{"id":182600,"date":"2020-08-03T14:17:03","date_gmt":"2020-08-03T13:17:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=182600"},"modified":"2020-08-10T10:16:24","modified_gmt":"2020-08-10T09:16:24","slug":"lusofonias-os-nossos-mais-velhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-os-nossos-mais-velhos\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Os nossos mais velhos"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/idosos.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-182602\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/idosos.jpg\" alt=\"\" width=\"974\" height=\"647\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/idosos.jpg 974w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/idosos-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/idosos-768x510.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/idosos-480x319.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 974px) 100vw, 974px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Cheguei a Angola com 26 anos e, logo nas primeiras missas, fiquei espantado com o facto de me apresentarem sempre como \u2018mais velho\u2019. Pensei que estariam com problemas de vis\u00e3o ou com dificuldades de avaliar idades de brancos, mas n\u00e3o era esse o caso. O ser \u2018mais velho\u2019 em \u00c1frica \u00e9 honra enorme e atributo de responsabilidade. Os mais velhos s\u00e3o os que adquiriram a sabedoria dos antepassados e, por isso, podem dar li\u00e7\u00f5es de vidas \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. Assim se pode compreender o prov\u00e9rbio \u2018quando morre um mais velho, enterra-se uma biblioteca\u2019.<\/p>\n<p>Ora, o ocidente, com tanta tecnologia e saber universit\u00e1rio, perdeu este respeito pelas gera\u00e7\u00f5es de idade mais avan\u00e7ada que s\u00e3o vistas, em muitas circunst\u00e2ncias, como um peso social. Da\u00ed que percam lugar nas fam\u00edlias e engrossem Lares que se tornam presa muito f\u00e1cil de v\u00edrus como a covid 19.<\/p>\n<p>A Comunidade de Santo Eg\u00eddio, fundada em Roma h\u00e1 meio s\u00e9culo, decidiu avan\u00e7ar com um apelo a que deu o t\u00edtulo \u2018sem idosos n\u00e3o h\u00e1 futuro\u2019. Dada a import\u00e2ncia e actualidade do tema, foram muitas as figuras p\u00fablicas que, \u00e0 escala do mundo, assinaram e se dispuseram a dar a cara para que os mais velhos fossem mais respeitados. Os alvos s\u00e3o claros: \u2018 \u00c9 dirigido a todos, cidad\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es, para uma mudan\u00e7a de mentalidade decisiva que conduza a novas iniciativas, sociais e de sa\u00fade, em prol das pessoas idosas\u2019. Trata-se de um \u2018apelo para re-humanizar as nossas sociedades\u2019. Alerta para o facto da \u2018contribui\u00e7\u00e3o dos idosos continuar a ser objecto de importantes reflex\u00f5es em todas as civiliza\u00e7\u00f5es\u2019. E, num momento em que se divulgam not\u00edcias sobre a nega\u00e7\u00e3o de tratamentos a idosos durante o pico da pandemia, este Apelo \u2018 expressa a dor e indigna\u00e7\u00e3o pelas demasiadas mortes\u00a0de idosos nestes meses e desejamos uma revolta moral para que se mude de direc\u00e7\u00e3o no tratamento dos idosos, para que, acima de tudo, os mais vulner\u00e1veis nunca sejam considerados um fardo, ou pior, in\u00fateis\u2019.<\/p>\n<p>No dia dos Av\u00f3s, o Papa Francisco convidou os jovens a fazer um gesto de ternura para com os idosos das suas rela\u00e7\u00f5es, gritando: \u2019N\u00e3o os deixem sozinhos!\u2019. At\u00e9 porque uma \u00e1rvore separada das ra\u00edzes n\u00e3o cresce nem d\u00e1 fruto. Por essa ocasi\u00e3o, o Vaticano publicou um texto a recordar que a covid colocou muitos av\u00f3s \u00e0 margem da sociedade e da fam\u00edlia. Respeitar o distanciamento social n\u00e3o implica aceitar um destino de solid\u00e3o e de abandono aos mais velhos. Pede este documento que os mais jovens usem a fantasia do amor e liguem para eles, falem por v\u00eddeo, os escutem e, se for poss\u00edvel, visitem-nos e vivam com eles. \u2018Cada idoso \u00e9 teu av\u00f4 ou av\u00f3!\u2019 \u00e9 o grito deste alerta.<\/p>\n<p>O Cardeal Tolentino Mendon\u00e7a, no seu discurso do 10 de Junho, pedia que se reabilitasse o pacto comunit\u00e1rio e que ningu\u00e9m fosse deixado para tr\u00e1s, sozinha. As pessoas humanas \u2013 todas as pessoas, mas sobretudo as mais fr\u00e1geis, t\u00eam de ser colocadas ao centro. Lembrou ainda a urg\u00eancia de \u2018fortalecer o pacto intergeracional\u2019, reflectindo sobre \u2018a situa\u00e7\u00e3o dos idosos em Portugal e nesta Europa da qual somos parte\u2019. Concluiu: \u2018a vida \u00e9 um valor sem varia\u00e7\u00f5es. Uma raiz de futuro em Portugal ser\u00e1 aprofundar a contribui\u00e7\u00e3o dos seus idosos, ajuda-los a viver e assumir-se como mediadores de vida das novas gera\u00e7\u00f5es\u2019.<\/p>\n<p>O Conselho Presbiteral da Diocese de Coimbra, em pleno pico da pandemia (19 de Maio), pedia gestos prof\u00e9ticos:\u2019precisamos de mais ac\u00e7\u00f5es concretas a n\u00edvel de partilha, generosidade\u2026a Igreja precisa de ser mais concreta, mais \u00e1gil, mais rua, mais fora, mais servi\u00e7o, mais testemunho, mais compaix\u00e3o. Precisamos de tocar a fragilidade existencial pela compaix\u00e3o evang\u00e9lica, pelo sofrer com quem sofre, cuidando e dando esperan\u00e7a. Neste sentido, precisamos de refor\u00e7ar a nossa presen\u00e7a juntos dos mais fr\u00e1geis, abandonados, esquecidos: criando espa\u00e7os \/momentos de escuta, de atender e acompanhar as pessoas enlutadas, de envolver e integrar os mais idosos\u2019.<\/p>\n<p>Termino com o nosso jovem Cardeal que, na sua rubrica semanal no \u2018Expresso\u2019, publicou um texto forte com o t\u00edtulo \u2018honra os teus velhos\u2019. Disse: \u2019se os velhos s\u00e3o reduzidos a n\u00fameros, e a n\u00fameros com escassa relev\u00e2ncia humana e social, podemos at\u00e9 superar airosamente a crise sanit\u00e1ria, mas sairemos diminu\u00eddos como comunidade\u2019. Um sinal de alerta que ningu\u00e9m pode nem deve apagar da nossa mem\u00f3ria.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-182600-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/lusofonias-nossos-mais-velhos3-8-20.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/lusofonias-nossos-mais-velhos3-8-20.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/lusofonias-nossos-mais-velhos3-8-20.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-182600","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=182600"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182600\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=182600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=182600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=182600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}