{"id":18255,"date":"2006-05-29T15:42:50","date_gmt":"2006-05-29T15:42:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/29\/bispo-de-vila-real-preocupado-com-falta-de-clero-na-diocese\/"},"modified":"2018-03-06T14:15:07","modified_gmt":"2018-03-06T14:15:07","slug":"bispo-de-vila-real-preocupado-com-falta-de-clero-na-diocese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-de-vila-real-preocupado-com-falta-de-clero-na-diocese\/","title":{"rendered":"Bispo de Vila Real preocupado com falta de clero na Diocese"},"content":{"rendered":"<p>A diocese de Vila Real \u00e9 conduzida h\u00e1 15 anos por D. Joaquim Gon\u00e7alves, um bispo natural de Fafe que se rendeu aos encantos da natureza transmontana e \u00e0s suas gentes. Em entrevista ao Di\u00e1rio do Minho, o prelado faz a radiografia da diocese e revela o que fez e o que planeia fazer no futuro  <b>Di\u00e1rio do Minho \u2014Como encontrou a diocese de Vila Real?  D. Joaquim Gon\u00e7alves<\/b> \u2014 Entrei em 1987 e at\u00e9 Janeiro de 1991 permaneci como Bispo Coadjutor. A diocese estava canonicamente muito disciplinada, com profundo sentido de respeito pelo bispo, tanto ao n\u00edvel do clero como do povo. Merc\u00ea de ser uma comunidade rural e reservada, encontrei disciplina mas faltava viv\u00eancia interior da liturgia, da arte, da m\u00fasica sacra e ao laicado faltava consci\u00eancia do seu papel participativo na Igreja.  <b>Que linhas pastorais estrat\u00e9gicas tra\u00e7ou depois?<\/b> Como se tratava de um povo com pr\u00e1tica sacramental, entendi ser importante explorar esse \u201cfil\u00e3o\u201d valorizando e aprofundando essa mesma pr\u00e1tica lit\u00fargica. Julgo que se conseguiram resultados. Ao n\u00edvel da arte sacra, as igrejas foram revistas na dimens\u00e3o do espa\u00e7o lit\u00fargico. Talvez tenha sido a maior \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d que se fez nas igrejas. Realizou-se um congresso de leigos, celebrou-se o Ano Mariano com peregrina\u00e7\u00f5es a todos os santu\u00e1rios marianos da diocese e assinalaram- se os 50 anos de sacerd\u00f3cio de D. Ant\u00f3nio Cardoso Cunha. Com tudo isto conseguiu- se uma maior valoriza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica religiosa. Procuramos rever tamb\u00e9m as estruturas materiais.  A diocese s\u00f3 tinha um pr\u00e9dio que servia de semin\u00e1rio, casa episcopal, tipografia, entre outras coisas. A casa episcopal foi deslocada para o centro da cidade e no referido pr\u00e9dio ficou s\u00f3 a funcionar o Semin\u00e1rio e a Vigararia Geral. Com a sa\u00edda dos seminaristas te\u00f3logos para o Porto, decidimos fazer no mesmo espa\u00e7o a casa diocesana com 30 quartos e com uma s\u00e9rie de salas, capela e audit\u00f3rio.   <b>Mas h\u00e1 uma nova obra?<\/b> Acabamos de construir a Casa do Clero, junto \u00e0 resid\u00eancia episcopal. Ainda n\u00e3o se encontra a funcionar, mas est\u00e1 j\u00e1 pronta a receber os sacerdotes mais idosos. Penso que a inaugura\u00e7\u00e3o ocorra este ano.   <b>H\u00e1 alguma \u00e1rea que esteja a marcar passo?<\/b> Procuramos valorizar as \u00e1reas da catequese, dos jovens e da fam\u00edlia. Mas neste \u00faltimo sector as coisas n\u00e3o t\u00eam corrido como desejamos. Os passos que foram dados t\u00eam-se revelado muito lentos e n\u00e3o est\u00e1 no ritmo que merecia.  <b>Como est\u00e1 ent\u00e3o agora a diocese?<\/b> Mant\u00e9m-se na diocese um sentido de respeito pela figura do bispo. No entanto, nos \u00faltimos anos, registou- -se uma grande mudan\u00e7a sociol\u00f3gica. Vila Real j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma terra fechada para al\u00e9m do Mar\u00e3o; \u00e9 uma pra\u00e7a aberta para todos os lados. Sociologicamente, a diocese sofreu uma profunda transforma\u00e7\u00e3o. Este j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um povo fechado e conservador, \u00e9 aberto e acolhedor de todas as ideias. Da\u00ed resulta uma certa dificuldade, que se acentuou nos \u00faltimos anos, na evangeliza\u00e7\u00e3o.  S\u00e3o necess\u00e1rios padres novos, adaptados \u00e0s correntes sociais actuais, para conseguir-se resultados. De contr\u00e1rio, correm o risco de estarem a falar para um transmontano que j\u00e1 n\u00e3o existe. A gera\u00e7\u00e3o abaixo dos 30 anos, embora mantenha uma sensibilidade tradicional, sente os problemas da globaliza\u00e7\u00e3o como em qualquer outro ponto do pa\u00eds.  <b>Como caracteriza o clero da diocese?<\/b> O clero mais idoso \u00e9 um grupo significativo, pois temos ainda 17 p\u00e1rocos com mais de 75 anos. A maior parte dos p\u00e1rocos t\u00eam entre 50 e 75 anos. Abaixo dos 50 anos, temos cerca de 40 sacerdotes. Os padres mais velhos s\u00e3o um clero zeloso da pr\u00e1tica sacramental, n\u00e3o tendo muita facilidade no trabalho com os jovens nem com a pastoral criada pelo Conc\u00edlio Vaticano II. O clero mais novo tem consci\u00eancia da necessidade de intensificar a pastoral juvenil, a pastoral familiar e o acompanhamento dos emigrantes. Mas os padres mais novos, apesar de generosos, s\u00e3o mais fr\u00e1geis, porque n\u00e3o conseguem vislumbrar resultados r\u00e1pidos na sua ac\u00e7\u00e3o e tendem a desanimar.  Nestes 15 anos, como Bispo de Vila Real, ordenei 31 sacerdotes, recebi quatro vindos de fora e quatro abandonaram o sacerd\u00f3cio. Ordenaram-se tr\u00eas bispos em Vila Real e um no Brasil. Apesar dos problemas da desertifica\u00e7\u00e3o e da baixa de natalidade, temos 35 alunos no Semin\u00e1rio Menor (do 7.\u00ba ao 12.\u00ba ano), 17 no Semin\u00e1rio Maior e um em est\u00e1gio pastoral.  <b>H\u00e1 muitos padres a abandonar o sacerd\u00f3cio?<\/b> A diocese teve sempre um grande n\u00famero de jovens padres que abandonaram o sacerd\u00f3cio. Seremos a diocese com um maior \u00edndice de abandono do sacerd\u00f3cio no pa\u00eds. Percentualmente, Vila Real deve atingir os 25 por cento de padres que abandonaram a sua miss\u00e3o. O povo j\u00e1 n\u00e3o se escandaliza com situa\u00e7\u00f5es desse g\u00e9nero, infelizmente porque j\u00e1 est\u00e1 \u201cvacinado\u201d. Depois das convuls\u00f5es do 25 de Abril conheceu-se uma certa estabilidade. Nos \u00faltimos dois anos, quatro padres abandonaram o sacerd\u00f3cio. Dois deles tinham sido ordenados em 1998, um em 1999 e outro em 2002. Tratavam-se de jovens que tinham iniciado o seu sacerd\u00f3cio com muito entusiasmo mas n\u00e3o resistiram ao turbilh\u00e3o de ideias, sentimentos e desafios, acabando por se afastar. O povo, merc\u00ea do h\u00e1bito, n\u00e3o ficou admirado, mas, para os padres mais jovens, seus colegas, foi um choque.  <b>Os leigos t\u00eam-se empenhado nas comunidades?<\/b> Hoje, os praticantes n\u00e3o chegam a 50 por cento em cada comunidade. Nas cidades, a pr\u00e1tica dominical desceu aos 30 por cento. No entanto, os leigos quando convidados pelo p\u00e1roco para tarefas nas comunidades s\u00e3o generosos e gostam de colaborar na administra\u00e7\u00e3o paroquial e na liturgia.  <b>Vai mexer na estrutura da diocese? <\/b> A diocese tem 264 par\u00f3quias, algumas das quais muito pequenas (uma delas n\u00e3o deve ter mais de 60 pessoas) e em zonas isoladas. Por isso, hoje, algumas delas n\u00e3o t\u00eam nenhuma raz\u00e3o de existir, mas tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio extingui-las canonicamente, at\u00e9 porque isso n\u00e3o resolver\u00e1 nada. Estamos a tentar implantar um sistema que passa pela cria\u00e7\u00e3o de unidades pastorais. Na pr\u00e1tica isso j\u00e1 existe dado que cada padre tem quatro ou cinco par\u00f3quias a seu encargo. Este \u00e9 o rumo que ser\u00e1 seguido, porque n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese de ser outro. Por outro lado, apesar do turbilh\u00e3o de ideias e ideais gerados pela globaliza\u00e7\u00e3o h\u00e1 pilares eclesiais que nunca mudam: a fam\u00edlia, o sacerd\u00f3cio, a missa ao domingo, os sacramentos. N\u00e3o \u00e9 uma mensagem de defesa mas de futuro e de estabilidade que os crist\u00e3os precisam de ouvir hoje dos seus pastores. Esta \u00e9 a linha da minha pastoral para o futuro, aliada \u00e0 necessidade de ajudar as pessoas a rezar. Gostava tamb\u00e9m de conseguir estabelecer na diocese uma comunidade religiosa contemplativa, que \u00e9 uma lacuna.  <b>\u00c9 p\u00fablico que tem alguns problemas de sa\u00fade\u2026<\/b> Cerca de quatro anos ap\u00f3s ter sido ordenado bispo, comecei a sentir falta de ar e foi-me diagnosticado um problema asm\u00e1tico. Mas, quando vim para Vila Real, um m\u00e9dico disse-me que os meus sintomas n\u00e3o eram de asma, mas fruto de problemas card\u00edacos graves. Em 1988, fui operado pela primeira vez ao cora\u00e7\u00e3o e, volvidos 12 anos, fui operado uma segunda vez. Com esta situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica nem sei como me tenho mantido em actividade tantos anos.  <b>At\u00e9 quando pensa que ser\u00e1 o Bispo de Vila Real? <\/b> Pensei, quando fui operado pela primeira vez, que estava no fim. Completei agora 70 anos, de modo que, se Deus me der vida, continuarei at\u00e9 ao limite dos 75 anos. Se a Provid\u00eancia Divina entender que devo sair antes, com sinais de agravamento da doen\u00e7a ou com o fim da vida, tenho mesmo de sair antes. Mas, enquanto puder, como a diocese n\u00e3o \u00e9 complicada, ficarei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A diocese de Vila Real \u00e9 conduzida h\u00e1 15 anos por D. Joaquim Gon\u00e7alves, um bispo natural de Fafe que se rendeu aos encantos da natureza transmontana e \u00e0s suas gentes. 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