{"id":181945,"date":"2020-07-24T07:01:07","date_gmt":"2020-07-24T06:01:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=181945"},"modified":"2020-07-23T23:45:36","modified_gmt":"2020-07-23T22:45:36","slug":"no-fim-disto-tudo-as-pessoas-vao-ficar-melhores-pessoas-alice-vieira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/no-fim-disto-tudo-as-pessoas-vao-ficar-melhores-pessoas-alice-vieira\/","title":{"rendered":"\u00abNo fim disto tudo as pessoas v\u00e3o ficar melhores pessoas\u00bb &#8211; Alice Vieira"},"content":{"rendered":"<p><em>Escritora acredita que a pandemia fez aproximar mais fam\u00edlias e vizinhos, mas tamb\u00e9m mostrou que \u00e9 urgente repensar as respostas de apoio aos idosos. Numa conversa a prop\u00f3sito do Dia dos Av\u00f3s, fala da falta que sente dos abra\u00e7os aos netos, e da preocupa\u00e7\u00e3o que passou a ter em telefonar a quem est\u00e1 mais s\u00f3. E conta como tudo isso a inspirou para um novo livro, que j\u00e1 vai com 40 cap\u00edtulos.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_181956\" aria-describedby=\"caption-attachment-181956\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-181956 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-01-Foto-Joana-Goncalves-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-181956\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Joana Gon\u00e7alves\/Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos anos foi ganhando mais popularidade o Dia dos Av\u00f3s, que se celebra a 26 de julho, a data em que a Igreja assinala o dia de S. Joaquim e Santa Ana, os av\u00f3s do Menino Jesus. \u00c9 importante que haja um Dia dos Av\u00f3s?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9. J\u00e1 que h\u00e1 Dia da M\u00e3e e Dia do Pai, porque n\u00e3o haver tamb\u00e9m um dia dos av\u00f3s? Embora os av\u00f3s devam pensar nos netos, e os netos nos av\u00f3s, nos outros dias todos. Mas, eu sou muito de festejar as coisas, de maneira que se h\u00e1 um motivo para festejar, ent\u00e3o vamos festejar. E pelo menos no Dia dos Av\u00f3s podemos falar um bocadinho mais do que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o &#8211; porque \u00e0s vezes \u00e9 um bocadinho complicada &#8211; entre av\u00f3s e netos. Acho que s\u00f3 por isso vale a pena haver um dia dos av\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Alice foi av\u00f3 cedo?<\/em><\/p>\n<p>O meu filho tem quatros filhos (e sete c\u00e3es!), foi pai relativamente cedo, com 20 e poucos anos. Portanto, tenho quatro netos, a mais velha tem 25 anos, o segundo tem 21, o outro 20 e a mais nova 15.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E como av\u00f3, como \u00e9 que viveu a fase do confinamento?<\/em><\/p>\n<p>Muito mal.\u00a0Aquilo que mais me custa \u00e9 n\u00e3o poder beijar os meninos, n\u00e3o poder abra\u00e7ar os meus netos. E quando algum vem &#8211; porque eles n\u00e3o vivem em Lisboa -, \u00e9 s\u00f3 assim as m\u00e3ozinhas e mais nada\u2026 o que \u00e9 complicado, porque eu sou muito de afetos, de beijar os mi\u00fados. Mas, isso n\u00e3o impede que n\u00e3o se converse, que n\u00e3o se fale.<\/p>\n<p>Acho que com isto nos habitu\u00e1mos a falar mais com as pessoas. Havia pessoas a quem eu nunca ligava, e que nunca me ligavam, e agora ligam-me todos os dias. E com os meus netos tamb\u00e9m, at\u00e9 fa\u00e7o v\u00eddeo chamadas para a que est\u00e1 em Cambridge, que \u00e9 cientista l\u00e1. \u00c9 evidente que h\u00e1 um vidro entre n\u00f3s, que \u00e9 uma coisa fria, mas sempre d\u00e1 para ver como \u00e9 que ela est\u00e1. E com os outros tamb\u00e9m, que est\u00e3o em Torres Novas. Mas, eu digo sempre: assim que isto acabar &#8211; n\u00e3o sei quando, nem como, mas espero que acabe &#8211; eu vou para a rua beijocar as pessoas todas! Isso faz muita falta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa recupera\u00e7\u00e3o do tempo de conversa &#8211; e tem refletido sobre isso &#8211; \u00e9 uma das coisas que a pandemia trouxe. N\u00e3o vou dizer que o v\u00edrus trouxe coisas boas, mas h\u00e1 efetivamente li\u00e7\u00f5es a aprender?<\/em><\/p>\n<p>Para j\u00e1\u00a0aprendemos que h\u00e1 imensas coisas que n\u00e3o nos fazem falta nenhuma! Depois, eu pelo menos,\u00a0n\u00e3o \u00e9 gostar mais das pessoas, mas passei a ligar-lhes mais, a saber como est\u00e3o.\u00a0E h\u00e1 coisas extraordin\u00e1rias: eu tenho um amigo que \u00e9 contador de hist\u00f3rias, as pessoas pedem-lhe que v\u00e1 contar uma hist\u00f3ria a um amigo, a um primo que vive n\u00e3o sei onde, ele telefona para l\u00e1, conta uma hist\u00f3ria, e a pessoa fica feliz e contente.<\/p>\n<p>Cada pessoa tem de ver o que \u00e9 que pode fazer. Eu ia muito, muito a escolas, e isso faz-me falta, mas agora fa\u00e7o por Zoom. Ainda h\u00e1 dias estive quase uma hora e meia na Universidade do Funchal. \u00c9 bom, \u00e9 agrad\u00e1vel, podemos ver as pessoas e falar com elas.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes penso:\u00a0se este v\u00edrus tivesse chegado numa altura sem novas tecnologias, como \u00e9 que era? Devia ser ainda muito pior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Numa entrevista que deu h\u00e1 uns anos sublinhou que muitas das av\u00f3s de hoje ainda est\u00e3o no ativo, t\u00eam a sua vida, mas que muitas vezes a casa dos av\u00f3s tamb\u00e9m \u00e9 um \u2018dep\u00f3sito\u2019 dos netos. Esta pandemia ter\u00e1 feito mudar alguma coisa na forma como entendemos o papel dos mais velhos em geral, e dos av\u00f3s em particular na sociedade e na fam\u00edlia?<\/em><\/p>\n<p>Penso que as pessoas est\u00e3o mais juntas, mas se as av\u00f3s n\u00e3o estiverem em casa com os netos, eles tamb\u00e9m n\u00e3o podem ir para casa deles&#8230; Mas, apesar de tudo,\u00a0acho que as rela\u00e7\u00f5es ficam melhores. Tamb\u00e9m n\u00e3o estou a dizer que o v\u00edrus traz coisas boas, mas h\u00e1 uma nova consci\u00eancia. Preocup\u00e1vamo-nos com coisas sem import\u00e2ncia nenhuma, e agora, de repente, aquilo com que nos preocupamos s\u00e3o muito menos coisas, mas s\u00e3o muito mais importantes:\u00a0saber se ele estudou, se ele fez isto, telefonar para ele, &#8216;como \u00e9 que foi?&#8217;. \u00c9 uma coisa que nos une muito, embora, evidentemente, n\u00e3o se possa estar mesmo ao lado. Mas havemos de poder.<\/p>\n<p><em><br \/>\nE teremos ficado mais atentos \u00e0 quest\u00e3o da solid\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A solid\u00e3o&#8230; Uma amiga minha dizia, neste tempo todo, &#8216;ai, eu gosto tanto de estar em casa&#8217;. Eu tamb\u00e9m, desde que saiba que se quiser posso sair.<\/p>\n<p>Por um lado,\u00a0h\u00e1 pessoas que lidam mal com a solid\u00e3o, porque est\u00e3o sozinhas e as pessoas n\u00e3o se lembram delas, por isso \u00e9 que eu me esfor\u00e7o muito por telefonar para as minhas amigas mais velhas. Ainda agora, quando chegar a casa. Tenho uma lista para n\u00e3o me esquecer,\u00a0porque elas precisam disso, e estamos ali na conversa. Mas, h\u00e1 pessoas que sofrem muito por estar sozinhas em casa. Por outro lado, n\u00e3o sei se n\u00e3o ter\u00e1 sido complicado &#8211; agora as pessoas j\u00e1 podem sair, mas quando foi do confinamento &#8211; estar tanto tempo em casa com o marido e com os filhos, ter de fazer as coisas e aturar o marido. N\u00e3o deve ter sido muito f\u00e1cil.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que temos sempre de pensar nas pessoas mais velhas. Eu &#8211; n\u00e3o sei se isto \u00e9 bom, se \u00e9 mau -, a esmagadora maioria dos meus amigos tem a idade dos meus filhos, de maneira que tenho de pensar bem quem \u00e9 que s\u00e3o as mais velhas, ou da minha idade, para lhes telefonar. Mas acho que isso \u00e9 importante, elas gostam, estamos ali ao telefone, e \u00e9 uma alegria enquanto estamos na conversa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A mensagem que a Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia divulgou para este Dia dos Avos diz logo no t\u00edtulo que &#8216;Os av\u00f3s s\u00e3o um tesouro&#8217;, que deve ser protegido e cuidado, porque &#8220;uma sociedade que n\u00e3o protege, n\u00e3o cuida e n\u00e3o admira os mais velhos, est\u00e1 condenada ao fracasso&#8221;. A pandemia p\u00f4s isto mais em evid\u00eancia? Acredita que se passar\u00e1 a valorizar mais o papel dos idosos?<\/em><\/p>\n<p>Penso que sim, at\u00e9 porque nesta pandemia est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximos de n\u00f3s. N\u00e3o estou a dizer \u2018pr\u00f3ximos\u2019 fisicamente, mas falamos mais com eles, e tenho ideia de que isso vai continuar, esse cuidado com os mais velhos, com os av\u00f3s.<\/p>\n<p>H\u00e1 coisas que os av\u00f3s \u201censinam\u201d, transmitem, que os pais n\u00e3o fazem, e isso deve ser continuado.\u00a0O professor Jo\u00e3o dos Santos dizia, em rela\u00e7\u00e3o a isso, que era muito importante haver uma gera\u00e7\u00e3o de premeio, e eu vejo isso: eu digo e conto \u00e0 minha neta coisas que n\u00e3o conto aos meus filhos, porque ela \u00e9 minha neta, j\u00e1 h\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o pelo meio que faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><em><br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 diferente. A minha rela\u00e7\u00e3o com os meus netos \u00e9 extraordin\u00e1ria! E falo sempre mais dos netos, porque n\u00e3o tive av\u00f3s, j\u00e1 n\u00e3o os conheci.<\/p>\n<p>Mas, acho que esta pandemia \u00e9 capaz de ter feito isso, sobretudo com as pessoas de mais idade.\u00a0Ainda ontem recebi um telefonema de uma pessoa a dizer &#8216;n\u00e3o sei se ainda se lembra de mim&#8217;, e eu j\u00e1 n\u00e3o sabia dela h\u00e1 n\u00e3o sei quanto tempo. E n\u00e3o era para nada especial, s\u00f3 para dizer &#8216;est\u00e1 boa, est\u00e1 tudo bem?\u2019.<\/p>\n<p><em>Mas, soube-lhe bem?<\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00e3o soube! \u00c9 muito bom, porque \u00e9 outra pessoa que nos fala, n\u00e3o estamos sozinhos. A minha filha diz que n\u00e3o, que isto \u00e9 um disparate, mas\u00a0eu acho que as pessoas, no fim disto tudo, se calhar v\u00e3o ficar melhores pessoas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_181958\" aria-describedby=\"caption-attachment-181958\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-181958\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-03-Foto-Joana-Goncalves.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-181958\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Joana Gon\u00e7alves\/Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A mensagem da Igreja cat\u00f3lica para o Dia dos Av\u00f3s tamb\u00e9m fala da import\u00e2ncia dos av\u00f3s como &#8220;transmissores&#8221; de saberes e de valores fundamentais. Concorda?<\/em><\/p>\n<p>Ai, concordo!\u00a0Os av\u00f3s transmitem coisas que os outros n\u00e3o podem transmitir. Eu trabalhei muito tempo na prov\u00edncia mais miser\u00e1vel da Argentina, o El Chaco, onde a cidade capital \u00e9 Resistencia, e s\u00f3 tem uma rua alcatroada. H\u00e1 l\u00e1 um homem extraordin\u00e1rio que faz todos os anos um encontro (de av\u00f3s). Durante todo o ano as av\u00f3s t\u00eam um grande contacto com os netos, delas ou de outros, para lhes contar a sua experi\u00eancia &#8211; e est\u00e1 a ver a hist\u00f3ria da Argentina! -, o que \u00e9 que fizeram, como \u00e9 que foi, o que se passou. No final h\u00e1 sempre uma grande festa e h\u00e1 um pr\u00e9mio para a melhor av\u00f3 e para o melhor av\u00f4. Os av\u00f3s s\u00e3o muito valorizados, porque t\u00eam uma experi\u00eancia de vida que os netos j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam. N\u00f3s c\u00e1 tamb\u00e9m dev\u00edamos fazer isso, porque\u00a0\u00e0s vezes falamos de coisas que para n\u00f3s ainda foram anteontem, e eles j\u00e1 nem sabem o que \u00e9 que aconteceu. Temos de contar como \u00e9 que foi a nossa vida, o que \u00e9 que foi este pa\u00eds antes, o que \u00e9 agora, o que \u00e9 que se fez. Acho isso fundamental, haver esse contacto entre os av\u00f3s e os \u00a0netos. Por isso \u00e9 que muitas vezes digo que a casa dos av\u00f3s n\u00e3o \u00e9 o ATL, porque me custa muito ver que os mi\u00fados, em tempos normais, v\u00e3o para casa dos av\u00f3s para fazer os trabalhos de casa, e depois v\u00e3o-se embora. Devia ser outra coisa.\u00a0Eu com os meus netos &#8211; mas sou uma av\u00f3 um bocado maluca \u2013 sempre fiz outras coisas que nem a escola nem os pais pudessem fazer. \u00cdamos passear, ver coisas, estudar. Porque \u00e9 importante dar-lhes um outro conhecimento.<\/p>\n<p><em><br \/>\nCom esta pandemia tamb\u00e9m percebemos que muito do voluntariado, por exemplo, era assegurado por idosos, e houve institui\u00e7\u00f5es que ficaram de repente sem volunt\u00e1rios. Esta dimens\u00e3o solid\u00e1ria e de ajuda dos mais velhos tem sido devidamente valorizada?<\/em><\/p>\n<p>Tem sido boa, mas n\u00e3o sei se tem sido muito valorizada. Onde eu vivo, vejo muitas vezes coisas penduradas na porta de vizinhos meus, que eu sei que s\u00e3o de idade, e batem-lhe \u00e0 porta para dizer que est\u00e3o ali. A minha Junta de Freguesia tem esse cuidado, de telefonar para saber se est\u00e1 tudo, se \u00e9 preciso alguma coisa, e isso \u00e9 importante. Porque \u00e0s vezes os mais velhos &#8211; e digo \u2018velhos\u2019, parece que eu sou nova! &#8211; \u00e0s vezes n\u00e3o conseguem sair de casa, porque est\u00e3o mal, n\u00e3o t\u00eam fam\u00edlia. \u00c9 fundamental saber que gente idosa h\u00e1 nas freguesias, e tentar comunicar com eles para saber se \u00e9 preciso alguma coisa.<\/p>\n<p>A minha freguesia \u00e9 a das Avenidas Novas. Quando foi o 25 de Abril, houve aquela ideia de irmos todos para a janela, cantar a Gr\u00e2ndola. E eu disse: \u201cent\u00e3o n\u00e3o vamos?\u201d. Quer dizer, olha esta freguesia\u2026<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que come\u00e7ou toda a gente a cantar \u00e0 janela? E era eu a dizer adeus \u00e0 janela, a pessoas que eu nunca tinha visto. Porque, de repente, vimo-nos todos ali\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Porque \u00e9 uma freguesia envelhecida, tamb\u00e9m\u2026<\/em><\/p>\n<p>Completamente envelhecida. Mas foi t\u00e3o engra\u00e7ado\u2026 Eu estava a olhar para l\u00e1 e a dizer: eu nem sei que \u00e9 aquela pessoa. E ela tamb\u00e9m n\u00e3o, mas pronto, dizemos adeus. Agora, quando sa\u00edmos \u00e0 rua, se elas est\u00e3o l\u00e1, dizemos adeus. Posso n\u00e3o saber como \u00e9 que se chama, mas \u00e9 a minha vizinha da frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve uma grande despersonaliza\u00e7\u00e3o da sociedade, perda de rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exato. Eu tinha a minha vizinha da frente, que via todos os dias, at\u00e9 via o que ela estava fazer. N\u00e3o sabia nada, como se chamava\u2026 At\u00e9 no meu pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E agora j\u00e1 sabe?<\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00e3o sei? N\u00f3s falamos, conversamos. Tenho l\u00e1 um Alojamento Local e at\u00e9 ele, de que a gente n\u00e3o gostava nada, coitadinho, o senhor \u00e9 estrangeiro e fala-nos. De m\u00e1scara, porque sem m\u00e1scara \u00e9 que a gente n\u00e3o faz nada.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o de vizinhan\u00e7a de que falou, que a gente j\u00e1 nem sabe o que \u00e9 ser vizinho, as rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a est\u00e3o muito mais importantes. Eu vou a um caf\u00e9 \u2013 grande, que \u00e9 para a gente poder l\u00e1 estar \u2013 e vejo uma vizinha a entrar, ela sorri, fica ao p\u00e9 de mim, passado um bocado estamos na conversa, e de repente aquele caf\u00e9 fica a ser o caf\u00e9 dos vizinhos, quando ningu\u00e9m se conhecia antes\u2026 Agora a gente est\u00e1 \u201co que \u00e9 que ela est\u00e1 a fazer?\u201d. Acho que vamos ficar melhores pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pandemia revelou muitas fragilidades na forma como cuidamos dos mais velhos. Nos Lares houve situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas, n\u00e3o s\u00f3 em Portugal, como noutros pa\u00edses\u2026<\/em><\/p>\n<p>Pois, o que a pandemia tem \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o podemos dizer: \u201cIsto aqui est\u00e1 t\u00e3o mal, vou apanhar um avi\u00e3o e vou para a Espanha ou Fran\u00e7a\u201d. Est\u00e1 tudo igual ou pior. Isto tamb\u00e9m nos veio mostrar mais esta fragilidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Isto exige repensar as estruturas que temos para os mais velhos?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 se viu que os lares s\u00e3o uma coisa horr\u00edvel, a quantidade de gente que se infetava\u2026 \u00c9 muito complicado. Se calhar as pessoas, em casa, tamb\u00e9m n\u00e3o os podem ter, mas como \u00e9 que n\u00f3s vamos cuidar dos nossos velhos? Vamos p\u00f4r num lar? Eu n\u00e3o gostaria muito, mas se calhar ainda \u00e9 o melhor. Mas onde \u00e9 que pomos? Os lares s\u00e3o caros e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es\u2026 \u00c9 muito dif\u00edcil lidar com estes problemas e \u00e0s vezes as pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o podem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Importa que seja uma resposta da sociedade, mais do que um imputar de culpas \u00e0s fam\u00edlias?<\/em><\/p>\n<p>Com certeza. A fam\u00edlia, muitas vezes, tem uma casa pequena, n\u00e3o pode haver l\u00e1 mais ningu\u00e9m, tem de haver uma solu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o os lares como est\u00e3o agora, mas uma coisa parecida, em bom. Eu tinha um tio que, tudo o que via, dizia: \u201ceu tamb\u00e9m tenho, mas em bom\u201d. Aqui tamb\u00e9m era, dev\u00edamos ter os lares, mas em bom. Quer dizer, com condi\u00e7\u00f5es, onde as pessoas pudessem ir, em tempos normais, para ver os idosos, sair um bocadinho com eles, tornar a p\u00f4-los. Uma casa onde eles estivessem. E a gente sabe perfeitamente que nos lares h\u00e1 um acumular de pessoas\u2026 Vi uma vez na TV imagens que eram horrorosas, tratavam mal as pessoas. Mesmo sem Covid, \u00e9 muito complicada a condi\u00e7\u00e3o dos velhos. Pode ser que agora se pense melhor que tem de haver uma solu\u00e7\u00e3o, sem deitar \u00e0s culpas \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_181957\" aria-describedby=\"caption-attachment-181957\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-181957\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Alice-Vieira-RR-02-Foto-Joana-Goncalves-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-181957\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Joana Gon\u00e7alves\/Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Agora que desconfinamos, h\u00e1 ainda muitos cuidados a ter. Como \u00e9 que se equilibra a necessidade de prote\u00e7\u00e3o dos idosos, as principais v\u00edtimas da Covid, com a necessidade de conv\u00edvio e aten\u00e7\u00e3o que devem ter? <\/em><\/p>\n<p>Acho que se tem de fazer com eles o mesmo que tem de fazer com os mais novos, que j\u00e1 podem sair um bocadinho. A gente vai saindo com eles, tem de ter muito cuidado, usar m\u00e1scaras, n\u00e3o estar muito perto das pessoas \u2013 isso tamb\u00e9m deve ser dif\u00edcil para eles -, mas tamb\u00e9m t\u00eam de come\u00e7ar a sair um bocadinho, at\u00e9 para andarem, para se movimentarem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E para deixar de ter medo.<\/em><\/p>\n<p>Para deixar de ter medo, tamb\u00e9m. Isso \u00e9 uma coisa terr\u00edvel. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 preciso tirar todo o medo, todo o medo, sen\u00e3o tiram as m\u00e1scaras. Mas sim, h\u00e1 de passar, \u00e9 uma crise. Eles t\u00eam mesmo de sair, at\u00e9 para se movimentarem, para n\u00e3o estarem sempre dentro de casa.<\/p>\n<p>O que \u00e9 complicado \u00e9 que quando algu\u00e9m vai ter com eles, n\u00e3o se podem agarrar \u00e0 pessoa. Devagarinho, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o. Mas t\u00eam de ser motivados, realmente, a sair de casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa Francisco tem uma frase, \u201csem idosos n\u00e3o h\u00e1 futuro\u201d, que deu nome \u00e0 peti\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pela comunidade de Santo Eg\u00eddio e da qual \u00e9 uma das signat\u00e1rias, recordando os grandes problemas que se verificaram nos lares. O que \u00e9 que a levou a assinar esta peti\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Se calhar n\u00e3o devia dizer isto, mas quando recebi a peti\u00e7\u00e3o, vinda de quem vinha, disse: assino j\u00e1. Foi o cardeal Tolentino Mendon\u00e7a. Eu disse: \u201cOh Z\u00e9, nem vou ler, assino logo\u201d. Depois fui ler, claro. Esse texto, no fundo, dizia o que n\u00f3s pens\u00e1vamos e tamb\u00e9m diz\u00edamos, sobre o cuidado com os velhos, aproveit\u00e1-los. Porque n\u00e3o s\u00e3o uma coisa que se p\u00f5e de lado, h\u00e1 que aproveitar o que eles ainda podem fazer e sabem fazer. Pensei que isso era important\u00edssimo, porque os velhos sabem fazer coisas, n\u00e3o s\u00e3o in\u00fateis. Faz\u00ea-los sentir que n\u00e3o servem para nada \u00e9 horr\u00edvel. A sociedade tem de os usar, como pessoas que s\u00e3o, isso \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem tido um percurso de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja. A f\u00e9 tem-na ajudado na forma como encara a vida?<\/em><\/p>\n<p>Tem e a\u00ed o Tolentino foi muito importante. Estou-lhe sempre a dizer: n\u00e3o te perdoo teres ido embora. Mas pronto\u2026<\/p>\n<p>Antes da pandemia, ele foi celebrar Missa na Capela do Rato e a igreja encheu-se logo, claro. Achei muita gra\u00e7a porque o padre Ant\u00f3nio [Martins], quem est\u00e1 l\u00e1 agora, no lugar dele, foi busc\u00e1-lo, \u201cemin\u00eancia\u201d, levou-o l\u00e1, disse o que tinha a dizer, o padre Ant\u00f3nio voltou a dizer \u201cemin\u00eancia\u201d, depois olhou e disse: \u201cDesculpa l\u00e1, mas para n\u00f3s tu h\u00e1s de ser sempre o Jos\u00e9 Tolentino\u201d. A rela\u00e7\u00e3o dele \u00e9 muito pr\u00f3xima, muito afetuosa.<\/p>\n<p>O meu marido era cat\u00f3lico. Mas era assim\u2026 Dizia que era cat\u00f3lico, mas estava zangado com a hierarquia, pronto. E, portanto, fui um bocado por ali. Quando ele morreu, j\u00e1 h\u00e1 16 anos, fui-me um bocado abaixo. Foi muito importante o Tolentino para mim, realmente ele ouvia-me a toda a hora e todo o momento, a minha aproxima\u00e7\u00e3o vem a partir da\u00ed. \u00c9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 uma dimens\u00e3o importante na sua vida?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, \u00e9 muito importante. Fa\u00e7o aquilo que posso. Agora, na pandemia, via a Missa pelo computador, n\u00e3o era a mesma coisa. Mas ter de ligar para l\u00e1 e reservar lugar, porque a Capela \u00e9 muito pequenina\u2026 custa-me muito. Eu vou vendo e assistindo, porque me custa muito ver pouca gente ali, a Capela do Rato estava sempre \u00e0 cunha e, de repente, tem de se marcar, como nos cinemas. Mas fez-me realmente muito bem, isso fez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sendo escritora, h\u00e1 uma pergunta que tenho de fazer: podemos esperar um livro, no final desta pandemia, com reflex\u00f5es sobre esta experi\u00eancia? Ou outra experi\u00eancia qualquer\u2026<\/em><\/p>\n<p>Podem esperar, com certeza. A gente tem de arranjar coisas para fazer, sen\u00e3o fica doida. Falei com uma amiga, que tamb\u00e9m \u00e9 escritora, a Manuela Niza, e estamos a fazer um romance, que \u00e9 publicado nas nossas p\u00e1ginas do Facebook. Cada faz um cap\u00edtulo e n\u00e3o assina, portanto, ningu\u00e9m sabe quem \u00e9 que escreveu o qu\u00ea, no final vamos perguntar para ver se as pessoas adivinham. Chama-se \u2018P\u00f3 de arroz e Janelinha\u2019. Era para se chamar \u2018Menina que est\u00e1s \u00e0 janela\u2019, mas esse nome j\u00e1 estava\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 a hist\u00f3ria de um pr\u00e9dio onde est\u00e3o pessoas que n\u00e3o podem sair. Agora j\u00e1 podem sair um bocadinho. \u00c9 quase a evolu\u00e7\u00e3o da pandemia naquelas pessoas. Uma \u00e9 jornalista, outra \u00e9 dona de casa\u2026 Isso anima-nos muito, porque a gente ri-se imenso a fazer aquilo, e o meu patr\u00e3o da Leya j\u00e1 disse que, quando estiver acabado, que publica. De maneira que, quando estiver acabado, vem c\u00e1 para fora o \u2018P\u00f3 de arroz e Janelinha\u2019.<\/p>\n<p>Esta era uma frase que me acompanhou muito na minha inf\u00e2ncia, porque me diziam \u2013 eu n\u00e3o vivia com a minha m\u00e3e \u2013 que a minha m\u00e3e, quando era crian\u00e7a, l\u00e1 na aldeia, n\u00e3o queria fazer nada e a \u00fanica que dizia era: \u201cS\u00f3 quero \u00e9 p\u00f3 de arroz e janelinha\u201d De maneira que peguei naquilo e \u00e9 o t\u00edtulo da hist\u00f3ria. Mas tem coisas s\u00e9rias, tamb\u00e9m, a gente n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 a brincar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Naturalmente. E vai sair quando?<\/em><\/p>\n<p>A gente n\u00e3o sabe muito bem quando \u00e9 que acaba, mas mais uma semanita ou isso\u2026 40 cap\u00edtulos ainda \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritora acredita que a pandemia fez aproximar mais fam\u00edlias e vizinhos, mas tamb\u00e9m mostrou que \u00e9 urgente repensar as respostas de apoio aos idosos. Numa conversa a prop\u00f3sito do Dia dos Av\u00f3s, fala da falta que sente dos abra\u00e7os aos netos, e da preocupa\u00e7\u00e3o que passou a ter em telefonar a quem est\u00e1 mais s\u00f3. 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