{"id":180283,"date":"2020-07-03T07:00:39","date_gmt":"2020-07-03T06:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=180283"},"modified":"2020-07-02T14:56:12","modified_gmt":"2020-07-02T13:56:12","slug":"nao-queremos-deixar-de-colaborar-com-a-nossa-sociedade-sobretudo-com-os-que-neste-momento-estao-a-padecer-mais-presidente-da-cirp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-queremos-deixar-de-colaborar-com-a-nossa-sociedade-sobretudo-com-os-que-neste-momento-estao-a-padecer-mais-presidente-da-cirp\/","title":{"rendered":"\u00abN\u00e3o queremos deixar de colaborar com a nossa sociedade, sobretudo com os que neste momento est\u00e3o a padecer mais\u00bb &#8211; Presidente da CIRP"},"content":{"rendered":"<p><em>A irm\u00e3 Gra\u00e7a Guedes \u00e9 a nova presidente da Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP).\u00a0Foi eleita esta semana para um mandato at\u00e9 2023, e est\u00e1 com a Ecclesia e a Renascen\u00e7a para falar das prioridades para estes tr\u00eas anos, mas tamb\u00e9m do seu percurso e da congrega\u00e7\u00e3o a que pertence, a das Religiosas do Amor de Deus, e da qual \u00e9 provincial.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia) <\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-179965 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes.jpg\" alt=\"\" width=\"1501\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes.jpg 1501w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fatima_Guedes-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1501px) 100vw, 1501px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Entre as linhas de a\u00e7\u00e3o definidas pela CIRP para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos est\u00e1 a de &#8220;dar aten\u00e7\u00e3o aos sinais destes tempos que s\u00e3o imprevis\u00edveis, conjugando maleabilidade e firmeza&#8221;. \u00c9 um grande desafio assumir a presid\u00eancia da CIRP no atual contexto de muita incerteza quanto ao futuro?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, nestes tempos n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil assumir esta miss\u00e3o, no entanto aceitei o desafio e c\u00e1 estamos para poder fazer o melhor de que formos capazes, contando com todos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Que as consagradas e os consagrados se coloquem na linha da frente diante da nova normalidade&#8221; \u00e9 outra das indica\u00e7\u00f5es que sa\u00edram do encontro. Mas, isto j\u00e1 n\u00e3o acontece? Se tivermos em conta o trabalho que \u00e9 feito nas \u00e1reas da sa\u00fade mental, do acolhimento e cuidado dos deficientes, muitas das respostas que existem no pa\u00eds s\u00e3o da Igreja, e os religiosos e religiosas n\u00e3o s\u00e3o quem est\u00e1 j\u00e1 com a &#8220;m\u00e3o na massa&#8221; nestas v\u00e1rias \u00e1reas?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, j\u00e1 acontece. Mas, \u00e9 um desafio sempre presente na nossa vida como consagrados, e por isso aparece aqui de novo, para nos recordar que n\u00e3o podemos esquecer este campo, n\u00e3o termos medo de arriscar a nossa vida, sempre para bem de todos aqueles que precisam de n\u00f3s, por isso \u00e9 atual, mas \u00e9 algo a que queremos dar continuidade.<\/p>\n<p>Estamos a falar num contexto muito particular que surpreendeu a humanidade no seu todo, a pandemia, e \u00e9 nesse sentido que se fala em &#8220;nova normalidade&#8221;. De que forma \u00e9 que estas crises desafiam as congrega\u00e7\u00f5es a repensar as \u00e1reas a que se dedicam, nomeadamente a n\u00edvel social?<\/p>\n<p>Primeiro \u00e9 responder a tudo aquilo que hoje nos \u00e9 colocado pela frente, sermos uma resposta, podermos acolher com a tal normalidade de que se fala aqui, esta normalidade de acolher na linha da frente. Ou seja, n\u00e3o termos medo s\u00f3 porque estamos a viver uma pandemia, que muito nos pode causar dano, mas n\u00e3o ter medo disso e estarmos abertos a poder responder com aquilo que somos, cumprindo as diretrizes que nos v\u00e3o sendo dadas pela Dire\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade (DGS), e conseguirmos n\u00e3o fechar as nossas portas com medo de tamb\u00e9m ficar doentes, por exemplo, o que j\u00e1 tem acontecido. Por isso \u00e9 um desafio permanente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Outra quest\u00e3o relacionada \u00e9 que do ponto de vista financeiro e econ\u00f3mico h\u00e1 um agravamento das situa\u00e7\u00f5es de pobreza e uma redu\u00e7\u00e3o nas receitas dispon\u00edveis. H\u00e1 li\u00e7\u00f5es a tirar daquilo que aconteceu com a Troika e com a crise de 2008, que possam ser aplicadas para o momento atual?<\/em><\/p>\n<p>De certa maneira sim, porque efetivamente n\u00f3s j\u00e1 experiment\u00e1mos isso, e hoje verifica-se de novo, o que tamb\u00e9m nos preocupa. Por isso\u00a0n\u00e3o queremos deixar de colaborar com a nossa sociedade, sobretudo com os que neste momento est\u00e3o a padecer mais, quer por falta de emprego, quer por verem os seus rendimentos reduzidos, quer tamb\u00e9m porque precisam da nossa colabora\u00e7\u00e3o, assegurando os seus postos de trabalho.\u00a0Porque, de facto, n\u00f3s os consagrados\u00a0temos muitas obras e muitas pessoas que colaboraram connosco a quem devemos remunerar corretamente, e isso tamb\u00e9m \u00e9, de certa maneira, responder.\u00a0N\u00e3o alinhar pelo despedimento, por exemplo, mas conseguirmos que as pessoas possam manter os seus postos e continuar a colaborar connosco, ajudando aqueles que mais precisam e que s\u00e3o os destinat\u00e1rios das nossas miss\u00f5es.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Atualmente \u00e9 tamb\u00e9m Superiora Provincial em Portugal das Religiosas do Amor de Deus, que atuam no campo da Educa\u00e7\u00e3o: t\u00eam col\u00e9gios, lares de inf\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m t\u00eam vindo a alargar a a\u00e7\u00e3o no campo social, com uma resid\u00eancia s\u00e9nior, em F\u00e1tima. Isso resultou das necessidades que foram identificando ao longo do tempo?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Esta \u00faltima constru\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia s\u00e9nior foi, no fundo, para responder a duas necessidades: por um lado o facto de termos aumentado o n\u00famero de irm\u00e3s com idade avan\u00e7ada, e querermos ter uma resposta de qualidade para estas irm\u00e3s que gastaram a sua vida nas v\u00e1rias miss\u00f5es; e \u00a0depois n\u00e3o ficarmos s\u00f3 no nosso aconchego, de sermos bem cuidadas, mas sermos tamb\u00e9m uma presen\u00e7a para os que precisam. Da\u00ed que, ao pensarmos numa resid\u00eancia, foi para podermos ser resposta \u00e0 sociedade, para que aqueles que nesta etapa da sua vida &#8211; a da terceira idade &#8211; ou doentes, possam recorrer e ser cuidados com qualidade. A par dos servi\u00e7os que prestamos, de sa\u00fade e de cuidados aos utentes, h\u00e1 tamb\u00e9m toda a parte de evangeliza\u00e7\u00e3o, proporcionar que nesta etapa da vida os idosos possam tamb\u00e9m experimentar esta presen\u00e7a de Deus nas suas vidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E admitem alargar esta resposta?<\/em><\/p>\n<p>De momento temos esta resid\u00eancia, e tamb\u00e9m estamos num lar de idosos, que n\u00e3o \u00e9 nossa propriedade. Mas, n\u00e3o pomos de parte, se viermos a ter condi\u00e7\u00f5es para ajudar mais pessoas que precisem desta ajuda, sim. Est\u00e1 em aberto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltando \u00e0 sua nova miss\u00e3o na presid\u00eancia da CIRP: nos \u00faltimos tr\u00eas anos j\u00e1 foi vice-presidente deste organismo da Igreja que congrega os institutos religiosos femininos e masculinos, e as sociedades de vida apost\u00f3lica que existem em Portugal, tendo em vista a \u201ccoordena\u00e7\u00e3o e o aux\u00edlio m\u00fatuo\u201d. Tem havido um crescimento a esse n\u00edvel? H\u00e1 hoje mais colabora\u00e7\u00e3o entre congrega\u00e7\u00f5es do que havia h\u00e1 15 ou 20 anos, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>Penso que sim, tem vindo a crescer esta consci\u00eancia da necessidade de nos unirmos, at\u00e9 porque ao n\u00edvel dos n\u00fameros, o que vemos \u00e9 que vamos reduzindo, ent\u00e3o h\u00e1 que fazer esfor\u00e7os para nos unirmos e podermos trabalhar nesta intercongregacionalidade. E isso tamb\u00e9m se tem verificado nos di\u00e1logos, nas forma\u00e7\u00f5es. S\u00e3o tem\u00e1ticas que hoje est\u00e3o muito em cima das nossas reflex\u00f5es, e\u00a0procuramos que em cada um dos Institutos se v\u00e1 tomando consci\u00eancia da necessidade de nos unirmos para podemos ser a resposta efetiva e eficaz para a nossa sociedade, de acordo com os carismas que cada Instituto tem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa colabora\u00e7\u00e3o j\u00e1 acontece ao n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o, do noviciado, e tamb\u00e9m no \u00e2mbito da Comiss\u00e3o de Apoio \u00e0s V\u00edtimas de Tr\u00e1fico de Pessoas (CAVITP), que junta v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es religiosas. A ideia \u00e9 alargar este tipo de experi\u00eancia e de trabalho conjunto a outras \u00e1reas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, as linhas de a\u00e7\u00e3o v\u00e3o muito no sentido de podemos crescer muito mais do que aquilo que se tem feito nestas v\u00e1rias vertentes e comiss\u00f5es, de podermos chegar a um maior n\u00famero de pessoas, ser uma resposta mais eficaz, podermos trabalhar mais em rede.<\/p>\n<p><em>Referiu h\u00e1 pouco que o n\u00famero de consagrados, religiosos e religiosas, vai sendo cada vez menos. Fala-se muito de crise de voca\u00e7\u00f5es&#8230; h\u00e1 de facto uma crise de voca\u00e7\u00f5es? Como presidente da CIRP esta tamb\u00e9m ser\u00e1 uma prioridade de a\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m. De facto os dados est\u00e3o publicados, e eu por acaso at\u00e9 pensava que eramos menos&#8230; ainda somos um n\u00famero razo\u00e1vel.<\/p>\n<p><em><br \/>\nSegundo os dados do Vaticano, em 2017 havia em Portugal 900 sacerdotes ligados a congrega\u00e7\u00f5es e ordens religiosas, 237 religiosos, e irm\u00e3s s\u00e3o mais de 4 mil e 600&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 isso mesmo. Ou seja, em n\u00fameros at\u00e9 podemos dizer que somos um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas, agora com capacidade, sabemos que n\u00e3o \u00e9 tanto assim, porque h\u00e1 um n\u00famero bastante elevado de consagrados j\u00e1 com idades avan\u00e7adas. De qualquer maneira penso que esta diminui\u00e7\u00e3o, a que chamamos \u2018crise\u2019, revela que h\u00e1 efetivamente um decr\u00e9scimo de entradas \u00e0 vida consagrada (\u2026)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os dados oficiais, do Vaticano, indicam que em Portugal havia, em 2017, mais de 900 sacerdotes de congrega\u00e7\u00f5es e ordens religiosas, 237 religiosos, mais de 4 mil e 600 irm\u00e3s\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, podemos dizer que somos um n\u00famero consider\u00e1vel, mas isso \u00e9 o total das pessoas. Agora, com capacidade\u2026 Sabemos que h\u00e1 um n\u00famero bastante elevado de consagrados com idade avan\u00e7ada.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, penso que h\u00e1 efetivamente esta diminui\u00e7\u00e3o, esta crise, como lhe chamamos, um decr\u00e9scimo de entradas \u00e0 Vida Consagrada. Isso verifica-se at\u00e9 no n\u00famero de formandos que existem nos v\u00e1rios institutos, cada vez menos, nalguns s\u00e3o nulos\u2026 Houve alturas em que havia muitas entradas e neste momento verificamos este decr\u00e9scimo acentuado de entradas, por isso, cada vez s\u00e3o menos os consagrados jovens e com for\u00e7as para poder responder \u00e0s diversas miss\u00f5es que as congrega\u00e7\u00f5es t\u00eam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_180289\" aria-describedby=\"caption-attachment-180289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/83864264_3545723912108456_2537097438170271645_n.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-180289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/83864264_3545723912108456_2537097438170271645_n-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/83864264_3545723912108456_2537097438170271645_n-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/83864264_3545723912108456_2537097438170271645_n-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/83864264_3545723912108456_2537097438170271645_n-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/83864264_3545723912108456_2537097438170271645_n.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-180289\" class=\"wp-caption-text\">Foto: CIRP<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>As pessoas sabem o que \u00e9 a vida consagrada? Ou a imagem do que \u00e9 um religioso ou religiosa parou no tempo, \u201ccristalizou\u201d?<\/em><\/p>\n<p>A minha perce\u00e7\u00e3o \u00e9 que, de uma forma geral, quando dizemos consagrados e consagradas, a maioria das pessoas, dos portugueses, n\u00e3o os identificam. Mas se dizermos que s\u00e3o freiras ou frades, padres, somos mais depressa identificados.<\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 mais perto daquilo que \u00e9 a nossa miss\u00e3o, identifica-nos como tal. Essa \u00e9 a minha vis\u00e3o, at\u00e9 nos espa\u00e7os onde vou estando, por onde vou passando, vejo que as pessoas nos reconhecem e nos valorizam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O testemunho \u00e9 sempre importante. Seria importante divulgar o que fazem, onde est\u00e3o, para chegar aos jovens? Porque, de facto, a Vida Consagrada n\u00e3o parece ser, \u00e0 primeira vista, atrativa para os jovens de hoje.<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim, partilho dessa opini\u00e3o. Efetivamente, n\u00f3s somos muito comedidos naquilo que somos e fazemos, mais reservados. Uns institutos manifestam-se mais, outros menos, mas partilhamos pouco aquilo que somos e fazemos. De qualquer maneira, tendo em conta esta situa\u00e7\u00e3o que vivemos, do que fui acompanhando, foi muito valorizada a comunica\u00e7\u00e3o e a forma de os consagrados estarem nas redes sociais, como presen\u00e7a. Tenho recebido alguns ecos do bem que foi feito atrav\u00e9s de todos esses meios.<\/p>\n<p>Tem muito a ver com o tempo dedicado por n\u00f3s, a outras formas de comunica\u00e7\u00e3o, aos jovens, \u00e0s pessoas, a que nem sempre nos dedicamos &#8211; como estamos muito no terreno e nas nossas a\u00e7\u00f5es, nos lugares de miss\u00e3o. Da\u00ed chegarmos a menos pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 importante estar nesses novos meios? <em>\u201cRefor\u00e7ar os meios de comunica\u00e7\u00e3o social e as plataformas digitais\u201d \u00e9 tamb\u00e9m uma das apostas definidas para o seu mandato, ali\u00e1s\u2026<\/em><\/p>\n<p>Claro. \u00c9 preciso refor\u00e7ar esta nossa presen\u00e7a nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o ter medo\u2026 \u00c0s vezes parece que temos receio de nos apresentarmos, mas \u00e9 preciso n\u00e3o ter medo de estar presente nestes meios, para podermos dar valor aos pr\u00f3prios meios e, a partir deles, chegar a todos os que nos possam ver ou escutar. Para mim, para n\u00f3s enquanto Dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 um desafio muito grande, ver como \u00e9 que podemos modificar, inovar, criar, estar presentes com os nossos valores. A Vida Consagrada \u00e9 valor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O mandato para o qual foi eleita termina em 2023, ano em que Lisboa vai acolher a Jornada Mundial da Juventude. Entre as linhas de a\u00e7\u00e3o divulgadas para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos est\u00e1 esta: \u201cTestemunhar a Vida Consagrada para o despertar de Deus na juventude, tendo em vista as Jornadas Mundiais da Juventude\u201d. H\u00e1 muito a fazer a este n\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um grande desafio, sem d\u00favida, h\u00e1 muito para fazer e, mais uma vez, n\u00f3s, como Dire\u00e7\u00e3o, podemos ter um papel relevante, no sentido de criar sinergias, unir esfor\u00e7os entre congrega\u00e7\u00f5es, ajudar-nos neste trabalho conjunto. Aqui est\u00e1 tamb\u00e9m a intercongregacionalidade, porque podemos disponibilizar os nossos espa\u00e7os, acolher. Podemos ser aqui uma mais-valia nesta prepara\u00e7\u00e3o para a Jornada Mundial da Juventude.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 v\u00e1rios institutos pr\u00f3ximos, por que n\u00e3o fazer a\u00e7\u00f5es comuns? Eu penso que \u00e9 poss\u00edvel. Al\u00e9m disso, este testemunho da Vida Consagrada, para despertar Deus, \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Jornada ser\u00e1 uma boa oportunidade para isso? Para dinamizar de alguma forma a Pastoral Juvenil e Vocacional?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. N\u00e3o foi, por acaso, que a assumimos de imediato, nos trabalhos de grupo da assembleia, espontaneamente. Estamos preocupados e, ao mesmo tempo, esperan\u00e7ados, porque este tempo de prepara\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 Jornada pode ser um tempo de gra\u00e7a para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 sempre um momento em que aparece o rosto jovem da Vida Consagrada, junto dos participantes ou nos pr\u00f3prios participantes. \u00c9 uma oportunidade para mostrar uma face diferente?<\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 o que acontece habitualmente, as congrega\u00e7\u00f5es procuram que os seus jovens consagrados \u2013 os que mais diretamente e facilmente chegam aos jovens de hoje \u2013 estejam envolvidos nestas a\u00e7\u00f5es e estejam presentes nas jornadas, onde vemos rostos de muitos consagrados jovens. Isso, de facto, \u00e9 uma presen\u00e7a que acaba por tocar tamb\u00e9m os pr\u00f3prios jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda a n\u00edvel internacional, estamos a viver o Ano \u2018Laudato Si\u2019. Uma das apostas assumidas pela CIRP \u00e9 \u201cRevalorizar a ecologia integral\u201d, na linha da enc\u00edclica do Papa Francisco. O que \u00e9 que poderemos esperar a este n\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, faz todo o sentido estarmos em comunh\u00e3o com a Igreja. Por isso, foi uma das a\u00e7\u00f5es que surgiu. Podemos contar com as comiss\u00f5es que temos na Dire\u00e7\u00e3o, a trabalhar no terreno, para motivar todos os institutos a n\u00edvel dos superiores maiores, chegar a todos.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Justi\u00e7a Paz e Ecologia, que faz parte da CIRP, ter\u00e1 aqui um papel relevante e poder\u00e1 chegar aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, com a\u00e7\u00f5es e reflex\u00e3o, com muito para dar sobre este tema que continua a ser muito atual. H\u00e1 um caminho muito grande pela frente, temos de fazer mais do que temos feito at\u00e9 aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A irm\u00e3 Gra\u00e7a Guedes \u00e9 a nova presidente da Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP).\u00a0Foi eleita esta semana para um mandato at\u00e9 2023, e est\u00e1 com a Ecclesia e a Renascen\u00e7a para falar das prioridades para estes tr\u00eas anos, mas tamb\u00e9m do seu percurso e da congrega\u00e7\u00e3o a que pertence, a das Religiosas do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":179965,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[326],"class_list":["post-180283","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180283\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/179965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}