{"id":180,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ano-europeu-da-pessoa-com-deficiencia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ano-europeu-da-pessoa-com-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-europeu-da-pessoa-com-deficiencia\/","title":{"rendered":"Ano Europeu da Pessoa com Defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Alice Caldeira Cabral, Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do Movimento F\u00e9 e Luz <!--more--> O Conselho da Europa prop\u00f4s a realiza\u00e7\u00e3o do Ano Europeu por constatar que, na Europa, h\u00e1 barreiras m\u00faltiplas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o plena dos cidad\u00e3os com uma defici\u00eancia e ainda existem situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o. Muitas destas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o intencionais. \u00c9 que, como algu\u00e9m dizia, as pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o \u201ccidad\u00e3os invis\u00edveis\u201d. Ningu\u00e9m d\u00e1 por eles, n\u00e3o os t\u00eam muito em conta quando se organiza a vida em sociedade: a habita\u00e7\u00e3o, os servi\u00e7os, desde a sa\u00fade, \u00e0s C\u00e2maras Municipais, \u00e0s Estradas, teatros, telefones p\u00fablicos, etc., etc., etc.  Os \u201cAnos de&#8230;\u201d, os \u201cDias de&#8230;\u201d destinam-se a ser tempos de fazer crescer a consci\u00eancia da exist\u00eancia dos problemas. N\u00e3o tanto para os resolver por passes de m\u00e1gica, mas para passar a v\u00ea-los.   Em Portugal, como m\u00e3e dum cidad\u00e3o adulto com uma defici\u00eancia mental grave, posso testemunhar da minha tristeza pela invisibilidade social destes cidad\u00e3os. Batalhei muito pela agiliza\u00e7\u00e3o do processo de tutela: algu\u00e9m pode imaginar que em Portugal \u00e9 normal que o meu filho chegue \u00e0 maioridade legal e n\u00f3s, seus pais, n\u00e3o sejamos \u201cconvidados\/intimados\u201d a exercer e garantir a sua tutela? O seu processo de interdi\u00e7\u00e3o levou tr\u00eas anos e n\u00e3o era \u201cnormal\u201d que os seus tutores fossemos os seus pais, pois que o processo visa essencialmente a defesa dos seus bens e n\u00e3o a protec\u00e7\u00e3o da sua pessoa. Ele tem hoje 31 anos e tudo continua na mesma. Que direitos tem ele assegurados?  V\u00e1rios adultos internados em institui\u00e7\u00f5es, por n\u00e3o terem fam\u00edlia, s\u00e3o por exemplo, impedidos de frequentar uma igreja com a assiduidade e regularidade que desejam. Onde est\u00e1 a garantia da liberdade religiosa? Porque n\u00e3o os abrange?  De facto, o Ano Europeu em Portugal deveria servir para a sociedade portuguesa tomar consci\u00eancia da exist\u00eancia de cidad\u00e3os com necessidades especiais que n\u00e3o s\u00e3o respeitadas em tantos campos. Em 1997 foi elaborado um Decreto-Lei que exigia a elimina\u00e7\u00e3o de barreiras arquitect\u00f3nicas num prazo de 7 anos, nos edif\u00edcios p\u00fablicos e impunha regras para as novas constru\u00e7\u00f5es. O Prazo est\u00e1  acabar e a responsabilidade duma in\u00e9rcia quase generalizada est\u00e1 por apurar.  \u00c9 urgente que nos apercebamos deste estado de coisas e que por todos os meios, todos n\u00f3s e todas as comunidades assumam que n\u00e3o cabe aos outros fazer, cabe a cada um, olhar \u00e1 sua volta e mudar ao seu redor alguma coisa de modo a que se possam cumprir os objectivos do ano. Para isso n\u00e3o fa\u00e7amos coisas para eles, mas com eles: oi\u00e7amo-los. Vamos descobrir o seu contributo.  Vamos descobrir que a frase: \u201cdos fracos n\u00e3o reza a hist\u00f3ria\u201d \u00e9 profundamente parcial e injusta. Os fracos fazem-nos descobrir dimens\u00f5es da vida que podemos tentar dissimular, mas \u00e9 quando as enfrentamos que podemos libertar-nos da opress\u00e3o de sermos \u201csempre bem sucedidos\u201d, \u201cmelhores que os outros\u201d. \u00c9 sempre dif\u00edcil para qualquer pessoa, aceitar-se como \u00e9: limitada, fr\u00e1gil, vulner\u00e1vel. Mas \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para se estar em paz connosco. H\u00e1  pessoas com defici\u00eancia com uma sabedoria enorme a este n\u00edvel, onde todos temos graves defici\u00eancias. Deus na Sua infinita Miseric\u00f3rdia e Sabedoria criou-nos diferentes e interdependentes. Todos n\u00f3s temos limites na nossa autonomia conforme a nossa faixa et\u00e1ria ou a nossa condi\u00e7\u00e3o. Os adultos, que conquistaram a sua autonomia, perderam, muitas vezes o sentido dessa interdepend\u00eancia: precisamos uns dos outros. Precisamos de Deus. N\u00e3o somos independentes, n\u00e3o somos os maiores. A depend\u00eancia, a fragilidade \u00e9 sempre caminho de liberta\u00e7\u00e3o.   As pessoas, mesmo com uma defici\u00eancia mental grave, podem ter este papel important\u00edssimo de ser fonte de comunh\u00e3o, daquela que n\u00e3o \u00e9 perturbada pela palavra, que trai tantas vezes a comunica\u00e7\u00e3o. Jean Vanier fala de comunh\u00e3o cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o. Esta permite que nos sintamos acolhidos pelo outro como somos e que possamos aprender a olhar a pessoa com limites naquilo que ela tem de n\u00e3o limitado, no seu mist\u00e9rio. O mist\u00e9rio da Vida que h\u00e1 nela.  O perigo dos \u201cAnos de&#8230;\u201d \u201cdias de&#8230;\u201d \u00e9 que fa\u00e7amos coisas para fazer, para mostrar que fazemos, que fazemos para eles&#8230; Este perigo \u00e9 forte neste ano em que a prepara\u00e7\u00e3o aparece tarde e com fortes press\u00f5es pol\u00edticas, mas com uma fraca capacidade de transmitir a conceptualiza\u00e7\u00e3o do que se pretende introduzir como mudan\u00e7a. Com um tecido associativo d\u00e9bil e com poucos apoios, uma popula\u00e7\u00e3o habituada a uma grande passividade, este risco \u00e9, entre n\u00f3s, grande. \u00c9 necess\u00e1rio estar alerta e dar a voz \u00e0s pessoas, ou \u00e0s fam\u00edlias directamente afectadas.   Mesmo que os servi\u00e7os p\u00fablicos fa\u00e7am pouco, ou que discordemos do tipo de iniciativas  que s\u00e3o promovidas por entidades oficiais ou outras, podemos sempre descobrir o que se passa no nosso bairro: h\u00e1 barreiras arquitect\u00f3nicas? Na nossa Igreja: \u00e9 acess\u00edvel? N\u00e3o s\u00f3 em termos arquitect\u00f3nicos, mas tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es que estabelecemos com elas: fugimos delas, ou interessamo-nos e permitimos-lhe que participe nas nossas festas, nas nossas celebra\u00e7\u00f5es. Como tratamos do an\u00fancio da palavra de Deus? Partimos do princ\u00edpio que ela n\u00e3o percebe, ou deixamos espa\u00e7o para que cres\u00e7a \u00e0 medida das suas capacidades?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alice Caldeira Cabral, Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do Movimento F\u00e9 e Luz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[203,206,209,288],"class_list":["post-180","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-europa","tag-familia","tag-fe-e-luz","tag-pessoa-com-deficiencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}