{"id":17907,"date":"2006-05-10T10:07:37","date_gmt":"2006-05-10T10:07:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/10\/d-antonio-ferreira-gomes-centenario-do-nascimento\/"},"modified":"2006-05-10T10:07:37","modified_gmt":"2006-05-10T10:07:37","slug":"d-antonio-ferreira-gomes-centenario-do-nascimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-antonio-ferreira-gomes-centenario-do-nascimento\/","title":{"rendered":"D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes &#8211; Centen\u00e1rio do Nascimento"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho <!--more--> Poucos dias depois da sua Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal na S\u00e9 do Porto, veio o Senhor D. Ant\u00f3nio a esta sua freguesia celebrar Solene Pontifical nesta ainda n\u00e3o restaurada e mais pequena igreja paroquial, para logo a seguir receber amigos e convidados na casa da Fam\u00edlia. Nascido nesta freguesia de S. Martinho de Milhundos em 10 de Maio de 1906, era filho de Manuel Ferreira e de D. Albina Rosa da Jesus, e era um de nove irm\u00e3os que tinham um tio que tamb\u00e9m hoje recordamos \u2013 o C\u00f3nego Joaquim Ferreira Gomes, que foi Reitor do Semin\u00e1rio de Vilar. Quem conheceu o Senhor D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes adivinha-lhe ainda o ar de repreens\u00e3o e censura para quem \u201cperde\u201d o tempo na \u00e2nsia de encontrar dados biogr\u00e1ficos, tra\u00e7os pessoais, rela\u00e7\u00f5es sociais e obra realizada com a finalidade de lhe elaborar o curr\u00edculo. Mas nesta circunst\u00e2ncia do centen\u00e1rio do seu nascimento, sentimo-nos autorizados a lembrar que frequentou os Semin\u00e1rios diocesanos do Porto entre 1916 e 1925, e a Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana, de 1925 a 1928, nos Cursos de Teologia e Filosofia. Ordenado presb\u00edtero em 1928 por D. Ant\u00f3nio Augusto de Castro Meireles, foi na senda e na luz deste prelado que exerceu as fun\u00e7\u00f5es de Prefeito e Director de Disciplina no Semin\u00e1rio de Vilar, do qual era Reitor seu tio. Em 1936 foi nomeado Vice-Reitor do Semin\u00e1rio com o encargo da Reitoria, e nomeado tamb\u00e9m C\u00f3nego da S\u00e9 do Porto. Desempenhou tamb\u00e9m fun\u00e7\u00f5es de Assistente diocesano de organismos da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. Presen\u00e7a discreta no mundo atrav\u00e9s da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, na assiduidade di\u00e1ria e fiel na S\u00e9 Catedral como membro do Cabido, o Senhor Dom Ant\u00f3nio encontrou no Semin\u00e1rio o espa\u00e7o e o ambiente de uma certa plenitude que o consagrou e permitiu que o seu nome se identificasse e quase preenchesse a hist\u00f3ria do Semin\u00e1rio de Vilar. Foi um eminente pedagogo, n\u00e3o por for\u00e7a de obra escrita ou por virtude de teorias difundidas, mas como educador em pessoa e em atitudes. Ao dizer mais tarde que n\u00e3o se considerava um Bispo \u201cedificante\u201d (nem como empres\u00e1rio, mestre de obras, dono de obras), reivindicou como caracter\u00edstica pr\u00f3pria (olhando para o passado) a preocupa\u00e7\u00e3o de \u201cedificar educando\u201d \u2013 \u201cSempre me quis educador\u201d, dizia. Comentando S. Paulo e a sua doutrina sobre o \u201cpre\u00e7o\u201d da Reden\u00e7\u00e3o, consagrou a divisa que tantos disc\u00edpulos e admiradores n\u00e3o se cansam de citar: \u201cDe joelhos diante de Deus, de p\u00e9 diante dos homens\u201d \u2013 Conselho de pedagogia, de conte\u00fado teol\u00f3gico, esta divisa pode considerar-se como introdu\u00e7\u00e3o e base para tanto que, sem medo e sem reservas, disse e ensinou sobre os direitos humanos. Reitor e Professor do Semin\u00e1rio e C\u00f3nego da S\u00e9, constitu\u00edam o patrim\u00f3nio biogr\u00e1fico de que dispunham os alunos numa cidade aparentemente calma, certamente silenciada, para com raz\u00e3o ficarem surpreendidos com uma not\u00edcia que n\u00e3o andava para n\u00f3s envolvida em previs\u00f5es ou boatos. Em 15 de Janeiro de 1948, poucos dias depois das F\u00e9rias do Natal e de alguma estranha perturba\u00e7\u00e3o no Semin\u00e1rio (por causa de dois inc\u00eandios em curto intervalo), o Senhor Reitor foi nomeado Bispo titular de Rando e Coadjutor de Portalegre e Castelo Branco. Ordenado Bispo em 2 de Maio (festa de St.\u00ba Atan\u00e1sio), seguiu para Portalegre onde sucedeu a D. Domingos Maria Frutuoso por morte deste em 6 de Julho de 1949. Pode dizer-se que em Portalegre se iniciava verdadeiramente a \u201cvida p\u00fablica\u201d do Senhor D. Ant\u00f3nio. Come\u00e7\u00e1vamos a ouvir falar das suas iniciativas pastorais, de homilias e outros escritos que interessavam a opini\u00e3o p\u00fablica, de atitudes e interven\u00e7\u00f5es que o tornaram desejado no Porto, ap\u00f3s a morte de D. Agostinho de Jesus e Sousa, at\u00e9 na esperan\u00e7a de que fosse retomada para continuidade a pr\u00e1tica pastoral de D. Ant\u00f3nio Augusto de Castro Meireles, interrompida abruptamente e adiada para prosseguir na pessoa daquele que sem publicidade era apontado como disc\u00edpulo, delfim e continuador.  Em 13 de Julho de 1952 foi publicada a not\u00edcia da sua nomea\u00e7\u00e3o para Bispo do Porto. Tomou posse em 14 de Setembro, festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, e entrou solenemente na Diocese em 12 de Outubro desse ano, dia que haveria de ser consagrado a Nossa Senhora de Vandoma, padroeira da Cidade do Porto, em homenagem \u00e0 hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es do Porto com a Europa. Os problemas da Igreja e da sociedade portuguesa foram entretanto formalizados como pontos de Agenda para um encontro com o Chefe do Governo, depois de um per\u00edodo eleitoral cr\u00edtico. Falamos do \u201cCaso\u201d do Bispo do Porto, no contexto de uma crise de regime e de governo, que n\u00e3o foi de facto crise da Igreja, mas esteve na g\u00e9nese de um ex\u00edlio de dez anos, interpretados como \u201cmart\u00edrio\u201d, como \u201ctestemunho apost\u00f3lico\u201d e como testemunho pela liberdade e identidade da Igreja no seu Episcopado. Esta interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 do Senhor D. Ant\u00f3nio que, ao despedir-se do seu Clero e da Diocese em Assembleia de 8 de Mar\u00e7o de 1982, afirmava: \u201cDesde o ano de 1952 tenho estado convosco ao servi\u00e7o do Povo de Deus, nesta nossa querida Igreja do Porto em testemunho pela sua liberdade crist\u00e3 e eclesi\u00e1stica\u2026Hoje, ao terminar estes quase trinta anos de colabora\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia, \u00e9-me grato reconhecer que\u2026as decis\u00f5es que tomei, sobretudo as maiores, tomei-as em vosso nome\u2026correspondendo tamb\u00e9m, \u00e0 grande tradi\u00e7\u00e3o da nossa Igreja do Porto\u201d. No Congresso agora reunido para celebrar o centen\u00e1rio do seu nascimento h\u00e1 lugar para examinar e comentar a obra, o pensamento e a ac\u00e7\u00e3o pastoral do Senhor D. Ant\u00f3nio. Mas ousaria dizer que todo o patrim\u00f3nio do seu pensamento, nas \u00e1reas da Filosofia e da Teologia, da Doutrina Social, da \u00c9tica e da Politica, da an\u00e1lise social, dos Direitos humanos, da Sociologia e da Pastoral, diz respeito \u00e0 sua miss\u00e3o episcopal, como magist\u00e9rio, como testemunho, como orienta\u00e7\u00e3o e como inspira\u00e7\u00e3o intelectual. Dizer se foi ou n\u00e3o um Bispo pol\u00edtico \u00e9 uma quest\u00e3o menor, deixada \u00e0 responsabilidade dos detractores e daqueles que n\u00e3o conseguiram compreender a miss\u00e3o e dever de um Bispo \u2013 Pastor, e tamb\u00e9m daqueles que se satisfazem com interpreta\u00e7\u00f5es subjectivas e abusivas. Lembrando que sempre se quis educador e que a Igreja fez dele Pastor, o Senhor D. Ant\u00f3nio deixa-nos perceber o sentido e a inten\u00e7\u00e3o das suas armas de f\u00e9: \u201c In lumine tuo videbimus lumen\u201d (PS. 35, 10) \u2013 \u201c\u00c9 na vossa luz que vemos a luz\u201d. \u00c9 nesta luz que celebramos o Centen\u00e1rio do nascimento do Senhor D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, por esta luz continuamos a ver, a viver e a deixar-nos orientar.  Milhundos, 9 de Maio de 2006 <i>D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto<\/I><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[95,160,187,189,201,203,206,211,232,267,285],"class_list":["post-17907","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-accao-catolica","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-do-porto","tag-direitos-humanos","tag-etica","tag-europa","tag-familia","tag-ferias","tag-incendios","tag-natal","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17907\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}