{"id":18288,"date":"2006-05-30T13:30:22","date_gmt":"2006-05-30T13:30:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/30\/os-filhos-da-nacao\/"},"modified":"2006-05-30T13:30:22","modified_gmt":"2006-05-30T13:30:22","slug":"os-filhos-da-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-filhos-da-nacao\/","title":{"rendered":"Os filhos da Na\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Porqu\u00ea, pergunta-se, o desporto \u00e9 o lugar de despejo de tantas ang\u00fastias e esperan\u00e7as de gente das mais variadas condi\u00e7\u00f5es sociais e culturais? Porqu\u00ea esse amontoado de sentimentos de vit\u00f3ria ou frustra\u00e7\u00e3o, pelo simples facto \u2013 sejamos claros, falemos do futebol \u2013 de uma bola atravessar a linha desejada e interdita da baliza, depois de tantas leis aleat\u00f3rias criadas e retocadas para tornar mais complexa e sedutora a opera\u00e7\u00e3o vit\u00f3ria? Porqu\u00ea tudo isto, se sabemos de antem\u00e3o, que nada se passa, al\u00e9m dum pr\u00e9vio acordo convencional que dar\u00e1 a palma da vit\u00f3ria ou desonra da humilha\u00e7\u00e3o? E se entrarmos no terreno da empresa e do investimento, do est\u00e1dio e de todos os suportes que est\u00e3o na retaguarda dum jogo de futebol, que diferen\u00e7a entre o jogo do grande est\u00e1dio e um entretenimento de bairro com uma insignificante bola de trapos? As coisas n\u00e3o s\u00e3o apenas o que s\u00e3o. S\u00e3o o que simbolizam, mais as met\u00e1foras que escondem, os sentimentos que expressam, as explos\u00f5es de apre\u00e7o ou f\u00faria que acordam num clube, numa equipa, num pa\u00eds, numa p\u00e1tria. E nesta mat\u00e9ria, o desporto &#8211; o futebol, no caso &#8211; aproxima-se de todo o discurso pol\u00edtico, econ\u00f3mico, social e at\u00e9 religioso, quase lit\u00fargico, reflectindo-se no est\u00edmulo e no desencanto, nos \u00eaxitos e fracassos paralelos e eventualmente prenunciadores da colagem do real ao assumidamente simb\u00f3lico do futebol. Parece que o pa\u00eds, perdido ou ganho um torneio, se sente perdido ou reencontrado no seu evoluir econ\u00f3mico, social, internacional, como imagem de prest\u00edgio ou objecto de compaix\u00e3o ou desprezo. O futebol ultrapassa as suas linhas, rompe as suas redes, suspende ou manda prosseguir o desafio da vida, puxa de cart\u00f5es para castigar ou determinar os que devem ser expulsos do campo da dignidade.  E mesmo quem n\u00e3o gosta de futebol quer saber o que aconteceu ou vai acontecer a Portugal como quem perscruta o or\u00e1culo dos deuses sobre o seu futuro. Estamos perante um jogo que se liga, mais do que se pensa, a um transcendente recheado de surpresa. Como escreveu Peguy: \u201cEu jogo por vezes com o homem, diz Deus, mas quem quer perder \u00e9 ele \u2013 tonto &#8211; e sou eu quem quer que ele ganhe. E consegui, algumas vezes, que fosse o homem a ganhar\u2026\u201d Surpreendente, o jogo da vida, mais que os grandes jogos de est\u00e1dio.  <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porqu\u00ea, pergunta-se, o desporto \u00e9 o lugar de despejo de tantas ang\u00fastias e esperan\u00e7as de gente das mais variadas condi\u00e7\u00f5es sociais e culturais? 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