{"id":180813,"date":"2020-07-10T07:00:47","date_gmt":"2020-07-10T06:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=180813"},"modified":"2020-07-10T10:19:49","modified_gmt":"2020-07-10T09:19:49","slug":"e-preciso-evitar-que-a-pessoa-volte-a-condicao-de-sem-abrigo-henrique-joaquim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-preciso-evitar-que-a-pessoa-volte-a-condicao-de-sem-abrigo-henrique-joaquim\/","title":{"rendered":"\u00ab\u00c9 preciso evitar que a pessoa volte \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo\u00bb &#8211; Henrique Joaquim"},"content":{"rendered":"<p><em>Ligado durante anos \u00e0 Comunidade Vida e Paz, \u00e9 desde janeiro deste ano o gestor da\u00a0Estrat\u00e9gia Nacional de Integra\u00e7\u00e3o dos Sem-abrigo.\u00a0Henrique Joaquim fala \u00e0 Renascen\u00e7a e Ecclesia do impacto da pandemia nesta popula\u00e7\u00e3o e dos projetos para que ningu\u00e9m viva na rua, at\u00e9 2023.<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-180816 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1502-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Quando iniciou fun\u00e7\u00f5es, h\u00e1 meio ano, manifestou-se confiante nas metas tra\u00e7adas at\u00e9 2023. A pandemia est\u00e1 a obrigar a grandes altera\u00e7\u00f5es na estrat\u00e9gia definida para esta \u00e1rea?<\/em><\/p>\n<p>Em termos de meta n\u00e3o, em termos de etapas sim. Em mar\u00e7o estava j\u00e1 com uma din\u00e2mica muito interessante de visitar os locais todos que j\u00e1 t\u00eam n\u00facleos de interven\u00e7\u00e3o, isso teve de ser interrompido e s\u00f3 recentemente \u00e9 que consegui retomar. Agora, a meta continua exatamente a ser a mesma: \u00e9 trabalhar para que a n\u00edvel local haja as condi\u00e7\u00f5es mais adequadas poss\u00edvel para tirar da condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo as pessoas que j\u00e1 est\u00e3o nela, mas de prefer\u00eancia tamb\u00e9m come\u00e7armos a investir em condi\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o, para evitar que as pessoas cheguem a essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 um aumento da pobreza e da precariedade econ\u00f3mica. Na pr\u00e1tica o que \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel fazer e j\u00e1 est\u00e1 a ser feito para evitar que pessoas que est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de pobreza limite acabem na rua?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 houve medidas muito concretas, como o prolongar de forma autom\u00e1tica a renova\u00e7\u00e3o do Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o (RSI), do subs\u00eddio social de desemprego, o facilitar o acesso ao pr\u00f3prio RSI a pessoas que ca\u00edram na situa\u00e7\u00e3o de pobreza ultimamente. O facto de estarmos muito pr\u00f3ximos e dependentes diretamente da pessoa do governo que tem esta pasta (a ministra do trabalho), permite trabalhar para que as medidas de prote\u00e7\u00e3o social sejam t\u00e3o \u00e1geis quanto poss\u00edvel, para que as pessoas n\u00e3o fiquem sem recursos e n\u00e3o caiam nesta situa\u00e7\u00e3o extrema.<\/p>\n<p>As morat\u00f3rias sobre a habita\u00e7\u00e3o t\u00eam sido cruciais nisso, a pr\u00f3pria morat\u00f3ria sobre as hipotecas ou sobre os arrendamentos tamb\u00e9m contribuiu para essa preven\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes parece que s\u00e3o medidas que n\u00e3o est\u00e3o articuladas, mas est\u00e3o, e t\u00eam o objetivo de evitar que a pessoa caia na pobreza e, acima de tudo, caia em situa\u00e7\u00f5es extremas de pobreza, que s\u00e3o muito mais dif\u00edceis de reverter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, com a crise econ\u00f3mica prev\u00ea um aumento exponencial da popula\u00e7\u00e3o sem-abrigo nas grandes cidades?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o quero entrar por a\u00ed\u2026 N\u00e3o \u00e9 por estar com medo dos n\u00fameros, estamos a fazer esse trabalho de atualiza\u00e7\u00e3o dos dados, j\u00e1 t\u00ednhamos previsto faz\u00ea-lo, para termos a no\u00e7\u00e3o de como \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o estava em dezembro de 2019, mas por causa da pandemia estamos a tentar fazer dois em um: saber como est\u00e1vamos em dezembro de 2019 e em abril de 2020, para percebermos qual foi o impacto nos primeiros 4 meses\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E se a pandemia provocou um aumento\u2026<\/em><\/p>\n<p>Mas ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dar esses dados, porque estamos a faz\u00ea-lo n\u00e3o apenas nos n\u00facleos de interven\u00e7\u00e3o, com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, mas em todos os concelhos do pa\u00eds. Assim que os dados estejam c\u00e1 fora poderemos ver qual \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o em termos nacionais e regionais, e a n\u00edvel local perceber se h\u00e1 concelhos onde eventualmente essas situa\u00e7\u00f5es possam estar a acontecer, ou outros onde possa ter havido mobilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, o investimento que \u00e9 feito no terreno, para ajudar as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, \u00e9 proporcional ao que \u00e9 feito na preven\u00e7\u00e3o? \u00c0s vezes fica-se com a ideia de que h\u00e1 muito mais trabalho no terreno do que aquele que est\u00e1 por tr\u00e1s\u2026<\/em><\/p>\n<p>A pandemia trouxe-nos v\u00e1rios aspetos positivos, e um deles foi este:\u00a0o confinamento da popula\u00e7\u00e3o em geral tornou muito mais vis\u00edvel a condi\u00e7\u00e3o em que estas pessoas est\u00e3o, e obrigou-nos a tomar medidas de urg\u00eancia.\u00a0Como acontece em todos os problemas sociais, quando vemos a necessidade o\u00a0primeiro impulso \u00e9 resolv\u00ea-la. Mas, uma das nossas prioridades \u00e9 trazer para a agenda, e depois de trazer para a agenda, ou ao mesmo tempo que trazemos para a agenda, trazer para o plano tamb\u00e9m a dimens\u00e3o da preven\u00e7\u00e3o, e a v\u00e1rios n\u00edveis. Desde logo\u00a0a pr\u00f3pria interven\u00e7\u00e3o que se faz, \u00e9 preciso garantir que \u00e9 suficientemente consistente e que o acompanhamento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 suprir as necessidades b\u00e1sicas, \u00e9 garantir que se evita que a pessoa volte \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo. Isso j\u00e1 \u00e9 uma forma de preven\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m, como fal\u00e1vamos h\u00e1 pouco, ter medidas de prote\u00e7\u00e3o social que permitam que a pessoa n\u00e3o tenha de chegar \u00e0quela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 trabalho feito, mas n\u00e3o \u00e9 explicitado, e esse \u00e9 um esfor\u00e7o que estamos todos a fazer neste momento, inclusive com as equipas locais, explicitar na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o a intencionalidade de haver objetivos ao n\u00edvel da preven\u00e7\u00e3o, e garantir n\u00e3o s\u00f3 os que j\u00e1 se fazem, mas outros que possam ser feitos, identificando quem s\u00e3o os grupos de risco. Se os identificarmos conseguimos ter a\u00e7\u00f5es mais a montante, para prevenir que a pessoa\u00a0pode ter o risco, mas n\u00e3o cai na situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ao n\u00edvel da sa\u00fade mental, n\u00e3o s\u00f3 a quest\u00e3o das depend\u00eancias, mudou alguma coisa no apoio aos sem-abrigo?<\/em><\/p>\n<p>Uma das a\u00e7\u00f5es que tivemos de interromper, mas que vamos retomar, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de todos os t\u00e9cnicos que est\u00e3o a intervir nesta \u00e1rea, exatamente sobre formas mais \u00e1geis de referenciar as pessoas com esta dimens\u00e3o de comorbilidade, que associa o facto de estarem sem teto a terem problemas de sa\u00fade mental.\u00a0Durante a pandemia conseguimos, nos grandes centros, ter o apoio de m\u00e9dicos psiquiatras nas unidades de emerg\u00eancia que foram criadas.\u00a0Depois \u00e9 fazer o trabalho de encaminhamento para as respostas que j\u00e1 existem ao n\u00edvel da sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u00c9 efetivamente uma das dimens\u00f5es que temos de ter em conta, mas n\u00e3o a \u00fanica, e\u00a0\u00e9 importante n\u00e3o associar de forma muito linear \u2013 como \u00e0s vezes a opini\u00e3o p\u00fablica faz &#8211; a condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo a problemas de sa\u00fade mental. H\u00e1 muitas pessoas na condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo que n\u00e3o t\u00eam necessariamente problemas de doen\u00e7a mental, e \u00e9 importante n\u00e3o criarmos por a\u00ed o estigma.\u00a0Para aqueles que t\u00eam, estamos a investir fortemente em respostas que sejam adequadas, como \u00e9 por exemplo a linha de apoio e financiamento \u00e0s equipas t\u00e9cnicas dos projetos de \u2018Housing First\u2019, um conceito que visa dar resposta \u00e0s pessoas que t\u00eam este perfil e precisam de ter um apoio t\u00e9cnico para n\u00e3o reverter a situa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o habita\u00e7\u00f5es individualizadas, de prefer\u00eancia j\u00e1 com car\u00e1ter definitivo, e s\u00e3o uma resposta muito adequada, pelo menos os dados dos projetos que j\u00e1 existem apontam claramente nesse sentido. Da\u00ed uma das medidas que estamos a implementar \u00e9 o apoio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 tinham manifestado interesse em ter equipas t\u00e9cnicas nesta \u00e1rea. Havendo disponibilidade habitacional das autarquias, a Seguran\u00e7a Social financia a interven\u00e7\u00e3o das equipas que fazem esse suporte. Ou seja,\u00a0n\u00e3o \u00e9 suficiente suprir a necessidade b\u00e1sica que \u00e9 o teto, a casa, \u00e9 fundamental garantir que essas pessoas t\u00eam um acompanhamento t\u00e9cnico em termos de interven\u00e7\u00e3o social, e com os recursos que sejam necess\u00e1rios, seja da sa\u00fade, seja da justi\u00e7a, os que foram fundamentais para apoiar a pessoas, porque a interven\u00e7\u00e3o tem de ser integrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sem esse acompanhamento n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a integra\u00e7\u00e3o destas pessoas?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 muito mais dif\u00edcil, a pr\u00f3pria pessoa fica vulner\u00e1vel a voltar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o anterior.\u00a0Estamos a trabalhar com situa\u00e7\u00f5es complexas, \u00a0e a interven\u00e7\u00e3o tem de ser integrada nas diferen\u00e7as respostas, mas tamb\u00e9m integral: h\u00e1 que atender \u00e0 dimens\u00e3o f\u00edsica da pessoa, mas tamb\u00e9m \u00e0 sua dimens\u00e3o\u00a0mental, psicol\u00f3gica e at\u00e9,\u00a0 num sentido mais alargado, espiritual.\u00a0Estas pessoas t\u00eam de ser integradas pela via da cultura, pela via dos la\u00e7os afetivos e sociais, da integra\u00e7\u00e3o na sua comunidade de vizinhos, de bairro, para poder ter aquilo que nos suporta a todos, e que na g\u00edria chamamos a &#8216;rede de suporte social&#8217;, n\u00e3o ficar isolado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os projetos &#8216;Housing First&#8217; que j\u00e1 existem est\u00e3o a dar resultado? O investimento que tem sido feito \u00e9 suficiente, devia ser refor\u00e7ado?<\/em><\/p>\n<p>Estamos a fechar o per\u00edodo em que estas 13 candidaturas, ou manifesta\u00e7\u00f5es de interesse que foram feitas, foram todas aprovadas. As organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o a entregar a documenta\u00e7\u00e3o para depois se passar aos contratos programa e ao financiamento propriamente dito.<\/p>\n<p>Os estudos de avalia\u00e7\u00e3o das respostas que j\u00e1 havia indicam que t\u00eam um elevado \u00edndice de sucesso, designadamente o \u2018Housing First\u2019, para pessoas em situa\u00e7\u00f5es mais cr\u00f3nicas, com per\u00edodos longos na situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, e que associam muitas vezes problemas de doen\u00e7a mental, ou seja, com perfis que requerem uma resposta mais individualizada.<\/p>\n<p>Quando estes 13 projetos estiverem em velocidade cruzeiro, como esperamos ter muito em breve, e tendo os resultados da avalia\u00e7\u00e3o da caracteriza\u00e7\u00e3o das pessoas em 2019\/2020, estaremos em condi\u00e7\u00f5es de reavaliar o que \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio investir mais, e onde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_180815\" aria-describedby=\"caption-attachment-180815\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-180815\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/AE8A1527.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-180815\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Sofia Moreira\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Esse \u2018muito em breve\u2019 significa o qu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>Como lhe disse, esta implementa\u00e7\u00e3o, quer do projeto em Housing First, que \u00e9 a resposta individualizada, quer dos apartamentos partilhados, que para n\u00f3s \u00e9 importante, porque \u00e9 complementar \u2013 porque vai responder a outro perfil -, quer o levantamento dos danos, estas tr\u00eas etapas, digamos assim, v\u00e3o estar conclu\u00eddas em simult\u00e2neo. As respostas habitacionais, j\u00e1 este m\u00eas, os processos burocr\u00e1ticos e administrativos estar\u00e3o feitos \u2013 est\u00e3o a decorrer os dos apartamentos partilhados; do Housing First, est\u00e3o em processo de entregar a documenta\u00e7\u00e3o. Portanto, durante o m\u00eas de julho umas candidaturas entrar\u00e3o em velocidade de cruzeiro; os apartamentos partilhados, durante julho, agosto, dever\u00e3o entrar em funcionamento. At\u00e9 ao final do ano estar\u00e3o em velocidade de cruzeiro.<\/p>\n<p>At\u00e9 final do ano teremos os resultados dos question\u00e1rios, de dezembro e de abril, que j\u00e1 foram aplicados. O que o grupo de trabalho est\u00e1 a fazer \u00e9 ser mais rigoroso nas respostas e perceber onde houve discrep\u00e2ncias, quer para redu\u00e7\u00f5es significativas, quer para aumentos nos n\u00fameros, perceber se foi s\u00f3 uma quest\u00e3o de preenchimento ou quais foram as raz\u00f5es que os locais apontam j\u00e1 para justificar esses aumentos. Assim, quando sair o relat\u00f3rio, isso j\u00e1 vem de forma consistente. Mas estamos a tentar cruzar a implementa\u00e7\u00e3o das respostas \u2013 e estas respostas visam j\u00e1 dar seguimento o trabalho que foi feito durante a pandemia, nestes espa\u00e7os que foram criados, 21, para al\u00e9m dos que j\u00e1 existiam. Queremos prevenir que este movimento \u2013 muito positivo, muito significativo, este movimento de pessoas que aderiram \u00e0s respostas de emerg\u00eancia -, evitar que estas pessoas voltem outra vez a condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo e aproveitar esse el\u00e3 que foi criado, para elas transitarem seja para o \u2018Housing First\u2019 seja para habita\u00e7\u00e3o partilhada, conforme o perfil. A\u00ed s\u00e3o as equipas que v\u00e3o, que est\u00e3o l\u00e1 diariamente com as pessoas, e que v\u00e3o adequar qual \u00e9 que \u00e9 melhor para cada perfil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este tempo de pandemia revelou muita coisa em rela\u00e7\u00e3o aos sem-abrigo. N\u00e3o sei se \u00e9 correto dizer que as pessoas nestas condi\u00e7\u00f5es ficaram mais desprotegidos, nomeadamente durante o confinamento. Sabemos que houve organiza\u00e7\u00f5es que deixaram de prestar apoio na rua; mesmo aquelas que faziam apoio mais dentro de casa, que forneciam refei\u00e7\u00e3o quente at\u00e9 tomar banho, os planos de conting\u00eancia tamb\u00e9m foram sendo sucessivamente alterados ao longo desta fase. Houve situa\u00e7\u00f5es muito complicadas?<\/em><\/p>\n<p>Nos primeiros dias foi, de facto, dif\u00edcil, uma situa\u00e7\u00e3o abrupta em que a mensagem fundamental \u00e9: fique em casa. Temos aqui, desde logo a contradi\u00e7\u00e3o, de todos n\u00f3s sermos mandados para casa e haver pessoas que n\u00e3o tinham casa para onde ir. Fosse por medo, fosse porque, de facto, as pessoas -profissionais, volunt\u00e1rios \u2013 tinham tamb\u00e9m limita\u00e7\u00f5es quer familiares, quer de sa\u00fade, e que tiveram de se remeter ao confinamento. A\u00ed houve, diria na primeira, segunda semana, situa\u00e7\u00f5es em que o desafio foi acrescido e foi muito maior, mas, como disse, as respostas foram tamb\u00e9m muito imediatas.<\/p>\n<p>Todos os servi\u00e7os que existiam at\u00e9 aquela altura continuaram a funcionar: nomeadamente, ao n\u00edvel dos alojamentos foram criados mais 21, a n\u00edvel nacional, n\u00e3o foi s\u00f3 nas grandes cidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os centros de acolhimento?<\/em><\/p>\n<p>Sim, foram unidades de emerg\u00eancia. Eu gosto mais de chamar-lhes unidades, porque nem todos foram espa\u00e7os f\u00edsicos como centros de acolhimento: tivemos parques de campismo, tivemos pavilh\u00f5es polidesportivos. Foi o que as equipas locais, juntamente com as autarquias, conseguiram disponibilizar para responder t\u00e3o r\u00e1pido quanto poss\u00edvel e aceitamos todos este grande desafio que foi n\u00e3o deixar essas pessoas desprotegidas. Implicou, em certa medida, acolh\u00ea-las e na altura disseram-nos: \u2018mas ent\u00e3o a mandar cada pessoa para casa e voc\u00eas est\u00e3o a juntar as pessoas?\u201d. Sim, estamos a juntar, mas porque temos de manter o contacto com elas, elas t\u00eam a ser apoiadas mais do que nunca. Tamb\u00e9m t\u00eam de ser protegidas, do ponto de vista da sa\u00fade, desta doen\u00e7a em concreto. Tivemos de lhes dar informa\u00e7\u00e3o, tivemos de dar forma\u00e7\u00e3o, tivemos de sensibilizar para a higiene, para a etiqueta respirat\u00f3ria, como todos n\u00f3s tivemos de ser formados. O que garantimos foi que nesses espa\u00e7os, nessas unidades, foram respeitadas as regras de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Portanto, esses espa\u00e7os foram sempre criados com o apoio da Prote\u00e7\u00e3o Civil local, com as orienta\u00e7\u00f5es da Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Sa\u00fade, com as orienta\u00e7\u00f5es que a pr\u00f3pria estrat\u00e9gia nacional depois elaborou, para todas as equipas locais de terem como como refer\u00eancia, e num contacto muito pr\u00f3ximo meu, com cada uma das equipas, contacto di\u00e1rio &#8211; \u00e0s vezes mais do que uma vez ao dia &#8211; para estarmos a fazer, de facto este, este desafio que era aproximar-nos das pessoas, mas proteg\u00ea-las tamb\u00e9m do ponto de vista da sa\u00fade, garantindo a seguran\u00e7a de todos os envolvidos.<\/p>\n<p>Nas situa\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas, por exemplo, recorremos ao apoio das For\u00e7as Armadas, extraordin\u00e1rias tamb\u00e9m, o que permitiu que algumas das organiza\u00e7\u00f5es que trabalham muito com volunt\u00e1rios e que tiveram redu\u00e7\u00e3o de pessoas, permitiu um o ajustamento e hoje j\u00e1 est\u00e1 mais normalizado.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Quantas pessoas foram acolhidas nestes centros?<\/em><\/p>\n<p>Foram acolhidas mais de 500 pessoas, sendo que a maioria delas, as que vieram a estes centros, muitas delas j\u00e1 eram pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 alguns dados sobre o impacto da doen\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o sem-abrigo?<\/em><\/p>\n<p>Aconteceu uma situa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, que do meu ponto de vista tem duas hip\u00f3teses explicativas, que se complementam. N\u00f3s, at\u00e9 \u00e0 data de hoje, temos reportados dois casos positivos e um deles nem foi numa das unidades de emerg\u00eancia, foi numa unidade que j\u00e1 existia, mas que foram tratados de acordo com o protocolo seguran\u00e7a da Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Sa\u00fade, a situa\u00e7\u00e3o foi sinalizada.<\/p>\n<p>Um dos crit\u00e9rios destes destas unidades era que em todas as pessoas eram feito o despiste dos sintomas da doen\u00e7a, para detetar o mais precocemente poss\u00edvel alguns desses casos. Foi a\u00ed que apareceram essas duas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Portanto, s\u00e3o dados cred\u00edveis? <\/em><\/p>\n<p>Sim, at\u00e9 hoje. O que isto revela, do meu ponto de vista, \u00e9 que houve um trabalho extraordinariamente bem feito pelas equipas locais &#8211; e quando equipas, digo conjunto, de prop\u00f3sito, porque foram os t\u00e9cnicos, mas foi tamb\u00e9m a Prote\u00e7\u00e3o Civil, foram os servi\u00e7os de sa\u00fade que apoiaram estas equipas, foram as autarquias, sejam as c\u00e2maras ou as pr\u00f3prias juntas de freguesia.<\/p>\n<p>A segunda hip\u00f3tese que eu coloco \u00e9 que existiu um comportamento, &#8211; \u00e9 normal que em mais de 500 pessoas haja comportamentos \u00e0s vezes menos adequados \u2013 mas, de uma forma generalizada, as pr\u00f3prias pessoas em condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo adotaram, interiorizaram muito bem os comportamentos de prote\u00e7\u00e3o, quer de higiene, quer de aceitar o despiste di\u00e1rio dos sintomas. Eu acho que isto permitiu que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o tiv\u00e9ssemos, felizmente, nenhum surto nesta popula\u00e7\u00e3o nem nos volunt\u00e1rios ou nos profissionais que trabalham com estas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em junho houve uma concentra\u00e7\u00e3o de sem-abrigo frente ao Parlamento para lembrarem continuam \u201cinvis\u00edveis\u201d e que a rua \u201cn\u00e3o \u00e9 uma escolha\u201d, que precisam de casa. Isto foi um ato in\u00e9dito. Os sem-abrigo est\u00e3o cansados de promessas?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei se foi nesse sentido. A manifesta\u00e7\u00e3o enquanto tal foi, de facto, um ato in\u00e9dito e muito bem, porque eu acho que se temos de investir na preven\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m temos investido &#8211; embora n\u00e3o de forma medi\u00e1tica, mas temos investido &#8211; para que as pr\u00f3prias pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo tenham uma voz ativa no processo.<\/p>\n<p>Anteriormente a essa manifesta\u00e7\u00e3o j\u00e1 t\u00ednhamos feito no pr\u00f3prio minist\u00e9rio -e tamb\u00e9m foi uma das a\u00e7\u00f5es que tivemos de interromper &#8211; uma reuni\u00e3o com 24 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, no sal\u00e3o nobre do minist\u00e9rio, a falar diretamente com a senhora ministra e com dois t\u00e9cnicos a tomar notas, com um caderno de encargos altamente elevado.<\/p>\n<p>Tem sido uma postura que temos continuado a fazer \u2013 tamb\u00e9m j\u00e1 fizemos impress\u00f5es na rua acompanhados por uma pessoa que j\u00e1 esteve na condi\u00e7\u00e3o, que hoje est\u00e1 integrada e conhece muito bem a rua, porque esteve v\u00e1rios anos na rua e conhece algumas das pessoas que est\u00e3o na rua. Fazer uma ida \u00e0 rua, desse ponto de vista, \u00e9 muito rico tamb\u00e9m, porque chegamos a pormenores e vemos situa\u00e7\u00f5es que, de outra forma, n\u00e3o vislumbrar\u00edamos, mas este comportamento \u00e9 para manter. Mesmo na pr\u00f3pria estrutura formal, na pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o formal da estrat\u00e9gia temos vindo a fazer tentativas para que haja uma\u2026 j\u00e1 h\u00e1 representa\u00e7\u00e3o das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo por via das institui\u00e7\u00f5es, mas queremos que essa representa\u00e7\u00e3o seja em discurso direto, queremos que sejam os pr\u00f3prios a encontrar os seus representantes para falar na mesma plataforma onde falam os volunt\u00e1rios e t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>Queremos cada vez mais dar corpo a uma m\u00e1xima que no Norte j\u00e1 existe e que temos divulgado pelo pa\u00eds todo: \u201cNada sobre n\u00f3s sem n\u00f3s\u201d. Eu acho isso muito importante.<\/p>\n<p>Essa manifesta\u00e7\u00e3o veio na linha do que do que j\u00e1 est\u00e1vamos a fazer. Sendo um problema complexo n\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil responder de uma forma t\u00e3o r\u00e1pida quanto expect\u00e1vel \u00e0s necessidades destas pessoas, mas que h\u00e1 o compromisso e h\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o desse compromisso de ouvir diretamente, como recentemente voltamos a fazer &#8211; seja com o senhor presidente, sejam sem o senhor presidente- de ir \u00e0 rua falar diretamente com estas pessoas. \u00c9 uma tarefa que temos no nossa no nosso plano de a\u00e7\u00e3o e vamos continuar a fazer.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O apoio do presidente \u00e9 importante, continua a ser importante?<\/em><\/p>\n<p>O apoio de todos \u00e9 fundamental, sem desvalorizar o apoio do senhor presidente, que, obviamente, como maior magistrado da na\u00e7\u00e3o tem aqui uma magistratura de influ\u00eancia muito importante e teve desde 2015\/2016, desde que assumiu este compromisso. Eu diria que um problema social desta natureza ter\u00e1 tanta maior probabilidade de sucesso quanto maior envolvimento tiver da nossa sociedade civil, de forma desde a mais simples \u00e0 pol\u00edtica e representativa.<\/p>\n<p>O apelo que n\u00f3s que n\u00f3s deixamos \u00e9 que esta causa n\u00e3o \u00e9 uma causa de um ou doutros, de A, B ou C, tem de ser uma causa toda, tem de ser -e o senhor presidente usa muitas vezes essa express\u00e3o- um des\u00edgnio nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vai ser poss\u00edvel cumprir a meta definida de, at\u00e9 2023, deixarmos de ter pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que sim. N\u00f3s n\u00e3o temos de ter medo, pelo contr\u00e1rio, temos de ser ousados, colocar uma meta e responder por ela. N\u00e3o tendo metas, o risco que corremos \u00e9 normalizar a situa\u00e7\u00e3o e a situa\u00e7\u00e3o nunca pode ficar normalizada. Temos de ter permanentemente esse desafio.<\/p>\n<p>Como eu disse no in\u00edcio, ainda que tenhamos de ajustar etapas, a meta tem de existir. Agora, fazendo esta avalia\u00e7\u00e3o podemos eventualmente ter de equacionar outras a\u00e7\u00f5es, mas temos de ter a meta e a meta tem de ser ambiciosa ao ponto de acreditarmos que a situa\u00e7\u00e3o sem-abrigo \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o revers\u00edvel.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros parceiros a n\u00edvel internacional que tamb\u00e9m partilham desse des\u00edgnio e, portanto, n\u00e3o estamos sozinhos nesse desafio que \u00e0s vezes pode parecer ut\u00f3pico, mas se n\u00e3o for n\u00f3s n\u00e3o sabemos para onde vamos.<\/p>\n<p>Portanto, sim, \u00e9 bom termos a meta, n\u00e3o termos medo de assumir e mais uma vez, se calhar, percebermos que todos somos importantes.<\/p>\n<p>Se for resolvido, em primeiro lugar, \u00e9 o sucesso da vida daquelas pessoas; em segundo lugar, estaremos todos, em termos sociais, muito mais, diria, mais realizados, mais satisfeitos. Porque n\u00e3o ter ningu\u00e9m na rua deixa-nos a todos mais realizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ligado durante anos \u00e0 Comunidade Vida e Paz, \u00e9 desde janeiro deste ano o gestor da\u00a0Estrat\u00e9gia Nacional de Integra\u00e7\u00e3o dos Sem-abrigo.\u00a0Henrique Joaquim fala \u00e0 Renascen\u00e7a e Ecclesia do impacto da pandemia nesta popula\u00e7\u00e3o e dos projetos para que ningu\u00e9m viva na rua, at\u00e9 2023.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":180815,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-180813","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180813\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/180815"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}