{"id":18309,"date":"2006-05-31T11:30:40","date_gmt":"2006-05-31T11:30:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/31\/pentecostes-a-festa-dos-povos-2\/"},"modified":"2006-05-31T11:30:40","modified_gmt":"2006-05-31T11:30:40","slug":"pentecostes-a-festa-dos-povos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pentecostes-a-festa-dos-povos-2\/","title":{"rendered":"Pentecostes: a festa dos povos"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Bispo de Angra sobre o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio <!--more--> \u00abN\u00e3o fa\u00e7as a ningu\u00e9m o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am\u00bb (Tb 4, 15)!  Os acontecimentos no Canad\u00e1, que tiveram como protagonistas emigrantes portugueses, vieram reavivar a mem\u00f3ria da experi\u00eancia migrat\u00f3ria, que marca a nossa hist\u00f3ria. Primeiro fomos n\u00f3s, que procur\u00e1mos longe da p\u00e1tria melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Hoje, s\u00e3o outros povos que escolhem a nossa Regi\u00e3o, para concretizar o sonho de uma vida melhor. Quase nem damos por eles. Por um lado, isso pode ser o sinal de progressiva integra\u00e7\u00e3o, que se vai realizando sem grandes sobressaltos. Mas, por outro, esperemos que isso n\u00e3o signifique indiferen\u00e7a diante de dramas humanos, que se passam portas adentro, sem nos apercebermos.  A Festa dos Povos, que celebramos todos os anos em Pentecostes, \u00e9 um momento oportuno para despertamos para a realidade hodierna, n\u00e3o s\u00f3 do fen\u00f3meno da mobilidade humana em geral, mas, sobretudo, para a presen\u00e7a, na nossa sociedade, de numerosos trabalhadores estrangeiros. As estat\u00edsticas apontam para cerca de 5.200 imigrantes nos A\u00e7ores: 4, 6% da popula\u00e7\u00e3o activa.  N\u00e3o fa\u00e7as a ningu\u00e9m o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am! Assim concretiza a B\u00edblia o mandamento do amor para com o pr\u00f3ximo. Sensibilizou-nos sobremaneira a sa\u00edda for\u00e7ada de compatriotas nossos do Canad\u00e1, que, de um momento para o outro, viram desfeitos os seus sonhos e projectos de futuro, constru\u00eddos com tantos sacrif\u00edcios. Fic\u00e1mos indignados com a falta de cumprimento de expectativas criadas. Chocou-nos a explora\u00e7\u00e3o da boa f\u00e9 e de algum desamparo.  Isso \u00e9 o p\u00e3o-nosso de cada dia da realidade migrat\u00f3ria, dentro e al\u00e9m fronteiras. Celebrar o Dia Diocesano do Imigrante constitui um apelo \u00e0s comunidades, no sentido de fazerem um exame de consci\u00eancia sobre a maneira como tratam os imigrantes presentes no seu seio. N\u00e3o fa\u00e7as a ningu\u00e9m o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am! Como clamamos por sentido de humanidade para os nossos l\u00e1 fora, temos de ver como \u00e9 que vai o nosso sentido de humanidade e de justi\u00e7a para com os trabalhadores estrangeiros, que est\u00e3o a contribuir para o nosso bem-estar. Isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o do Governo, com a sua actua\u00e7\u00e3o, nem simplesmente da Assembleia da Rep\u00fablica, com a legisla\u00e7\u00e3o, que tem de promover. Toca tamb\u00e9m \u2013 e como! &#8211; \u00e0s comunidades crist\u00e3s, mais pr\u00f3ximas das pessoas, com o seus problemas e dificuldades. \u00c9 aqui, no terreno, na vida do dia-a-dia, que se deve ver se estamos a tratar os outros \u2013 o outro, o estrangeiro, o diferente \u2013 como desejar\u00edamos que nos tratassem a n\u00f3s ou aos nossos.  Esta celebra\u00e7\u00e3o do Dia Diocesano do Imigrante tem como objectivo, precisamente, levar para o terreno as declara\u00e7\u00f5es de princ\u00edpios e de boas inten\u00e7\u00f5es, as promessas de acolhimento e de apoio. Para al\u00e9m de iniciativas pontuais, trata-se de promover e consolidar a viv\u00eancia quotidiana da abertura e do interc\u00e2mbio, da assist\u00eancia e da integra\u00e7\u00e3o.  \u00c9 evidente que estamos todos interessados na regulariza\u00e7\u00e3o \u2013 duma e doutra parte &#8211; at\u00e9 mesmo, para que n\u00e3o haja explora\u00e7\u00e3o, na origem e no destino. A Lei da Nacionalidade vem de algum modo facilitar a legaliza\u00e7\u00e3o. Mas, \u00e0s vezes, os imigrantes v\u00eaem-se enleados em teias processuais, que lhes criam dificuldades de toda a ordem. Para al\u00e9m do resto, uma das grandes ajudas que lhes podemos dar \u00e9 o apoio jur\u00eddico. \u00c9 tamb\u00e9m \u00f3ptimo caminho de integra\u00e7\u00e3o, no respeito e promo\u00e7\u00e3o da cultura dos imigrantes, o espa\u00e7o e o apoio, que se d\u00e1 \u00e0s associa\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, que se v\u00e3o formando e vingando. Isso \u00e9 sinal de que os imigrantes se v\u00e3o tornando cidad\u00e3os de pleno direito, com estruturas pr\u00f3prias de defesa e promo\u00e7\u00e3o da identidade e diversidade culturais.  Integrando-os, n\u00f3s n\u00e3o os queremos \u00abassimilar\u00bb. Queremos que sejam parceiros, com o seu lugar pr\u00f3prio na comunidade, com a sua identidade singular, para construir esta sociedade, que se sente enriquecida com a sua presen\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista econ\u00f3mico, mas tamb\u00e9m do ponto de vista cultural e religioso. A mudan\u00e7a de mentalidades e de atitudes n\u00e3o se faz com uma celebra\u00e7\u00e3o uma vez por ano e muito menos com feiras ou um ou outro \u00abf\u00f3rum\u00bb. \u00c9 um compromisso di\u00e1rio de cada um de n\u00f3s. A tal nos empenha a f\u00e9, que, a ser aut\u00eantica, opera pela caridade, o que implica um vivo sentido de humanidade, unido \u00e0 pr\u00e1tica da justi\u00e7a, no respeito pela dignidade e direitos da pessoa humana, seja ela quem for, venha donde vier. \u00c9 sempre um meu irm\u00e3o em humanidade. N\u00e3o fa\u00e7as a ningu\u00e9m o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am! E, assim, ser\u00e1 Pentecostes, a Festa dos Povos, que o Esp\u00edrito Santo re\u00fane numa s\u00f3 fam\u00edlia.  <i>+ Ant\u00f3nio, Bispo de Angra<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Bispo de Angra sobre o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[169,206],"class_list":["post-18309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-angra","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18309\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}