{"id":17897,"date":"2006-05-09T13:01:01","date_gmt":"2006-05-09T13:01:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/09\/a-desesperanca-de-vida\/"},"modified":"2006-05-09T13:01:01","modified_gmt":"2006-05-09T13:01:01","slug":"a-desesperanca-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-desesperanca-de-vida\/","title":{"rendered":"A desesperan\u00e7a de vida"},"content":{"rendered":"<p>Vale ou n\u00e3o a pena o prolongamento da vida? At\u00e9 quando? Para qu\u00ea? Colocados inquestionavelmente os termos \u00e9ticos \u2013 a vida humana \u00e9 intoc\u00e1vel desde o primeiro instante at\u00e9 ao \u00faltimo alento &#8211; pergunta-se por esse grande intervalo que \u00e9 todo o tempo em que assumimos a exist\u00eancia desde o crescimento at\u00e9 ao decl\u00ednio. \u00c9 a\u00ed que se joga conscientemente a nossa breve felicidade. O respeito pela vida nesse tempo essencial ilumina toda a defesa da vida como um todo de alta dignidade que constitui cada segundo da exist\u00eancia humana. Mas as contas da seguran\u00e7a social (n\u00e3o s\u00f3 por c\u00e1) come\u00e7am a deixar supor que viver muito custa caro, os idosos s\u00e3o um peso para os jovens, a chamada esperan\u00e7a de vida \u00e9 um desespero para os contabilistas que n\u00e3o sabem como esticar os descontos de alguns anos de trabalho em favor de \u201cmuitos\u201d anos de velhice, inactividade, despesa p\u00fablica e, como se presume de alguns discursos, de desperd\u00edcio de vida. Nesse caso, e usando legitimamente uma frac\u00e7\u00e3o de ironia, os hospitais poderiam colaborar, juntamente com as ambul\u00e2ncias, as farm\u00e1cias, os m\u00e9dicos, desmobilizando-se dos fatigantes esfor\u00e7os de prolongar a vida a quem j\u00e1 deveria produzir rendimentos p\u00fablicos com a sua inofensiva aus\u00eancia. Ainda por cima \u2013 e para fechar este cap\u00edtulo de pressupostos indecorosos \u2013 com gente que, al\u00e9m de quase apenas vegetar, sente que j\u00e1 n\u00e3o faz nada nem nada de interessante tem a fazer c\u00e1 por baixo.  Importa aqui fazer breve viagem por outro circuito: o controlo da natalidade \u00e9 um dado adquirido e inteligente do desenvolvimento. Toda a gente sabe que nenhum homem ou mulher deve ter o n\u00famero de filhos que fisicamente \u00e9 capaz de gerar. Mas o que parece \u00f3bvio \u00e9 que \u00e0 antiga aus\u00eancia de contas demogr\u00e1ficas sucedeu um c\u00e1lculo estreito e acomodado a raz\u00f5es pragm\u00e1ticas. Como referiu o P\u00fablico, as \u201cfam\u00edlias de filho \u00fanico representam um ter\u00e7o do total a n\u00edvel nacional\u201d. O que gera, como se sente, uma sociedade de velhos pela simples raz\u00e3o de definir os filhos como um peso prim\u00e1rio e como um deficit insustent\u00e1vel para o or\u00e7amento familiar.  Aqui come\u00e7a outra hist\u00f3ria: a l\u00f3gica desta atitude infere-se de diversos recantos: cultura, economia, concep\u00e7\u00e3o de vida, amor, entrega gratuita, partilha radical do ser e do ter. Quanto a velhice, senectude, terceira idade, ou a eufem\u00edstica express\u00e3o de idoso, presb\u00edtero, anci\u00e3o, vetusto, provecto \u2013 tudo n\u00e3o passa duma sobrecarga de desafectos que tem origem na concep\u00e7\u00e3o da vida como um peso. Mesmo quando o n\u00e3o soube dizer bem \u2013 o cristianismo sempre celebrou a vida humana numa dimens\u00e3o \u00fanica, original e prof\u00e9tica, sem margem para ambiguidades.  <i>Ant\u00f3nio Rego<\/I><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vale ou n\u00e3o a pena o prolongamento da vida? At\u00e9 quando? Para qu\u00ea? 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