{"id":18059,"date":"2006-05-18T14:49:32","date_gmt":"2006-05-18T14:49:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/18\/festa-do-senhor-santo-cristo-nos-acores\/"},"modified":"2006-05-18T14:49:32","modified_gmt":"2006-05-18T14:49:32","slug":"festa-do-senhor-santo-cristo-nos-acores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festa-do-senhor-santo-cristo-nos-acores\/","title":{"rendered":"Festa do Senhor Santo Cristo nos A\u00e7ores"},"content":{"rendered":"<p>Coment\u00e1rio do Bispo de Angra <!--more--> Bem sei. As festas em honra do Senhor Santo Cristo n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 religiosas. Como toda e qualquer festa, entre n\u00f3s, t\u00eam uma dimens\u00e3o religiosa e outra profana. H\u00e1 arraial e com\u00e9rcio, celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Mas n\u00e3o s\u00e3o mero folclore religioso, para turista ver. Desde logo, porque envolvem toda a sociedade. Al\u00e9m disso, s\u00e3o uma express\u00e3o v\u00e1lida de viv\u00eancia crist\u00e3. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tradi\u00e7\u00e3o. Permanece a tradi\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 significativa para a vida em sociedade e para a express\u00e3o popular da f\u00e9. E quando digo \u00abpopular\u00bb n\u00e3o estou a contrapor o termo a \u00aboficial e institucional\u00bb, porquanto esta forma de piedade tem claro apoio hier\u00e1rquico. Tamb\u00e9m n\u00e3o me refiro \u00e0 massa do povo, na acep\u00e7\u00e3o marxista de \u00abclasse dominada\u00bb, pois a devo\u00e7\u00e3o ao Senhor Santo Cristo abrange pessoas de todas as condi\u00e7\u00f5es sociais. Nem t\u00e3o pouco, isso \u00e9 sin\u00f3nimo de f\u00e9 menos esclarecida. Tem na sua base a intui\u00e7\u00e3o fundamental do mist\u00e9rio crist\u00e3o: a Incarna\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus Cristo. Por isso, a Sua venera\u00e7\u00e3o, sob a imagem do \u00abEcce Homo\u00bb, n\u00e3o \u00e9 uma devo\u00e7\u00e3o qualquer, entre tantas. A Madre Teresa da Anunciada viveu-a e difundiu-a, dentro de uma robusta espiritualidade, centrada na Pessoa de Cristo, que revela o Deus-Amor. N\u00e3o o Deus distante dos Fil\u00f3sofos ou o Motor Im\u00f3vel, de que fala Arist\u00f3teles. O Deus vivo e verdadeiro, revelado por Jesus Cristo \u00e9 um Deus com \u00abpathos\u00bb, cheio de paix\u00e3o e de compaix\u00e3o. Assim O define S. Jo\u00e3o: \u00abDeus \u00e9 Amor\u00bb.  A Paix\u00e3o de Jesus \u00e9 a paix\u00e3o de Deus pela humanidade. O Crucificado revela um Deus, aliado da humanidade. \u00c9 esta cumplicidade e sentido de alian\u00e7a, que experimentam os devotos do Senhor Santo Cristo.  O Deus-Amor \u00abincarnou\u00bb de verdade na vida humana. O nosso imagin\u00e1rio coloca facilmente Deus, l\u00e1 longe no alto dos C\u00e9us, fora da exist\u00eancia humana. Imaginamos a Incarna\u00e7\u00e3o de Deus, como \u00abdescida\u00bb da divindade e a Ascens\u00e3o de Jesus, como \u00absubida\u00bb ao C\u00e9u. Na realidade, pela Incarna\u00e7\u00e3o e pela Reden\u00e7\u00e3o, Deus \u00abhumanou\u00bb: est\u00e1 presente em todas as situa\u00e7\u00f5es humanas, por mais dolorosas que sejam. N\u00e3o h\u00e1 drama humano, que Deus n\u00e3o possa \u00abvisitar\u00bb e compartilhar.  Na Paix\u00e3o de Jesus, Ele \u00e9 realmente Deus-Connosco. A Cruz de Cristo manifesta o verdadeiro nome de Deus. O Seu nome \u00e9 Amor, que Se faz pr\u00f3ximo e aliado de cada ser humano. Mais do que teorizar sobre a piedade popular, importa abord\u00e1-la, como terreno sagrado, onde se cruza o mist\u00e9rio de Deus com o mist\u00e9rio do homem. O que \u00e9 preciso \u00e9 fazer como Mois\u00e9s, perante a misteriosa sar\u00e7a ardente: tirar as sand\u00e1lias e todo o equipamento te\u00f3rico, que pretenda encerrar o mist\u00e9rio de Deus em esquemas fixos, que n\u00e3o abrangem a incomensur\u00e1vel riqueza do Seu amor. Todavia, h\u00e1 um aspecto da espiritualidade da Madre Teresa da Anunciada que, porventura, ainda n\u00e3o foi devidamente desenvolvido e que, de algum modo, constitui a originalidade da devo\u00e7\u00e3o ao Senhor Santo Cristo. Ele \u00e9 venerado num dos \u00abpassos\u00bb da Paix\u00e3o. Por vontade expressa da Madre Teresa da Anunciada, a festa realiza-se em pleno Tempo Pascal, em que a Igreja celebra a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Temos aqui uma abordagem completa do Mist\u00e9rio Pascal : Paix\u00e3o-Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o.  Com a festa em honra do Senhor Santo Cristo, a m\u00edstica micaelense entende celebrar a realeza de Cristo. E \u00e9 pelo Mist\u00e9rio Pascal, na sua inteireza, que Jesus \u00e9 constitu\u00eddo Rei e Senhor. Por isso, a celebra\u00e7\u00e3o do \u00abEcce Homo\u00bb, mais pr\u00f3pria de Sexta-Feira Santa, \u00e9 feita com grande solenidade e esplendor. Eis uma intui\u00e7\u00e3o de f\u00e9, que mereceria ser mais interiorizada. \u00c9 relativamente mais f\u00e1cil identificar-se com o \u00abEcce Homo\u00bb, solid\u00e1rio connosco, nas agruras da vida. Mas Ele \u00e9 nosso aliado, tamb\u00e9m na vit\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o, semente de regenera\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 a partir da realidade nua e crua da vida, com todas as suas contrariedades e contradi\u00e7\u00f5es, que temos de afirmar a for\u00e7a renovadora da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Foi o \u00abEcce Homo\u00bb que ressuscitou. N\u2019Ele e com Ele, tamb\u00e9m n\u00f3s venceremos a morte e a opress\u00e3o. Seguindo os Seus \u00abpassos\u00bb, alcan\u00e7aremos a vit\u00f3ria final. A Paix\u00e3o \u00e9 caminho de Ressurrei\u00e7\u00e3o.  Total \u00e9 a solidariedade e inquebrant\u00e1vel a alian\u00e7a com o \u00abEcce Homo\u00bb: tanto na Paix\u00e3o, como na Ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9, pois, um povo resignado que se ajoelha diante da imagem do Senhor Santo Cristo. \u00c9 um povo que quer ressuscitar e vencer. E sabe que isso \u00e9 poss\u00edvel. Vive essa certeza, em esperan\u00e7a activa e comprometida.  <i>+ Ant\u00f3nio, Bispo de Angra<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coment\u00e1rio do Bispo de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[169,199,248,314],"class_list":["post-18059","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-angra","tag-espiritualidade","tag-madre-teresa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18059"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18059\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}