{"id":17924,"date":"2006-05-10T16:17:33","date_gmt":"2006-05-10T16:17:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/10\/legado-de-d-antonio-ferreira-gomes-desafia-igreja-a-assumir-necessidade-de-mudancas\/"},"modified":"2006-05-10T16:17:33","modified_gmt":"2006-05-10T16:17:33","slug":"legado-de-d-antonio-ferreira-gomes-desafia-igreja-a-assumir-necessidade-de-mudancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/legado-de-d-antonio-ferreira-gomes-desafia-igreja-a-assumir-necessidade-de-mudancas\/","title":{"rendered":"Legado de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes desafia Igreja a assumir necessidade de mudan\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Congresso internacional chegou hoje ao fim <!--more--> A Igreja Cat\u00f3lica deve assumir o desafio de enfrentar um mundo em mudan\u00e7a, evitando cair na repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas e esquemas que n\u00e3o s\u00e3o percebidos nem valorizados pela sociedade actual. Este \u00e9 um dos grandes apelos resultantes do Congresso Internacional evocativo do centen\u00e1rio do nascimento de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes (1906-1989), que hoje se concluiu no Porto. Ao longo de tr\u00eas dias, diversos especialistas nacionais e internacionais debru\u00e7aram-se sobre o tema \u201cSer crist\u00e3o na sociedade, aqui e no futuro\u201d, procurando retirar implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas do legado oferecido pelo \u201cfamoso Bispo do Porto\u201d, como dizia Jo\u00e3o Paulo II. Na sess\u00e3o de encerramento, D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa e membro da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do Congresso, destacou \u201co sentido da vida e o rigor mental de um crist\u00e3o a s\u00e9rio, que foi verdadeiro bispo e figura rara da Igreja\u201d. A homenagem a D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes passou, sobretudo, por procurar novas perspectivas para a o futuro da Igreja e da sociedade, respeitando o seu legado. Nesse sentido, D. Carlos Azevedo frisou que \u201c\u00e9 urgente e sempre necess\u00e1rio passar a religi\u00e3o pela cr\u00edtica, na permanente procura da verdade\u201d. Lembrando a carta de Ant\u00f3nio Ferreira Gomes a \u201cum jovem padre da Igreja deste tempo\u201d (\u00fanico escrito do g\u00e9nero epistolar em que o Bispo do Porto trata o destinat\u00e1rio por tu), o Bispo Auxiliar de Lisboa assegura que \u201cos crist\u00e3os, sejam eles leigos ou religiosos, di\u00e1conos ou padres ou bispos, s\u00e3o cred\u00edveis se tiverem raz\u00e3o de ser, se aparecerem como aquilo que s\u00e3o perante si pr\u00f3prios e perante a sociedade\u201d.  <i>Relativismo e seculariza\u00e7\u00e3o<\/i> O desafio \u00e9 maior, para os crist\u00e3os, quando eles se deparam com a crise actual do mundo ocidental secularizado, em que pontifica a \u201ccultura da trivialidade\u201d e o relativismo. \u201cUm maior n\u00edvel cultural, t\u00e9cnico-cientifico, uma maior consci\u00eancia da liberdade e da dignidade do ser humano, uma maior sensibilidade social, aliada a uma mentalidade pragm\u00e1tica, podem favorecer a conclus\u00e3o de que Deus \u00e9 sup\u00e9rfluo\u201d, alerta D. Carlos Azevedo. O perigo est\u00e1 tamb\u00e9m presente na \u201cdiversifica\u00e7\u00e3o de propostas ideol\u00f3gicas, inserida no cultivo da diferen\u00e7a e da pluralidade\u201d, que relativiza a escolha de uma op\u00e7\u00e3o e \u201cfaz com que dependa unicamente da estrutura da personalidade\u201d. Este quadro de progressiva autonomia e de novos protagonismos desafia a Igreja a compreender, segundo o Bispo Auxiliar de Lisboa, que \u201crepetir esquemas perante as enormes mudan\u00e7as e r\u00e1pidas altera\u00e7\u00f5es culturais e socio-econ\u00f3micas \u00e9 rid\u00edculo, insignificante\u201d. \u201cSer crist\u00e3o ou n\u00e3o parece ser indiferente dentro do relativismo, que encontra algo de bom em todas as op\u00e7\u00f5es\u201d, observa D. Carlos Azevedo. O caminho, por isso, \u201cpassa por configurar com aud\u00e1cia o futuro, a partir do melhor do passado, sem idolatrar a tradi\u00e7\u00e3o ou a repetir servilmente\u201d. \u201cQuando as media\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o significativas na hist\u00f3ria, na cultura e para o ser humano, algo tem de ser revisto, repensado. Foi esse o servi\u00e7o que D. Ant\u00f3nio realizou e nos legou\u201d, apontou.  <i>Presen\u00e7a cultural e pol\u00edtica<\/i> As dificuldades que se colocam ao an\u00fancio da mensagem crist\u00e3, nos nossos dias, exigem uma aten\u00e7\u00e3o particular \u00e0 sociedade em que os crist\u00e3os se inserem. \u201cO que torna cred\u00edvel o nosso discurso (&#8230;) \u00e9 a maneira como funciona na pr\u00e1tica a representa\u00e7\u00e3o concreta do divino. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel isolar o funcionamento social da f\u00e9 da sua representa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica\u201d, precisou D. Carlos Azevedo. Entre os desafios que se colocam \u00e0 Igreja est\u00e1 a resposta a uma cultura \u201cque acentua o imagin\u00e1rio do \u00eaxito e do poder e a exulta\u00e7\u00e3o do gozo desmedido como \u00fanicos objectivos da vida\u201d. \u201cA vis\u00e3o positiva do prazer e a humaniza\u00e7\u00e3o da sexualidade, com pleno sentido no amor, ser\u00e1 um modo para cada crist\u00e3o se reconciliar com o desejo e evitar tantos dramas afectivos, prevenir tantas consci\u00eancias desfeitas\u201d, disse o Bispo Auxiliar de Lisboa. Na senda de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, \u201cser crist\u00e3o aqui e no futuro obriga-nos ao dever fundamental e prim\u00e1rio de sermos livres\u201d, explicou o membro da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do Congresso, alertando contra \u201co abuso do poder, utilizando o nome de Deus\u201d e exigindo a tomada de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. \u201cD. Ant\u00f3nio repetiu com clareza: \u00abDizer que n\u00e3o se faz pol\u00edtica&#8230; \u00e9 a pior maneira de a fazer\u00bb\u201d, lembrou o prelado. \u201cComo educar concretamente, eficazmente, para uma cidadania participativa e respons\u00e1vel? Quem est\u00e1 a preparar a nova gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos? Com que \u00e9tica\u201d, interrogou. D. Carlos Azevedo foi ainda mais longe e deixou aos participantes no Congresso uma pergunta: \u201cNo futuro pr\u00f3ximo, n\u00e3o ser\u00e1 que teremos de apelar para a recomenda\u00e7\u00e3o de D. Ant\u00f3nio e assumirmos ser \u00abdesobedientes civis \u00e0s domina\u00e7\u00f5es ileg\u00edtimas e \u00e0s leis insjustas\u00bb\u201d.  <i>Legado actual<\/i> Ontem, na terra natal de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes (Milhundos \u2013 Penafiel), teve lugar uma emotiva homenagem. A cerim\u00f3nia eucar\u00edstica, presidida por D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto, foi o momento escolhido para passar em revista a vida e obra de um Bispo que se distinguiu num per\u00edodo conturbado da hist\u00f3ria portuguesa. &#8220;Na figura do senhor D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes n\u00f3s fomos testemunhas de como levou o Evangelho aos que estavam na Igreja e dentro da Igreja, mas tamb\u00e9m \u00e0queles que estavam fora e, porventura, contra&#8221;, disse o Bispo do Porto. D. Armindo recordou o seu predecessor como um homem diferente dos do seu tempo, com um discurso que na dimens\u00e3o pastoral procurou sempre ir mais al\u00e9m. O seu confronto com o regime de Salazar revelou, mais do que uma crise da Igreja, a fal\u00eancia do sistema pol\u00edtico da altura. &#8220;Falamos do \u00abcaso do Bispo do Porto\u00bb no contexto de uma crise de regime e de Governo que n\u00e3o foi de facto crise da Igreja, mas esteve na g\u00e9nese de um ex\u00edlio de 10 anos, interpretados como mart\u00edrio, como testemunho apost\u00f3lico pela liberdade e identidade da Igreja no seu episcopado&#8221;, referiu na sua homilia. O actual Bispo do Porto sublinhou ainda a dimens\u00e3o pedag\u00f3gica de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, &#8220;n\u00e3o por for\u00e7a de obra escrita ou por virtude de doutrinas ou teorias difundidas, mas como educador em pessoa e em atitudes. Reivindicou como caracter\u00edstica pr\u00f3pria a sua preocupa\u00e7\u00e3o de edificar, educando\u201d. <i>Oct\u00e1vio Carmo\/AE<\/I>  <b>Depoimentos<\/b> <i>Voz Portucalense \u2013 Que solu\u00e7\u00e3o dos conflitos e exig\u00eancias pac\u00edficas urgem hoje tomar? D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira &#8211;<\/i> Incidi a minha apresenta\u00e7\u00e3o na releitura da no\u00e7\u00e3o de &#8220;guerra justa&#8221; (hoje, preferentemente, substitu\u00edda pela de &#8220;solu\u00e7\u00e3o de conflitos&#8221;) atrav\u00e9s do \u00faltimo recurso (do extremo ao recurso) da guerra&#8230; A favor da Paz.  \u00c9 not\u00f3ria a cr\u00edtica \u00e0 guerra preventiva, em que se pode transformar, em alguns casos, a defensiva&#8230; &#8211; a justi\u00e7a de defesa diante do agressor em situa\u00e7\u00f5es de regimes transgressores da dignidade da pessoa humana; &#8211; a defesa da prioridade das estruturas diplom\u00e1ticas de media\u00e7\u00e3o e de arbitragem em fun\u00e7\u00e3o da paz e da anula\u00e7\u00e3o da guerra; &#8211; a recusa de sistemas de tortura e de terrorismo; &#8211; a oposi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ao mortic\u00ednio da guerra nuclear (tema da maior actualidade com o problema do Ir\u00e3o); &#8211; coment\u00e1rio \u00e0 presen\u00e7a dum servi\u00e7o de assist\u00eancia religiosa no dom\u00ednio das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a, agora em tempos de Democracia e de miss\u00f5es internacionais de paz.  <i>VP &#8211; Como configura e acha que deve ser configurada a F\u00e9 no futuro da Humanidade? Jos\u00e9 Eduardo Borges de Pinho &#8211;<\/i> Falar de configura\u00e7\u00f5es da f\u00e9 no futuro n\u00e3o \u00e9 fazer futurologia. Trata-se, apenas, de procurar ler alguns dos sinais que nos s\u00e3o dados no presente em ordem a perceber melhor as consequ\u00eancias que t\u00eam, as exig\u00eancias que da\u00ed decorrem, as prioridades que nos s\u00e3o pedidas como crist\u00e3os. Destaco seis aspectos nesse desenhar do perfil da exist\u00eancia crist\u00e3 nos tempos que est\u00e3o para vir.  1- Uma f\u00e9 profundamente personalizada e traduzida necessariamente em express\u00f5es diversas. Suportada comunitariamente, como n\u00e3o pode deixar de ser, a f\u00e9 ser\u00e1 cada vez mais individualmente configurada, o que implica um sentido profundo da hist\u00f3ria pessoal de f\u00e9 de cada crist\u00e3o. Associada a esta necess\u00e1ria personaliza\u00e7\u00e3o da f\u00e9 emerge a diversidade crescente de express\u00f5es que a exist\u00eancia crente pode e deve tomar dentro da unidade da mesma f\u00e9.  2 &#8211; Uma f\u00e9 consciente dos condicionalismos da sua pr\u00f3pria historicidade. Um dos maiores desafios da viv\u00eancia crente, hoje e amanh\u00e3, consiste na necessidade de se perceber mais conscientemente a historicidade que envolve o caminhar na f\u00e9 e que atinge todos os \u00e2mbitos do seu viver: desde a doutrina \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, desde quest\u00f5es de ordem \u00e9tica aos modos de agir pr\u00e1ticos. Importa compreender que o &#8220;absoluto&#8221; dos valores (da pretens\u00e3o crist\u00e3 de verdade em seus diversos elementos) s\u00f3 pode ser afirmado no &#8220;relativo&#8221;, no &#8220;provis\u00f3rio&#8221;, das circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas. 3 &#8211; Uma identidade crist\u00e3 afirmada e vivida em atitude de di\u00e1logo. Em vez de partir de uma identidade auto-suficiente, fechada em si mesma, de pendor defensivo, a f\u00e9 do futuro ter\u00e1 de se configurar mais estruturalmente numa atitude consistente e ampla de di\u00e1logo. Isso significa entender a abertura ao outro na sua diferen\u00e7a como elemento indispens\u00e1vel \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade (uma identidade em processo de di\u00e1logo).  4 &#8211; Uma f\u00e9 de seguimento sob o horizonte do Reino de Deus. A f\u00e9 do futuro \u00e9 chamada a ultrapassar tend\u00eancias moralizantes, que se fixam sobretudo em preceitos e normas, para se configurar mais nitidamente como uma f\u00e9 de seguimento de Jesus sob o horizonte do Reino de Deus. Em causa est\u00e3o o reconhecimento da prioridade absoluta da quest\u00e3o de Deus, a centralidade a dar ao an\u00fancio e ao testemunho do amor de Deus, a capacidade de se saber distinguir o essencial do secund\u00e1rio.  5 &#8211; Uma f\u00e9 marcada pelo esp\u00edrito de catolicidade. A viv\u00eancia da f\u00e9 no futuro caracterizar-se-\u00e1 por um forte esp\u00edrito de catolicidade. O que exige a supera\u00e7\u00e3o de um cristianismo mental e culturalmente circunscrito aos crit\u00e9rios, necessidades e interesses locais, em ordem a concretizar uma exist\u00eancia crist\u00e3 atenta e aberta a todas as dimens\u00f5es da catolicidade da f\u00e9. Na verdade, o discurso sobre Deus s\u00f3 \u00e9 cred\u00edvel como um discurso inclusivo, aberto a toda a humanidade, seus problemas e necessidades.  6. Uma f\u00e9 consciente do seu potencial e do seu dever humanizadores. De uma f\u00e9 polarizada muitas vezes de forma unilateral em express\u00f5es formais de ordem religiosa ir\u00e1 caminhar-se no sentido de uma viv\u00eancia da f\u00e9 assente numa espiritualidade mais sens\u00edvel \u00e0 presen\u00e7a de Deus no quotidiano e estruturada por um grande sentido de humanidade. Isso significa tamb\u00e9m fazer o percurso de uma exist\u00eancia crente menos sens\u00edvel ao compromisso social e pol\u00edtico em ordem a uma f\u00e9 mais activa na sua voca\u00e7\u00e3o p\u00fablica, consciente do seu potencial e do seu dever humanizadores.   <i>VP &#8211; Segundo os valores humanos e crist\u00e3os, como l\u00ea e aju\u00edza a realidade e a Hist\u00f3ria, do nosso tempo e do de D. Ant\u00f3nio? Jo\u00e3o Duque &#8211;<\/i> Dentro da brevidade exigida, diria que h\u00e1 apenas um valor humano e crist\u00e3o suficiente para ajuizar da realidade, no tempo de D. Ant\u00f3nio e no nosso: a centralidade da pessoa humana concreta. Esta \u00e9 anterior e mais fundamental do que todas as outras realidades &#8211; a n\u00e3o ser Deus, pois essa centralidade fundamenta-se precisamente em Deus. Nesse sentido, o crit\u00e9rio de ju\u00edzo cr\u00edtico \u00e9 sempre o mesmo: quando uma \u00e9poca, institui\u00e7\u00f5es ou atitudes n\u00e3o respeitarem suficientemente a dignidade e a liberdade da pessoa humana concreta, o crist\u00e3o deve denunciar profeticamente esse desrespeito, custe o que custar. Nisso, o exemplo de D. Ant\u00f3nio continua vivo e necessariamente eficaz. \u00c9 claro que o antigo bispo do Porto seguiu esse crit\u00e9rio de diversos modos, consoante as circunst\u00e2ncias com que se viu confrontado. No estado novo, denunciou a ideologia colectiva nacionalista, quando constru\u00edda \u00e0 custa da liberdade e da promo\u00e7\u00e3o da pessoa particular; no p\u00f3s-25 de Abril, denunciou o mesmo problema, embora levado a cabo por outros meios (luta de classes, colectivismo marxista, etc.). Hoje, a quest\u00e3o situa-se mais ao n\u00edvel das ideologias perfeccionistas (gen\u00e9tica, virtualismo cibern\u00e9tico, mediatismo p\u00f3s-humano, etc.), dos colectivismos consumistas (modas, culturas de massa, economia global, etc.), dos superficialismos individualistas do hedonismo (sexo banal, experi\u00eancias dionis\u00edacas, bem-estar, culto do corpo e da imagem, etc.), ou dos espiritualismos desincarnados (culto das energias c\u00f3smicas, cultura \u00abnew age\u00bb, etc.). Tudo isto levanta s\u00e9rios problemas ao real respeito pela pessoa humana concreta, na sua finitude corp\u00f3rea, na sua imperfei\u00e7\u00e3o natural &#8211; enquanto ser humano real, portanto. E esses problemas s\u00e3o problemas colocados aos crist\u00e3os, exigindo a sua corajosa interven\u00e7\u00e3o, mesmo sendo politicamente incorrecta.  <i>VP \u2013 Qual foi o recurso \u00e0 doutrina da Igreja na cr\u00edtica de D. Ant\u00f3nio, \u00e0 pol\u00edtica social do Estado Novo? Manuel Pinho Ferreira \u2013<\/i> Quando saiu a Pacem in terris, chegara ao conhecimento de D. Ant\u00f3nio rumores de que ele tinha colaborado na elabora\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica e que estaria vingado pela sua doutrina, que fora contestada. Deixou, por isso, um testemunho: \u201cOra a\u00ed est\u00e1 o que eu pretendi dizer, mas n\u00e3o estive na elabora\u00e7\u00e3o da Pacem in terris\u201d.  No Congresso irei abordar em que parte da obra D. Ant\u00f3nio seguiu a Pacem in terris. Por exemplo, no Pro-Memoria, a c\u00e9lebre carta a Salazar, ele usou a mesma metodologia da Pacem in terris. Importa apresentar a sociedade capaz de garantir a paz e demais valores, colocando no centro a pessoa humana, assim como o Estado a promover o bem comum e a facilitar os deveres da pessoa. Depois, o Papa Jo\u00e3o XXIII dizia que a sociedade tem de ser fundada na paz, no amor, na liberdade e na justi\u00e7a. D. Ant\u00f3nio cita uma frase de St. Agostinho, recebida de C\u00edcero, em que definia a sociedade pol\u00edtica como resultante da natureza racional da pessoa, exigindo a verdade, para que as pessoas deixem de ser uma multid\u00e3o para passarem a ser as coisas que elas amam. Concluo que o Pro-Memoria foi um documento precursor da Pacem in terris. Nesse aspecto, D. Ant\u00f3nio deu esse testemunho quando saiu a enc\u00edclica e aquando do confronto na Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (um deles deu-se sobre a \u201cPastoral colectiva\u201d e o outro quando se conheceu o Pro-Memoria). <i>Andr\u00e9 Rubim Rangel\/VP<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Congresso internacional chegou hoje ao fim<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[92,147,160,187,191,199,237,238,261,267,272],"class_list":["post-17924","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-25-de-abril","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-joao-paulo-ii","tag-joao-xxiii","tag-missoes","tag-natal","tag-pacem-in-terris"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17924\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}