{"id":18091,"date":"2006-05-20T10:52:28","date_gmt":"2006-05-20T10:52:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/20\/recuperar-a-religiosidade-dos-caminhos-de-santiago\/"},"modified":"2006-05-20T10:52:28","modified_gmt":"2006-05-20T10:52:28","slug":"recuperar-a-religiosidade-dos-caminhos-de-santiago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/recuperar-a-religiosidade-dos-caminhos-de-santiago\/","title":{"rendered":"Recuperar a religiosidade dos Caminhos de Santiago"},"content":{"rendered":"<p>O professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa no Porto, Arlindo de Magalh\u00e3es, defendeu ontem em Barcelos que \u00e9 urgente recuperar o sentido religioso dos Caminhos de Santiago em Portugal que, segundo sustentou, est\u00e1 a perder-se.  O alerta foi deixado no decorrer do semin\u00e1rio \u201cTraslatio \u2013 Heran\u00e7a do Caminho Portugu\u00eas de Santiago\u201d, uma iniciativa organizada pelas C\u00e2maras de Barcelos, Ponte de Lima, Paredes de Coura e Valen\u00e7a em parceria com a Universidade Fernando Pessoa e a Fundaci\u00f3n Comarcal de Santiago. Para Arlindo de Magalh\u00e3es, a dimens\u00e3o simb\u00f3lico-religiosa dos Caminhos de Santiago est\u00e1 a desaparecer, porque, na sua opini\u00e3o, h\u00e1 outras vertentes que se est\u00e3o a impor. Ou seja, hoje o caminho \u00e9 percorrido por muitas raz\u00f5es, que v\u00e3o desde o esoterismo at\u00e9 ao aproveitamento tur\u00edstico, e quase j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 peregrinos religiosos.  Na sua interven\u00e7\u00e3o, o professor considerou que o Caminho de Santiago, de origem pag\u00e3 de peregrina\u00e7\u00e3o e cristianizado a partir da Idade M\u00e9dia \u00e9 \u00abuma experi\u00eancia radical religiosa \u00bb, considerando, j\u00e1 no per\u00edodo do debate, que \u00abele hoje deve ser tudo o que foi no passado\u00bb. \u00abS\u00f3 tenho medo que os interesses econ\u00f3micos matem as val\u00eancias m\u00faltiplas do caminho \u00bb, acrescentou.  Em declara\u00e7\u00f5es ao Di\u00e1rio do Minho, Arlindo de Magalh\u00e3es defendeu que no futuro \u00e9 necess\u00e1rio travar uma luta pela verdade hist\u00f3rica e cultural do caminho. \u00ab\u00c9 preciso, sobretudo, lutar pelo esp\u00edrito do caminho, pelo valor simb\u00f3lico do caminhar que n\u00e3o \u00e9 unicamente exclusivo do cristianismo \u00bb, disse.  Neste painel, que decorreu da parte da manh\u00e3, participou tamb\u00e9m Brochado de Almeida, da Universidade do Porto, que tra\u00e7ou um quadro hist\u00f3rico dos Caminhos de Santiago. Segundo explicou, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acreditar que havia apenas um caminho.  O mais antigo, que ter\u00e1 sofrido v\u00e1rias muta\u00e7\u00f5es ao longo dos s\u00e9culos, partia de Braga, pela sua centralidade, passava por Ponte de Lima, onde estava a \u00fanica ponte, seguindo depois por Paredes de Coura e Valen\u00e7a. Este era o tra\u00e7ado mais f\u00e1cil, mais directo e com mais apoios, real\u00e7ou.  O arque\u00f3logo Sande Lemos, da Universidade do Minho, considerou, por sua vez, que os Caminhos de Santiago s\u00e3o \u00abum regresso \u00e0 paisagem\u00bb. Na sua opini\u00e3o, estes caminhos n\u00e3o s\u00e3o como as \u201cauto-estradas\u201d romanas. A variedade de trajectos, sustentou, s\u00e3o uma oportunidade para se desvendar o passado. \u00abS\u00e3o a chave decisiva para descobrir o tempo que o territ\u00f3rio esconde\u00bb, disse.  O semin\u00e1rio \u201cTraslatio \u2013 Heran\u00e7a do Caminho Portugu\u00eas de Santiago\u201d, que encerra hoje com uma visita aos quatro concelhos organizadores, \u00e9 o culminar de um projecto financiado pelo Interreg III-A, existindo j\u00e1 uma segunda edi\u00e7\u00e3o assegurada.  No Traslatio II, que vai decorrer entre 2006 e 2007, com um or\u00e7amento de 1.535.000 Euros, v\u00e3o ser efectuadas 23 interven\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o patrimonial, disse ao Di\u00e1rio do Minho Fernando Vicente Davila. Segundo o xerente da Fundaci\u00f3n Comarcal de Santiago, no Caminho de Santiago portugu\u00eas estas interven\u00e7\u00f5es ir\u00e3o contemplar igrejas, adros e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais. Ser\u00e3o tamb\u00e9m efectuadas uma curta- -metragem e uma exposi\u00e7\u00e3o itinerante, e promovidos semin\u00e1rios para interc\u00e2mbios de ideias.  Para culminar o Traslatio, que termina no final pr\u00f3ximo m\u00eas de Junho, Fernando Davila real\u00e7ou que foi fundamental a realiza\u00e7\u00e3o deste semin\u00e1rio, onde, para al\u00e9m das palestras que decorreram durante todo o dia, ser\u00e1 feito hoje o lan\u00e7amento, em Valen\u00e7a, da publica\u00e7\u00e3o \u201cGuia para os Pequenos Caminhantes do Caminho Portugu\u00eas\u201d e a inaugura\u00e7\u00e3o, em Ponte de Lima, de uma p\u00e1gina na Internet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa no Porto, Arlindo de Magalh\u00e3es, defendeu ontem em Barcelos que \u00e9 urgente recuperar o sentido religioso dos Caminhos de Santiago em Portugal que, segundo sustentou, est\u00e1 a perder-se. 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