00e3o na leitura dos sinais dos tempos e aprofundamento da rela\u00e7\u00e3o com Deus?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-183417\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NuvensImaginacao-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 1993, o designer Charlie Magee foi convidado a falar \u00e0 CIA, inesperadamente, e escreveu o texto onde pela primeira vez se usa a express\u00e3o: <em>Era da Imagina\u00e7\u00e3o<\/em>. A primeira observa\u00e7\u00e3o que faz \u00e9 a de que a economia tem sido a met\u00e1fora mais usada na base de muitas das decis\u00f5es, mas questiona isso. Ele afirma ser necess\u00e1rio uma met\u00e1fora maior e sugere a <em>comunica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Do ponto de vista da comunica\u00e7\u00e3o como met\u00e1fora para evolu\u00e7\u00e3o humana, os que sobrevivem s\u00e3o os <em>comunicadores<\/em> mais aptos. Algo que podemos compreender melhor hoje do que Magee em 1993, da\u00ed o car\u00e1cter vision\u00e1rio do seu texto. Mas algu\u00e9m poderia questionar esta ideia dizendo que a sobreviv\u00eancia na base da economia \u00e9 uma decis\u00e3o que questiona a met\u00e1fora da comunica\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, Magee rebate chamando a aten\u00e7\u00e3o de que o odor do animal transportado pela brisa <em>comunica<\/em> a sua direc\u00e7\u00e3o e, por isso, ele sobrevive. Deste modo, os grupos que mais sobreviveram na hist\u00f3ria humana seriam os possu\u00edrem o melhor sistema de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se uma grande parte das pessoas tem acesso a informa\u00e7\u00e3o de elevada qualidade, e uma maior capacidade de transformar essa informa\u00e7\u00e3o em conhecimento e ac\u00e7\u00e3o, segundo Magee, gozam de maior liberdade em comunicar esse novo conhecimento a outros membros do seu grupo. Mas o que controla melhor as ferramentas de informa\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a imagina\u00e7\u00e3o humana?<\/p>\n<p>As ferramentas que temos hoje \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o para transmitir informa\u00e7\u00e3o levaram d\u00e9cadas a construir, mas na Era da Imagina\u00e7\u00e3o prev\u00ea-se que a velocidade de comunicar aumente consideravelmente. Quais, ent\u00e3o, os limites para a imagina\u00e7\u00e3o? De facto, n\u00e3o h\u00e1 outro limite sen\u00e3o aquele que impomos a n\u00f3s mesmos. E se a imagina\u00e7\u00e3o pode ser usada para o bem da humanidade, tamb\u00e9m pode acontecer o contr\u00e1rio. Como nos podemos preparar para a Era da Imagina\u00e7\u00e3o que se entrev\u00ea nos sinais dos tempos? O passo mais importante identificado por Magee \u00e9 <em>aprender a aprender.<\/em><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o que as nossas crian\u00e7as recebem na escola ainda est\u00e1 muito relacionada com a memoriza\u00e7\u00e3o de factos. Juntamente com a expans\u00e3o do mundo digital, investir em memoriza\u00e7\u00e3o controlando os conte\u00fados a aprender, mais dif\u00edcil torna o desenvolvimento de capacidades como a de imaginar formas nas nuvens. Aprender a aprender implica um sentido saud\u00e1vel de curiosidade insaci\u00e1vel. Algo fundamental para aprender a ler os sinais os tempos.<\/p>\n<p>No momento actual da nossa hist\u00f3ria, a maior parte da humanidade conectada online tem acesso a um mar imenso de informa\u00e7\u00e3o, mas o facto desse aumentar exponencialmente, de dia para dia, o benef\u00edcio desse acesso deixa de existir por n\u00e3o sabermos o que fazer com tanta informa\u00e7\u00e3o. Precisamos da imagina\u00e7\u00e3o. Essa permite identificar os padr\u00f5es quando libertamos a mente daquilo que \u00e9 suposto para pensar o que n\u00e3o \u00e9 suposto. Uma mente imaginativa \u00e9 livre, usa todos os sentidos, e n\u00e3o se inibe de pensar o impens\u00e1vel, isto \u00e9, de imaginar e criar \u2014 por assim dizer \u2014 a partir do nada.<\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9, talvez, o acto humano mais pr\u00f3ximo do acto criativo de Deus. Quando imaginamos, a nossa mente abre-se \u00e0 possibilidade do imposs\u00edvel, sente que pensa o que n\u00e3o existe ainda, e o efeito de uma mente totalmente aberta e desapegada das ideias estabelecidas pode abrir-se a uma comunica\u00e7\u00e3o profunda e inesperada. Em particular, a comunica\u00e7\u00e3o que prov\u00e9m de um relacionamento mais profundo com Deus. Ali\u00e1s, foi essa a intui\u00e7\u00e3o de Santo In\u00e1cio de Loyola com os seus exerc\u00edcios espirituais na segunda semana.<\/p>\n<p>Santo In\u00e1cio ensina que a nossa imagina\u00e7\u00e3o pode ajudar-nos a rezar quando usamos os nossos sentidos. A medita\u00e7\u00e3o na Espiritualidade Inaciana n\u00e3o pretende tanto libertar a nossa mente quanto atrair-nos \u00e0 Boa Nova do Evangelho atrav\u00e9s das hist\u00f3rias e dos sentidos. Na segunda semana, quando Santo In\u00e1cio nos convida a meditar sobre a Encarna\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da <em>ora\u00e7\u00e3o imaginativa<\/em>, podemos entender como aprofundar melhor o relacionamento com Deus sob a perspectiva da imagina\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 um passo essencial: procurar ter, na medida das nossas possibilidades, o olhar de Deus.<\/p>\n<p>Fazendo uma adapta\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas exerc\u00edcios no sentido de explorar a vertente da imagina\u00e7\u00e3o no aprofundamento do nosso relacionamento com Deus, dir-se-ia que:<\/p>\n<ol>\n<li><em>Deus v\u00ea tudo.<\/em> O planeta com a diversidade de cores, seres, e din\u00e2micas. A diversidade de pessoas, de situa\u00e7\u00f5es que vivem, de sentimentos e estados de vida. Deus v\u00ea tudo, tal qual as coisas s\u00e3o, porque as v\u00ea como um todo a partir do seu \u00edntimo. Tamb\u00e9m n\u00f3s podemos procurar ter uma vis\u00e3o global de tudo sem julgar, ou analisar, e, simplesmente, acolher o vemos, imaginando o que sente Deus.<\/li>\n<li><em>Deus escuta tudo.<\/em> Quando passamos pela rua, ou vemos algum programa atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, podemos escutar o que as pessoas est\u00e3o a dizer. N\u00e3o importa se concordamos, ou n\u00e3o; se o que dizem est\u00e1 correcto ou n\u00e3o; se usam palavras de respeito, ou n\u00e3o; escutar tudo sem filtros, imaginando como Deus o faria.<\/li>\n<li><em>Deus observa tudo.<\/em> Uma coisa \u00e9 a vis\u00e3o do todo, como no primeiro exerc\u00edcio adaptado, mas outra coisa \u00e9 observar o detalhe. O acto de cada pessoa, o tipo de gesto e imaginar como poder\u00e1 Deus sentir a ac\u00e7\u00e3o de cada pessoa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Nestes per\u00edodos de f\u00e9rias, em que muitos est\u00e3o em modo de descanso e os compromissos pesam menos, talvez fosse o tempo adequado para pensar sobre esta capacidade humana de imaginar. Ali\u00e1s, n\u00e3o poderia toda a nossa vida ser sinal e reflexo de uma ora\u00e7\u00e3o imaginativa? Se pensarmos na imagina\u00e7\u00e3o como um modo de nos reinventarmos, descobrir\u00edamos o tempo certo de entrar na Era da Imagina\u00e7\u00e3o, onde a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a ess\u00eancia de comunicar \u00e9 entrar em comunh\u00e3o com os outros, com a natureza e com Deus. Por isso, de certo modo, a comunh\u00e3o \u00e9 uma chave de leitura dos sinais dos tempos que pode, tamb\u00e9m, despertar a nossa imagina\u00e7\u00e3o. Um despertar que nos abre para as realidades escondidas que um relacionamento mais profundo com Deus pode, criativamente, revelar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-183416","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183416\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}