{"id":18267,"date":"2006-05-30T11:12:29","date_gmt":"2006-05-30T11:12:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/30\/uma-vida-que-vale-a-pena\/"},"modified":"2006-05-30T11:12:29","modified_gmt":"2006-05-30T11:12:29","slug":"uma-vida-que-vale-a-pena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-vida-que-vale-a-pena\/","title":{"rendered":"Uma vida que vale a pena"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre, confiada ao Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, para Junho <!--more--> 1. \tAcolher os rec\u00e9m-nascidos. As estat\u00edsticas comprovam-no: a taxa de natalidade em Portugal \u00e9 das mais baixas da Europa. Os motivos s\u00e3o variados, mas o facto permanece: sendo um bem precioso para qualquer sociedade, as crian\u00e7as s\u00e3o, entre n\u00f3s, um bem cada vez mais raro. E, mesmo assim, s\u00e3o frequentes os casos de abandono de rec\u00e9m-nascidos, de maus tratos a crian\u00e7as, de explora\u00e7\u00e3o destas na mendicidade ou na prostitui\u00e7\u00e3o, no trabalho clandestino&#8230; para n\u00e3o falar na praga moral do aborto, clandestino ou legalizado, que tantos se empenham em promover abertamente como um sinal de progresso, civiliza\u00e7\u00e3o e cultura \u2013 deixando para quem se op\u00f5e a tais pr\u00e1ticas b\u00e1rbaras e \u00e0 sua legaliza\u00e7\u00e3o o ep\u00edteto de inimigos da liberdade e dos direitos das mulheres, gente prisioneira de tabus religiosos e preconceitos infundados sobre a origem e o valor da vida humana. A esta pandemia do \u00abculturalmente correcto\u00bb urge opor a serenidade de um alegre e agradecido acolhimento de cada vida que \u00e9 gerada e nasce, amando-a por si mesma e n\u00e3o por quaisquer c\u00e1lculos ou interesses. Aos comportamentos criminosos de quem ofende a dignidade das crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas ou j\u00e1 mais crescidas, urge opor atitudes corajosas de den\u00fancia, ac\u00e7\u00e3o firme das autoridades civis e generosa dedica\u00e7\u00e3o ao seu bem-estar, criando estruturas, disponibilizando meios. Sobretudo, disponibilizando-se para acolher, cuidar e amar aquelas sem lar ou que n\u00e3o encontram no pr\u00f3prio lar quem o fa\u00e7a.  2.\tOferecer afecto aos enfermos e idosos. Tamb\u00e9m os idosos, na fragilidade pr\u00f3pria dos seus muitos anos, se encontram, quase sempre, \u00e0 merc\u00ea de quem cuida ou devia cuidar deles. E tal como com as crian\u00e7as ainda por nascer, vai-se difundindo uma mentalidade utilitarista que v\u00ea o idoso como um peso \u2013 particularmente quando, \u00e0 idade, se junta a doen\u00e7a incur\u00e1vel. Neste caso, e com a justifica\u00e7\u00e3o de ser para bem deles, s\u00e3o cada vez mais numerosas as vozes a promover a legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia, para p\u00f4r fim a uma vida considerada sem dignidade, sem utilidade e sem sentido, ainda por cima carregada de sofrimento \u2013 e j\u00e1 se vai mesmo ao ponto de pretender aplicar a eutan\u00e1sia a crian\u00e7as com doen\u00e7as graves e, em princ\u00edpio, incur\u00e1veis, para serem poupadas ao sofrimento! A esta \u00abcultura da morte\u00bb, na sua l\u00f3gica assassina n\u00e3o assumida, cada vez mais enraizada no \u00absenso comum\u00bb, importa opor a capacidade humana de afecto que leva a dar-se aos outros, em particular aos mais fr\u00e1geis. Haver\u00e1, certamente, um trabalho cultural a fazer, para mostrar as contradi\u00e7\u00f5es desta \u00abcultura da morte\u00bb \u2013 mas este s\u00f3 ser\u00e1 eficaz quando for acompanhado de um efectivo servi\u00e7o \u00e0 vida, seja em favor das crian\u00e7as, ainda n\u00e3o nascidas ou j\u00e1 nascidas, seja em favor dos doentes e dos idosos, seja, em geral, em favor de quantos se encontram em situa\u00e7\u00e3o de necessidade.  3.\tTarefa das fam\u00edlias crist\u00e3s. Diz-se, por vezes, que os crist\u00e3os t\u00eam as mesmas obriga\u00e7\u00f5es dos outros cidad\u00e3os. \u00c9 certo&#8230; at\u00e9 certo ponto. H\u00e1, sem d\u00favida, deveres de cidadania comuns, exig\u00eancias de humanidade partilhadas por todos. Os crist\u00e3os, por\u00e9m, mesmo quando fazem o comum, h\u00e3o-de faz\u00ea-lo com uma consci\u00eancia particularmente apurada, fruto da sua condi\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos de Jesus. E al\u00e9m das obriga\u00e7\u00f5es comuns, h\u00e1, para os crist\u00e3os, um mundo de valores e atitudes a descobrir e viver, fruto da sua ades\u00e3o ao Evangelho! No caso das fam\u00edlias crist\u00e3s, pode dizer-se o mesmo. Como deve ser igual e, ao mesmo tempo, t\u00e3o diferente a fam\u00edlia crist\u00e3 no acolhimento \u00e0 vida gerada e nascida no seu seio! Sem falar no aborto e na eutan\u00e1sia, que deveriam ser impens\u00e1veis para qualquer fam\u00edlia crist\u00e3, h\u00e1 toda uma gama de compromissos com a vida, em particular, com a vida humana nos seus estados mais fr\u00e1geis, aberta ao empenho das fam\u00edlias crist\u00e3s: visitar os doentes ou os idosos, prestar-lhes pequenos (ou grandes) servi\u00e7os que ajudem a melhorar o seu quotidiano, testemunhar-lhes um afecto profundo, pr\u00f3prio de quem encontra Cristo no irm\u00e3o sofredor ou desamparado&#8230; A forma mais eficaz de enfrentar a \u00abcultura da morte\u00bb n\u00e3o \u00e9 a den\u00fancia \u2013 embora esta seja necess\u00e1ria. \u00c9 o compromisso quotidiano com a vida, uma vida de qualidade humana e crist\u00e3 que vale a pena ser vivida, apesar de todas as penas que possa trazer consigo. Eis o que de mais original as fam\u00edlias crist\u00e3s podem trazer \u00e0 sociedade: valores partilhados com todas as outras fam\u00edlias mas repletos de um sentido novo, porque enraizados num contexto mais vasto, pr\u00f3prio da f\u00e9 que as anima.  <i>Elias Couto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre, confiada ao Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, para Junho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[93,154,203,206,267],"class_list":["post-18267","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-aborto","tag-crianca","tag-europa","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18267\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}