{"id":182358,"date":"2020-07-30T10:32:36","date_gmt":"2020-07-30T09:32:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=182358"},"modified":"2020-08-01T17:04:22","modified_gmt":"2020-08-01T16:04:22","slug":"faca-ferias-ca-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/faca-ferias-ca-dentro\/","title":{"rendered":"\u201cFa\u00e7a f\u00e9rias c\u00e1 dentro\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Irm\u00e3 Elodie Filipe, Diocese de Set\u00fabal<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_182359\" aria-describedby=\"caption-attachment-182359\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-182359 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Elodie-Filipe.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-182359\" class=\"wp-caption-text\">Irm\u00e3 Elodie Filipe pm<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para quem tem a gra\u00e7a de poder viver um tempo de f\u00e9rias, creio ser a oportunidade de olhar o mundo interior e exterior, com um olhar bafejado pela brisa da gratid\u00e3o. E quem sabe, assim poder experimentar, n\u00e3o somente o descanso de uma rotina meticulosamente calculada em vista \u00e0s actividades profissionais e n\u00e3o s\u00f3, mas tamb\u00e9m o refrescar do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E porqu\u00ea o cora\u00e7\u00e3o? Sabemos que na B\u00edblia, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o centro da pessoa, o \u201clugar\u201d onde o Criador comunica com a Sua criatura e ao longo destes meses de pandemia, Ele tem falado a cada um e a cada uma de n\u00f3s. A quest\u00e3o \u00e9 que, muitas vezes, n\u00e3o O conseguimos escutar imediatamente, precisamos de uma certa dist\u00e2ncia de tempo e at\u00e9 de espa\u00e7o. As f\u00e9rias podem ser esse tempo e espa\u00e7o do qual precisamos para escutar aquilo que Deus nos foi dizendo e nos continua a dizer.<\/p>\n<p>Hoje fala-se tanto em distanciamento social, apontando-se as necessidades de tal pr\u00e1tica, mas tamb\u00e9m os malef\u00edcios que da\u00ed ir\u00e3o advir\u2026 as f\u00e9rias podem ser um distanciamento, n\u00e3o no sentido de nos isolarmos de tudo e de todos, mas com o intuito de fazermos uma releitura de tudo aquilo que foi vivido.<\/p>\n<p>Se pensarmos naquele momento que antecede o mergulho nas \u00e1guas transparentes do nosso rio Sado, aquele instante em que paramos para encher os pulm\u00f5es de ar o m\u00e1ximo que conseguirmos para depois mergulhamos, o nosso tempo de f\u00e9rias pode ser esse instante. Atrevo-me a dizer: um instante vital, sem o qual n\u00e3o ser\u00edamos capazes de permanecer no interior da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Uma leitura crist\u00e3 dos acontecimentos \u00e9 sempre um encher os pulm\u00f5es de um ar renovado, que nos d\u00e1 um f\u00f4lego novo para mergulharmos com \u00e2nimo na vida e assim vivermos com a inteireza a que somos chamados. Creio tamb\u00e9m que encontrar uma gram\u00e1tica, que d\u00ea corpo ao que vivemos interiormente, fruto do exterior, \u00e9 uma via para nos mantermos humanos. \u00c9 t\u00e3o importante nos dias de hoje, sermos guardi\u00f5es da nossa humanidade e quando digo humanidade estou a referir-me ao tesouro \u00fanico que Deus depositou no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa. Sim, esse tesouro \u00fanico que nos torna a cada um e cada uma a resposta concreta de Deus aos acontecimentos presentes.<\/p>\n<p>Cultivarmos a humanidade do nosso cora\u00e7\u00e3o permite-nos ter um olhar compassivo para com tudo aquilo que nos rodeia: pessoas, natureza, alegrias e sofrimentos. N\u00e3o permitindo, que a t\u00e3o falada indiferen\u00e7a, apontada pelo Papa Francisco, nos fa\u00e7a adoptar a dist\u00e2ncia de seguran\u00e7a at\u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao sofrimento dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p>Para encher os pulm\u00f5es antes do dito mergulho, n\u00e3o precisamos for\u00e7osamente ir de f\u00e9rias para uma ilha paradis\u00edaca em que o cen\u00e1rio se assemelha a um filme, onde at\u00e9 conseguimos ouvir a sua banda sonora. H\u00e1 uns anos, tal como hoje, escut\u00e1vamos este slogan: \u201cfa\u00e7a f\u00e9rias c\u00e1 dentro\u201d. Porque n\u00e3o? Encontrarmos essa ilha paradis\u00edaca, dentro do nosso cora\u00e7\u00e3o e a\u00ed fazermos as nossas t\u00e3o merecidas f\u00e9rias. Porque se pensarmos bem, at\u00e9 o tempo de f\u00e9rias pode tornar-se cansativo e pouco repousante\u2026 tudo depende do estado em que estiver o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das coisas que, pessoalmente, me vai ajudando ao descanso, \u00e9 procurar ter um olhar agradecido, em rela\u00e7\u00e3o ao que me rodeia e ao que me habita. O olhar agradecido dilata o cora\u00e7\u00e3o\u2026 h\u00e1 sempre tanta coisa para agradecer, nem que seja o facto de poder encher os olhos com a beleza do nosso rio Sado. Sim, h\u00e1 tantas pequenas grandes coisas, que podem ser motivo de gratid\u00e3o, mesmo nestes tempos conturbados. Se calhar atrever-me-ia a dizer: justamente nestes tempos conturbados.<\/p>\n<p>Que este tempo de f\u00e9rias possa ser um momento de releitura da vida\u2026 um momento para encher os pulm\u00f5es com um ar mais l\u00edmpido\u2026 um momento para ser-se agradecido, para que, ao regressar \u00e0s minhas \u201cnovas normalidades\u201d, possa deixar que \u201co bater do meu cora\u00e7\u00e3o sustente o ritmo das coisas\u201d (Sophia de Mello Breyner), na fidelidade ao tesouro \u00fanico, que Deus depositou em cada um e cada uma de n\u00f3s.<\/p>\n<p><em>Irm\u00e3 Elodie Filipe pm<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 Elodie Filipe, Diocese de Set\u00fabal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":182359,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-182358","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=182358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182358\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/182359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=182358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=182358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=182358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}