{"id":180260,"date":"2020-07-02T10:27:56","date_gmt":"2020-07-02T09:27:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=180260"},"modified":"2020-07-02T10:27:56","modified_gmt":"2020-07-02T09:27:56","slug":"homilia-da-missa-em-honra-de-sao-pedro-padroeiro-da-cidade-de-evora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-missa-em-honra-de-sao-pedro-padroeiro-da-cidade-de-evora\/","title":{"rendered":"Homilia da Missa em honra de S\u00e3o Pedro padroeiro da cidade de \u00c9vora"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>Em todo o mundo a Igreja celebra hoje, com toda a solenidade e venera\u00e7\u00e3o, duas das suas grandes colunas: os ap\u00f3stolos S. Pedro e S\u00e3o Paulo. Embora se trate de dois homens imensamente diferentes, a verdade \u00e9 que a complementaridade das suas vidas, das suas personalidades e das suas sensibilidades permitiram \u00e0 Igreja nascente a consolida\u00e7\u00e3o da sua identidade \u00e0 luz da pessoa de Cristo e da miss\u00e3o evangelizadora dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Embora nos reunamos hoje aqui para venerar o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Pedro enquanto Padroeiro da nossa cidade de \u00c9vora, recordo que a liturgia deste dia prop\u00f5e-nos que o veneremos simultaneamente com o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo j\u00e1 que, tal como refere o pref\u00e1cio da Missa, \u00abambos trabalharam, cada um segundo a sua gra\u00e7a, para formar a \u00fanica fam\u00edlia de Cristo\u00bb. Assim sendo, o nosso olhar sobre o dia de hoje destaca-se sobretudo na <strong>identidade da Igreja de Cristo a partir da complementaridade humana destes dois grandes ap\u00f3stolos<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente nesta dimens\u00e3o identit\u00e1ria da Igreja que vos convido a reflectir no dia de hoje. Partindo do Evangelho que acab\u00e1mos de escutar e fixando a nossa aten\u00e7\u00e3o nas duas grandes perguntas que Jesus dirige aos Ap\u00f3stolos, come\u00e7o por distinguir a diferencia\u00e7\u00e3o que Nosso Senhor pretende evidenciar: a opini\u00e3o dos homens e do mundo \u00e9 e tem de ser diferente da opini\u00e3o dos Ap\u00f3stolos. A primeira pergunta, \u201cquem dizem os homens que \u00e9 o Filho do Homem?\u201d, tem como base uma refer\u00eancia sempre na terceira pessoa, fazendo notar uma realidade meramente conceptual do Messias esperado e a realidade interpretada superficialmente por aqueles que pouco conhecem da pessoa de Cristo. Portanto, as diferentes interpreta\u00e7\u00f5es que os homens de ent\u00e3o faziam de Cristo resumidas nas respostas dos disc\u00edpulos demonstram a dist\u00e2ncia entre o conceito e a experi\u00eancia, ambos distantes de um conhecimento experiencial que possa permitir o conhecimento da identidade do Filho do Homem. Em contrapartida, a resposta de Pedro \u00e9 bem diferente, n\u00e3o s\u00f3 porque Pedro e os ap\u00f3stolos desenvolvem conceptualmente uma compreens\u00e3o de Jesus a partir da sua experi\u00eancia pessoal e de intimidade com o Senhor, mas tamb\u00e9m porque a pr\u00f3pria pergunta de Jesus \u00e9 reveladora do seu mist\u00e9rio: \u201cE v\u00f3s, quem dizeis que Eu Sou?\u201d. Para Jesus, n\u00e3o importa quem dizem os homens quem Ele \u00e9, mas sim se os disc\u00edpulos sabem, conhecem e t\u00eam experi\u00eancia de quem Ele \u00e9. Aos ap\u00f3stolos compete saber quem \u00e9 realmente o Senhor, o que apreendem do Seu Ser, o que alcan\u00e7am da realidade de quem \u00e9, implicando simultaneamente a dimens\u00e3o experimental e a dimens\u00e3o conceptual. Neste dinamismo do conhecimento de Cristo, importa ter em conta que a certeira resposta de Pedro \u00e9 fruto da complementaridade do uso da raz\u00e3o e do cora\u00e7\u00e3o no dia-a-dia com o Divino Mestre. O acompanhamento di\u00e1rio e constante do Mestre permite a estes homens que o seguimento de Cristo ultrapasse as limita\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m os que bloqueiem a hegemonia da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir da experi\u00eancia da intimidade, do estar com Jesus, de ouvir, de fixar o olhar nos seus gestos e nas suas express\u00f5es, que permite aos disc\u00edpulos saberem quem Ele \u00e9. Sem intimidade, sem a confian\u00e7a profunda de quem estava lado a lado com o Senhor, os disc\u00edpulos jamais saberiam quem Jesus realmente era, e por consequ\u00eancia a sua resposta seria equivalente \u00e0 dos outros homens, circunscrita \u00e0 esfera da opini\u00e3o. Curiosamente, o Senhor acrescenta que n\u00e3o \u00e9 a carne nem o sangue que permitem a Pedro responder convictamente \u201cTu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus vivo\u201d. O conhecimento dos ap\u00f3stolos n\u00e3o se reduz a um factor \u00e9tnico, cultural ou familiar, mas sim ao factor da Gra\u00e7a que actua na vida destes homens e que, simultaneamente, \u00e9 acolhida nos seus cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A realidade do novo Israel que \u00e9 Igreja \u00e9 precisamente lida \u00e0 luz do Evangelho que acab\u00e1mos de escutar. Igreja essa que, no hoje e no agora das nossas vidas, caminha nesta cidade e neste Alentejo e Ribatejo \u00e0 luz do testemunho eloquente do seu Padroeiro que hoje veneramos. Tendo em conta a teologia que S. Paulo apresenta sobre a Igreja, sabemos que a realidade do que somos enquanto tal \u00e9 sobretudo um Mist\u00e9rio, onde a comunidade crente dos baptizados se deixa configurar com o mist\u00e9rio da comunh\u00e3o de Deus Uno e Trino, em torno do banquete do Sacrif\u00edcio incruento e amoroso de Jesus. A Igreja, sendo santa porque \u00e9 corpo m\u00edstico de Cristo, mergulha-nos diariamente nesta vida divina, sobretudo pelos sacramentos, de modo a progressivamente conhecermos mais perfeitamente o Mist\u00e9rio de Cristo. Como tal, embora devamos saber quem dizem os homens que Cristo \u00e9, creio que urge nos tempos de hoje que os crist\u00e3os saibam quem \u00e9 o Seu Senhor.<\/p>\n<p>Os meios que a Santa M\u00e3e Igreja nos apresenta e nos possibilita s\u00e3o mais que suficientes para sabermos e para aprofundarmos o Mist\u00e9rio da Pessoa de Cristo. No entanto, partindo da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudete et Exultate<\/em> do Papa Francisco, alerto para o facto de os tempos actuais serem demasiadamente extremistas, chegando ao ponto de alguns reduzirem a experi\u00eancia da F\u00e9 a ritos estritamente f\u00edsicos e a pr\u00e1ticas pelagianas, e outros a espoliarem o tesouro do Magist\u00e9rio e da Tradi\u00e7\u00e3o em gnosticismos e discursos po\u00e9ticos vazios de conte\u00fado. Estamos em tempos perigosos em que muitos crist\u00e3os leigos e muitos crist\u00e3os cl\u00e9rigos acentuam uma dimens\u00e3o em preju\u00edzo da outra, evidenciando n\u00e3o s\u00f3 um problema de identidade crist\u00e3, mas sobretudo um problema de conhecimento real e aut\u00eantico da identidade de Cristo.<\/p>\n<p>A pergunta de Jesus aos ap\u00f3stolos ecoa hoje nos nossos cora\u00e7\u00f5es, porque somos n\u00f3s a comunidade dos disc\u00edpulos do ano 2020. \u201cE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u201d. Antes de podermos dar uma resposta, devemos saber o caminho e m\u00e9todo para poder responder ao Senhor. Na verdade, o Senhor \u00e9 o Emanuel, o Deus connosco, que pela incarna\u00e7\u00e3o veio habitar e estabelecer morada connosco, que se faz nosso alimento na Eucaristia e, portanto, que nos assume plenamente na nossa condi\u00e7\u00e3o, excepto no pecado. Assim sendo, tendo o Senhor t\u00e3o perto de n\u00f3s, cabe-nos saber que o segredo para sabermos que Ele \u00e9 passa pela intimidade com Ele nos meios que Ele tem \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s dos sacramentos bebemos da fonte viva da salva\u00e7\u00e3o de Deus, pela Sagrada Escritura interiorizamos o que o Senhor nos diz e como nos ilumina a vida, pela caridade purificamo-nos \u00e0 luz do mandamento do Amor e pelo amor \u00e0 Igreja, aprendemos desta M\u00e3e a ser Filhos do mesmo Pai. Esta \u00e9 a realidade da Igreja, cuja identidade foi legada por Cristo e zelosamente transmitida pelos ap\u00f3stolos e pelos crist\u00e3os de todos os tempos. Como tal, exorto-vos a aprofundar a vossa experi\u00eancia sobre Cristo e sobre a sua Igreja que subsiste na Igreja Cat\u00f3lica, como nos indica o Sagrado Conc\u00edlio. A nossa identidade enquanto cat\u00f3licos n\u00e3o tem de ser refundada, mas sim relida e sempre aprofundada. S\u00f3 o egocentrismo e a autossufici\u00eancia poder\u00e3o levar algu\u00e9m a sentir-se e a achar-se com autoridade para ditar uma nova configura\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja de Cristo, e s\u00f3 a falta de amor ao pr\u00f3prio Cristo poder\u00e3o explicar gestos narcisistas e autistas de leigos e cl\u00e9rigos capazes de se intitularem em nome de Cristo, prescindindo da Igreja e do Pedro dos nossos dias, ou sendo mesmo contra a Igreja e o Pedro que o Esp\u00edrito Santo nos assinalou em Francisco.<\/p>\n<p>A identidade de Cristo \u00e9 aferida na Sua Igreja, sobretudo na sua experi\u00eancia orante e de caridade, tendo Pedro como seu princ\u00edpio de unidade. Esta unidade da Igreja em torno do pr\u00edncipe dos ap\u00f3stolos faz-nos olhar para o tesouro do magist\u00e9rio pontif\u00edcio que nos ensina onde e como encontrar o Senhor para o verdadeiramente o conhecermos. Sabemos que o Mist\u00e9rio da Sua vida revela-nos uma identidade continuamente em contradi\u00e7\u00e3o com o mundo, da\u00ed o meu apelo como Pastor, de modo a que cada crist\u00e3o possa perceber que o Cristo concebido ou esperado pelo mundo est\u00e1 distante do Cristo que se revela ao homem crente. Somos disc\u00edpulos do crucificado e as certezas que temos na vida poder\u00e3o passar pelo testemunho, tal como escut\u00e1mos na leitura dos Actos dos Ap\u00f3stolos. Ali\u00e1s, olhando o mundo que nasce desta Pandemia, assistimos lamentavelmente a erros e intoler\u00e2ncias que em tempos passados conduziram o mundo para abismos de morte e sofrimento humano e fizeram que a Igreja vivesse na persegui\u00e7\u00e3o e no mart\u00edrio dos seus crist\u00e3os, como seja a falta de mem\u00f3ria hist\u00f3rica e a supress\u00e3o das grandes refer\u00eancias do passado, em suma, o poder global, asfixiante das realidades identit\u00e1rias de cada cultura e de cada Povo.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os, se a riqueza de \u00c9vora encontra destaque nos seus monumentos e nas suas gentes, n\u00e3o podemos ignorar o facto de esta cidade monumental assentar a realidade do que foi e do que \u00e9 num dinamismo que a desenvolveu ao longo dos s\u00e9culos e que lhe legou o patrim\u00f3nio que hoje a \u00e9. Esse dinamismo \u00e9 precisamente a F\u00e9 crist\u00e3, realidade presente desde os in\u00edcios da Igreja e legada gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, mesmo quando os ventos do mundo e do poder eram contr\u00e1rios ou perseguidores do nome e da pessoa de Cristo. A fidelidade dos eborenses \u00e0 sua F\u00e9 justifica-se sobretudo pela gra\u00e7a de Deus e pela excel\u00eancia humana, embora seja importante referir que a mesma cidade assenta sobre o testemunho e a intercess\u00e3o daquele que foi outrora escolhido como seu Padroeiro: o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Pedro. \u00c9 \u00e0 imita\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Pedro que nos confiamos neste dia de festa para a nossa cidade, pedindo n\u00e3o s\u00f3 que nos auxilie e nos afaste dos grilh\u00f5es da Pandemia que nos amea\u00e7a, mas sobretudo que seja para n\u00f3s modelo e intercessor de uma f\u00e9 verdadeiramente aprofundada no Mist\u00e9rio de Cristo e da sua Igreja. Que, pela intercess\u00e3o de S. Pedro, a nossa identidade de crist\u00e3os se plasme na identidade daquele que \u00e9 o Cristo, o Filho de Deus vivo.<\/p>\n<p><strong>+ Francisco Jos\u00e9 Senra Coelho<\/strong>, <em>Arcebispo de \u00c9vora<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":180261,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-180260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180260\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/180261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}