{"id":179,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ano-internacional-da-agua-doce-sedenta-humanidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ano-internacional-da-agua-doce-sedenta-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-internacional-da-agua-doce-sedenta-humanidade\/","title":{"rendered":"Ano Internacional da \u00c1gua Doce &#8211; Sedenta Humanidade"},"content":{"rendered":"<p>Ad\u00e9rito Gomes Barbosa, scj <!--more--> Ano Internacional da \u00c1gua Doce Sedenta Humanidade  1. A \u00e1gua um bem imprescind\u00edvel. A comunidade civil, nomeadamente a ONU e os seus organismos, tem tomado iniciativas significativas para o melhoramento qualitativo da humanidade. A Igreja tem apoiado essas iniciativas e tem procurado valoriz\u00e1-las com o seu cunho caracter\u00edstico religioso. O Ano Internacional da \u00c1gua Doce (Freshwater) \u00e9 celebrado em 2003. Lan\u00e7ado a 12 de Dezembro de 2002, \u00e9 coordenado pela UNESCO. Decidiu tamb\u00e9m a ONU celebrar o dia 22 de Mar\u00e7o de cada ano como o \u201cDia Mundial da \u00c1gua\u201d. Em 2003, este dia ter\u00e1 como tema: \u201c\u00c1gua para o Futuro\u201d.  A ONU declarou que a \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 um direito humano: \u201cum pr\u00e9-requisito para a realiza\u00e7\u00e3o de todos os direitos humanos\u201d. Apesar dos esfor\u00e7os dos organismos oficiais e mesmo n\u00e3o governamentais (por exemplo, em 1981, a Uni\u00e3o Europeia tinha 15 milh\u00f5es de volunt\u00e1rios) a humanidade tem car\u00eancias enormes: 1.200 milh\u00f5es de pessoas vivem com menos de 1 d\u00f3lar por dia. Segundo a UNICEF, morrem por ano 10 milh\u00f5es de crian\u00e7as, das quais 6 milh\u00f5es morrem todos os anos com fome; 600 milh\u00f5es de pessoas vivem em extrema pobreza e 100 milh\u00f5es de crian\u00e7as ficam sem escola.  Enquanto uma pessoa nos pa\u00edses desenvolvidos utiliza por dia entre 400 a 500 litros de \u00e1gua, nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento n\u00e3o h\u00e1 mais do que 20 litros de \u00e1gua por dia. Nos pa\u00edses desenvolvidos, o volume do fluxo da \u00e1gua da casa de banho \u00e9 o mesmo que o volume utilizado para uma pessoa nos pa\u00edses menos desenvolvidos durante todo o dia. A \u00e1gua custa 5 vezes mais em Nairobi, no Qu\u00e9nia, do que na Am\u00e9rica.  2. S\u00edmbolo da \u00e1gua. A \u00e1gua que cai do c\u00e9u, formando os rios, os ribeiros, as fontes e os mares, serve para saciar a sede, para eliminar as impurezas e para combater o fogo. Sem \u00e1gua n\u00e3o existe nada. Segundo a mitologia eg\u00edpcia, \u00e9 da \u00e1gua que nasce a terra.  Antes da cria\u00e7\u00e3o, as trevas cobriam as \u00e1guas originais e o vento de Deus pairava sobre as \u00e1guas (Gn 1,2). Diz o salmo que Deus fundou a terra sobre os mares e firmou-a sobre os rios (Sl 24,2). A \u00e1gua original tornou-se a \u00e1gua da vida: um rio sa\u00eda do \u00c9den para regar o jardim. (Gn 2,10-14).  De acordo com o esp\u00edrito de Deus, a simples \u00e1gua \u00e9 capaz de realizar prod\u00edgios. Por ordem de Elias (2Re 5,10-14), o general arameu Naam\u00e3 mergulhou 7 vezes no Jord\u00e3o e ficou curado.  A \u00e1gua \u00e9 tamb\u00e9m comparada a Deus, ou seja, o rio que flui do Oriente, a luz de Deus (Ez 47,9). A \u00e1gua aparece na b\u00edblia tamb\u00e9m como figura de infelicidade. Por exemplo, o dil\u00favio (Gn 6,17). Diz o salmo, salva-me \u00f3 Deus, a \u00e1gua est\u00e1 a chegar-me ao pesco\u00e7o (Sl 69,2).  A rela\u00e7\u00e3o entre a \u00e1gua da vida e o esp\u00edrito de Deus aparece tamb\u00e9m nos evangelhos. Quem n\u00e3o nascer da \u00e1gua e do Esp\u00edrito n\u00e3o pode entrar no Reino de Deus (Jo 3,5).  No Baptismo, a \u00e1gua purifica e renova. No \u00faltimo dia da festa das Tendas, Jesus exclamou: se algu\u00e9m tem sede, venha a mim e beba (Jo 7,37ss).  No di\u00e1logo com a samaritana, Jesus distingue a \u00e1gua comum, a do po\u00e7o de Jacob, e a \u00e1gua que d\u00e1 aos que t\u00eam sede: quem beber da \u00e1gua que eu der, nunca mais ter\u00e1 sede (Jo 4,7-14).  S. Ambr\u00f3sio fala da \u00e1gua como canal da gra\u00e7a de Cristo. A \u00e1gua lava tudo. A aspers\u00e3o da \u00e1gua benta \u00e9 s\u00edmbolo de purifica\u00e7\u00e3o espiritual e recorda\u00e7\u00e3o do baptismo.  3.S\u00edmbolo da fonte. Em tempos muito antigos, as fontes eram veneradas como divinas. Em certas religi\u00f5es, os templos eram constru\u00eddos na proximidade de uma fonte ou mesmo sobre ela.  Aparece a imagem das fontes aben\u00e7oadas. Mois\u00e9s, ao bater na rocha, fez brotar do rochedo a \u00e1gua necess\u00e1ria para a vida (Ex 17,6). A estrutura deste relato fundamenta-se na falta de \u00e1gua: o povo protesta, h\u00e1 a media\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s e a seguir a ordem de Deus para fazer brotar a \u00e1gua da rocha (Jo 4, 13ss). Esta sede de \u00e1gua \u00e9 teologicamente interpretada como a sede de infinito. O povo, aqui, \u00e9 apresentado a caminho entre o Egipto (origem) e a terra prometida (destino), entre a escravid\u00e3o e a liberta\u00e7\u00e3o. Poder-se-iam fazer aqui duas perguntas: a primeira \u00e9 dirigida ao povo: o que faz ele para alcan\u00e7ar a terra prometida? A segunda \u00e9 feita pelo povo a Deus: est\u00e1 o Senhor entre n\u00f3s? A resposta a esta pergunta est\u00e1 na \u00e1gua que brota da rocha. Deus continua a ser aquele que mostra vontade e poder de salvar, apesar da desconfian\u00e7a e da revolta dos que t\u00eam de ser salvos. A lenda judaica refere que a rocha ia seguindo os israelitas pelo deserto. Segundo S. Paulo (1Cor 10,4), os israelitas que atravessaram o deserto beberam de uma rocha espiritual e esta rocha era Cristo. Da casa de Yav\u00e9 sair\u00e1 uma fonte (Jl 4,18). A fonte da vida brotar\u00e1 no templo (Ez 47,1-12). Todas as fontes da salva\u00e7\u00e3o prov\u00eam de Deus (Is 12,3). O salmo (Sl 36,9) glorifica o Senhor por dar de beber aos seus fi\u00e9is: a fonte da vida est\u00e1 em ti. A f\u00e9 em Deus torna-se fonte de vida: Aquele que cr\u00ea em mim, do seu seio brotar\u00e3o rios de \u00e1gua viva (Jo 7,38). A fonte da \u00e1gua, referida ao Messias, harmoniza-se com a concep\u00e7\u00e3o da antiguidade oriental segundo a qual o rei \u00e9 para o seu povo fonte de vida. Uma das mais apreciadas pinturas das catacumbas era o milagre da rocha operado por Mois\u00e9s quando faz jorrar com o seu bast\u00e3o a \u00e1gua da rocha. Os Padres da Igreja liam este acontecimento como prefigura\u00e7\u00e3o do baptismo. Na \u00e9poca primitiva, a piscina que servia para o baptismo, semelhante a uma fonte, era alimentada por \u00e1gua corrente.  4.Sede de Deus. A sede \u00e9 um elemento das experi\u00eancias elementares dos povos dos desertos. Para quem tem sede, a bebida significa receber de novo a vida. Uma das experi\u00eancias mais fortes da peregrina\u00e7\u00e3o pelo deserto dos israelitas \u00e9 o facto de n\u00e3o terem sofrido nem fome nem sede. Quando o povo com sede murmurou contra Mois\u00e9s, este a mandato do Senhor, bateu com o bast\u00e3o na rocha e logo saiu \u00e1gua (Ex 17,5).  Sede \u00e9 uma necessidade para manter a vida e \u00e9 uma exig\u00eancia da \u00e1gua da vida, da \u00e1gua de Deus. A minha alma sem sede de v\u00f3s meu Deus (Sl 42,2). Nas profecias, fome e sede s\u00e3o designadas como sinal do julgamento. O interesse de Israel volta-se para tocar flauta e beber vinho, os respons\u00e1veis morrer\u00e3o de fome, os plebeus morrer\u00e3o de sede (Is 5,12). Um copo de \u00e1gua fria mesmo a um dos menores n\u00e3o ficar\u00e1 sem recompensa (Mt 10,42). A sede pode tornar-se exig\u00eancia de justi\u00e7a: bem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, porque ser\u00e3o saciados (Mt 5,6). \u201cQue o sedento venha e quem o deseja receba gratuitamente a \u00e1gua da vida\u201d (Ap 22,17). Sede \u00e9 sede do futuro e sede de Deus.   5. A \u00e1gua da vida. Jesus Cristo veio trazer \u00e0 humanidade a \u00e1gua da vida prometida pelos profetas. Ele \u00e9 a rocha donde sai a \u00e1gua viva capaz de saciar a sede do povo a caminho da Terra Prometida. Ele \u00e9, tamb\u00e9m, o Templo donde sai o rio que h\u00e1-de vivificar a Nova Jerusal\u00e9m. Estas \u00e1guas s\u00e3o \u00e1guas do Esp\u00edrito. Cristo \u00e9 a \u00e1gua viva que sacia a sede a todos aqueles que aderem a Ele e \u00e0 f\u00e9. Deus \u00e9 a \u00e1gua fresca no o\u00e1sis do deserto da vida.   Alfragide, 20 de Janeiro de 2003 Ad\u00e9rito Gomes Barbosa scj  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ad\u00e9rito Gomes Barbosa, scj<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[102,104,154,189],"class_list":["post-179","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-agua","tag-america","tag-crianca","tag-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=179"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}