{"id":18049,"date":"2006-05-18T10:48:06","date_gmt":"2006-05-18T10:48:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/18\/museus-e-igreja-uma-relacao-secular\/"},"modified":"2006-05-18T10:48:06","modified_gmt":"2006-05-18T10:48:06","slug":"museus-e-igreja-uma-relacao-secular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/museus-e-igreja-uma-relacao-secular\/","title":{"rendered":"Museus e Igreja, uma rela\u00e7\u00e3o secular"},"content":{"rendered":"<p>Dia Internacional dos Museus recorda import\u00e2ncia das iniciativas eclesi\u00e1sticas para a cria\u00e7\u00e3o de um rede museol\u00f3gica <!--more--> A rela\u00e7\u00e3o entre os Museus e a Igreja no nosso pa\u00eds \u00e9 bem vis\u00edvel: ao longo dos s\u00e9culos, foram-se reunindo colec\u00e7\u00f5es por iniciativa eclesi\u00e1stica, em Conventos, Pa\u00e7os episcopais e S\u00e9s. Ficaram famosas as colec\u00e7\u00f5es do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a do Mosteiro de Tib\u00e3es (uma das primeiras pinacotecas portuguesas, cerca de 1816, ap\u00f3s a doa\u00e7\u00e3o dos quadros de Frei Jos\u00e9 da Apresenta\u00e7\u00e3o) e, em Lisboa, a dos C\u00f3negos Regrantes do Mosteiro de S. Vicente de Fora e a dos Oratorianos, no Hosp\u00edcio das Necessidades, entre outras.  A iniciativa de dois eclesi\u00e1sticos \u2013 o Padre Jos\u00e9 Mayne e D. Manuel do Cen\u00e1culo Vilas-Boas (Bispo de Beja e de \u00c9vora) \u2013 de institu\u00edrem &#8220;Escolas P\u00fablicas&#8221;, abertas a religiosos e seculares, e Museus ou &#8220;Gabinetes&#8221; que recolheram l\u00e1pides, moedas, medalhas, vasta pinacoteca e exemplares de hist\u00f3ria natural foi uma etapa decisiva na valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio do Pa\u00eds, acompanhando o que de moderno se processava na Europa &#8220;iluminada&#8221; e enciclop\u00e9dica.  A este dealbar promissor da hist\u00f3ria da museologia portuguesa, sucedeu-se um per\u00edodo muito conturbado, que se prolongou pelo primeiro quartel do s\u00e9culo XIX, devido n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s destrui\u00e7\u00f5es e saques dos invasores napole\u00f3nicos, transferindo para Museus franceses o que de melhor seleccionaram os seus especialistas (como o naturalista Geoffroy de Saint Hilaire), mas igualmente \u00e0 transfer\u00eancia do Rei e da corte para o Brasil, tendo embarcado obras de arte e colec\u00e7\u00f5es diversas, que em grande parte ir\u00e3o ingressar no Museu Real do Rio de Janeiro (1818) e no Gabinete de Hist\u00f3ria Natural e Etnografia, instalado no Pal\u00e1cio de S. Crist\u00f3v\u00e3o (1818), servindo de estimulo \u00e0 Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitectura Civil (1820). No decorrer do s\u00e9culo XX, a Igreja n\u00e3o descurou as suas responsabilidades na preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio de interesse museol\u00f3gico, apesar de, ap\u00f3s ter sido despojada de parte dos seus bens, assistir \u00e0 reutiliza\u00e7\u00e3o de igrejas desafectas do culto por actividades museol\u00f3gicas (Igreja das Merc\u00eas de \u00c9vora, Igreja de S. Jo\u00e3o de Alpor\u00e3o, de Santar\u00e9m, etc.). S\u00f3 ap\u00f3s a Concordata, assinada em 1940 entre a Santa S\u00e9 e Portugal, a situa\u00e7\u00e3o tende a normalizar-se. Seguindo caminhos abertos ainda no final do s\u00e9culo anterior por personalidades de relevo como o Abade do Ba\u00e7al ou D. Manuel de Bastos Pina, retomam-se projectos de organiza\u00e7\u00e3o de tesouros de S\u00e9s (no Porto, em Braga, em Viseu, em Lisboa, no Funchal) e recuperam-se colec\u00e7\u00f5es de \u00e2mbito diocesano (tendo como principal arauto D. Domingos de Pinho Brand\u00e3o). Mais recentemente, organizam-se novos Museus locais, com esp\u00f3lios doados por eclesi\u00e1sticos (Museu da Consolata, Museu de Numism\u00e1tica de Vila Real de Tr\u00e1s-os-Montes, fundado pelo numismata Pe. Jo\u00e3o Parente) ou por devotos (2002, Museu do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima). Na d\u00e9cada de 80 incentivaram-se os contactos do Instituto Portugu\u00eas do Patrim\u00f3nio Cultural com as Dioceses, conduzindo a diversas realiza\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter formativo (no \u00e2mbito da conserva\u00e7\u00e3o preventiva, da seguran\u00e7a e da divulga\u00e7\u00e3o das colec\u00e7\u00f5es) e \u00e0 an\u00e1lise conjunta de projectos de recupera\u00e7\u00e3o e reutiliza\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis de proveni\u00eancia eclesi\u00e1stica, tutelados por aquele Instituto (Mosteiros de Alcoba\u00e7a, Batalha e Tib\u00e3es). Fazendo coincidir com os grandes eventos internacionais, a Confer\u00eancia Episcopal determinou a organiza\u00e7\u00e3o de Exposi\u00e7\u00f5es de prestigio como &#8220;Oito S\u00e9culos de Missiona\u00e7\u00e3o Portuguesa&#8221; (Lisboa, 1994 e Vaticano, 1996), a Diocese do Porto promoveu a Exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Cristo, Fonte de Esperan\u00e7a&#8221; (Porto, 2000, por ocasi\u00e3o do &#8220;Grande Jubileu&#8221;) e um n\u00famero significativo de Dioceses autorizou o empr\u00e9stimo de colec\u00e7\u00f5es para Exposi\u00e7\u00f5es promovidas pelo Estado, dentro e fora do Pa\u00eds. Os bens culturais eclesiais s\u00e3o um patrim\u00f3nio espec\u00edfico da comunidade crist\u00e3. Ao mesmo tempo que, pela sua desejada dimens\u00e3o universal do an\u00fancio crist\u00e3o, pertencem de certa forma a toda a comunidade: enquanto express\u00e3o da mem\u00f3ria hist\u00f3rica, os bens culturais permitem redescobrir o caminho da f\u00e9 atrav\u00e9s das obras de diversas gera\u00e7\u00f5es. Pelo seu valor art\u00edstico, manifestam a capacidade criativa dos artistas, artes\u00e3os e mestres locais que souberam exprimir nas coisas simples o pr\u00f3prio sentido religioso e a devo\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3. Pelo seu conte\u00fado cultural, transmitem \u00e0 sociedade actual a hist\u00f3ria individual e comunit\u00e1ria da sabedoria humana e crist\u00e3, no \u00e2mbito de um territ\u00f3rio concreto e de um determinado per\u00edodo hist\u00f3rico. Uma lista dos Museus ligados \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, em Portugal, est\u00e1 dispon\u00edvel no s\u00edtio do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja (www.ecclesia.pt\/bensculturais).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia Internacional dos Museus recorda import\u00e2ncia das iniciativas eclesi\u00e1sticas para a cria\u00e7\u00e3o de um rede museol\u00f3gica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[122,146,171,172,174,175,180,183,184,186,187,203,207,285,297],"class_list":["post-18049","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-brasil","tag-concordata","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-evora","tag-diocese-de-santarem","tag-diocese-de-vila-real","tag-diocese-de-viseu","tag-diocese-do-funchal","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-fatima","tag-patrimonio","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18049\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}