{"id":18070,"date":"2006-05-19T12:07:24","date_gmt":"2006-05-19T12:07:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/19\/novas-igrejas-devem-ser-centros-polarizadores\/"},"modified":"2006-05-19T12:07:24","modified_gmt":"2006-05-19T12:07:24","slug":"novas-igrejas-devem-ser-centros-polarizadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novas-igrejas-devem-ser-centros-polarizadores\/","title":{"rendered":"Novas igrejas devem ser centros polarizadores"},"content":{"rendered":"<p>Os arquitectos bracarenses Isabel Costa e Filipe Fontes, na reflex\u00e3o sobre \u201cA arte do espa\u00e7o\u201d, no quadro dos Ser\u00f5es de Arte e Cultura em Viana do Castelo, defenderam que as novas igrejas sejam polarizadoras e congregadoras de um territ\u00f3rio e que, ao mesmo tempo, concentrem os fi\u00e9is no essencial que \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9.  Abordando a quest\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de novos edif\u00edcios de culto, Filipe Fontes lamentou que tamb\u00e9m nesta \u00e1rea sejam os \u00abcrit\u00e9rios economicistas a dominar\u00bb, porque um tal projecto deveria ter em conta \u00abuma vontade da comunidade\u00bb e obedecer a um \u00abplaneamento pastoral\u00bb que ultrapasse as fronteiras da comunidade paroquial at\u00e9 na perspectiva do edif\u00edcio poder vir a ser partilhado com outros. Quer se queira quer n\u00e3o, o edif\u00edcio-igreja marca a paisagem, por isso \u00abtem a obriga\u00e7\u00e3o de harmoniosamente promover a qualidade integrando-se\u00bb.  Filipe Fontes recordou que antigamente eram os aglomerados urbanos que se reuniam em torno daquela constru\u00e7\u00e3o, hoje \u00abobserva-se a coloca\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio-igreja como consequ\u00eancia das realidades urbanas\u00bb com as dificuldades inerentes at\u00e9 para encontrar espa\u00e7o livre. O conferencista chamou ainda a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de uma vis\u00e3o mais alargada do projecto porque a \u00abconstru\u00e7\u00e3o exige uma reflex\u00e3o sobre as infra- -estruturas circundantes\u00bb, dado que a sua utiliza\u00e7\u00e3o vai gerar novas centralidades e novos fluxos, sejam pessoas ou autom\u00f3veis.  Na opini\u00e3o deste arquitecto, o projectista de um edif\u00edcio desta natureza deve \u00abcongregar saberes de v\u00e1rias \u00e1reas\u00bb e ter um conhecimento aprofundado sobre as \u00abviv\u00eancias da comunidade \u00bb em ordem a encontrar \u00abequil\u00edbrio entre as exig\u00eancias de uns e as necessidades de outros\u00bb. Ou seja, cabe ao projectista criar espa\u00e7os marcantes acolhedores e belos que envolvam a comunidade.  Um edif\u00edcio-igreja, de forte uso comunit\u00e1rio para a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9, deve permitir o recolhimento sem se fechar ao mundo, singelo sem ser austero, com diversos ambientes que podem ser recriados com a luz de diversas intensidades e direc\u00e7\u00f5es e materiais diversos.   <b>Espa\u00e7os que focalizem o essencial<\/b> Isabel Costa abordou a quest\u00e3o do espa\u00e7o interior, nas suas diferentes fun\u00e7\u00f5es celebrativas e elementos simb\u00f3licos que relacionam o crente com Deus e com os irm\u00e3os. Falando dos tr\u00eas p\u00f3los convergentes da aten\u00e7\u00e3o (cadeira presidencial, altar e amb\u00e3o), sublinhou a necessidade de serem \u00abclaramente vistos pelos fi\u00e9is de qualquer ponto\u00bb.  O altar, defendeu, deve mesmo ser uma mesa, a da refei\u00e7\u00e3o, \u00abonde Cristo se torna alimento\u00bb, sem elementos que perturbem, preferindo as flores e as velas colocadas ao lado. Esta arquitecta insistiu bastante na necessidade de existir um espa\u00e7o \u00abpr\u00e9-lit\u00fargico\u00bb que faz a transi\u00e7\u00e3o entre \u00abo fora e o interior lit\u00fargico\u00bb, onde pode ser feito o acolhimento, a distribui\u00e7\u00e3o de livros de c\u00e2nticos ou onde est\u00e3o afixados os avisos, \u00abque n\u00e3o devem ser feitos ao microfone \u00bb, ou ainda onde se prepara o ofert\u00f3rio solene. Relativamente \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o interior, manifestou uma certa inclina\u00e7\u00e3o pela planta central, embora tivesse advertido que n\u00e3o deve ser tomada \u00abem absoluto\u00bb. Como o sacr\u00e1rio n\u00e3o deve estar no centro da nave central, porque \u00abdurante a celebra\u00e7\u00e3o a reserva eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 o mais importante \u00bb, defendeu que deve ser encontrada uma solu\u00e7\u00e3o que permita identificar facilmente a sua localiza\u00e7\u00e3o, nem que seja atrav\u00e9s da lamparina, mas pode ser uma capela independente que serve para as celebra\u00e7\u00f5es quotidianas.  Reflectir sobre a prociss\u00e3o de entrada serviu para Isabel Costa defender a localiza\u00e7\u00e3o da sacristia num espa\u00e7o distante que \u201cobrigue\u201d a fazer um trajecto processional, no in\u00edcio e final de cada celebra\u00e7\u00e3o, dado o seu valor simb\u00f3lico. No quadro de um \u00abfrenesim para empurrar \u00e0 for\u00e7a o baptist\u00e9rio\u00bb para o lado do altar, Isabel Costa entende que faz sentido colocar a fonte (ou pia, como ainda se diz) baptismal na \u00e1rea celebrativa central, embora entenda que deve haver uma certa caminhada inici\u00e1tica.  Esta arquitecta, j\u00e1 com cr\u00e9ditos nesta \u00e1rea, defende que \u00e9 chegado o tempo de fazer entrar outros artistas no espa\u00e7o lit\u00fargico e n\u00e3o apenas os que est\u00e3o ligados \u00e0 escultura das imagens, concordando com a actual tend\u00eancia de minimizar a presen\u00e7a destas. Isabel Costa, na sua conclus\u00e3o, salientou que os templos \u00abest\u00e3o como n\u00f3s: cheios de sup\u00e9rfluo e carentes do essencial\u00bb.  <i>Paulo Gomes\/DM<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os arquitectos bracarenses Isabel Costa e Filipe Fontes, na reflex\u00e3o sobre \u201cA arte do espa\u00e7o\u201d, no quadro dos Ser\u00f5es de Arte e Cultura em Viana do Castelo, defenderam que as novas igrejas sejam polarizadoras e congregadoras de um territ\u00f3rio e que, ao mesmo tempo, concentrem os fi\u00e9is no essencial que \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9. 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